Brasil: pior do que Corinto

Nos Estados Unidos, os brasileiros são conhecidos por algumas características. As mulheres são muito desejadas (as mulheres mais bonitas do mundo, dizem). Já os homens têm uma fama bem ruim: infiéis, mulherengos e enganadores. Em geral, diz-se que o Brasil é um país de corpos bonitos, e as pessoas que vão ao Brasil e conhecem a realidade, voltam meio decepcionadas quando não encontram toda a beleza e a sensualidade que esperavam.

Na verdade, o brasileiro se orgulha disso. No país da malandragem, a sexualidade não poderia deixar de ser contaminada. Pureza, modéstia e simplicidade são defeitos. Os homens gostam da fama de terem muitas mulheres ou de atraírem o desejo de várias. Muitas mulheres também gostam de colocar fotos provocativas e de ganhar curtidas de homens nas redes sociais. Até na hora de escolher um cônjuge, muitos cristãos preferem a sensualidade à seriedade e à responsabilidade.

Inofensivo, certo? Pelo menos aqui não explodimos ninguém por causa da fé ou não vemos atiradores em escolas. Melhor ser sensual e alegre do que triste e depressivo, não é mesmo? Mas todo pecado leva à morte, como Paulo ensina em Romanos 3:23

porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

E morte é exatamente o que encontramos quando vivemos uma sociedade onde o estupro coletivo parece tr se banalizado. Como se não bastasse o choque de uma adolescente ser estuprada por cerca de 30 pessoas, agora há a notícia de uma menina de 11 anos de idade que foi dopada e estuprada em uma festa junina de igreja católica! Pior: ela foi abusada por outros menores de idade.

O que produz isso? Creio que parte da resposta pode ser achada na primeira carta do apóstolo Paulo aos coríntios. O nosso texto-base segue abaixo:

Geralmente, se ouve que há entre vós imoralidade e imoralidade tal, como nem mesmo entre os gentios, isto é, haver quem se atreva a possuir a mulher de seu próprio pai. E, contudo, andais vós ensoberbecidos e não chegastes a lamentar, para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou?
Eu, na verdade, ainda que ausente em pessoa, mas presente em espírito, já sentenciei, como se estivesse presente, que o autor de tal infâmia seja,
em nome do Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de Jesus, nosso Senhor, entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus.
Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda? Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. Por isso, celebremos a festa não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia, e sim com os asmos da sinceridade e da verdade. (1 Coríntios 5:1-8)

Quando a Igreja é pior que o mundo

Espera-se de uma igreja que, apesar de suas falhas, tenha um padrão de conduta superior ao da sociedade ao redor. Isso não deveria ser difícil no caso da cidade de Corinto. Lá ficava um grande templo dedicado à deusa Afrodite, e muitas sacerdotisas se prostituíam com os adoradores, como uma forma de culto. A cidade também era um porto, local de passagem de vários marinheiros que estavam longe da vista de suas esposas e entediados depois de semanas ou meses no mar. Em Corinto, o sexo estava no ar da cidade e intoxicava quem passava por lá.

Seria possível que alguma coisa pudesse chocar os coríntios? Sim. Na igreja de Corinto acontecia uma imoralidade sexual que não era tolerada nem mesmo entre os pagãos. Um homem da Igreja possuía a mulher do pai, provavelmente a madrasta. O fato estava na boca do povo e até Paulo, que nem estava na cidade, soube do escândalo.

Contudo, a Igreja não se lamentou e andava ensoberbecida, orgulhosa de si mesma e de sua suposta santidade. Enquanto uma família desmoronava sob o peso do escândalo, eles discutiam se os cristãos que oravam em línguas eram ou não mais espirituais qe os outros. O pecador não era constrangido. Ele não foi tirado do meio da Igreja. O seu pecado era conhecido e tolerado. E assim a Igreja tornava-se mais imoral que os pagãos.

threemonkeysÉ algo assim que faz do Brasil um país onde crianças são estupradas em uma festa de igreja. Mesmo na imoral Corinto havia limites. Certas práticas sexuais eram condenadas e reprimidas pela sociedade. O respeito pelo próprio pai era um desses limites. No Brasil, porém, o povo canta músicas que fazem apologia ao estupro. A nossa festa máxima é marcada pelos corpos nus e seminus expostos ao público, e por uma promiscuidade sexual que é elogiada pelos jornalistas. E o brasileiro se orgulha de ser quem é. “O melhor do Brasil é o brasileiro”, diz o ditado. Andamos ensoberbecidos e não afastamos os imorais do nosso meio.

Gostaria de dizer que os cristãos são diferentes, mas não parece ser o caso. Volta e meia descobrimos casos de adultério, abuso sexual e violência sexual mesmo em meio aos líderes. Há oficiais da Igreja que adulteram, a Igreja sabe, e eles não são confrontados. O menino “pegador” não é recriminado, nem pelos pais e nem pelos seus líderes. Falar da decência no vestir-se é pedir para ser chamado de fariseu.

A necessidade da disciplina

Entretanto, por mais difícil que seja confrontar alguém por causa de um pecado sexual tão escandaloso, essa confrontação é necessária. Omitir-se é pecado. Pior, é o pecado que permite que o mal crie raízes, seja repetido e aprofundado.

No caso da Igreja, a Bíblia é clara. Os irmãos que se envolvem em imoralidades sexuais tão graves devem ser retirados da comunhão. Tais pessoas devem ter suas carnes “entregues a Satanás”, na esperança de que a disciplina produza arrependimento e o espírito seja salvo no dia de Jesus. A restauração não pode acontecer se a justiça não for feita.

A Bíblia usa ainda uma outra figura: a do fermento. Não é preciso muito fermento para levedar toda a massa do pão. O que isso significa? É simples: quando toleramos um pouco de pecado, e não o confrontamos, não pregamos contra, não alertamos as pessoas sobre ele, esse pecado passa a fazer parte da cultura da Igreja. Ele se torna algo normal, um desvio que qualquer um pode cometer. E o mesmo vale para qualquer sociedade.

Na hipótese mais branda, os estupradores deveriam receber uma punição equivalente ao dano que eles provocaram. Mas isso não é suficiente. O velho fermento precisa ser jogado fora. O brasileiro tolera a sensualidade, o adultério, a prostituição e a promiscuiade como algo saudável e normal. Sim, até o adultério…quem nunca ouviu (e se calou) diante de um colega de trabalho que falou abertamente sobre as vezes em que traiu a esposa? Se não há nenhuma repreensão ou choque diante desses relatos, é porque o adultério já levedou também.

É preciso jogar fora a cultura da imoralidade, da sensualidade, da pornografia, do ficar, do baile funk e do sertanejo universitário, da arte que glorifica e exalta a imoralidade e é cantada e celebrada pelo povo como cultura. É preciso rejeitar esse vínculo identitário do brasileiro com a imoralidade. Isso não faz parte da nossa identidade, da nossa essência, do que somos. E confrontar e disciplinar adequadamente os imorais é uma ótima forma de começar isso.

Sinceridade e verdade

Mas apenas disciplinar não resgatará uma igreja ou um país de uma cultura de pecado. É preciso substituir um amor pelo outro. No caso, o amor pela maldade e pela malícia deve dar lugar ao nosso amor pela sinceridade e pela verdade. E isso só pode ser feito por meio de Jesus Cristo.

No texto que lemos, a Bíblia nos diz que precisamos ser “uma nova massa”. Depois que uma massa de pão fermenta, não há mais como retirar o fermento. É preciso fazer outra massa. Da mesma forma, uma vez que o pecado entra em nós, não há mais como redimir o nosso velho ego. Uma nova identidade, uma nova natureza, uma nova criação precisa ser feita. E apenas Jesus pode fazer isso.

Não há como rejeitar o estupro e tolerar a pornografia ou mesmo a música que canta um estupro. Não há como rejeitar a imoralidade sexual sem rejeitar também a maldade, a malícia, a mentira, a desonestidade e tudo o que compõe o nosso ego atual. É preciso jogar a massa fora, jogar a nossa identidade fora, negar radicalmente o que somos. E, então, permitir que Cristo faça de nós uma nova massa, marcada pela sinceridade e pela verdade.

Shmura_MatzoPor que a Bíblia fala dos pães asmos (sem fermento) aqui? A referência é ao sacrifício da Páscoa, quando os judeus imolavam um cordeiro e comiam pães asmos para relembrar o dia em que saíram do Egito, deixaram de ser escravos e se tornaram livres. Porque Cristo foi imolado na cruz, como o nosso Cordeiro Pascal, nós também podemos ser libertos da nossa escravidão ao pecado.

Se Cristo nos criar, nossos relacionamentos serão marcados pela sinceridade. Jogos românticos, estratégias para enganar, a busca de oportunidades para abusar do nosso próximo, nada disso terá lugar. Falsas promessas de amor não serão feitas. Pessoas que não estão prontas para assumir um relacionamento não poderão esconder isso de ninguém. A sinceridade não convive com disfarces.

A verdade não deixará lugar para a falsidade e a mentira. O amor não será fingido, mas verdadeiro. Não haverá motivos para a desconfiança. Quando o erro acontecer, ele será confessado. E nós poderemos perdoar, porque as intenções da confissão são verdadeiras.

Para refletir

Talvez você esteja pensando o quão distantes nós estamos de atingir esse padrão. De fato, somente Jesus pode amar e se relacionar assim. Mas, se Cristo é o nosso Cordeiro Pascal, o nosso Deus, e se nos alimentamos d’Ele, Ele fará de nós uma nova massa. Não importa o quão levedados pelo pecado nós somos, que coisas horríveis estão no nosso passado. Para vítimas e para criminosos, para todos nós, há a esperança de sermos uma nova massa. Cristo tem esse poder.

Enquanto isso, podemos refletir em algumas perguntas:

1) Que brechas tenho aberto para a sensualidade na minha vida pessoal? Tenho conversas ou ouço músicas que me ensinam a me relacionar de modo imoral? Vejo sites, programas de TV, filmes ou jogos que ensinam a imoralidade como algo normal?

2) Qual a gravidade que atribuo aos meus pecados sexuais? Será que os considero como algo inofensivo e que não pode crescer? Ou tenho dado a eles o peso que a Bíblia lhes dá?

3) Acredito mesmo no poder de Jesus para renovar todo o meu ser? Tenho buscado ler a Bíblia, orar e ter conversas que me ajudam a confiar n’Ele e renovar a minha mente?

4) O que desejo promover em meus relacionamentos: maldade e malícia ou sinceridade e verdade? Minhas ações e a forma como gasto meu tempo mostram que tenho promovido o quê?

5) Como minha igreja e minha comunidade tem tratado dos graves pecados que ocorrem em seu meio? O que posso fazer para ajudar a atingirmos o padrão bíblico sobre como lidar com graves pecados?

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Anúncios

Gibeá é aqui

No Brasil, a quantidade de crimes chocantes é tão alta, que já se criou uma espécie de insensibilidade em relação à violência. Embora a imagem dos brasileiros seja a de um povo tranquilo, e até devoto, a verdade é que os níveis de pecado e de iniquidade são tão altos, que chegam a superar sociedades que foram destruídas na Bíblia por sua maldade. E isso fica claro quando ficamos sabendo de uma menina de 16 anos que foi estuprada por cerca de 30 traficantes de droga no “Morro da Barão”, no Rio de Janeiro.

Não, isso não aconteceu em lugares distantes e exóticos, como a Índia ou o Afeganistão. Aconteceu no Rio, e os estupradores ainda postaram fotos e vídeos gabando-se do que fizeram. Como é possível que um estupro coletivo seja comemorado e compartilhado em redes sociais? A que ponto chegamos?

Histórias assim nos lembram porque a Bíblia conta histórias igualmente escabrosas, como o estupro e assassinato da mulher do levita, narrado nos três últimos capítulos do livro de Juízes. Infelizmente, o retrato da sociedade brasileira lembra muito a Israel daqueles dias tão conturbados.

Desrespeito à mulher

Uma primeira caracteristica comum que podemos encontrar nos dois episódios é o desrespeito à mulher. Tanto lá como cá, ainda há pessoas que vêem as mulheres como seres inferiores aos homens, que acham que podem tratá-las como se fossem objetos, bens, uma espécie de posse. Apesar de separados por milênios, as duas histórias mostram uma inversão de papéis entre o homem e a mulher. A Bíblia ensina que a mulher deve ser protegida pelo homem. Mas, nos dois casos, a mulher é atacada por eles.

A história de Juízes começa com uma briga conjugal entre um homem da tribo de Levi e sua concubina. Esse status já a coloca em uma situação inferior, porque ela era mulher do levita, mas não tinha todos os direitos e honras devidos a uma esposa. Por algum motivo, a concubina deixa o levita e retorna à casa de seu pai. O levita vai atrás dela e consegue se reconciliar, e os dois voltam pra casa.

No caminho, eles precisam pernoitar em alguma cidade. O servo do levita sugere que eles parem em Jebus, uma cidade cananéia. Os cananeus eram conhecidos por sua pecaminosidade, como bem ilustra a Bíblia:

Depois que o Senhor, o seu Deus, os tiver expulsado da presença de você, não diga a si mesmo: “O Senhor me trouxe aqui para tomar posse desta terra por causa da minha justiça”. Não! É devido à impiedade destas nações que o Senhor vai expulsá-las da presença de você. Não é por causa de sua justiça ou de sua retidão que você conquistará a terra delas. Mas é por causa da maldade destas nações que o Senhor, o seu Deus, as expulsará de diante de você, para cumprir a palavra que o Senhor prometeu, sob juramento, aos seus antepassados, Abraão, Isaque e Jacó. (Deuteronômio 9:4-5)

O levita prefere evitar o perigo, e diz que eles irão andar até uma cidade de Israel. Em tese, o que se esperava é que os israelitas fossem mais piedosos do que os cananeus. Chegando na cidade de Gibeá, da tribo de Benjamim, eles são acolhidos por um senhor. E aí acontece um fato escabroso: o estupro e o assassinato da concubina:

Enquanto eles se alegravam, eis que os homens daquela cidade, filhos de Belial, cercaram a casa, batendo à porta; e falaram ao velho, senhor da casa, dizendo: Traze para fora o homem que entrou em tua casa, para que abusemos dele. O senhor da casa saiu a ter com eles e lhes disse: Não, irmãos meus, não façais semelhante mal; já que o homem está em minha casa, não façais tal loucura. Minha filha virgem e a concubina dele trarei para fora; humilhai-as e fazei delas o que melhor vos agrade; porém a este homem não façais semelhante loucura. Porém aqueles homens não o quiseram ouvir; então, ele pegou da concubina do levita e entregou a eles fora, e eles a forçaram e abusaram dela toda a noite até pela manhã; e, subindo a alva, a deixaram. Ao romper da manhã, vindo a mulher, caiu à porta da casa do homem, onde estava o seu senhor, e ali ficou até que se fez dia claro. (Juízes 19:22-26)
É claro que é difícil se colocar no lugar do homem velho. O que fazer quando dezenas de homens, mais novos do que você, se juntam e querem estuprar o seu hóspede? Talvez ele não pudesse evitar um grande ato de violência. Em seu desespero, ele considera a filha e a concubina como uma saída, e as oferece aos estupradores. Mais do que isso: ele mesmo entra em casa, pegou a mulher do levita e a entregou, do lado de fora, na mão dos estupradores. Aquele que se ofereceu para acolher e proteger, foi quem entregou a mulher aos seus abusadores.
violênciamulher
Igualmente chocante é a omissão do marido no meio de tudo isso. Ele poderia ter ido e morrido para salvar a sua mulher e o velho. Se tivesse feito isso, ele cumpriria com o seu chamado de marido, como a Bíblia deixa explícito séculos depois, em Efésios 5:25:
Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela
Esse “entregar” foi, literalmente, morrer. Jesus foi para a cruz morrer pela sua Noiva, a Igreja, para evitar que ela sofresse o juízo divino e fosse liberta do poder de Satanás, o Abusador-Mor dos seres humanos. Conscientemente, Jesus enfrentou torturas físicas e uma morte dolorosa, para nos poupar. É isso o que maridos devem fazer por suas esposas.
Porém, quando um homem é incapaz de assumir um relacionamento, a ponto de dar a ele a dignidade de um casamento, é difícil pensar que ele seja capaz de tal sacrifício. O levita não tentou impedir o velho. Ele não tentou negociar com ninguém. Ele ficou dentro de casa, sabendo que sua mulher estava sendo violentada. Ele esperou até o dia amanhecer para sair e ver a sua esposa. Ele deveria morrer por ela, mas ela morreu para salvar a vida dele.
O mesmo desprezo ocorreu no Morro da Barão. Homens que traficam drogas mostram que não se importam muito com a dignidade humana. São violentos. Usam armas para enfrentar as autoridades, dominam sobre uma comunidade como se fossem o Estado ali. Não é de se espantar que eles resolvam estuprar uma mulher. Felizmente, no caso brasileiro, a menina sobreviveu. Mas poderia ter morrido, como muitas outras que são vítimas de estupros e violências de todo tipo. Aliás, figuradamente, o que não faltam são mulheres que “morrem” para proteger, salvar ou confortar homens.
A proteção dos maus
Por si sós, os relatos são malignos o suficiente. Mas a maldade humana sempre pode descer mais alguns degraus. É o que acontece, de modo geral, no Brasil e naquele caso particular, retratado em Juízes.
Primeiro, vamos à Bíblia. Após a morte da sua mulher, o levita esquarteja seu corpo e o envia para as doze tribos de Israel. Elas se reúnem e o levita conta o que aconteceu. Os demais israelitas querem justiça. Mas, quando eles pediram que Gibeá lhes entregasse os malfeitores, o que aconteceu é estarrecedor:
As tribos de Israel enviaram homens por toda a tribo de Benjamim, para lhe dizerem: Que maldade é essa que se fez entre vós? Dai-nos, agora, os homens, filhos de Belial, que estão em Gibeá, para que os matemos e tiremos de Israel o mal; porém Benjamim não quis ouvir a voz de seus irmãos, os filhos de Israel. Antes, os filhos de Benjamim se ajuntaram, vindos das cidades em Gibeá, para saírem a pelejar contra os filhos de Israel. (Juízes 20:12-14)
A tribo de Benjamim se uniu para proteger os assassinos! Mais do que isso: os benjamitas pegaram em armas para lutar contra Israel! A atitude parece-se muito com a que certos setores da sociedade brasileira adotam em relação aos criminosos. Se um menor comete um crime bárbaro como esse (lembra do Champinha?), há quem defenda o estuprador e assassino. Se falamos em pena de morte, ou em prisão perpétua, há escritores, personalidades e até autoridades que se levantam para combater os que querem justiça. Quando um político é preso ou gravado por causa de crime, os companheiros do partido se levantam para condenar os policiais e juízes, e até fazem vaquinha para pagar multa aplicada a um ladrão.
Isso é muito grave aos olhos de Deus:
Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem. (Romanos 1:32)
Ali, Paulo descreve vários pecados cometidos em seu tempo. Entre eles, homicídios, imoralidades sexuais, contendas e a ausência de afeição natural e misericórdia. Só isso já seria grave. É óbvio que os que cometem tais crimes sabem da condenação divina: a sua consciência os acusa. Contudo, eles não apenas abafam a consciência, como chegam a aprovar os que procedem dessa maneira. Assim, cristalizam o pecado na sociedade.
Isso é mais comum do que parece. Os benjamitas protegeram os assassinos porque eles eram parentes, parte da mesma tribo. Não são só políticos que agem assim. Pais impedem que seus filhos sejam disciplinados quando erram porque…são seus filhos! Familiares de criminosos ocultam o parente e o ajudam a fugir da polícia. Mães de traficantes se calam e não entregam seus filhos, mesmo sabendo que eles estão se tornando cada vez mais violentos.
Jesus foi amigo de pecadores e deu a vida para salvá-los. Mas Jesus não morreu para que os pecadores simplesmente escapassem impunes da ira divina. Jesus não foi como os benjamitas, ele não lutou contra o Pai para evitar que a justiça divina nos alcance. Ao contrário, Jesus morreu para nos livrar do pecado de uma maneira que satisfizesse a justiça divina:
Deus o (Jesus) ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça. Em sua tolerância, havia deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; mas, no presente, demonstrou a sua justiça, a fim de ser justo e justificador daquele que tem fé em Jesus. (Romanos 3:25-26 NVI)
O pecado cometido precisa ser pago por alguém. Para que o perdão aconteça, alguém precisa absorver o dano. Jesus fez isso no lugar dos que crêem n’Ele. No último dia, se alguém perguntar quem vai pagar pelo estupro que sofreu, pelo roubo que foi cometido contra você ou por qualquer outro mal perpetrado pela Igreja, a resposta será: Jesus pagou. E isso não é injusto, porque, aos olhos de Deus, todos nós merecemos o inferno. O mesmo perdão dado a quem nos fez o mal também é oferecido a nós. A morte de Cristo é a demonstração da justiça de Deus para o nosso tempo.
disque180
A impunidade mata
Mas, o que acontece quando o pecador é protegido da justiça? A resposta é: mais males vão acontecer. Ao contrário da crença comum do Ocidente contemporâneo, a ausência de confrontação e castigo do mal não põe fim ao ciclo de violência. A impunidade apenas traz mais mortes.
No livro de Juízes, as demais tribos de Israel lutaram, de fato, contra os benjamitas. Dezenas de milhares de pessoas perderam suas vidas, de ambos os lados. Benjamim foi quase que inteiramente destruída. Tivesse Benjamim entregue os estupradores e assassinos, apenas eles morreriam. A dor de todos os que realmente amavam a mulher não acabaria. Mas, quando um grupo protege um dos seus da justiça, o que acontece é que essa dor se espalha muito mais.
Ressalte-se que, quanto a isso, Israel não errou. Se o mal não for punido, ele será cometido novamente, e outros se sentirão motivados a praticá-lo. A punição evita que os simples se voltem para a maldade. O tema é recorrente no livro de Provérbios:
Homem de grande ira tem de sofrer o dano; porque, se tu o livrares, virás ainda a fazê-lo de novo. (Provérbios 19:19)
Quando o escarnecedor é castigado, o simples se torna sábio; e, quando o sábio é instruído, recebe o conhecimento. (Provérbios 21:11)
O mau, é evidente, não ficará sem castigo, mas a geração dos justos é livre. (Provérbios 11:21)
Quando o dano não é feito, quando o escarnecedor não é castigado, o resultado é um castigo ainda maior. Deus promete: “o mau não ficará sem castigo”. Se os homens se recusam a aplicar a justiça, Deus a aplicará, como ensina o próprio Novo Testamento:
é porque o Senhor sabe livrar da provação os piedosos e reservar, sob castigo, os injustos para o Dia de Juízo, especialmente aqueles que, seguindo a carne, andam em imundas paixões e menosprezam qualquer governo. Atrevidos, arrogantes, não temem difamar autoridades superiores, ao passo que anjos, embora maiores em força e poder, não proferem contra elas juízo infamante na presença do Senhor. (1 Pedro 2:9-11)
O que acontece hoje, no Brasil, é o mesmo que aconteceu com Benjamim. Porque nós nos recusamos a fazer o que Deus quer, a morte se alastra. Mais de 50 mil assassinatos por ano, sabe-se lá quantos estupros, latrocínios, quantas crianças sendo abusadas fisicamente, quantas mulheres sendo espancadas…e nos perguntamos por que a violência não para. A resposta é simples: somos desobedientes à Deus. Não estamos dispostos a enfrentar os maus e a arriscar nossas vidas para que a justiça seja feita. Somos o país da impunidade.
pizza
Espera-se que a Polícia consiga identificar e prender os estupradores. Com certeza, vários deles já devem ter tido passagens pela polícia e foram soltos em algum momento, como aconteceu com vários outros. No Brasil, as vítimas sofrem uma vida inteira as suas perdas, enquanto os maus são protegidos por uma lei benévola. A impunidade é quase uma certeza.
Uma esperança
Mas, há alguma esperança para o Brasil? Sim, há uma: Jesus. Nele não apenas encontramos perdão para os nossos pecados e omissões, mas uma nova vida:
Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus. Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus. (1 Coríntios 6:9-11)
Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. Assim que, nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos deste modo. E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. (2 Coríntios 5:14-17)
Se Jesus é, de fato, o nosso Deus, então há perdão e há mudança para nós. Basta crer e se submeter a Ele. Ainda há tempo para os criminosos se humilharem diante de Deus, e escaparem do inferno, embora tenham que sofrer a justiça humana. Ainda há tempo do Brasil se arrepender, e voltar à lei de Deus, e pagar o preço que a justiça exige de nós. Em Cristo, há tempo.
Para refletir
1) Tenho tratado bem a todas as pessoas ou as tenho “matado” pelo meu bem-estar? Sou alguém que protege e está disposto a se sacrificar, ou alguém predisposto a exigir sacrifícios dos outros, para poupar-me?
2) Que perigos me levariam a colocar outras pessoas em risco? Tenho coragem para enfrentar os perigos que nos cercam?
3) Como tenho tratado meu cônjuge (ou namorada, ou namorado)? Dou a ele a honra que lhe é devida ou o trato como se fosse um concubino ou concubina?
4) Como tenho me posicionado diante da impiedade no nosso país? Sou alguém que busca a Justiça ou alguém que a evita?
5) No que as minhas atitudes tem refletido o posicionamento de Cristo quanto à violência contra a mulher e à impunidade?
Graça e paz do Senhor,
Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Gibeá e o terrorismo islâmico

A Bíblia é um livro escrito para todas as pessoas, em todos os tempos…mas engana-se quem pensa que não existem nela partes “censuradas para menores”. E não poderia ser diferente. Como um livro sagrado, a Bíblia toca todos os aspectos da vida humana, inclusive aqueles mais macabros e escabrosos. Há histórias que falam de sexo e violência, cuja mensagem é fácil de ser entendida, mas, às vezes, é difícil de ser digerida. Entretanto, a realidade mostra a necessidade de tais textos.

É o que vemos hoje com os terroristas islâmicos. O nível de violência e maldade atingido por estes grupos atingiu índices intoleráveis. Se os campos de concentração nazistas provocaram a indignação do mundo e justificaram a guerra contra Hitler, o que dizer quando lemos que o Estado Islâmico (EI) está crucificando e enterrando crianças vivas? A reportagem vai além: elas são vendidas como escravas sexuais, treinadas para serem soldados e usadas como homens-bomba e escudos humanos! Isso sem falar nos vídeos de decapitações e, agora, de prisioneiros sendo queimados vivos!

Mas o Estado Islâmico não está sozinho. O Boko Haram, na Nigéria, também usa meninas-bomba em atentados, além de sequestrar e escravizar sexualmente outras meninas, que também são usadas como soldados. Para mim, que sou cristão, o pior é que os cristãos são alvo do ódio desses e de outros grupos, mas a violência é tão grande que até outros muçulmanos sofrem com essa violência.

sangue

E é quando coisas mórbidas e macabras como essas acontecem que precisamos ler histórias como a destruição de Gibeá, contada nos capítulos 19, 20 e 21 do livro de Juízes.

O pecado além do normal
Não vou reproduzir o texto aqui por causa do tamanho. Mas vou resumir a história. Um levita (natural da tribo de Levi) havia se reconciliado com a sua concubina, que havia fugido de casa e retornado ao lar de seus pais. Na viagem de volta, o levita se hospeda em uma casa na cidade de Gibeá, da tribo de Benjamim. Lá, os moradores de Gibeá cercam a casa onde está o levita e querem estuprá-lo. O anfitrião acaba colocando a esposa do levita do lado de fora da casa e ela é estuprada e violentada a noite toda. De manhã, ela está morta.

O levita pega então o corpo da mulher, divide o cadáver em doze pedaços e manda cada pedaço para uma das doze tribos de Israel. Os israelitas ficaram chocados com o crime.

Cada um que a isso presenciava aos outros dizia: Nunca tal se fez, nem se viu desde o dia em que os filhos de Israel subiram da terra do Egito até ao dia de hoje; ponderai nisso, considerai e falai. (Juízes 19:30)

Há uma reunião das tribos para decidir o que fazer. Eles resolvem pedir aos moradores de Gibeá que entreguem os homens que cometeram aquele crime bárbaro. Só que, ao invés disso, não apenas os moradores de Gibeá, como toda a tribo de Benjamim, se reuniram para a guerra. Os benjamitas estavam dispostos a matar e a morrer para proteger os criminosos.

As tribos de Israel enviaram homens por toda a tribo de Benjamim, para lhe dizerem: Que maldade é essa que se fez entre vós? Dai-nos, agora, os homens, filhos de Belial, que estão em Gibeá, para que os matemos e tiremos de Israel o mal; porém Benjamim não quis ouvir a voz de seus irmãos, os filhos de Israel. Antes, os filhos de Benjamim se ajuntaram, vindos das cidades em Gibeá, para saírem a pelejar contra os filhos de Israel. E contaram-se, naquele dia, os filhos de Benjamim vindos das cidades; eram vinte e seis mil homens que puxavam da espada, afora os moradores de Gibeá, de que se contavam setecentos homens escolhidos. (Juízes 20:12-15)

É impossível não ver uma similaridade entre a tribo de Benjamim e muitos muçulmanos em tal caso. Se os benjamitas fossem corretos, eles teriam entregue os criminosos. Se a cidade de Gibeá se recusasse a fazê-lo, as outras cidades da tribo de Benjamim deveriam ter se unido às outras tribos e lutado para que a justiça fosse feita! Mas o “laço de sangue” falou mais alto do que a justiça. No caso dos terroristas islâmicos, é preciso que os próprios muçulmanos se disponham a entregar aqueles que fazem tamanha violência! Se é verdade, como muitos dizem, que tais terroristas não representam o verdadeiro islamismo, então os demais deveriam ser os primeiros a lutar contra esses grupos. Até porque o que vemos hoje é ainda mais abjeto do que a situação retratada no livro dos Juízes.

"The Laborer of Gibea Offering Hospitality to the Levite and His Wife", de Daniel Jansz Thievaert
“The Laborer of Gibea Offering Hospitality to the Levite and His Wife”, de Daniel Jansz Thievaert

O juízo de Deus sobre os violentos
E se essa entrega não acontecer? Devemos deixar esses grupos agirem e não inferferir, deixando que o “livre curso dos acontecimentos” leve a situação a um desfecho? Biblicamente a resposta é não. Quando a violência e o pecado crescem a níveis intoleráveis, ou o Senhor intervém diretamente (Sodoma) ou ele usa as nações para interferir (Canaã).

Então, disseram os homens a Ló: Tens aqui alguém mais dos teus? Genro, e teus filhos, e tuas filhas, todos quantos tens na cidade, faze-os sair deste lugar; pois vamos destruir este lugar, porque o seu clamor se tem aumentado, chegando até à presença do SENHOR; e o SENHOR nos enviou a destruí-lo. (Gênesis 19:12-13)

Com nenhuma destas coisas vos contaminareis, porque com todas estas coisas se contaminaram as nações que eu lanço de diante de vós. E a terra se contaminou; e eu visitei nela a sua iniqüidade, e ela vomitou os seus moradores. Porém vós guardareis os meus estatutos e os meus juízos, e nenhuma destas abominações fareis, nem o natural, nem o estrangeiro que peregrina entre vós; porque todas estas abominações fizeram os homens desta terra que nela estavam antes de vós; e a terra se contaminou. Não suceda que a terra vos vomite, havendo-a vós contaminado, como vomitou o povo que nela estava antes de vós. (Levítico 18:24-28)

A violência e a corrupção também motivaram o Senhor a destruir a sociedade nos dias de Noé:

A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência. Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra. Então, disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra. (Gênesis 6:11-13)

Para completar, os salmos imprecatórios da Bíblia foram escritos para situações assim. Em tais salmos, vemos o salmista amaldiçoar aqueles que se levantam para fazer o mal, como vemos nos salmos 69 (um dos mais citados no Novo Testamento e que profetiza a crucificação de Jesus), 109 e 137. Esses salmos não são ultrapassados ou desprovidos de sentido. Eles nos ensinam a orar. E nos falam que devemos orar pedindo justiça! Vejam, por exemplo, o salmo 69, que é, claramente, uma oração de Jesus.

Por alimento me deram fel e na minha sede me deram a beber vinagre.
Sua mesa torne-se-lhes diante deles em laço, e a prosperidade, em armadilha.
Obscureçam-se-lhes os olhos, para que não vejam; e faze que sempre lhes vacile o dorso.
Derrama sobre eles a tua indignação, e que o ardor da tua ira os alcance.
Fique deserta a sua morada, e não haja quem habite as suas tendas.
Pois perseguem a quem tu feriste e acrescentam dores àquele a quem golpeaste.
Soma-lhes iniqüidade à iniqüidade, e não gozem da tua absolvição.
Sejam riscados do Livro dos Vivos e não tenham registro com os justos. (Salmo 69:21-28)

É bom orar pelos inimigos e pedir que eles se arrependam. Se isso acontecer, tanto melhor. Mas quando o bem é pago com mal, o Senhor também quer que façamos orações pedindo justiça! E o dever da Igreja é o de pregar e anunciar a maldição do Senhor sobre tais pecadores:

Porquanto não se lembrou de usar de misericórdia, mas perseguiu o aflito e o necessitado, como também o quebrantado de coração, para os entregar à morte.
Amou a maldição; ela o apanhe; não quis a bênção; aparte-se dele.
Vestiu-se de maldição como de uma túnica: penetre, como água, no seu interior e nos seus ossos, como azeite.
Seja-lhe como a roupa que o cobre e como o cinto com que sempre se cinge. (Salmo 109:16-19)

Será que os terroristas islâmicos não se encaixam em tal descrição?

A luta armada
Mas não basta apenas orar e proclamar o Juízo. Quando a perversidade é gritante, o povo de Deus deve se dispor a pegar em armas e lutar. Foi o que aconteceu no final do livro de Juízes. Benjamim recusou-se a entregar os criminosos. Antes, eles se uniram para protegê-los. E Israel se dispôs a guerrear contra seus irmãos.

A história não é bonita, mas ela reflete a Lei de Deus. Aquele tipo de pecado deveria ser punido com a morte. E consentir que os criminosos ficassem impunes ou proteger uma cidade que achava normal o que aconteceu não era aceitável. O próprio Senhor mostrou a sua aprovação pela decisão de Israel e lutou contra Benjamim.

Então, feriu o SENHOR a Benjamim diante de Israel; e mataram os filhos de Israel, naquele dia, vinte e cinco mil e cem homens de Benjamim, todos dos que puxavam da espada (Juízes 20:35)

Hoje seria necessário fazer a mesma coisa. Biblicamente, contra o Boko Haram ou o Estado Islâmico, não há diálogo. Os países deveriam se unir para eliminar, militarmente, seus seguidores. Os sobreviventes teriam direito a uma segunda chance, como aconteceu com Juízes 21, mas a iniquidade precisa encontrar seu limite. Assim como foi legítimo erguer armas contra Hitler, essa seria uma batalha legítima para todo cristão.

E se isso não acontecer? Deus continua sendo Juiz de toda a Terra. Seja de modo direto, seja usando uma ou outra nação, o juízo do Senhor atingirá esses grupos, como alcançou a Hitler, aos moradores de Sodoma, de Canaã e até o seu próprio povo, como bem mostra o livro de Juízes. Se as nações preferem ignorar o que acontece, também elas sofrerão a disciplina do Senhor, por fecharem os olhos para as atrocidades que acontecem na África, no Oriente Médio e em outros lugares. Sim…porque não é só o terrorismo islâmico que é comparável a Gibeá.

Um lembrete para todos
E, para quem acha que uma resposta militar é um exagero, lembro que, para Deus, a morte é a justa punição de qualquer pecado, inclusive dos mais leves:

porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Romanos 6:23)

Lembro ainda que a ação militar é uma figura dos últimos tempos. No fim, Satanás levantará os reinos da terra para lutarem contra Jesus e seu povo, da mesma forma que esses grupos se levantam para matar os cristãos nos dias de hoje. Só que, naquele dia, o Senhor os destruirá e lançará no inferno (a segunda morte) todos aqueles que não seguem a Jesus.

Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a peleja. O número dessas é como a areia do mar. Marcharam, então, pela superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo do céu e os consumiu. O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos. Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros. Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras. Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo. (Apocalipse 20:7-15)

Cada vez que Deus julga uma nação, na Bíblia ou na História, Ele nos lembra que o mundo inteiro será julgado. Ele nos lembra que todos nós, individualmente, seremos julgados pelo Senhor. E, da mesma forma que o pecado trouxe a condenação do mundo antigo, de Sodoma, de Canaã, de Benjamim e de outras tribos e povos, o pecado também nos condenará à morte eterna. A não ser que o nosso nome esteja inscrito no Livro da Vida. Somente aqueles que deixarem as cidades do pecado para se tornarem filhos de Deus escaparão. E só há um jeito de fazer isso.

Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se. E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim. Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas. Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira. Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas às igrejas. Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a brilhante Estrela da manhã. O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida. (Apocalise 22:11-17)

Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus. (João 3:36)

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro