Mudar a presidente não é o suficiente

Escrevo este texto poucas horas depois do anúncio de que o Congresso Nacional acolheu a abertura do pedido de impeachment da presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Para muitos, como eu, um eventual impeachment representa um alívio e uma esperança para o país, mergulhado em denúncias de corrupção, rombo nas contas públicas (um Governo que gasta muito mais do que arrecada com impostos) e uma grave crise econômica. Um novo presidente pode significar mudanças positivas que ajudem a reverter esse quadro tão negativo.

Contudo, o maior erro que podemos cometer é achar que o presidente certo será a salvação do Brasil, como se precisásssemos apenas de um novo líder. Mesmo que trocássemos, instantaneamente, todos os integrantes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, ainda assim o Brasil estaria longe de deixar o seu atraso. Um golpe militar que desse a algum sábio ditador poderes absolutos ainda não seria suficiente para trazer o Brasil para o grupo dos países mais desenvolvidos do mundo.

Um país apodrecido

Nossa situação é muito parecida com aquela vivida pelo reino de Judá, no século VIII antes de Cristo. Veja em Isaías 1 como Deus avaliava o estado de seu povo naqueles dias.

Ai, nação pecadora, povo carregado de iniqüidade, descendência de malfeitores, filhos corruptores; deixaram ao Senhor, blasfemaram o Santo de Israel, voltaram para trás. Por que seríeis ainda castigados, se mais vos rebelaríeis? Toda a cabeça está enferma e todo o coração fraco. Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres não espremidas, nem ligadas, nem amolecidas com óleo.
Isaías 1:4-6

Demais? Vejamos: por dia, são assassinadas no Brasil mais de 150 pessoas. É mais que o número de mortes do conflito entre israelenses e palestinos. Na última década, o número de divórcios subiu 160%! Mais de 340 mil apenas em 2014. O Vale do Rio Doce e o litoral capixaba sofrem com a maior tragédia ambiental da nossa história. Não se respeita a vida, o casamento e a criação.

Na verdade, é interminável a lista dos graves pecados cometidos diariamente pelo brasileiro. Nosso emprego dos sonhos é o serviço público, porque ganha mais, trabalha menos e ainda tem estabilidade. Dito de outra forma, valorizamos mais a preguiça do que o trabalho. As crianças não respeitam os pais e a violência nas escolas explode. Aliás, os pais querem que as escolas eduquem os filhos, e a educação que o Estado quer oferecer é o marxismo e a ideologia de gênero, desconstruindo o modelo familiar ensinado na Bíblia. Os bandidos são presos e ficam em presídios lotados e imundos, e isso, quando o juiz não manda soltar! Mesmo os policiais são pegos quase todos os dias em casos de abuso de autoridade, execuções informais e até de conluio com o crime organizado.

Faltou tanta coisa ainda! O amor à sensualidade, o desleixo com a saúde pública (basta olhar o surto de bebês com microcefalia), o culto que gira em torno de dinheiro e prosperidade, a impunidade confundida com graça, o jeitinho que nunca segue regras, a glorificação do malandro…não é exagero algum dizer que, da planta do pé ao alto da cabeça, não há nada são no Brasil.

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Um povo apodrecido

No entanto, o brasileiro gosta de pensar que o problema está apenas na cabeça. O povo é bom, honesto e trabalhador. O único problema seria a elite política e empresarial corrupta que governa a Nação. Se os políticos e os empresários fossem trocados por gente do povo, o Brasil seria um país justo e ordeiro.

Outros, mais sofisticados, insistem que o nosso problema é “de cabeça”, de mente, de educação. Estamos presos a ideologias do atraso. Se aprendermos mais sobre política, economia, sociologia e filosofia, mudaríamos nossa forma de ser e agir. O Brasil seria um país de Primeiro Mundo, mas com seu tempero tropical.

Se, porém, levamos o texto bíblico e a realidade a sério, precisamos entender que o nosso problema é de cabeça e de coração. Não é apenas a elite que é corrupta. O povo também rouba. Também trai a mulher e abusa dos enteados. Também mata, estupra e espanca todo mundo em casa. O povo também gosta de sensualidade, drogas e dinheiro fácil. Não é apenas a educação do Brasil que é corrompida, mas também seu coração. Verdade seja dita: eu, você e mais um monte de cristãos amamos e valorizamos a vida fácil e detestamos o trabalho duro! Muitas vezes preferimos pecar e ter dinheiro no bolso do que ser santos e viver na miséria.

O primeiro passo para a mudança não é trocar de presidente: é aceitar o julgamento de Deus a nosso respeito! Precisamos parar de acreditar que somos a Israel fiel dos dias de Josué, de Davi ou de Salomão, que o Senhor gosta tanto de nós que Ele é brasileiro! Não! Somos o doente incurável que está diante do Senhor dos Exércitos.

Uma igreja apodrecida

E os protestantes e evangélicos que não se iludam, achando que todos os males do Brasil são culpa dos que não conhecem a Deus. Também sobre nós se aplica o que o Espírito Santo fala em Isaías 1:

De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o Senhor? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; nem me agrado de sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecer perante mim, quem requereu isto de vossas mãos, que viésseis a pisar os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembléias; não posso suportar iniqüidade, nem mesmo a reunião solene. As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer. Por isso, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Isaías 1:11-15

Não faz tanto tempo assim que saí do Brasil. Mas, pelo que me lembro, as igrejas do Brasil estão muito preocupadas com crescimento. De modo geral, todas as denominações desejam isso, o que muda é a receita. Algumas prometem prosperidade, desde que sejam trazidas gordas ofertas e dízimos generosos para o culto. Outros querem uma igreja simpática, que acolhe o pecador…e o pecado. Não disciplinam, não confrontam, não são explícitas quanto ao Evangelho…e o resultado é que o pecado está misturado com o culto solene. Os adoradores continuam com sangue nas mãos…o sangue das vítimas da violência, dos roubos, dos adultérios…e esse sangue nunca é lavado. Não há arrependimento. Apenas tolerância.

Era exatamente assim o culto nos dias do profeta Isaías. Os judeus pensavam que as ofertas cobririam os pecados. Que bastava sacrificar animais gordos e fazer cultos bonitos, que Deus ignoraria o pecado. A preocupação era toda exterior: ninguém examinava seus atos diante de Deus. O resultado: cultos e orações rejeitados por um Deus cansado de sofrer com o pecado de Seu povo.

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A única salvação possível

Humanamente, nem a Israel do século VIII a.C. e nem o Brasil do século XXI possuem esperança. O câncer já se alastrou e a infecção é generalizada. Mas Deus não é homem. Há uma solução:

Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer mal. Aprendei a fazer bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas. Vinde então, e argüi-me, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã. Se quiserdes, e obedecerdes, comereis o bem desta terra. Mas se recusardes, e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; porque a boca do Senhor o disse.
Isaías 1:16-20

Se houver mudança, se houver arrependimento, há purificação. Ainda que tenhamos derramado tanto sangue que nossa alma esteja vermelha escarlate, o Senhor nos tornará brancos como a neve. Se houver santidade, o cadáver insepulto reviverá.

Mas essa não é uma obra que eu e você possamos fazer. Para nós, com a nossa força, é impossível lavar-se e purificar-se. Mudar o coração está além de nossa capacidade. Todavia, o mesmo Isaías nos fala quem pode fazer isso por nós:

Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. Isaías 53:4-6

Isaías falava a respeito de Jesus, o nosso Salvador, que tomou sobre si as nossas enfermidades, dores e pecados. O castigo por cada homicídio, adultério, idolatria, roubo e transgressão foi lançado sobre Jesus. Todos os que são salvos foram, um dia, ovelhas desgarradas e desviadas, mas Jesus sofreu no nosso lugar para nos trazer salvação.

Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do Senhor prosperará na sua mão. Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniqüidades deles levará sobre si. Por isso lhe darei a parte de muitos, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores. Isaías 53:10-12

Em Isaías 1:16-20, a Bíblia nos fala que, se quisermos e obedecermos, comeremos o bem desta terra. O que é isso, se não o bom prazer do Senhor? Só entra nesse prazer aqueles que fazem parte da posteridade de Jesus. O sofrimento de Jesus foi expiatório, ou seja, o sofrimento d’Ele aplacou a ira de Deus sobre o nosso pecado e nos tornou propícios a Deus.

Quando depositamos nossa fé em Jesus e aceitamos o Seu conhecimento, ou seja, a Sua Palavra, somos salvos. Jesus nos justifica e nos faz parte de Sua podteridade. Ele leva sobre si o nosso pecado e intercede por nós. E é por meio dessa amizade que somos transformados. É Cristo quem nos leva ao verdadeiro arrependimento e transforma nossas vidas sujas em algo mais branco que a neve.

Bem sei que é apenas no fim dos tempos que todos verão que Jesus é a Verdade. Até lá, os países não aceitarão serem governados por Cristo. Cedo ou tarde, a mesma podridão alcançará o mundo inteiro. Mas, enquanto isso não acontece, os povos que mais ouvem essa mensagem e seguem ao Senhor são mais preservados por Ele. Já os que não lhe dão ouvidos, mesmo que sejam materialmente prósperos, apodrecerão e sofrerão o juízo divino. E isso já está acontecendo.

Até lá, uno-me aos profetas que clamam: “Brasil, olha pra cima!”

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

 

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Cristo Salvador? Sim! E o Cristo Redentor?

Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora. E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo. Porque, na esperança, fomos salvos. (Romanos 8:22-24a)

Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. Assim que, nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos deste modo. E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. (2 Coríntios 5:14-17)

Se perguntarmos a um estrangeiro qual a primeira imagem que lhe vêm a cabeça quando se fala em Brasil, provavelmente será  a estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. Quando olhamos para aquela imagem, de um Jesus de braços abertos, imaginamos que redenção significa acolhimento. Talvez o Cristo Redentor seja aquele que está de braços abertos, pronto a receber a quem quer que seja.

Essa imagem não é diferente da que muitas pessoas têm sobre a obra salvadora de Cristo Jesus. Quando dizemos que as pessoas são salvas pela graça, enfatizamos que qualquer um pode vir a Jesus, o que é uma verdade. Não importa o passado ou o pecado, Cristo está aberto para salvar a qualquer um que se aproxime dele.

A questão é que reduzimos a salvação de Cristo ao simples perdão de pecados. Gostamos de falar que Cristo é o nosso Salvador, porque associamos esse título à parte da salvação que nos é conveniente: em Cristo, todos os nossos pecados são perdoados e nossa culpa é removida. O céu volta a ser uma opção para nós. E isso é o que importa, certo?

O que é salvação?

Entretanto, ser salvo não é apenas ter a culpa do pecado removida. Jesus não veio ao mundo morrer na cruz para que continuássemos a viver no pecado, sem medo de sermos condenados ao inferno. Dizer-se cristão e continuar nos mesmos hábitos, preso aos mesmos gostos e inclinações, é uma grande mentira.

Todo aquele que é salvo tem a esperança de ter o seu corpo redimido. A palavra usada na Bíblia tem o sentido de “libertar alguém pelo pagamento de um resgate”. Redimir é mudar o estado de alguém a um preço muito grande. Ao morrer na cruz e ser punido em nosso lugar, Jesus pagou o preço necessário para libertar o nosso corpo da escravidão do pecado. Ele começou ali a nos redimir.

Contudo, a redenção ainda não foi concluída. Todo verdadeiro cristão anseia pelo dia em que não pecará mais. Ele geme em seu interior, aguardando o dia em que não mais terá pensamentos impuros, ira pecaminosa ou desejos contrários aos de Cristo. É nessa esperança de ser transformado que ele é salvo.

Vemos assim que a redenção é a libertação do pecado que ainda habita em nós. É um evento futuro, mas já iniciado! Aquele que está em Cristo já é uma nova criatura! Ela não é mais a mesma velha pessoa, tudo passou! A redenção já foi iniciada, mas ainda não foi concluída.

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O meio da redenção

Sem dúvida alguma, a redenção é uma obra realizada pelo Senhor Jesus. Nenhum ser humano tem o poder de se auto-redimir. Jejuns, orações ou atos de caridade não podem comprar a liberdade do ser humano. Apenas Cristo pode nos libertar.

Parece bom, mas confesso que muitas vezes é desesperador saber disso. A redenção é uma obra que não está sob meu controle. Eu dependo inteiramente de Deus para que ela aconteça. E, muitas vezes, não entendo se Cristo está mesmo realizando sua obra redentora em minha vida ou qual o meu papel em tudo isso. Como Cristo me redime?

A resposta bíblica é clara: a redenção acontece por meio da santificação. E santificar-se é morrer e viver com Cristo. Só é redimido quem morre para si mesmo e para seus desejos e paixões e vive para Cristo. Ser livre é abandonar tudo o que se é e o que se tem na cruz, para receber em troca um novo ser, com novos gostos e desejos, refeito pelo Senhor. Ser livre é ver o nosso eu morrer e ver Cristo vivendo em nosso lugar.

A recusa da redenção

Parece simples, mas, se pensarmos bem, são poucos os que realmente desejam ser redimidos. Porque a redenção envolve uma transformação completa que não queremos que aconteça. Redimir não é consertar, é substituir.

metamorfose

E nós não queremos essa substituição. Por exemplo, redimir é preferir, de verdade, um mundo onde a pornografia e a prostituição não existam. É preferir o celibato e a castidade à imoralidade sexual, ao sexo fora do casamento. É ansiar pelo dia em que não será possível dar vazão às frustrações do dia-a-dia olhando uma modelo no computador ou acariciando pesadamente uma namorada.

Redenção é ver a beleza em um espírito manso e tranquilo, e não em um corpo sarado e adornado com belas jóias e vestidos. É procurar o seu valor pessoal em Cristo, e não na opinião que outros homens e mulheres têm sobre nós. É estar bem sozinha, com o Senhor, sem ver o casamento como a razão última da vida, a ponto de sacrificar a fé em um relacionamento impuro.

É amar a Deus mais do que se ama o dinheiro. É estar contente com o que se tem e ter a alma cheia de gratidão, mesmo em meio à pobreza ou à doença. É não ansiar pelo dia de amanhã, mesmo quando não se sabe se haverá um lugar para reclinar a cabeça à noite. É preferir um dia na presença do Senhor do que dez mil dias na Disney, em um resort no Caribe, nas raves da Europa ou em qualquer outro lugar.

E isso é algo que não queremos. O que queremos mesmo é ir para o céu e levar um pouco do inferno conosco. Queremos brincar com as chamas do inferno e ter a garantia de que Deus curará as queimaduras.

O Senhor, de fato, cura as queimaduras que o inferno produziu e ainda vai produzir em nós. Mas Ele também nos queima em seu fogo purificador, até que morra todo o desejo que temos pelo fogo do inferno. Ele envia tribulações e sofrimentos para purgar-nos de todo o desejo pelo que é mau. Afinal, Jesus veio ao mundo para substituir o nosso coração de pedra por um coração de carne, que realmente ama e deseja o que é do Senhor. E esta é a nossa esperança.

Uma oração final

Pai, agradeço ao Senhor porque a obra de Cristo é completa. Louvo ao Senhor porque, em teu Filho, tenho o perdão de meus pecados, e a redenção de todo o meu ser. Leva adiante essa obra em minha vida. Dai-me a graça de ser liberto de todo amor que tenho pelo pecado. Que, a cada dia, o Senhor trabalhe em mim para substituir o meu eu pecador pela nova criatura que eu já sou, em Cristo Jesus. Perdoa-me os pecados e o meu apego a eles, bem como minha frieza em relação a Ti. Dai-me a graça de ansiar, junto com a sua criação, pelo dia em que serei completamente transformado. Em nome de Jesus. Amém.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima

Barro nas  mãos do Oleiro

Gibeá e o terrorismo islâmico

A Bíblia é um livro escrito para todas as pessoas, em todos os tempos…mas engana-se quem pensa que não existem nela partes “censuradas para menores”. E não poderia ser diferente. Como um livro sagrado, a Bíblia toca todos os aspectos da vida humana, inclusive aqueles mais macabros e escabrosos. Há histórias que falam de sexo e violência, cuja mensagem é fácil de ser entendida, mas, às vezes, é difícil de ser digerida. Entretanto, a realidade mostra a necessidade de tais textos.

É o que vemos hoje com os terroristas islâmicos. O nível de violência e maldade atingido por estes grupos atingiu índices intoleráveis. Se os campos de concentração nazistas provocaram a indignação do mundo e justificaram a guerra contra Hitler, o que dizer quando lemos que o Estado Islâmico (EI) está crucificando e enterrando crianças vivas? A reportagem vai além: elas são vendidas como escravas sexuais, treinadas para serem soldados e usadas como homens-bomba e escudos humanos! Isso sem falar nos vídeos de decapitações e, agora, de prisioneiros sendo queimados vivos!

Mas o Estado Islâmico não está sozinho. O Boko Haram, na Nigéria, também usa meninas-bomba em atentados, além de sequestrar e escravizar sexualmente outras meninas, que também são usadas como soldados. Para mim, que sou cristão, o pior é que os cristãos são alvo do ódio desses e de outros grupos, mas a violência é tão grande que até outros muçulmanos sofrem com essa violência.

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E é quando coisas mórbidas e macabras como essas acontecem que precisamos ler histórias como a destruição de Gibeá, contada nos capítulos 19, 20 e 21 do livro de Juízes.

O pecado além do normal
Não vou reproduzir o texto aqui por causa do tamanho. Mas vou resumir a história. Um levita (natural da tribo de Levi) havia se reconciliado com a sua concubina, que havia fugido de casa e retornado ao lar de seus pais. Na viagem de volta, o levita se hospeda em uma casa na cidade de Gibeá, da tribo de Benjamim. Lá, os moradores de Gibeá cercam a casa onde está o levita e querem estuprá-lo. O anfitrião acaba colocando a esposa do levita do lado de fora da casa e ela é estuprada e violentada a noite toda. De manhã, ela está morta.

O levita pega então o corpo da mulher, divide o cadáver em doze pedaços e manda cada pedaço para uma das doze tribos de Israel. Os israelitas ficaram chocados com o crime.

Cada um que a isso presenciava aos outros dizia: Nunca tal se fez, nem se viu desde o dia em que os filhos de Israel subiram da terra do Egito até ao dia de hoje; ponderai nisso, considerai e falai. (Juízes 19:30)

Há uma reunião das tribos para decidir o que fazer. Eles resolvem pedir aos moradores de Gibeá que entreguem os homens que cometeram aquele crime bárbaro. Só que, ao invés disso, não apenas os moradores de Gibeá, como toda a tribo de Benjamim, se reuniram para a guerra. Os benjamitas estavam dispostos a matar e a morrer para proteger os criminosos.

As tribos de Israel enviaram homens por toda a tribo de Benjamim, para lhe dizerem: Que maldade é essa que se fez entre vós? Dai-nos, agora, os homens, filhos de Belial, que estão em Gibeá, para que os matemos e tiremos de Israel o mal; porém Benjamim não quis ouvir a voz de seus irmãos, os filhos de Israel. Antes, os filhos de Benjamim se ajuntaram, vindos das cidades em Gibeá, para saírem a pelejar contra os filhos de Israel. E contaram-se, naquele dia, os filhos de Benjamim vindos das cidades; eram vinte e seis mil homens que puxavam da espada, afora os moradores de Gibeá, de que se contavam setecentos homens escolhidos. (Juízes 20:12-15)

É impossível não ver uma similaridade entre a tribo de Benjamim e muitos muçulmanos em tal caso. Se os benjamitas fossem corretos, eles teriam entregue os criminosos. Se a cidade de Gibeá se recusasse a fazê-lo, as outras cidades da tribo de Benjamim deveriam ter se unido às outras tribos e lutado para que a justiça fosse feita! Mas o “laço de sangue” falou mais alto do que a justiça. No caso dos terroristas islâmicos, é preciso que os próprios muçulmanos se disponham a entregar aqueles que fazem tamanha violência! Se é verdade, como muitos dizem, que tais terroristas não representam o verdadeiro islamismo, então os demais deveriam ser os primeiros a lutar contra esses grupos. Até porque o que vemos hoje é ainda mais abjeto do que a situação retratada no livro dos Juízes.

"The Laborer of Gibea Offering Hospitality to the Levite and His Wife", de Daniel Jansz Thievaert
“The Laborer of Gibea Offering Hospitality to the Levite and His Wife”, de Daniel Jansz Thievaert

O juízo de Deus sobre os violentos
E se essa entrega não acontecer? Devemos deixar esses grupos agirem e não inferferir, deixando que o “livre curso dos acontecimentos” leve a situação a um desfecho? Biblicamente a resposta é não. Quando a violência e o pecado crescem a níveis intoleráveis, ou o Senhor intervém diretamente (Sodoma) ou ele usa as nações para interferir (Canaã).

Então, disseram os homens a Ló: Tens aqui alguém mais dos teus? Genro, e teus filhos, e tuas filhas, todos quantos tens na cidade, faze-os sair deste lugar; pois vamos destruir este lugar, porque o seu clamor se tem aumentado, chegando até à presença do SENHOR; e o SENHOR nos enviou a destruí-lo. (Gênesis 19:12-13)

Com nenhuma destas coisas vos contaminareis, porque com todas estas coisas se contaminaram as nações que eu lanço de diante de vós. E a terra se contaminou; e eu visitei nela a sua iniqüidade, e ela vomitou os seus moradores. Porém vós guardareis os meus estatutos e os meus juízos, e nenhuma destas abominações fareis, nem o natural, nem o estrangeiro que peregrina entre vós; porque todas estas abominações fizeram os homens desta terra que nela estavam antes de vós; e a terra se contaminou. Não suceda que a terra vos vomite, havendo-a vós contaminado, como vomitou o povo que nela estava antes de vós. (Levítico 18:24-28)

A violência e a corrupção também motivaram o Senhor a destruir a sociedade nos dias de Noé:

A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência. Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra. Então, disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra. (Gênesis 6:11-13)

Para completar, os salmos imprecatórios da Bíblia foram escritos para situações assim. Em tais salmos, vemos o salmista amaldiçoar aqueles que se levantam para fazer o mal, como vemos nos salmos 69 (um dos mais citados no Novo Testamento e que profetiza a crucificação de Jesus), 109 e 137. Esses salmos não são ultrapassados ou desprovidos de sentido. Eles nos ensinam a orar. E nos falam que devemos orar pedindo justiça! Vejam, por exemplo, o salmo 69, que é, claramente, uma oração de Jesus.

Por alimento me deram fel e na minha sede me deram a beber vinagre.
Sua mesa torne-se-lhes diante deles em laço, e a prosperidade, em armadilha.
Obscureçam-se-lhes os olhos, para que não vejam; e faze que sempre lhes vacile o dorso.
Derrama sobre eles a tua indignação, e que o ardor da tua ira os alcance.
Fique deserta a sua morada, e não haja quem habite as suas tendas.
Pois perseguem a quem tu feriste e acrescentam dores àquele a quem golpeaste.
Soma-lhes iniqüidade à iniqüidade, e não gozem da tua absolvição.
Sejam riscados do Livro dos Vivos e não tenham registro com os justos. (Salmo 69:21-28)

É bom orar pelos inimigos e pedir que eles se arrependam. Se isso acontecer, tanto melhor. Mas quando o bem é pago com mal, o Senhor também quer que façamos orações pedindo justiça! E o dever da Igreja é o de pregar e anunciar a maldição do Senhor sobre tais pecadores:

Porquanto não se lembrou de usar de misericórdia, mas perseguiu o aflito e o necessitado, como também o quebrantado de coração, para os entregar à morte.
Amou a maldição; ela o apanhe; não quis a bênção; aparte-se dele.
Vestiu-se de maldição como de uma túnica: penetre, como água, no seu interior e nos seus ossos, como azeite.
Seja-lhe como a roupa que o cobre e como o cinto com que sempre se cinge. (Salmo 109:16-19)

Será que os terroristas islâmicos não se encaixam em tal descrição?

A luta armada
Mas não basta apenas orar e proclamar o Juízo. Quando a perversidade é gritante, o povo de Deus deve se dispor a pegar em armas e lutar. Foi o que aconteceu no final do livro de Juízes. Benjamim recusou-se a entregar os criminosos. Antes, eles se uniram para protegê-los. E Israel se dispôs a guerrear contra seus irmãos.

A história não é bonita, mas ela reflete a Lei de Deus. Aquele tipo de pecado deveria ser punido com a morte. E consentir que os criminosos ficassem impunes ou proteger uma cidade que achava normal o que aconteceu não era aceitável. O próprio Senhor mostrou a sua aprovação pela decisão de Israel e lutou contra Benjamim.

Então, feriu o SENHOR a Benjamim diante de Israel; e mataram os filhos de Israel, naquele dia, vinte e cinco mil e cem homens de Benjamim, todos dos que puxavam da espada (Juízes 20:35)

Hoje seria necessário fazer a mesma coisa. Biblicamente, contra o Boko Haram ou o Estado Islâmico, não há diálogo. Os países deveriam se unir para eliminar, militarmente, seus seguidores. Os sobreviventes teriam direito a uma segunda chance, como aconteceu com Juízes 21, mas a iniquidade precisa encontrar seu limite. Assim como foi legítimo erguer armas contra Hitler, essa seria uma batalha legítima para todo cristão.

E se isso não acontecer? Deus continua sendo Juiz de toda a Terra. Seja de modo direto, seja usando uma ou outra nação, o juízo do Senhor atingirá esses grupos, como alcançou a Hitler, aos moradores de Sodoma, de Canaã e até o seu próprio povo, como bem mostra o livro de Juízes. Se as nações preferem ignorar o que acontece, também elas sofrerão a disciplina do Senhor, por fecharem os olhos para as atrocidades que acontecem na África, no Oriente Médio e em outros lugares. Sim…porque não é só o terrorismo islâmico que é comparável a Gibeá.

Um lembrete para todos
E, para quem acha que uma resposta militar é um exagero, lembro que, para Deus, a morte é a justa punição de qualquer pecado, inclusive dos mais leves:

porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Romanos 6:23)

Lembro ainda que a ação militar é uma figura dos últimos tempos. No fim, Satanás levantará os reinos da terra para lutarem contra Jesus e seu povo, da mesma forma que esses grupos se levantam para matar os cristãos nos dias de hoje. Só que, naquele dia, o Senhor os destruirá e lançará no inferno (a segunda morte) todos aqueles que não seguem a Jesus.

Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a peleja. O número dessas é como a areia do mar. Marcharam, então, pela superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo do céu e os consumiu. O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos. Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros. Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras. Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo. (Apocalipse 20:7-15)

Cada vez que Deus julga uma nação, na Bíblia ou na História, Ele nos lembra que o mundo inteiro será julgado. Ele nos lembra que todos nós, individualmente, seremos julgados pelo Senhor. E, da mesma forma que o pecado trouxe a condenação do mundo antigo, de Sodoma, de Canaã, de Benjamim e de outras tribos e povos, o pecado também nos condenará à morte eterna. A não ser que o nosso nome esteja inscrito no Livro da Vida. Somente aqueles que deixarem as cidades do pecado para se tornarem filhos de Deus escaparão. E só há um jeito de fazer isso.

Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se. E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim. Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas. Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira. Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas às igrejas. Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a brilhante Estrela da manhã. O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida. (Apocalise 22:11-17)

Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus. (João 3:36)

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

O juízo não salvará o Brasil

O ano de 2015 mal começou e já dá aquela sensação de “por favor, acabe logo”! Janeiro nem acabou e as más notícias para o Brasil só se acumulam. Pra começar, um anúncio de aumento de impostos para salvar uma economia com inflação em alta e crescimento em baixa,  como se a carga tributária já não fosse alta o suficiente. Ah sim, os juros subiram também. Ficou mais difícil conseguir o seguro desemprego e outros direitos trabalhistas. Um apagão em 11 Estados e no Distrito Federal mostram a crise no fornecimento de energia. Falta água em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, por causa da falta de chuvas (e de planejamento). Isso fora os problemas com os quais já estamos acostumados, como os 60 mil homicídios que acontecem todo ano no país.

Essas notícias afetam a todos que moram no Brasil, quer sejamos bons, quer sejamos maus. E, ao mesmo tempo em que elas trazem preocupação e ansiedade quanto ao futuro, alguns enxergam motivos para ter esperança. Afinal, como diz o ditado “se não vem pelo amor, vem pela dor”. Quem sabe se o Brasil experimentar um pouco mais de dor, o país não se corrige? Quem sabe uma crise econômica não vai fazer o brasileiro rever seus votos e sua conduta e mudar? Talvez até leve um número maior de brasileiros aos pés do Senhor, por que não? Como disse C S Lewis, a dor é o megafone de Deus para despertar o homem surdo.

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Concordo com Lewis. O sofrimento de uma nação é um chamado de Deus ao arrependimento. Mas não é a garantia de que o Brasil irá se arrepender. Quando leio a Bíblia, vejo que é perfeitamente possível que um povo sofra coisas muito piores…e nunca se volte para Deus.

Juízo? Que juízo?
Como isso acontece? Começa quando se percebe que os próprios cristãos não reconhecem mais a ideia de que Deus julga as nações. Pregamos tanto o individualismo que nos esquecemos que a nossa vida está atrelada a de outras pessoas. Estamos preocupados com as nossas ações, mas não com as leis que são aprovadas, com os vereditos dos juízes ou com a corrupção dos políticos. Nos esquecemos que Deus é retratado como Juiz dos povos e nações, e não apenas como Juiz de indivíduos.

Alegrem-se e exultem as gentes, pois julgas os povos com eqüidade e guias na terra as nações. (Salmo 67:4)

Ele julgará entre os povos e corrigirá muitas nações; estas converterão as suas espadas em relhas de arados e suas lanças, em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra. (Isaías 2:4)

Eis que, naqueles dias e naquele tempo, em que mudarei a sorte de Judá e de Jerusalém, congregarei todas as nações e as farei descer ao vale de Josafá; e ali entrarei em juízo contra elas por causa do meu povo e da minha herança, Israel, a quem elas espalharam por entre os povos, repartindo a minha terra entre si. (Joel 3:1-2)

Para que o juízo produza arrependimento, é preciso que os cristãos voltem a pregar que há uma relação entre tempos difíceis e o pecado das nações. Precisamos voltar a ensinar que Deus julga até mesmo quem não O serve. O começo do livro de Amós mostra isso claramente. O castigo de Deus não é só sobre o seu povo (Israel), mas também chega a outras nações, como a Síria, Edom, os filisteus e outros:

Assim diz o SENHOR: Por três transgressões de Damasco e por quatro, não sustarei o castigo, porque trilharam a Gileade com trilhos de ferro. Por isso, meterei fogo à casa de Hazael, fogo que consumirá os castelos de Ben-Hadade. Quebrarei o ferrolho de Damasco e eliminarei o morador de Biqueate-Áven e ao que tem o cetro de Bete-Éden; e o povo da Síria será levado em cativeiro a Quir, diz o SENHOR. (Amós 1:3-5)

Aplicando aos dias atuais, é preciso que a Igreja diga claramente: estamos apenas colhendo o que plantamos. Os tempos difíceis do Brasil não são culpa apenas das “elites”, como se o resto do povo não fosse culpado. Afinal, está escrito:

Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. (Gálatas 6:7)

O Brasil tem zombado constantemente de Deus. Somos religiosos, mas decidimos viver como se Ele não existisse. Casamos, nos separamos, roubamos, matamos, educamos nossos filhos, votamos e aprovamos leis segundo o nosso entendimento. Mesmo os ditos “evangélicos” são culpados. Nomeamos como pastores pessoas que não pregam a Bíblia e até consagramos quem admite que nunca a leu por inteiro. As lideranças eclesiásticas tomam decisões que sabemos serem contrárias aos mandamentos de Deus. Abençoamos negócios, políticos e casamentos que a Bíblia condena. E não aceitamos que o mal que acontece no Brasil seja nossa culpa.

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Castigo não muda corações
Mas o grande problema é que o pecado no coração humano é tão duro que nem mesmo o juízo de Deus consegue mudá-lo. Não é que os castigos não tenham utilidade. Quando somos disciplinados, a justiça é feita e os simples aprendem o caminho correto.

O açoite é para o cavalo, o freio, para o jumento, e a vara, para as costas dos insensatos. (Provérbios 26:3)

Quando ferires ao escarnecedor, o simples aprenderá a prudência; repreende ao sábio, e crescerá em conhecimento. (Provérbios 19:25)

Contudo, a verdadeira correção só muda o coração de quem já foi transformado por Jesus.

Mais fundo entra a repreensão no prudente do que cem açoites no insensato. (Provérbios 17:10)

O Antigo Testamento mostra isso claramente. Deus advertiu o povo de Israel várias vezes sobre seus pecados. Trouxe sobre eles todas as maldições da Lei de Moisés. A fome chegou a ser tão grande que mães se tornaram canibais e devoraram seus filhos. Havia doença, pobreza, fome e derrotas militares. Mesmo assim, os reinos de Israel e de Judá não se arrependeram.

Tal sucedeu porque os filhos de Israel pecaram contra o SENHOR, seu Deus, que os fizera subir da terra do Egito, de debaixo da mão de Faraó, rei do Egito; e temeram a outros deuses. Andaram nos estatutos das nações que o SENHOR lançara de diante dos filhos de Israel e nos costumes estabelecidos pelos reis de Israel. Os filhos de Israel fizeram contra o SENHOR, seu Deus, o que não era reto; edificaram para si altos em todas as suas cidades, desde as atalaias dos vigias até à cidade fortificada. Levantaram para si colunas e postes-ídolos, em todos os altos outeiros e debaixo de todas as árvores frondosas. Queimaram ali incenso em todos os altos, como as nações que o SENHOR expulsara de diante deles; cometeram ações perversas para provocarem o SENHOR à ira e serviram os ídolos, dos quais o SENHOR lhes tinha dito: Não fareis estas coisas. O SENHOR advertiu a Israel e a Judá por intermédio de todos os profetas e de todos os videntes, dizendo: Voltai-vos dos vossos maus caminhos e guardai os meus mandamentos e os meus estatutos, segundo toda a Lei que prescrevi a vossos pais e que vos enviei por intermédio dos meus servos, os profetas. Porém não deram ouvidos; antes, se tornaram obstinados, de dura cerviz como seus pais, que não creram no SENHOR, seu Deus. Rejeitaram os estatutos e a aliança que fizera com seus pais, como também as suas advertências com que protestara contra eles; seguiram os ídolos, e se tornaram vãos, e seguiram as nações que estavam em derredor deles, das quais o SENHOR lhes havia ordenado que não as imitassem. Desprezaram todos os mandamentos do SENHOR, seu Deus, e fizeram para si imagens de fundição, dois bezerros; fizeram um poste-ídolo, e adoraram todo o exército do céu, e serviram a Baal. Também queimaram a seus filhos e a suas filhas como sacrifício, deram-se à prática de adivinhações e criam em agouros; e venderam-se para fazer o que era mau perante o SENHOR, para o provocarem à ira. Pelo que o SENHOR muito se indignou contra Israel e o afastou da sua presença; e nada mais ficou, senão a tribo de Judá. Também Judá não guardou os mandamentos do SENHOR, seu Deus; antes, andaram nos costumes que Israel introduziu. Pelo que o SENHOR rejeitou a toda a descendência de Israel, e os afligiu, e os entregou nas mãos dos despojadores, até que os expulsou da sua presença. (2 Reis 17:7-20)

A mesma coisa acontecerá no fim dos tempos. Deus julgará a humanidade com castigos ainda maiores e de alcance universal. E o que a Bíblia diz é que nem assim haverá arrependimento.

Por meio destes três flagelos, a saber, pelo fogo, pela fumaça e pelo enxofre que saíam da sua boca, foi morta a terça parte dos homens; pois a força dos cavalos estava na sua boca e na sua cauda, porquanto a sua cauda se parecia com serpentes, e tinha cabeça, e com ela causavam dano. Os outros homens, aqueles que não foram mortos por esses flagelos, não se arrependeram das obras das suas mãos, deixando de adorar os demônios e os ídolos de ouro, de prata, de cobre, de pedra e de pau, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar; nem ainda se arrependeram dos seus assassínios, nem das suas feitiçarias, nem da sua prostituição, nem dos seus furtos. (Apocalipse 9:18-21)

O quarto anjo derramou a sua taça sobre o sol, e foi-lhe dado queimar os homens com fogo. Com efeito, os homens se queimaram com o intenso calor, e blasfemaram o nome de Deus, que tem autoridade sobre estes flagelos, e nem se arrependeram para lhe darem glória. Derramou o quinto a sua taça sobre o trono da besta, cujo reino se tornou em trevas, e os homens remordiam a língua por causa da dor que sentiam e blasfemaram o Deus do céu por causa das angústias e das úlceras que sofriam; e não se arrependeram de suas obras. (Apocalipse 16:8-11)

Se nem o fogo, o enxofre, as trevas e a dor física farão os homens se arrependerem de seus pecados, não é a crise econômica ou a falta de água que levará o Brasil a se arrepender e mudar. Não é transformando o presídio em um inferno terrestre que o criminoso será recuperado. O juízo divino faz a justiça do Senhor e ensina aos simples e aos sábios. Mas os perversos não se arrependem.

Jesus: a única solução
Se a crise não salvará o Brasil, o que então pode salvar? O que pode mudar o coração ou a mentalidade dos brasileiros? A resposta é Jesus. Apenas Jesus pode matar o brasileiro corrupto, indolente, que vive jogando sua responsabilidade nos outros e espera que o Governo resolva tudo por ele e transformá-lo em um novo homem.

Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. Assim que, nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos deste modo. E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. (2 Coríntios 5:14-17)

O arrependimento não vem da crise econômica. A crise pode até ser um instrumento, mas é só a bondade de Deus que nos leva a reconhecer o nosso erro e mudar de caminho.

Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento? (Romanos 2:4)

Agora, o arrependimento precisa começar com os que se dizem cristãos! Um versículo muito citado nas igrejas ensina que o arrependimento dos que já conhecem a Deus é que começa a produzir a mudança.

Se eu cerrar os céus de modo que não haja chuva, ou se ordenar aos gafanhotos que consumam a terra, ou se enviar a peste entre o meu povo; se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra. (2 Crônicas 7:13-14)

Pois bem, todos os governantes dizem que está chovendo menos no Brasil. A crise econômica é como um gafanhoto que come os nossos rendimentos. A saúde pública definha e as doenças se repetem ano após ano. E os cristãos continuam praticando imoralidade sexual, vivem buscando prazeres como os demais, idolatram o dinheiro, erguem outros deuses e não dão ouvidos aos poucos pastores e profetas que ainda pregam a Bíblia. Não conhecemos nem o básico dos Dez Mandamentos e do Evangelho, que se dirá do ensino bíblico sobre política e economia? Elegemos por chefes a pessoas que dizem abertamente que defenderão leis que atacam a Bíblia. E, para piorar, não sentimos misericórdia do nosso povo, que morre porque lhe falta o conhecimento de Deus.

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Sim! Algumas vezes o nosso coração comemora, no íntimo, as crises e sofrimentos. Pensamos “bem feito”! “Quem sabe assim não aprendem?” Mas a verdade é que deveríamos nos entristecer. Os judeus rejeitaram o Evangelho nos dias de Paulo e até tentaram matá-lo várias vezes. E Paulo amava tanto os judeus que preferia ir para o inferno e ser separado de Cristo, se isso pudesse salvar a Israel.

Digo a verdade em Cristo, não minto, testemunhando comigo, no Espírito Santo, a minha própria consciência: tenho grande tristeza e incessante dor no coração; porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas, segundo a carne. (Romanos 9:1-3)

Talvez falte em nós o mesmo sentimento. Falte a mesma dor incessante de ver o Brasil afundar cada vez mais em seus pecados e sofrer o juízo de Deus. Falte amor para pregarmos a Palavra e nos sujeitarmos a ela, para desistirmos de ideologias contrárias ao Evangelho e ensinarmos o que é correto, segundo Cristo.

Não ponha a sua esperança no caos. Ponha a sua esperança em Jesus e peça que Ele use a crise e a dificuldade como instrumentos para alertar os simples e corrigir os sábios. Peça que Deus seja bom e leve o nosso país ao arrependimento.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro