Um alerta aos cristãos Josafás

Uma das pretensões de qualquer religião é ditar princípios que norteiam a vida de seus seguidores. Por causa disso, muitas vezes pensamos que os adeptos de uma dada religião são parecidos em suas crenças e opiniões, mas não é o que acontece. E isso pode ser visto no Brasil. Há cristãos conservadores e progressistas, puritanos e libertinos, comedores de carne e veganos.

Essa diversidade é um problema? Depende do assunto. A religião cristã é uma cosmovisão, uma forma de estruturar o modo como os cristãos deveriam viver e ver o mundo. Ela alcança todas as áreas da vida, desde o nosso leito conjugal até as responsabilidades esperadas de um Estado soberano. Há alguma liberdade? Continuar a ler

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Brasil: pior do que Corinto

Nos Estados Unidos, os brasileiros são conhecidos por algumas características. As mulheres são muito desejadas (as mulheres mais bonitas do mundo, dizem). Já os homens têm uma fama bem ruim: infiéis, mulherengos e enganadores. Em geral, diz-se que o Brasil é um país de corpos bonitos, e as pessoas que vão ao Brasil e conhecem a realidade, voltam meio decepcionadas quando não encontram toda a beleza e a sensualidade que esperavam.

Na verdade, o brasileiro se orgulha disso. No país da malandragem, a sexualidade não poderia deixar de ser contaminada. Pureza, modéstia e simplicidade são defeitos. Os homens gostam da fama de terem muitas mulheres ou de atraírem o desejo de várias. Muitas mulheres também gostam de colocar fotos provocativas e de ganhar curtidas de homens nas redes sociais. Até na hora de escolher um cônjuge, muitos cristãos preferem a sensualidade à seriedade e à responsabilidade.

Inofensivo, certo? Pelo menos aqui não explodimos ninguém por causa da fé ou não vemos atiradores em escolas. Melhor ser sensual e alegre do que triste e depressivo, não é mesmo? Mas todo pecado leva à morte, como Paulo ensina em Romanos 3:23

porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

E morte é exatamente o que encontramos quando vivemos uma sociedade onde o estupro coletivo parece tr se banalizado. Como se não bastasse o choque de uma adolescente ser estuprada por cerca de 30 pessoas, agora há a notícia de uma menina de 11 anos de idade que foi dopada e estuprada em uma festa junina de igreja católica! Pior: ela foi abusada por outros menores de idade.

O que produz isso? Creio que parte da resposta pode ser achada na primeira carta do apóstolo Paulo aos coríntios. O nosso texto-base segue abaixo:

Geralmente, se ouve que há entre vós imoralidade e imoralidade tal, como nem mesmo entre os gentios, isto é, haver quem se atreva a possuir a mulher de seu próprio pai. E, contudo, andais vós ensoberbecidos e não chegastes a lamentar, para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou?
Eu, na verdade, ainda que ausente em pessoa, mas presente em espírito, já sentenciei, como se estivesse presente, que o autor de tal infâmia seja,
em nome do Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de Jesus, nosso Senhor, entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus.
Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda? Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. Por isso, celebremos a festa não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia, e sim com os asmos da sinceridade e da verdade. (1 Coríntios 5:1-8)

Quando a Igreja é pior que o mundo

Espera-se de uma igreja que, apesar de suas falhas, tenha um padrão de conduta superior ao da sociedade ao redor. Isso não deveria ser difícil no caso da cidade de Corinto. Lá ficava um grande templo dedicado à deusa Afrodite, e muitas sacerdotisas se prostituíam com os adoradores, como uma forma de culto. A cidade também era um porto, local de passagem de vários marinheiros que estavam longe da vista de suas esposas e entediados depois de semanas ou meses no mar. Em Corinto, o sexo estava no ar da cidade e intoxicava quem passava por lá.

Seria possível que alguma coisa pudesse chocar os coríntios? Sim. Na igreja de Corinto acontecia uma imoralidade sexual que não era tolerada nem mesmo entre os pagãos. Um homem da Igreja possuía a mulher do pai, provavelmente a madrasta. O fato estava na boca do povo e até Paulo, que nem estava na cidade, soube do escândalo.

Contudo, a Igreja não se lamentou e andava ensoberbecida, orgulhosa de si mesma e de sua suposta santidade. Enquanto uma família desmoronava sob o peso do escândalo, eles discutiam se os cristãos que oravam em línguas eram ou não mais espirituais qe os outros. O pecador não era constrangido. Ele não foi tirado do meio da Igreja. O seu pecado era conhecido e tolerado. E assim a Igreja tornava-se mais imoral que os pagãos.

threemonkeysÉ algo assim que faz do Brasil um país onde crianças são estupradas em uma festa de igreja. Mesmo na imoral Corinto havia limites. Certas práticas sexuais eram condenadas e reprimidas pela sociedade. O respeito pelo próprio pai era um desses limites. No Brasil, porém, o povo canta músicas que fazem apologia ao estupro. A nossa festa máxima é marcada pelos corpos nus e seminus expostos ao público, e por uma promiscuidade sexual que é elogiada pelos jornalistas. E o brasileiro se orgulha de ser quem é. “O melhor do Brasil é o brasileiro”, diz o ditado. Andamos ensoberbecidos e não afastamos os imorais do nosso meio.

Gostaria de dizer que os cristãos são diferentes, mas não parece ser o caso. Volta e meia descobrimos casos de adultério, abuso sexual e violência sexual mesmo em meio aos líderes. Há oficiais da Igreja que adulteram, a Igreja sabe, e eles não são confrontados. O menino “pegador” não é recriminado, nem pelos pais e nem pelos seus líderes. Falar da decência no vestir-se é pedir para ser chamado de fariseu.

A necessidade da disciplina

Entretanto, por mais difícil que seja confrontar alguém por causa de um pecado sexual tão escandaloso, essa confrontação é necessária. Omitir-se é pecado. Pior, é o pecado que permite que o mal crie raízes, seja repetido e aprofundado.

No caso da Igreja, a Bíblia é clara. Os irmãos que se envolvem em imoralidades sexuais tão graves devem ser retirados da comunhão. Tais pessoas devem ter suas carnes “entregues a Satanás”, na esperança de que a disciplina produza arrependimento e o espírito seja salvo no dia de Jesus. A restauração não pode acontecer se a justiça não for feita.

A Bíblia usa ainda uma outra figura: a do fermento. Não é preciso muito fermento para levedar toda a massa do pão. O que isso significa? É simples: quando toleramos um pouco de pecado, e não o confrontamos, não pregamos contra, não alertamos as pessoas sobre ele, esse pecado passa a fazer parte da cultura da Igreja. Ele se torna algo normal, um desvio que qualquer um pode cometer. E o mesmo vale para qualquer sociedade.

Na hipótese mais branda, os estupradores deveriam receber uma punição equivalente ao dano que eles provocaram. Mas isso não é suficiente. O velho fermento precisa ser jogado fora. O brasileiro tolera a sensualidade, o adultério, a prostituição e a promiscuiade como algo saudável e normal. Sim, até o adultério…quem nunca ouviu (e se calou) diante de um colega de trabalho que falou abertamente sobre as vezes em que traiu a esposa? Se não há nenhuma repreensão ou choque diante desses relatos, é porque o adultério já levedou também.

É preciso jogar fora a cultura da imoralidade, da sensualidade, da pornografia, do ficar, do baile funk e do sertanejo universitário, da arte que glorifica e exalta a imoralidade e é cantada e celebrada pelo povo como cultura. É preciso rejeitar esse vínculo identitário do brasileiro com a imoralidade. Isso não faz parte da nossa identidade, da nossa essência, do que somos. E confrontar e disciplinar adequadamente os imorais é uma ótima forma de começar isso.

Sinceridade e verdade

Mas apenas disciplinar não resgatará uma igreja ou um país de uma cultura de pecado. É preciso substituir um amor pelo outro. No caso, o amor pela maldade e pela malícia deve dar lugar ao nosso amor pela sinceridade e pela verdade. E isso só pode ser feito por meio de Jesus Cristo.

No texto que lemos, a Bíblia nos diz que precisamos ser “uma nova massa”. Depois que uma massa de pão fermenta, não há mais como retirar o fermento. É preciso fazer outra massa. Da mesma forma, uma vez que o pecado entra em nós, não há mais como redimir o nosso velho ego. Uma nova identidade, uma nova natureza, uma nova criação precisa ser feita. E apenas Jesus pode fazer isso.

Não há como rejeitar o estupro e tolerar a pornografia ou mesmo a música que canta um estupro. Não há como rejeitar a imoralidade sexual sem rejeitar também a maldade, a malícia, a mentira, a desonestidade e tudo o que compõe o nosso ego atual. É preciso jogar a massa fora, jogar a nossa identidade fora, negar radicalmente o que somos. E, então, permitir que Cristo faça de nós uma nova massa, marcada pela sinceridade e pela verdade.

Shmura_MatzoPor que a Bíblia fala dos pães asmos (sem fermento) aqui? A referência é ao sacrifício da Páscoa, quando os judeus imolavam um cordeiro e comiam pães asmos para relembrar o dia em que saíram do Egito, deixaram de ser escravos e se tornaram livres. Porque Cristo foi imolado na cruz, como o nosso Cordeiro Pascal, nós também podemos ser libertos da nossa escravidão ao pecado.

Se Cristo nos criar, nossos relacionamentos serão marcados pela sinceridade. Jogos românticos, estratégias para enganar, a busca de oportunidades para abusar do nosso próximo, nada disso terá lugar. Falsas promessas de amor não serão feitas. Pessoas que não estão prontas para assumir um relacionamento não poderão esconder isso de ninguém. A sinceridade não convive com disfarces.

A verdade não deixará lugar para a falsidade e a mentira. O amor não será fingido, mas verdadeiro. Não haverá motivos para a desconfiança. Quando o erro acontecer, ele será confessado. E nós poderemos perdoar, porque as intenções da confissão são verdadeiras.

Para refletir

Talvez você esteja pensando o quão distantes nós estamos de atingir esse padrão. De fato, somente Jesus pode amar e se relacionar assim. Mas, se Cristo é o nosso Cordeiro Pascal, o nosso Deus, e se nos alimentamos d’Ele, Ele fará de nós uma nova massa. Não importa o quão levedados pelo pecado nós somos, que coisas horríveis estão no nosso passado. Para vítimas e para criminosos, para todos nós, há a esperança de sermos uma nova massa. Cristo tem esse poder.

Enquanto isso, podemos refletir em algumas perguntas:

1) Que brechas tenho aberto para a sensualidade na minha vida pessoal? Tenho conversas ou ouço músicas que me ensinam a me relacionar de modo imoral? Vejo sites, programas de TV, filmes ou jogos que ensinam a imoralidade como algo normal?

2) Qual a gravidade que atribuo aos meus pecados sexuais? Será que os considero como algo inofensivo e que não pode crescer? Ou tenho dado a eles o peso que a Bíblia lhes dá?

3) Acredito mesmo no poder de Jesus para renovar todo o meu ser? Tenho buscado ler a Bíblia, orar e ter conversas que me ajudam a confiar n’Ele e renovar a minha mente?

4) O que desejo promover em meus relacionamentos: maldade e malícia ou sinceridade e verdade? Minhas ações e a forma como gasto meu tempo mostram que tenho promovido o quê?

5) Como minha igreja e minha comunidade tem tratado dos graves pecados que ocorrem em seu meio? O que posso fazer para ajudar a atingirmos o padrão bíblico sobre como lidar com graves pecados?

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Aos cristãos em tempos de juízo

Quem não sonha com um futuro melhor? De todos os motivos que fazem as pessoas se levantarem da cama todos os dias, com certeza, esse é um dos mais comuns. Dias melhores também são um dos motivos mais poderosos para levar pessoas às igrejas. Muitos buscam a Deus porque cansaram de sofrer e precisam de esperança para continuarem lutando. A recompensa da fé e da obediência seria uma vida mais segura e feliz, com a bênção do Senhor.

Mas, o que fazer quando o futuro não será melhor que o presente ou o passado? Como acordar para viver quando há o risco real de perder o emprego, gerar um filho doente e ser assaltado por bandidos? Exagero? De modo algum. Essa é a realidade que o Brasil enfrenta hoje:

  • Uma grave crise econômica, que se estenderá por 2016…e talvez mais;
  • Mais de 1.700 casos de bebês com microcefalia por causa do vírus zika;
  • No ano passado, o Brasil foi o país do mundo com maior número de  homicídios: mais de 60 mil;
  • O vale do Rio Doce devastado pelo maior desastre ambiental de nossa História;
  • O maior escândalo de corrupção da nossa História.

“Ah, mas isso vai passar”. A questão é que não sabemos quando. Muitos brasileiros apostavam no impeachment da presidente Dilma Rousseff como um alívio para estes problemas. Trocar de presidente poderia ajudar a economia e provocar alguma pequena melhora no nosso quadro atual. Mas essa esperança tem se revelado cada vez mais frustrante.

É razoável imaginar que continuaremos com o mesmo governo…e os mesmos problemas. E os cristãos não escaparão ilesos. Mesmo buscando ao Senhor, haverá quem perderá o emprego, ganhará menos, sofrerá com a violência, enfrentará problemas de saúde e será vítima dos erros de outros.

Nesses momentos, precisamos nos lembrar que Deus é o Senhor de todas as coisas e possui um propósito em tudo o que faz. Em tempos de juízo, há lições a serem aprendidas, e elas são para o nosso bem. Como está escrito:

Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.
Romanos 8:28

tristeza

1) Deus reina e julga as nações

 Por que uma nação é elevada e outra tratada com severidade? Humanamente, nós pensamos que isso ocorre porque um povo se esforçou mais que o outro. Tinha valores melhores, uma educação superior ou um mercado mais livre.  Temos a ilusão de que nós somos senhores de nosso destino.
Contudo, a Bíblia ensina que Deus é quem governa e preside as nações. E Ele também as julga com justiça:
Todos os confins da terra se lembrarão e se voltarão para o Senhor, e todas as famílias das nações se prostrarão diante dele, pois do Senhor é o reino; ele governa as nações.
Salmos 22:27,28
Digam entre as nações: “O Senhor reina! ” Por isso firme está o mundo, e não se abalará, e ele julgará os povos com justiça.
Salmos 96:10
No último dia, o Senhor julgará (e reprovará) todas as nações da Terra. Mas isso não quer dizer que Ele não faz nada até lá. Ao contrário, assim como nos dias do Antigo Testamento, Deus continua, até hoje, elevando e derrubando países. O Senhor julga os povos e prova o coração dos países e de seus governantes. O Brasil não é exceção.
O que precisamos fazer é aceitar isso e analisar porque o Senhor tem julgado o Brasil dessa maneira. Há muitos pecados, dentro e fora da Igreja, e eles não são tratados. Pior: tornam-se a norma que é ensinada nas escolas e universidades, como aconteceu com as questões sexuais e familiares. De igual modo, escolhemos corruptos para serem nossos príncipes. Certamente, parte da resposta passa por essa reflexão.

2) Toda autoridade procede de Deus

Recordemos: Deus é quem controla todas as coisas, inclusive quem terá autoridade sobre um determinado país. As eleições ou mecanismos de punição, como o impeachment, são apenas meios pelos quais Deus realiza a Sua obra. Falando de modo específico sobre o Governo, a Bíblia é claríssima:

Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas.
Romanos 13:1

Toda autoridade vem de Deus e é por Ele estabelecida. Mesmo quando a Bíblia falava de reis extremamente maus e cruéis, como Acabe ou Manassés, foi o Senhor quem os colocou como governantes. Isso precisa ser aceito por todos os cristãos. Se a presidente permanece no poder, é porque Deus a estabelece lá. E cabe a nós o dever de nos sujeitarmos a ela, dentro dos limites estabelecidos pela Palavra.

Sujeitar-se não significa, porém, que não podemos criticá-la. Na Bíblia, os profetas de Deus criticaram até mesmo reis bondosos e muito fiéis, como Davi. Também não significa que ordens contrárias à lei do Senhor devam ser obedecidas, como bem mostra o livro do profeta Daniel, por exemplo. Contudo, o dever de se submeter e obedecer continua em pé.

Eu mesmo prego e ensino que a autoridade deve ser respeitada, mesmo quando ela é má. Um mau pai ainda é pai e deve ser respeitado, assim como um mau pastor ou uma má mãe ou um mau marido. O mesmo também é verdadeiro sobre a má presidente ou o mau governador. Até Jesus se submeteu enquanto viveu, embora criticasse o comportamento dos sacerdotes. Nós precisamos fazer o mesmo, até para que sintamos compaixão quando vemos outras pessoas sofrendo debaixo da autoridade de maus chefes, maus pais, maus cônjuges…

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3) Ore: pelas autoridades e pelo Brasil

É preciso reconhecer que Deus está no controle de tudo, inclusive do que acontece de mau em nossa nação. Contudo, o Senhor não nos chama para termos uma atitude meramente conformista. Se Deus é quem governa e estabelece, é a Ele que devemos recorrer nos momentos difíceis. Nós temos este dever:

Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ação de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranqüila e pacífica, com toda a piedade e dignidade.
1 Timóteo 2:1,2

A Igreja precisa orar pelos seus governantes e por todo o povo! Se queremos uma vida tranqüila e pacífica, é preciso por os joelhos no chão e clamar…pelos outros! No Brasil, é muito comum que as pessoas se envolvam para orar por si mesmas ou por missões. Nesses momentos, clamamos e jejuamos. Mas não há o costume de orar pelas autoridades e pela nação.

Aqui eu gostaria de contar uma experiência pessoal que tenho tido na Redeemer Presbyterian Church. Todo culto há o que eles chamam de “Prayers of the People” ou “Orações do Povo”. Nesses momentos, a igreja ora pela cidade de Nova Iorque, pelos Estados Unidos e por outras nações. Quando há um grande crime ou ocorre um fato grave, a Igreja ora também. Nós oramos por Paris após o atentado. Ora-se constamente sobre a Síria. Em Washington, na Capitol Hill Baptist Church, também vi várias vezes o pastor orar e pedir pelos Estados Unidos.

A História mostra que igrejas também se envolveram com questões políticas e até com protestos, como ocorreu nos próprios Estados Unidos em relação ao racismo, e nos países do Leste Europeu quando deixaram o comunismo. Mas, antes disso, elas oravam. Elas faziam missas e cultos pela pátria. E isso as igrejas brasileiras não fazem.

oração

4) Arrependa-se

Por fim, é preciso olhar para a nossa própria maldade, antes de apontarmos o dedo para a maldade de nosso país e de nossos governantes. Sim: ANTES! O próprio Jesus nos ensina que primeiro devemos tirar a trave de madeira dos nossos olhos, para depois tentarmos tirar o cisco do olho de outros:

“Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.
Mateus 7:3-5

E há tantas traves e vigas em nossos olhos! As igrejas perderam o discernimento. Muitos falsos profetas, com heresias destruidoras, são aclamados como homens de Deus ou grandes sábios, enquanto ensinam a Teologia da Prosperidade e/ou transformam a graça de Deus em libertinagem. Os pecados não são confrontados por nossos sermões açucarados e pelo nosso medo de esvaziarmos nossos templos se pregarmos a verdade.

As famílias estão se esfacelando. Homens que se recusam a ser maridos e pais, e mulheres que não aceitam os mandamentos bíblicos para esposas e mães. Filhos que não são educados pelos pais e que vêem modelos invertidos de masculinidade e feminilidade. A promiscuidade sexual chega ao ponto de adolescentes das igrejas fazerem sexting, mandando fotos nuas a outros, agindo do mesmo modo que os adolescentes que não estão na igreja.

Orar apenas não basta: é preciso confessar e mudar! Como diz um texto bem famoso da Bíblia:

“Se eu fechar o céu para que não chova ou mandar que os gafanhotos devorem o país ou sobre o meu povo enviar uma praga, se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra.
2 Crônicas 7:13,14

A mudança do Brasil depende da purificação dos que se chamam de cristãos. É preciso que nos humilhemos diante do Senhor e confessemos o nosso pecado. É preciso orar e buscar a face de Deus. Temos que admitir o nosso fracasso e pedir que Jesus tome sobre si o nosso pecado e o pecado de nosso país.

Mas também é preciso se afastar dos maus caminhos. E isso é se arrepender, é mudar de vida. É o adúltero deixar as amantes e confessar seu pecado ao cônjuge. É o pai omisso encher-se de coragem e começar a falar e a ensinar sua casa, mesmo que ele seja ridicularizado pelos filhos no começo. É o marido insensível começar a fazer atos concretos de amor pela esposa, mesmo que ele não queira lavar a louça ou abrir mão do futebol para ouvir o que sua esposa tem a dizer.

E essa é uma obra de Jesus. Nós precisamos do Evangelho, para ressuscitarmos com Jesus e vermos o Espírito Santo formando o próprio Cristo em nós e nos fazendo mudar. Para isso, precisamos orar, ler a Bíblia, permitir a confrontação de amigos cristãos, buscar aconselhamento, nos tornarmos vulneráveis, chorar…mas o resultado é vida. É comunhão com Deus e paz de espírito, mesmo em meio ao sofrimento. É saber que o Justo Juiz está conosco, mesmo no meio de uma sociedade má e impura. E é ver isso transbordar e abençoar o nosso Brasil.

Que eu e você nos coloquemos nas mãos do Senhor, para sermos meios de graça para o nosso Brasil.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Mudar a presidente não é o suficiente

Escrevo este texto poucas horas depois do anúncio de que o Congresso Nacional acolheu a abertura do pedido de impeachment da presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Para muitos, como eu, um eventual impeachment representa um alívio e uma esperança para o país, mergulhado em denúncias de corrupção, rombo nas contas públicas (um Governo que gasta muito mais do que arrecada com impostos) e uma grave crise econômica. Um novo presidente pode significar mudanças positivas que ajudem a reverter esse quadro tão negativo.

Contudo, o maior erro que podemos cometer é achar que o presidente certo será a salvação do Brasil, como se precisásssemos apenas de um novo líder. Mesmo que trocássemos, instantaneamente, todos os integrantes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, ainda assim o Brasil estaria longe de deixar o seu atraso. Um golpe militar que desse a algum sábio ditador poderes absolutos ainda não seria suficiente para trazer o Brasil para o grupo dos países mais desenvolvidos do mundo.

Um país apodrecido

Nossa situação é muito parecida com aquela vivida pelo reino de Judá, no século VIII antes de Cristo. Veja em Isaías 1 como Deus avaliava o estado de seu povo naqueles dias.

Ai, nação pecadora, povo carregado de iniqüidade, descendência de malfeitores, filhos corruptores; deixaram ao Senhor, blasfemaram o Santo de Israel, voltaram para trás. Por que seríeis ainda castigados, se mais vos rebelaríeis? Toda a cabeça está enferma e todo o coração fraco. Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres não espremidas, nem ligadas, nem amolecidas com óleo.
Isaías 1:4-6

Demais? Vejamos: por dia, são assassinadas no Brasil mais de 150 pessoas. É mais que o número de mortes do conflito entre israelenses e palestinos. Na última década, o número de divórcios subiu 160%! Mais de 340 mil apenas em 2014. O Vale do Rio Doce e o litoral capixaba sofrem com a maior tragédia ambiental da nossa história. Não se respeita a vida, o casamento e a criação.

Na verdade, é interminável a lista dos graves pecados cometidos diariamente pelo brasileiro. Nosso emprego dos sonhos é o serviço público, porque ganha mais, trabalha menos e ainda tem estabilidade. Dito de outra forma, valorizamos mais a preguiça do que o trabalho. As crianças não respeitam os pais e a violência nas escolas explode. Aliás, os pais querem que as escolas eduquem os filhos, e a educação que o Estado quer oferecer é o marxismo e a ideologia de gênero, desconstruindo o modelo familiar ensinado na Bíblia. Os bandidos são presos e ficam em presídios lotados e imundos, e isso, quando o juiz não manda soltar! Mesmo os policiais são pegos quase todos os dias em casos de abuso de autoridade, execuções informais e até de conluio com o crime organizado.

Faltou tanta coisa ainda! O amor à sensualidade, o desleixo com a saúde pública (basta olhar o surto de bebês com microcefalia), o culto que gira em torno de dinheiro e prosperidade, a impunidade confundida com graça, o jeitinho que nunca segue regras, a glorificação do malandro…não é exagero algum dizer que, da planta do pé ao alto da cabeça, não há nada são no Brasil.

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Um povo apodrecido

No entanto, o brasileiro gosta de pensar que o problema está apenas na cabeça. O povo é bom, honesto e trabalhador. O único problema seria a elite política e empresarial corrupta que governa a Nação. Se os políticos e os empresários fossem trocados por gente do povo, o Brasil seria um país justo e ordeiro.

Outros, mais sofisticados, insistem que o nosso problema é “de cabeça”, de mente, de educação. Estamos presos a ideologias do atraso. Se aprendermos mais sobre política, economia, sociologia e filosofia, mudaríamos nossa forma de ser e agir. O Brasil seria um país de Primeiro Mundo, mas com seu tempero tropical.

Se, porém, levamos o texto bíblico e a realidade a sério, precisamos entender que o nosso problema é de cabeça e de coração. Não é apenas a elite que é corrupta. O povo também rouba. Também trai a mulher e abusa dos enteados. Também mata, estupra e espanca todo mundo em casa. O povo também gosta de sensualidade, drogas e dinheiro fácil. Não é apenas a educação do Brasil que é corrompida, mas também seu coração. Verdade seja dita: eu, você e mais um monte de cristãos amamos e valorizamos a vida fácil e detestamos o trabalho duro! Muitas vezes preferimos pecar e ter dinheiro no bolso do que ser santos e viver na miséria.

O primeiro passo para a mudança não é trocar de presidente: é aceitar o julgamento de Deus a nosso respeito! Precisamos parar de acreditar que somos a Israel fiel dos dias de Josué, de Davi ou de Salomão, que o Senhor gosta tanto de nós que Ele é brasileiro! Não! Somos o doente incurável que está diante do Senhor dos Exércitos.

Uma igreja apodrecida

E os protestantes e evangélicos que não se iludam, achando que todos os males do Brasil são culpa dos que não conhecem a Deus. Também sobre nós se aplica o que o Espírito Santo fala em Isaías 1:

De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o Senhor? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; nem me agrado de sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecer perante mim, quem requereu isto de vossas mãos, que viésseis a pisar os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembléias; não posso suportar iniqüidade, nem mesmo a reunião solene. As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer. Por isso, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Isaías 1:11-15

Não faz tanto tempo assim que saí do Brasil. Mas, pelo que me lembro, as igrejas do Brasil estão muito preocupadas com crescimento. De modo geral, todas as denominações desejam isso, o que muda é a receita. Algumas prometem prosperidade, desde que sejam trazidas gordas ofertas e dízimos generosos para o culto. Outros querem uma igreja simpática, que acolhe o pecador…e o pecado. Não disciplinam, não confrontam, não são explícitas quanto ao Evangelho…e o resultado é que o pecado está misturado com o culto solene. Os adoradores continuam com sangue nas mãos…o sangue das vítimas da violência, dos roubos, dos adultérios…e esse sangue nunca é lavado. Não há arrependimento. Apenas tolerância.

Era exatamente assim o culto nos dias do profeta Isaías. Os judeus pensavam que as ofertas cobririam os pecados. Que bastava sacrificar animais gordos e fazer cultos bonitos, que Deus ignoraria o pecado. A preocupação era toda exterior: ninguém examinava seus atos diante de Deus. O resultado: cultos e orações rejeitados por um Deus cansado de sofrer com o pecado de Seu povo.

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A única salvação possível

Humanamente, nem a Israel do século VIII a.C. e nem o Brasil do século XXI possuem esperança. O câncer já se alastrou e a infecção é generalizada. Mas Deus não é homem. Há uma solução:

Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer mal. Aprendei a fazer bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas. Vinde então, e argüi-me, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã. Se quiserdes, e obedecerdes, comereis o bem desta terra. Mas se recusardes, e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; porque a boca do Senhor o disse.
Isaías 1:16-20

Se houver mudança, se houver arrependimento, há purificação. Ainda que tenhamos derramado tanto sangue que nossa alma esteja vermelha escarlate, o Senhor nos tornará brancos como a neve. Se houver santidade, o cadáver insepulto reviverá.

Mas essa não é uma obra que eu e você possamos fazer. Para nós, com a nossa força, é impossível lavar-se e purificar-se. Mudar o coração está além de nossa capacidade. Todavia, o mesmo Isaías nos fala quem pode fazer isso por nós:

Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. Isaías 53:4-6

Isaías falava a respeito de Jesus, o nosso Salvador, que tomou sobre si as nossas enfermidades, dores e pecados. O castigo por cada homicídio, adultério, idolatria, roubo e transgressão foi lançado sobre Jesus. Todos os que são salvos foram, um dia, ovelhas desgarradas e desviadas, mas Jesus sofreu no nosso lugar para nos trazer salvação.

Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do Senhor prosperará na sua mão. Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniqüidades deles levará sobre si. Por isso lhe darei a parte de muitos, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores. Isaías 53:10-12

Em Isaías 1:16-20, a Bíblia nos fala que, se quisermos e obedecermos, comeremos o bem desta terra. O que é isso, se não o bom prazer do Senhor? Só entra nesse prazer aqueles que fazem parte da posteridade de Jesus. O sofrimento de Jesus foi expiatório, ou seja, o sofrimento d’Ele aplacou a ira de Deus sobre o nosso pecado e nos tornou propícios a Deus.

Quando depositamos nossa fé em Jesus e aceitamos o Seu conhecimento, ou seja, a Sua Palavra, somos salvos. Jesus nos justifica e nos faz parte de Sua podteridade. Ele leva sobre si o nosso pecado e intercede por nós. E é por meio dessa amizade que somos transformados. É Cristo quem nos leva ao verdadeiro arrependimento e transforma nossas vidas sujas em algo mais branco que a neve.

Bem sei que é apenas no fim dos tempos que todos verão que Jesus é a Verdade. Até lá, os países não aceitarão serem governados por Cristo. Cedo ou tarde, a mesma podridão alcançará o mundo inteiro. Mas, enquanto isso não acontece, os povos que mais ouvem essa mensagem e seguem ao Senhor são mais preservados por Ele. Já os que não lhe dão ouvidos, mesmo que sejam materialmente prósperos, apodrecerão e sofrerão o juízo divino. E isso já está acontecendo.

Até lá, uno-me aos profetas que clamam: “Brasil, olha pra cima!”

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

 

Cristo Salvador? Sim! E o Cristo Redentor?

Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora. E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo. Porque, na esperança, fomos salvos. (Romanos 8:22-24a)

Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. Assim que, nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos deste modo. E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. (2 Coríntios 5:14-17)

Se perguntarmos a um estrangeiro qual a primeira imagem que lhe vêm a cabeça quando se fala em Brasil, provavelmente será  a estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. Quando olhamos para aquela imagem, de um Jesus de braços abertos, imaginamos que redenção significa acolhimento. Talvez o Cristo Redentor seja aquele que está de braços abertos, pronto a receber a quem quer que seja.

Essa imagem não é diferente da que muitas pessoas têm sobre a obra salvadora de Cristo Jesus. Quando dizemos que as pessoas são salvas pela graça, enfatizamos que qualquer um pode vir a Jesus, o que é uma verdade. Não importa o passado ou o pecado, Cristo está aberto para salvar a qualquer um que se aproxime dele.

A questão é que reduzimos a salvação de Cristo ao simples perdão de pecados. Gostamos de falar que Cristo é o nosso Salvador, porque associamos esse título à parte da salvação que nos é conveniente: em Cristo, todos os nossos pecados são perdoados e nossa culpa é removida. O céu volta a ser uma opção para nós. E isso é o que importa, certo?

O que é salvação?

Entretanto, ser salvo não é apenas ter a culpa do pecado removida. Jesus não veio ao mundo morrer na cruz para que continuássemos a viver no pecado, sem medo de sermos condenados ao inferno. Dizer-se cristão e continuar nos mesmos hábitos, preso aos mesmos gostos e inclinações, é uma grande mentira.

Todo aquele que é salvo tem a esperança de ter o seu corpo redimido. A palavra usada na Bíblia tem o sentido de “libertar alguém pelo pagamento de um resgate”. Redimir é mudar o estado de alguém a um preço muito grande. Ao morrer na cruz e ser punido em nosso lugar, Jesus pagou o preço necessário para libertar o nosso corpo da escravidão do pecado. Ele começou ali a nos redimir.

Contudo, a redenção ainda não foi concluída. Todo verdadeiro cristão anseia pelo dia em que não pecará mais. Ele geme em seu interior, aguardando o dia em que não mais terá pensamentos impuros, ira pecaminosa ou desejos contrários aos de Cristo. É nessa esperança de ser transformado que ele é salvo.

Vemos assim que a redenção é a libertação do pecado que ainda habita em nós. É um evento futuro, mas já iniciado! Aquele que está em Cristo já é uma nova criatura! Ela não é mais a mesma velha pessoa, tudo passou! A redenção já foi iniciada, mas ainda não foi concluída.

livre

O meio da redenção

Sem dúvida alguma, a redenção é uma obra realizada pelo Senhor Jesus. Nenhum ser humano tem o poder de se auto-redimir. Jejuns, orações ou atos de caridade não podem comprar a liberdade do ser humano. Apenas Cristo pode nos libertar.

Parece bom, mas confesso que muitas vezes é desesperador saber disso. A redenção é uma obra que não está sob meu controle. Eu dependo inteiramente de Deus para que ela aconteça. E, muitas vezes, não entendo se Cristo está mesmo realizando sua obra redentora em minha vida ou qual o meu papel em tudo isso. Como Cristo me redime?

A resposta bíblica é clara: a redenção acontece por meio da santificação. E santificar-se é morrer e viver com Cristo. Só é redimido quem morre para si mesmo e para seus desejos e paixões e vive para Cristo. Ser livre é abandonar tudo o que se é e o que se tem na cruz, para receber em troca um novo ser, com novos gostos e desejos, refeito pelo Senhor. Ser livre é ver o nosso eu morrer e ver Cristo vivendo em nosso lugar.

A recusa da redenção

Parece simples, mas, se pensarmos bem, são poucos os que realmente desejam ser redimidos. Porque a redenção envolve uma transformação completa que não queremos que aconteça. Redimir não é consertar, é substituir.

metamorfose

E nós não queremos essa substituição. Por exemplo, redimir é preferir, de verdade, um mundo onde a pornografia e a prostituição não existam. É preferir o celibato e a castidade à imoralidade sexual, ao sexo fora do casamento. É ansiar pelo dia em que não será possível dar vazão às frustrações do dia-a-dia olhando uma modelo no computador ou acariciando pesadamente uma namorada.

Redenção é ver a beleza em um espírito manso e tranquilo, e não em um corpo sarado e adornado com belas jóias e vestidos. É procurar o seu valor pessoal em Cristo, e não na opinião que outros homens e mulheres têm sobre nós. É estar bem sozinha, com o Senhor, sem ver o casamento como a razão última da vida, a ponto de sacrificar a fé em um relacionamento impuro.

É amar a Deus mais do que se ama o dinheiro. É estar contente com o que se tem e ter a alma cheia de gratidão, mesmo em meio à pobreza ou à doença. É não ansiar pelo dia de amanhã, mesmo quando não se sabe se haverá um lugar para reclinar a cabeça à noite. É preferir um dia na presença do Senhor do que dez mil dias na Disney, em um resort no Caribe, nas raves da Europa ou em qualquer outro lugar.

E isso é algo que não queremos. O que queremos mesmo é ir para o céu e levar um pouco do inferno conosco. Queremos brincar com as chamas do inferno e ter a garantia de que Deus curará as queimaduras.

O Senhor, de fato, cura as queimaduras que o inferno produziu e ainda vai produzir em nós. Mas Ele também nos queima em seu fogo purificador, até que morra todo o desejo que temos pelo fogo do inferno. Ele envia tribulações e sofrimentos para purgar-nos de todo o desejo pelo que é mau. Afinal, Jesus veio ao mundo para substituir o nosso coração de pedra por um coração de carne, que realmente ama e deseja o que é do Senhor. E esta é a nossa esperança.

Uma oração final

Pai, agradeço ao Senhor porque a obra de Cristo é completa. Louvo ao Senhor porque, em teu Filho, tenho o perdão de meus pecados, e a redenção de todo o meu ser. Leva adiante essa obra em minha vida. Dai-me a graça de ser liberto de todo amor que tenho pelo pecado. Que, a cada dia, o Senhor trabalhe em mim para substituir o meu eu pecador pela nova criatura que eu já sou, em Cristo Jesus. Perdoa-me os pecados e o meu apego a eles, bem como minha frieza em relação a Ti. Dai-me a graça de ansiar, junto com a sua criação, pelo dia em que serei completamente transformado. Em nome de Jesus. Amém.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima

Barro nas  mãos do Oleiro

Resolve, Daniel! Ou A igreja que não ora pelo Brasil

Sem dúvida alguma, um dos assuntos mais importantes sendo discutidos hoje, em todo o mundo, é o relacionamento entre religião e política. No Oriente Médio, vemos desde a proibição de um partido religioso no Egito (a Irmandade Muçulmana) até os conflitos com o Estado Islâmico, que impõe uma versão radical da sharia em seus territórios. No Ocidente, assuntos como o casamento homoafetivo, o aborto, a educação de filhos e a imigração geram intensos debates sobre a liberdade religiosa e a laicidade do Estado. Nas ditaduras, procura-se controlar rigorosamente qualquer tipo de manifestação religiosa, para evitar a queda de regimes, como aconteceu no Leste Europeu, onde os cristãos ajudaram a derrubar o comunismo. Basta lembrar o papel do papa João Paulo II na luta contra o comunismo polonês.

No Brasil, não é diferente…mas, como sempre, tem a sua particularidade. Por um lado, as bancadas católica e evangélica são atuantes e recebem várias críticas nos assuntos comportamentais, como aqueles ligados ao aborto e ao homossexualismo. Contudo, a atuação morre aí. Enquanto o Brasil assiste a uma grave crise política, com denúncias de corrupção, pedidos de impeachment da presidente e manifestações que levam milhares de pessoas às ruas, os políticos e as igrejas evangélicas permanecem em silêncio. Nenhuma palavra, seja em uma direção, seja em outra, é dita. É como se o Evangelho não tivesse nenhuma resposta ou orientação para a realidade do nosso país.

Manifestação do dia 12 de abril em Brasília (DF)
Manifestação do dia 12 de abril em Brasília (DF)

Um silêncio inexplicável
Contudo, esse silêncio é, no mínimo, incoerente, em qualquer grande segmento do cristianismo. Os católicos sempre influenciaram a política, tanto que até hoje o papa se pronuncia regularmente sobre a política internacional. Já a Reforma Protestante desconectou o poder dos reis da Igreja Católica, trouxe guerras e revoluções políticas e ajudou a acabar com o absolutismo medieval. Várias experiências políticas surgiram do protestantismo, como a famosa Genebra de João Calvino.

Como já dissemos, Genebra era uma cidade governada por concílios. Antes de Calvino não havia uma normatização legislativa organizada e explicitada para todos. Movido pelo seu zelo de sempre ser fiel ao ensino moral da Bíblia, e ajudado por seu conhecimento jurídico, ele foi o agente e mentor de várias mudanças políticas. É bem verdade que Calvino só foi chamado para se envolver ajudando na confecção do corpo de leis para a cidade, posteriormente à sua intensa atividade na reformulação da vida religiosa. Aqui destacamos dois pontos, por considerá-los de maior grandeza, a relação entre a igreja e estado, e o governo com a participação popular. (Rev. Sérgio Paulo Ribeiro Lyra)

Mesmo entre os pentecostais, o simples fato deles se engajarem para eleger uma numerosa bancada evangélica já mostra que há o entendimento de que eles devem influenciar a política. Até grupos cristãos historicamente mais enfáticos na separação entre a Igreja e o Estado, como é o caso dos batistas, possuem um Martin Luther King Jr que mudou a história dos Estados Unidos.

Historicamente, a omissão dos protestantes e evangélicos brasileiros é inexplicável. A história, a teologia e a prática da maioria desses grupos mostra que eles não consideram que a Igreja deva permanecer alheia aos debates políticos. O passado e o presente mostram que eles não consideram que a Igreja deva cuidar somente de assuntos espirituais. No caso específico dos seguidores de João Calvino é ainda pior, já que eles seguem o ensino de que não há uma separação entre o sagrado e o secular e que tudo é sagrado.

Argumentos como “devemos nos preocupar com a evangelização” ou de que apenas assuntos ligados à fé devem ser falados nos púlpitos e nos palanques mostram-se hipócritas quando há um empenho para eleger deputados ou se celebra a vida e a morte de cristãos que atuaram politicamente, como Dietrich Bonhoeffer, que foi executado por sua luta contra o nazismo.

Dietrich Bonhoeffer
Dietrich Bonhoeffer

O silêncio pecaminoso dos líderes
Mas pior do que a incoerência histórica é o pecado de omissão que se esconde por trás desse silêncio. Sim, é verdade que nem Jesus e nem os discípulos se engajaram para derrubar o Império Romano ou para implementar um reino de Deus terreno. Sim, é verdade que Jesus ensinou que devemos dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Contudo, isso não implica que o Novo Testamento silencie sobre os pecados e deformidades da política. Além do exemplo claro de João Batista, há várias condenações mais discretas (porém claras) presentes no texto neotestamentário.

Assim, pois, com muitas outras exortações anunciava o evangelho ao povo; mas Herodes, o tetrarca, sendo repreendido por ele, por causa de Herodias, mulher de seu irmão, e por todas as maldades que o mesmo Herodes havia feito,acrescentou ainda sobre todas a de lançar João no cárcere. (Lucas 3:18-20)

Naquela mesma hora, alguns fariseus vieram para dizer-lhe: Retira-te e vai-te daqui, porque Herodes quer matar-te. Ele, porém, lhes respondeu: Ide dizer a essa raposa que, hoje e amanhã, expulso demônios e curo enfermos e, no terceiro dia, terminarei. (Lucas 13:31-32)

Mas Jesus lhes disse: Os reis dos povos dominam sobre eles, e os que exercem autoridade são chamados benfeitores. Mas vós não sois assim; pelo contrário, o maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve. (Lucas 22:25-26)

Ouvindo isto, unânimes, levantaram a voz a Deus e disseram: Tu, Soberano Senhor, que fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há; que disseste por intermédio do Espírito Santo, por boca de Davi, nosso pai, teu servo: Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs? Levantaram-se os reis da terra, e as autoridades ajuntaram-se à uma contra o Senhor e contra o seu Ungido; porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram; agora, Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra, enquanto estendes a mão para fazer curas, sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus. (Atos 4:24-30)

Então, exclamou com potente voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, covil de toda espécie de espírito imundo e esconderijo de todo gênero de ave imunda e detestável, pois todas as nações têm bebido do vinho do furor da sua prostituição. Com ela se prostituíram os reis da terra. Também os mercadores da terra se enriqueceram à custa da sua luxúria. (Apocalipse 18:2-3)

Seja por meio da pregação (João Batista), do ensino (Jesus), das orações (os apóstolos em Atos) ou da profecia (o anúncio do julgamento divino no Apocalipse), a Igreja neotestamentária denunciou o pecado dos governantes seculares. O simples fato de tais relatos serem registrados por escrito e lidos nas igrejas já era uma forma de pregar contra o pecado. O Novo Testamento não é o fim da vigorosa atuação política profética que existia no Antigo Testamento. A ênfase é outra (a teocracia judaica acabou), mas a pregação continua viva.

O que não se pode aceitar é que os pastores e líderes cristãos fiquem em silêncio diante do que acontece no Brasil. Que não exista uma voz de destaque que se levante para despertar a Igreja e mobilizá-la diante da grave situação de crise que enfrentamos. Sem pregações e ensinos da liderança, a Igreja apenas assiste ao que está acontecendo e é levada pelo rumo dos acontecimentos.

Martin Luther King Jr em Selma
Martin Luther King Jr em Selma

O silêncio pecaminoso dos fiéis

O silêncio nos púlpitos e no ensino da Igreja é culpa dos pastores e líderes. Mas os liderados não podem se omitir da culpa pela ausência de orações em favor do Brasil. Hoje não há um único movimento nacional de orações pelo país e por nossas autoridades. Quebramos assim o mandamento bíblico que nos mostra como podemos ter uma vida tranquila e mansa.

Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. (1 Timóteo 2:1-2)

Por que o Brasil vive uma onda de violência tão grande, a ponto de morrerem mais pessoas aqui do que em guerras sangrentas em outros países? Por que não temos tranquilidade para investir e prosperar economicamente? Por que a piedade e o respeito se tornaram raros, enquanto o país mergulha na sensualidade de prazeres carnais e na irreverência desmedida com tudo e com todos? A culpa é de quem? Do Governo? Antes de culparmos os outros, assumamos que a culpa é minha e é sua, de todos os cristãos filhos de Deus que oram e suplicam pouco pelo país e por nossas autoridades. Quando fazemos isso, não é mesmo?

Apenas colhemos o que plantamos. A Bíblia nos mostra o caminho para a transformação da sociedade. Mas o silêncio dos púlpitos acaba produzindo o silêncio dos fiéis em seus quartos e cultos. Como nunca se prega sobre o país, tendemos a pensar que esse tipo de assunto não faz parte da vida cristã. De modo bem torto, concordamos com todos os militantes ateus que falam que a fé deve ser completamente excluída da política.

Nas poucas vezes que pude visitar igrejas norte-americanas, pude ver que lá não é assim. Vi pastores comentando sobre política durante os cultos e fazendo orações pelas autoridades nacionais e municipais. Vi orações serem feitas sobre assuntos debatidos no Congresso americano e até sobre protestos em países islâmicos. E tudo isso no culto dominical: era um momento de oração rotineiro. Se um fiel de lá quiser orar pelo país na vida diária, ele saberá pelo que orar. E no Brasil?

Resolve, Daniel!

Como resolver isso? Talvez um movimento de oração, o Desperta Débora, tenha uma resposta. Nos anos 90, mães começaram a se encontrar para interceder a Deus pela vida dos seus filhos. Baseados no exemplo bíblico de Débora, elas foram “despertas” e começaram a orar. Tenho certeza que as mães que foram fiéis em oração terão muitas histórias maravilhosas para contar sobre como Jesus salvou e preservou seus filhos ao longo desses últimos 20 anos.

Hoje é preciso que nos inspiremos em outra figura bíblica, e sugiro o profeta Daniel. Nele vejo o que falta a líderes e a fiéis. Como profeta, ele não teve receio de apontar o pecado e aconselhar reis poderosos.

Portanto, ó rei, aceita o meu conselho e põe termo, pela justiça, em teus pecados e em tuas iniqüidades, usando de misericórdia para com os pobres; e talvez se prolongue a tua tranqüilidade. (Daniel 4:27)

Tu, Belsazar, que és seu filho, não humilhaste o teu coração, ainda que sabias tudo isto. E te levantaste contra o Senhor do céu, pois foram trazidos os utensílios da casa dele perante ti, e tu, e os teus grandes, e as tuas mulheres, e as tuas concubinas bebestes vinho neles; além disso, deste louvores aos deuses de prata, de ouro, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra, que não vêem, não ouvem, nem sabem; mas a Deus, em cuja mão está a tua vida e todos os teus caminhos, a ele não glorificaste. (Daniel 5:22-23)

Daniel não foi somente um profeta e um confrontador ousado. Ele foi também um homem que orava intensamente pelo seu povo.

Falava eu ainda, e orava, e confessava o meu pecado e o pecado do meu povo de Israel, e lançava a minha súplica perante a face do SENHOR, meu Deus, pelo monte santo do meu Deus (Daniel 9:10)

O que nos falta é isso. Precisamos nos reunir para orar pelo país. Para confessar o nosso pecado individual e os pecados do nosso povo. Para suplicar, ou seja, orar intensamente, pedir intensamente pela transformação do Brasil. Sem isso, que mudança podemos esperar?

O que nos falta é resolvermos fazer isso. No momento em que tomarmos uma decisão, aí sim começaremos a fazer.

Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se. (Daniel 1:8)

Resolve, “Daniel”! Aí sim o Senhor vai nos usar para mudar o Brasil.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Gibeá e o terrorismo islâmico

A Bíblia é um livro escrito para todas as pessoas, em todos os tempos…mas engana-se quem pensa que não existem nela partes “censuradas para menores”. E não poderia ser diferente. Como um livro sagrado, a Bíblia toca todos os aspectos da vida humana, inclusive aqueles mais macabros e escabrosos. Há histórias que falam de sexo e violência, cuja mensagem é fácil de ser entendida, mas, às vezes, é difícil de ser digerida. Entretanto, a realidade mostra a necessidade de tais textos.

É o que vemos hoje com os terroristas islâmicos. O nível de violência e maldade atingido por estes grupos atingiu índices intoleráveis. Se os campos de concentração nazistas provocaram a indignação do mundo e justificaram a guerra contra Hitler, o que dizer quando lemos que o Estado Islâmico (EI) está crucificando e enterrando crianças vivas? A reportagem vai além: elas são vendidas como escravas sexuais, treinadas para serem soldados e usadas como homens-bomba e escudos humanos! Isso sem falar nos vídeos de decapitações e, agora, de prisioneiros sendo queimados vivos!

Mas o Estado Islâmico não está sozinho. O Boko Haram, na Nigéria, também usa meninas-bomba em atentados, além de sequestrar e escravizar sexualmente outras meninas, que também são usadas como soldados. Para mim, que sou cristão, o pior é que os cristãos são alvo do ódio desses e de outros grupos, mas a violência é tão grande que até outros muçulmanos sofrem com essa violência.

sangue

E é quando coisas mórbidas e macabras como essas acontecem que precisamos ler histórias como a destruição de Gibeá, contada nos capítulos 19, 20 e 21 do livro de Juízes.

O pecado além do normal
Não vou reproduzir o texto aqui por causa do tamanho. Mas vou resumir a história. Um levita (natural da tribo de Levi) havia se reconciliado com a sua concubina, que havia fugido de casa e retornado ao lar de seus pais. Na viagem de volta, o levita se hospeda em uma casa na cidade de Gibeá, da tribo de Benjamim. Lá, os moradores de Gibeá cercam a casa onde está o levita e querem estuprá-lo. O anfitrião acaba colocando a esposa do levita do lado de fora da casa e ela é estuprada e violentada a noite toda. De manhã, ela está morta.

O levita pega então o corpo da mulher, divide o cadáver em doze pedaços e manda cada pedaço para uma das doze tribos de Israel. Os israelitas ficaram chocados com o crime.

Cada um que a isso presenciava aos outros dizia: Nunca tal se fez, nem se viu desde o dia em que os filhos de Israel subiram da terra do Egito até ao dia de hoje; ponderai nisso, considerai e falai. (Juízes 19:30)

Há uma reunião das tribos para decidir o que fazer. Eles resolvem pedir aos moradores de Gibeá que entreguem os homens que cometeram aquele crime bárbaro. Só que, ao invés disso, não apenas os moradores de Gibeá, como toda a tribo de Benjamim, se reuniram para a guerra. Os benjamitas estavam dispostos a matar e a morrer para proteger os criminosos.

As tribos de Israel enviaram homens por toda a tribo de Benjamim, para lhe dizerem: Que maldade é essa que se fez entre vós? Dai-nos, agora, os homens, filhos de Belial, que estão em Gibeá, para que os matemos e tiremos de Israel o mal; porém Benjamim não quis ouvir a voz de seus irmãos, os filhos de Israel. Antes, os filhos de Benjamim se ajuntaram, vindos das cidades em Gibeá, para saírem a pelejar contra os filhos de Israel. E contaram-se, naquele dia, os filhos de Benjamim vindos das cidades; eram vinte e seis mil homens que puxavam da espada, afora os moradores de Gibeá, de que se contavam setecentos homens escolhidos. (Juízes 20:12-15)

É impossível não ver uma similaridade entre a tribo de Benjamim e muitos muçulmanos em tal caso. Se os benjamitas fossem corretos, eles teriam entregue os criminosos. Se a cidade de Gibeá se recusasse a fazê-lo, as outras cidades da tribo de Benjamim deveriam ter se unido às outras tribos e lutado para que a justiça fosse feita! Mas o “laço de sangue” falou mais alto do que a justiça. No caso dos terroristas islâmicos, é preciso que os próprios muçulmanos se disponham a entregar aqueles que fazem tamanha violência! Se é verdade, como muitos dizem, que tais terroristas não representam o verdadeiro islamismo, então os demais deveriam ser os primeiros a lutar contra esses grupos. Até porque o que vemos hoje é ainda mais abjeto do que a situação retratada no livro dos Juízes.

"The Laborer of Gibea Offering Hospitality to the Levite and His Wife", de Daniel Jansz Thievaert
“The Laborer of Gibea Offering Hospitality to the Levite and His Wife”, de Daniel Jansz Thievaert

O juízo de Deus sobre os violentos
E se essa entrega não acontecer? Devemos deixar esses grupos agirem e não inferferir, deixando que o “livre curso dos acontecimentos” leve a situação a um desfecho? Biblicamente a resposta é não. Quando a violência e o pecado crescem a níveis intoleráveis, ou o Senhor intervém diretamente (Sodoma) ou ele usa as nações para interferir (Canaã).

Então, disseram os homens a Ló: Tens aqui alguém mais dos teus? Genro, e teus filhos, e tuas filhas, todos quantos tens na cidade, faze-os sair deste lugar; pois vamos destruir este lugar, porque o seu clamor se tem aumentado, chegando até à presença do SENHOR; e o SENHOR nos enviou a destruí-lo. (Gênesis 19:12-13)

Com nenhuma destas coisas vos contaminareis, porque com todas estas coisas se contaminaram as nações que eu lanço de diante de vós. E a terra se contaminou; e eu visitei nela a sua iniqüidade, e ela vomitou os seus moradores. Porém vós guardareis os meus estatutos e os meus juízos, e nenhuma destas abominações fareis, nem o natural, nem o estrangeiro que peregrina entre vós; porque todas estas abominações fizeram os homens desta terra que nela estavam antes de vós; e a terra se contaminou. Não suceda que a terra vos vomite, havendo-a vós contaminado, como vomitou o povo que nela estava antes de vós. (Levítico 18:24-28)

A violência e a corrupção também motivaram o Senhor a destruir a sociedade nos dias de Noé:

A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência. Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra. Então, disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra. (Gênesis 6:11-13)

Para completar, os salmos imprecatórios da Bíblia foram escritos para situações assim. Em tais salmos, vemos o salmista amaldiçoar aqueles que se levantam para fazer o mal, como vemos nos salmos 69 (um dos mais citados no Novo Testamento e que profetiza a crucificação de Jesus), 109 e 137. Esses salmos não são ultrapassados ou desprovidos de sentido. Eles nos ensinam a orar. E nos falam que devemos orar pedindo justiça! Vejam, por exemplo, o salmo 69, que é, claramente, uma oração de Jesus.

Por alimento me deram fel e na minha sede me deram a beber vinagre.
Sua mesa torne-se-lhes diante deles em laço, e a prosperidade, em armadilha.
Obscureçam-se-lhes os olhos, para que não vejam; e faze que sempre lhes vacile o dorso.
Derrama sobre eles a tua indignação, e que o ardor da tua ira os alcance.
Fique deserta a sua morada, e não haja quem habite as suas tendas.
Pois perseguem a quem tu feriste e acrescentam dores àquele a quem golpeaste.
Soma-lhes iniqüidade à iniqüidade, e não gozem da tua absolvição.
Sejam riscados do Livro dos Vivos e não tenham registro com os justos. (Salmo 69:21-28)

É bom orar pelos inimigos e pedir que eles se arrependam. Se isso acontecer, tanto melhor. Mas quando o bem é pago com mal, o Senhor também quer que façamos orações pedindo justiça! E o dever da Igreja é o de pregar e anunciar a maldição do Senhor sobre tais pecadores:

Porquanto não se lembrou de usar de misericórdia, mas perseguiu o aflito e o necessitado, como também o quebrantado de coração, para os entregar à morte.
Amou a maldição; ela o apanhe; não quis a bênção; aparte-se dele.
Vestiu-se de maldição como de uma túnica: penetre, como água, no seu interior e nos seus ossos, como azeite.
Seja-lhe como a roupa que o cobre e como o cinto com que sempre se cinge. (Salmo 109:16-19)

Será que os terroristas islâmicos não se encaixam em tal descrição?

A luta armada
Mas não basta apenas orar e proclamar o Juízo. Quando a perversidade é gritante, o povo de Deus deve se dispor a pegar em armas e lutar. Foi o que aconteceu no final do livro de Juízes. Benjamim recusou-se a entregar os criminosos. Antes, eles se uniram para protegê-los. E Israel se dispôs a guerrear contra seus irmãos.

A história não é bonita, mas ela reflete a Lei de Deus. Aquele tipo de pecado deveria ser punido com a morte. E consentir que os criminosos ficassem impunes ou proteger uma cidade que achava normal o que aconteceu não era aceitável. O próprio Senhor mostrou a sua aprovação pela decisão de Israel e lutou contra Benjamim.

Então, feriu o SENHOR a Benjamim diante de Israel; e mataram os filhos de Israel, naquele dia, vinte e cinco mil e cem homens de Benjamim, todos dos que puxavam da espada (Juízes 20:35)

Hoje seria necessário fazer a mesma coisa. Biblicamente, contra o Boko Haram ou o Estado Islâmico, não há diálogo. Os países deveriam se unir para eliminar, militarmente, seus seguidores. Os sobreviventes teriam direito a uma segunda chance, como aconteceu com Juízes 21, mas a iniquidade precisa encontrar seu limite. Assim como foi legítimo erguer armas contra Hitler, essa seria uma batalha legítima para todo cristão.

E se isso não acontecer? Deus continua sendo Juiz de toda a Terra. Seja de modo direto, seja usando uma ou outra nação, o juízo do Senhor atingirá esses grupos, como alcançou a Hitler, aos moradores de Sodoma, de Canaã e até o seu próprio povo, como bem mostra o livro de Juízes. Se as nações preferem ignorar o que acontece, também elas sofrerão a disciplina do Senhor, por fecharem os olhos para as atrocidades que acontecem na África, no Oriente Médio e em outros lugares. Sim…porque não é só o terrorismo islâmico que é comparável a Gibeá.

Um lembrete para todos
E, para quem acha que uma resposta militar é um exagero, lembro que, para Deus, a morte é a justa punição de qualquer pecado, inclusive dos mais leves:

porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Romanos 6:23)

Lembro ainda que a ação militar é uma figura dos últimos tempos. No fim, Satanás levantará os reinos da terra para lutarem contra Jesus e seu povo, da mesma forma que esses grupos se levantam para matar os cristãos nos dias de hoje. Só que, naquele dia, o Senhor os destruirá e lançará no inferno (a segunda morte) todos aqueles que não seguem a Jesus.

Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a peleja. O número dessas é como a areia do mar. Marcharam, então, pela superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo do céu e os consumiu. O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos. Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros. Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras. Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo. (Apocalipse 20:7-15)

Cada vez que Deus julga uma nação, na Bíblia ou na História, Ele nos lembra que o mundo inteiro será julgado. Ele nos lembra que todos nós, individualmente, seremos julgados pelo Senhor. E, da mesma forma que o pecado trouxe a condenação do mundo antigo, de Sodoma, de Canaã, de Benjamim e de outras tribos e povos, o pecado também nos condenará à morte eterna. A não ser que o nosso nome esteja inscrito no Livro da Vida. Somente aqueles que deixarem as cidades do pecado para se tornarem filhos de Deus escaparão. E só há um jeito de fazer isso.

Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se. E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim. Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas. Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira. Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas às igrejas. Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a brilhante Estrela da manhã. O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida. (Apocalise 22:11-17)

Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus. (João 3:36)

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro