Ponha mais Evangelho nisso, Antônio!

No início da minha carreira ministerial, um dos pastores que me foram apontados como exemplo era o Rev. Antônio Carlos Costa, pastor da Igreja Presbiteriana da Barra da Tijuca e fundador da ONG Rio de Paz. Ele foi um referencial de como seria possível ser evangélico e ter um profundo engajamento social na tentativa de transformar o Brasil em um país mais seguro e melhor. E, indiscutivelmente, Antônio Costa tem obras que o credenciam nesse sentido. Protestou contra as condições de presídios fluminenses, contra assassinatos não resolvidos e ajudou a atrair a imprensa estrangeira para a violência no Rio de Janeiro, entre outros. De fato, eu cheguei a admirá-lo e eu mesmo o apontei como exemplo a outros colegas. Mas, algo mudou.

O discurso de Antônio Costa foi tornando-se cada vez mais próximo do marxismo. Suas críticas vêm sendo cada vez mais desbalanceadas, com um tom muito mais forte com a direita do que com a esquerda. Um dos sinais disso é ver que, para Costa, o apoio de vários grupos evangélicos a Bolsonaro foi pior para a democracia do que a tentativa de assassinato do candidato, a faca, em Juiz de Fora. Nas próprias palavras dele: “Vou morrer afirmando: o apoio ACRÍTICO, EFUSIVO, INSTITUCIONAL, da igreja a Jair Bolsonaro foi página mais triste da história do protestantismo brasileiro.”

A página mais triste? Creio que eventos muito mais escandalosos, como o adultério de líderes evangélicos de projeção nacional, a oração da propina feita por parlamentares evangélicos e até o pastor dizendo na TV que a Bíblia mandou que ele adulterasse com a mulher de um amigo dele foram páginas mais tristes!

Mas há mais. Para Costa, a postura evangélica nas eleições de 2018 mostraram a necessidade de uma nova Reforma. Veja bem: concordo que há necessidade. Os púlpitos estão tomados de psicólogos baratos. Pastores e presbíteros não confrontam o pecado e nem usam a disciplina eclesiástica porque usam um conceito barato de graça. Temos evangélicos que não sabem o que é Trindade e a maioria nunca leu a Bíblia toda. Mas nada disso é tão grave quanto Jair Bolsonaro. Costa chegou inclusive a gravar um vídeo sobre o assunto. E entendo que é necessário responder às acusações feitas por ele.

Apoio acrítico, incondicional e institucional
Costa aponta cinco pecados “gravíssimos” da Igreja brasileira. O primeiro seria o apoio “acrítico, incondicional e institucional” a Jair Bolsonaro. Que tal começarmos com a própria denominação do pastor: a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). Em nota, o presidente do Supremo Concílio, Rev. Roberto Brasileiro, afirmou: “Entendemos que os membros de nossas igrejas e seus oficiais e ministros têm liberdade de escolha nas eleições e a Igreja, de maneira alguma indicará em quem se deve ou não se deve votar.” Onde há apoio, de qualquer tipo, da instituição a um candidato?

O mesmo pode ser dito da Convenção Batista do Estado de São Paulo (CBESP), que diz muito claramente que: “acreditamos que cada pessoa tem o direito de exercer sua escolha e voto conforme a sua consciência”. O mesmo fez a Igreja Metodista: “deixamos claro que a Igreja Metodista não apoia nenhum candidato ou candidata de maneira específica.” Tampouco vi qualquer palavra institucional de outras denominações protestantes históricas de apoio à candidatura de quem quer que seja.

Não nego que tenham existido pastores, igrejas locais e até denominações que possam ter dado um apoio institucional à campanha de Jair Bolsonaro. Tal fato, porém, não caracteriza todo o protestantismo brasileiro, e nem seria novo, já que há muito tempo denominações pentecostais e neopentecostais declaram apoio a algum candidato. Mesmo quando pastores, usando seu direito de cidadãos, declararam tal apoio, não conheço um que não tenha deixado claro que apoio não significa endosso total do posicionamento do candidato. Ao contrário, cheguei a ver pastores que declararam voto em Bolsonaro, mas deixando bem claro suas críticas. Um exemplo é o Pr. Yago Martins: “Eu não gosto nada do BOLSONARO. Mas é ele ou o que há de pior, de mais vilanesco, de mais imoral, de mais corrupto, de mais anti-cristão de TODA política nacional. Achar que tanto faz, que BOLSONARO é pior que PT, é estar sujeito a uma mentalidade de trevas.”

Antônio Costa mente. Sua primeira acusação é que é pecaminosa, por querer imputar uma culpa que não existe. Os evangélicos votaram individualmente, seguindo a sua consciência, em Bolsonaro. Costa deveria expor os pecados do petismo para entender porquê.

Ataques aos cristãos nas redes sociais
Costa afirma considerar inadmissíveis os “ataques dos cristãos nas redes sociais”. Nenhuma doutrina central do cristianismo estaria em jogo para justificar os ataques que ele presenciou em redes sociais. Sobre isso, concordo que houve, há e haverá muitos pecados de língua cometidos por cristãos em debates na Internet. Tais pecados devem ser combatidos, lamentados e até disciplinados. Solidarizo-me com ele quanto a isso. Mas, infelizmente, ainda há parcialidade na acusação do pastor.

Costa se queixa de que cristãos antipetistas não teriam preservado a honra de pessoas por quem Cristo morreu quando falaram de modo agressivo na Internet. Porém, eu me pergunto se ele teve o mesmo cuidado:

“Usaram em vão o nome de Deus nessa eleição. Associaram o evangelho à espécie de mundo que botou Cristo num pau de arara chamado cruz. Quem permanecer calado perante esse crime de lesa-cristianismo terá dificuldade de dizer que o evangelho é o valor supremo da sua vida.” (Desde quando votar em Bolsonaro é um endosso à tortura? Que pesada acusação é essa?)

“Difícil de entender, em nome da moral evangélica evangélicos permitiram nessas eleições que o evangelho fosse pisoteado. Associaram-no ao discurso -anti-processo civilizatório-, e milhões se silenciaram por não quererem prejudicar seus interesses políticos.” (Você disse mesmo que milhões de evangélicos pisotearam o Evangelho, favorecem o anti-civilismo, por causa de interesses políticos?)

“Um santo estragado, um fariseu, um inquisidor ou um mágico propiciam mais diversão no inferno do que um simples tirano ou libertino”. C.S. Lewis” (Citou C S Lewis pra acusar quem pensa diferente de ser um santo estragado, fariseu, inquisidor e mágico? Que leve acusação contra irmãos em Cristo!)

Quem é Antônio Costa para emitir julgamentos tão pesados sobre a salvação e a moral de milhões que, democraticamente, não votaram como ele? Como ele pode posar de santo ofendido com o nível das críticas se ele faz generalizações tão gritantes em seu Twitter? Um tom polido e erudito tiram a ofensa dessas declarações?

E pergunto mais: não houve ofensas do outro lado? Basta uma visita a página “Ódio do Bem” (presente em várias outras redes sociais) para ver como petistas lançaram acusações pesadíssimas contra quem pensa e vota diferente. Eu mesmo desfiz amizades com cristãos que afirmaram serem fascistas os que votam em Bolsonaro. Por que Costa só aponta o pecado dos antipetistas? Por que ele não condena os excessos verbais, os xingamentos, a condenação de fariseus lançada por vários eleitores de Fernando Haddad? Talvez porque ele tenha feito o mesmo em seus tuites, como mostrei acima.

Desrespeito à diversidade de opinião
O terceiro pecado gravíssimo seria o desrespeito à diversidade de opinião na igreja, a ponto de “deixar o ar irrespirável” para quem não apoiava Bolsonaro. Segundo ele, esse ar irrespirável vem do apoio institucional, sobre o qual já demonstramos acima que não é verdadeiro. Logo, o fundamento colocado pelo próprio Costa é inválido.

Mas aqui ainda quero acrescentar algumas ponderações. O grande problema dos evangélicos não foi com eleitores de Amoedo, Marina Silva ou Geraldo Alckmin. O problema foi o PT e sua agenda moral e econômica, onde se viu um risco real à liberdade religiosa e à segurança econômica. Não é um temor infundado: basta ver o que acontece com países que seguem o socialismo, como Cuba, Venezuela e Coreia do Norte. Se foi formada uma maioria, isso não é, per se, algo ruim. Talvez a maioria exista por ser um desdobramento natural da própria fé evangélica.

O documento que melhor mostra é isso é a Carta Aberta à Igreja Brasileira, assinada por vários pastores protestantes de renome. A carta não apóia Bolsonaro, mas recomenda “Rejeite candidatos com ênfases intervencionistas na esfera familiar, educacional, eclesiástica e artística”. Outra recomendação é “Apoie propostas que defendam a dignidade do ser humano e a vida em qualquer circunstância, desde sua concepção no ventre materno”. Sobre esses assuntos deveria haver unidade dentro do meio evangélico. Querer liberdade para, por exemplo, não considerar o embrião no ventre materno como tendo direito à vida, seria totalmente indesejável! Ou apoiar interferências do Estado na vida eclesiástica!

A maioria é desejável. Mas, se há discordância, a Carta Aberta aconselha: “ao indicar um candidato para amigos e familiares, faça-o com respeito às opiniões diferentes da sua”. Onde há o tal desrespeito à diversidade de opiniões? Ele pode até ter ocorrido individualmente e até em algumas igrejas ou denominações pentecostais e neopentecostais. Mas não ocorreu, de modo institucional, dentro do protestantismo como um todo.

Faltou preocupação com os não cristãos
Para Costa, o apoio evangélico a Bolsonaro prejudicou a credibilidade da Igreja na evangelização. Segundo ele, os brasileiros, ao verem o comportamento evangélico nas eleições, não desejarão ouvir a pregação. Milhões estariam escandalizados.

Há várias maneiras de responder. Jesus escandalizou várias pessoas em seu ministério (Mateus 13:57, Marcos 6:3, etc). O derramar do Espírito Santo no dia de Pentecostes gerou perplexidade e zombaria (Atos 2:1-13). A carreira do apóstolo Paulo foi marcada por vários tumultos causados por pessoas que se escandalizavam com o Evangelho (Atos 13:45, 16:19-23, 19:23-41, etc). O Evangelho causa escândalos, anormal é quando ele não escandaliza a ninguém. Costa mesmo dá um exemplo disso: o vídeo onde várias pessoas de esquerda marcham ameaçando a Igreja, dizendo “Igreja fascista, tu tá na nossa lista”. O “fascismo” da Igreja não é por causa do voto em Bolsonaro: é porque a Igreja condena o homossexualismo, a imoralidade sexual e o comunismo, em respeito aos ensinos do próprio Evangelho.

Mas, a julgar pelo resultado das votações, a maior parte dos brasileiros não concorda com Costa. Afinal, a maioria votou Bolsonaro. Além disso, de modo conveniente, Costa se esquece do escândalo que foi causado pelos pastores que demonstraram apoio a Fernando Haddad, o candidato do PT. Ou do escândalo causado pela própria presença de Haddad em uma missa. Por que o escândalo apenas de um lado?

Na verdade, não havia uma saída para a Igreja nessas eleições que não pudesse escandalizar não cristãos. Até o silêncio seria condenável. Como pode a Igreja ficar calada no meio de tantas acusações de corrupção, da ameaça de uma ditadura bolivariana, do candidato que recebia ordens de um presidiário?

Não cristãos seriam escandalizados de qualquer maneira. A questão é assumir um posicionamento que traga o escândalo correto. Costa erra ao imaginar que havia alguma possibilidade que não escandalizasse a ninguém.

Não preocupação com a pureza do Evangelho
Por fim, o último pecado gravíssimo seria a falta de preocupação com a pureza do Evangelho pelo fato de Bolsonaro usar como slogan “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. Para Costa, isso foi uma espécie de sacrilégio. Como ele mesmo diz: “Tire o Evangelho disso!”

E é aqui que eu me permito rir um pouco. Normalmente, os fariseus é que se preocupam com formalismos e ritualismos enquanto se esquecem da substância das coisas. Os fariseus são os que, por causa de uma única regra, se esquecem de todo o resto e condenam pecadores. E Costa vê mais problemas em colocar Deus no slogan de uma campanha do que em outras campanhas que desejam promover uma agenda frontalmente contrária à lei de Deus: minando a família, o casamento, promovendo o aborto, sendo benigna com os criminosos, indultando corruptos, interferindo cada vez mais no dia-a-dia das igrejas. Sério mesmo, Costa?

A grande luta dos protestantes reformados (calvinistas) é exatamente a de proclamar com Abraham Kuyper que Jesus é soberano sobre cada centímetro quadrado da vida! O grande anseio de qualquer pastor cristão é que sua congregação entenda que tudo é de Deus e deve ser feito para a glória d’Ele! Até o Estado e suas autoridades:

” Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” (1 Coríntios 10:31)

“Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Romanos 11:36)

Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. (Romanos 13:1-2)

E é sobre Romanos 13 que eu quero chamar a atenção. Paulo estava ensinando ali que a Igreja deveria reconhecer a instituição divina da autoridade dos Césares, dos imperadores romanos, e de todas as demais autoridades romanas. Foi Roma quem crucificou a Cristo. Os judeus recorriam aos romanos para pedir a morte de Paulo. Roma não era uma sociedade sem injustiças, torturas e corrupção. Se seguir a lógica de Costa, Paulo manchou o Evangelho ao colocar a submissão aos imperadores romanos como uma ordem à Igreja! E Pedro cometeu o mesmo erro:

Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, quer às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem. (…) Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei. (1 Pedro 2:13, 14, 17)

Eu entendi o que Costa quis dizer: Bolsonaro não tem um programa evangélico o suficiente para poder dizer “Deus acima de todos”. Mas ele nunca se propôs a isso. Bolsonaro nunca disse que ele era ungido de Deus para governar em nome dele (embora a autoridade do Presidente venha de Deus). O que o slogan dele mostra é que ele, Jair Bolsonaro, reconhece que Deus existe, que Ele está acima de tudo, e que Bolsonaro vai governar tendo isso em vista. E nada disso desonra o Evangelho ou o Novo Testamento. Na verdade, apenas constata uma verdade bíblica.

O slogan não difere do significado da Coroa britânica. No topo da coroa usada pelos reis ingleses, há uma cruz. O significado é o de que o imperador britânico não deve obediência a ninguém, a não ser a Deus. É essa coroa um objeto de blasfêmia ou um objeto de louvor a Deus? Ao meu ver, tanto a coroa como a frase possuem o seu lado positivo. Em um mundo secularizado, é louvável quando governantes ainda reconhecem que Deus existe e é superior. Calar-se e fingir que Deus não existe é ainda pior, é o sinal de um governante que vai agir como deus de si mesmo e que sequer reconhece a autoridade divina para julgar suas ações.

Back_of_the_Imperial_State_CrownBolsonaro pode estar apenas manipulando a fé? Pode, não conheço o coração dele. Mas aí, Deus é quem o julgará por isso. E a solução, Antônio Costa, não é “tirar o Evangelho disso”. A solução é por mais Evangelho nisso! Esse reconhecimento inicial, incipiente, vindo ainda de uma visão católico-romana e neopentecostal é um começo muito tímido, mas louvável em uma sociedade anticristã. É preciso mais Evangelho para que o reino de Cristo na esfera civil se torne ainda mais e mais visível.

Uma nova Reforma
Encerro dizendo que sim, a Igreja brasileira precisa de uma nova Reforma, mas não pelos motivos apresentados. Falta colocar Cristo e a Bíblia no centro das pregações, da vida cristã e da atuação dos cristãos em todas as áreas da vida. Falta usar a Bíblia como centro e ponto de partida para as reflexões sobre política, economia e direito. Falta mais Sola Scriptura.

Agora, Reforma também é purificação. É colocar a Bíblia como Rainha e a psicologia, a sociologia, o direito, a economia, a filosofia e a política como servas. É remover do ensino bíblico e teológico qualquer impureza trazida por visões de mundo anticristãs, como a marxista. É denunciar e destruir os ídolos do materialismo, da dialética hegeliana, do desejo de conformar-se ao que ensina uma Academia secularizada e relativista. Reforma é acreditar mais no que a Bíblia ensina sobre combate à pobreza e à violência do que naquilo que marxistas ensinam.

Sonho com uma Reforma de vida também, onde pastores não se coloquem tão precipitadamente como profetas, acusando injustamente homens que, como o próprio Antônio Costa admite, são melhores do que ele. Sonho com uma Reforma onde pastores que afirmam que o Espírito Santo sairá do nosso meio sejam cobrados pelo que dizem e, se não se cumprir, que sejam excluídos como falsos profetas. Sonho com uma Reforma na igreja brasileira onde pastores que mentem, exageram e são parciais em seu juízo sejam chamados ao arrependimento e se retratem.

Antônio, eis aí o meu apelo a você. Ponha mais Evangelho nisso! Antes que você siga pela estrada que Rubem Alves e Caio Fábio já trilharam em nossa amada Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB).

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Anúncios

Um alerta aos cristãos Josafás

Uma das pretensões de qualquer religião é ditar princípios que norteiam a vida de seus seguidores. Por causa disso, muitas vezes pensamos que os adeptos de uma dada religião são parecidos em suas crenças e opiniões, mas não é o que acontece. E isso pode ser visto no Brasil. Há cristãos conservadores e progressistas, puritanos e libertinos, comedores de carne e veganos.

Essa diversidade é um problema? Depende do assunto. A religião cristã é uma cosmovisão, uma forma de estruturar o modo como os cristãos deveriam viver e ver o mundo. Ela alcança todas as áreas da vida, desde o nosso leito conjugal até as responsabilidades esperadas de um Estado soberano. Há alguma liberdade? Continuar a ler

Mudar a presidente não é o suficiente

Escrevo este texto poucas horas depois do anúncio de que o Congresso Nacional acolheu a abertura do pedido de impeachment da presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Para muitos, como eu, um eventual impeachment representa um alívio e uma esperança para o país, mergulhado em denúncias de corrupção, rombo nas contas públicas (um Governo que gasta muito mais do que arrecada com impostos) e uma grave crise econômica. Um novo presidente pode significar mudanças positivas que ajudem a reverter esse quadro tão negativo.

Contudo, o maior erro que podemos cometer é achar que o presidente certo será a salvação do Brasil, como se precisásssemos apenas de um novo líder. Mesmo que trocássemos, instantaneamente, todos os integrantes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, ainda assim o Brasil estaria longe de deixar o seu atraso. Um golpe militar que desse a algum sábio ditador poderes absolutos ainda não seria suficiente para trazer o Brasil para o grupo dos países mais desenvolvidos do mundo.

Um país apodrecido

Nossa situação é muito parecida com aquela vivida pelo reino de Judá, no século VIII antes de Cristo. Veja em Isaías 1 como Deus avaliava o estado de seu povo naqueles dias.

Ai, nação pecadora, povo carregado de iniqüidade, descendência de malfeitores, filhos corruptores; deixaram ao Senhor, blasfemaram o Santo de Israel, voltaram para trás. Por que seríeis ainda castigados, se mais vos rebelaríeis? Toda a cabeça está enferma e todo o coração fraco. Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres não espremidas, nem ligadas, nem amolecidas com óleo.
Isaías 1:4-6

Demais? Vejamos: por dia, são assassinadas no Brasil mais de 150 pessoas. É mais que o número de mortes do conflito entre israelenses e palestinos. Na última década, o número de divórcios subiu 160%! Mais de 340 mil apenas em 2014. O Vale do Rio Doce e o litoral capixaba sofrem com a maior tragédia ambiental da nossa história. Não se respeita a vida, o casamento e a criação.

Na verdade, é interminável a lista dos graves pecados cometidos diariamente pelo brasileiro. Nosso emprego dos sonhos é o serviço público, porque ganha mais, trabalha menos e ainda tem estabilidade. Dito de outra forma, valorizamos mais a preguiça do que o trabalho. As crianças não respeitam os pais e a violência nas escolas explode. Aliás, os pais querem que as escolas eduquem os filhos, e a educação que o Estado quer oferecer é o marxismo e a ideologia de gênero, desconstruindo o modelo familiar ensinado na Bíblia. Os bandidos são presos e ficam em presídios lotados e imundos, e isso, quando o juiz não manda soltar! Mesmo os policiais são pegos quase todos os dias em casos de abuso de autoridade, execuções informais e até de conluio com o crime organizado.

Faltou tanta coisa ainda! O amor à sensualidade, o desleixo com a saúde pública (basta olhar o surto de bebês com microcefalia), o culto que gira em torno de dinheiro e prosperidade, a impunidade confundida com graça, o jeitinho que nunca segue regras, a glorificação do malandro…não é exagero algum dizer que, da planta do pé ao alto da cabeça, não há nada são no Brasil.

brasillama

Um povo apodrecido

No entanto, o brasileiro gosta de pensar que o problema está apenas na cabeça. O povo é bom, honesto e trabalhador. O único problema seria a elite política e empresarial corrupta que governa a Nação. Se os políticos e os empresários fossem trocados por gente do povo, o Brasil seria um país justo e ordeiro.

Outros, mais sofisticados, insistem que o nosso problema é “de cabeça”, de mente, de educação. Estamos presos a ideologias do atraso. Se aprendermos mais sobre política, economia, sociologia e filosofia, mudaríamos nossa forma de ser e agir. O Brasil seria um país de Primeiro Mundo, mas com seu tempero tropical.

Se, porém, levamos o texto bíblico e a realidade a sério, precisamos entender que o nosso problema é de cabeça e de coração. Não é apenas a elite que é corrupta. O povo também rouba. Também trai a mulher e abusa dos enteados. Também mata, estupra e espanca todo mundo em casa. O povo também gosta de sensualidade, drogas e dinheiro fácil. Não é apenas a educação do Brasil que é corrompida, mas também seu coração. Verdade seja dita: eu, você e mais um monte de cristãos amamos e valorizamos a vida fácil e detestamos o trabalho duro! Muitas vezes preferimos pecar e ter dinheiro no bolso do que ser santos e viver na miséria.

O primeiro passo para a mudança não é trocar de presidente: é aceitar o julgamento de Deus a nosso respeito! Precisamos parar de acreditar que somos a Israel fiel dos dias de Josué, de Davi ou de Salomão, que o Senhor gosta tanto de nós que Ele é brasileiro! Não! Somos o doente incurável que está diante do Senhor dos Exércitos.

Uma igreja apodrecida

E os protestantes e evangélicos que não se iludam, achando que todos os males do Brasil são culpa dos que não conhecem a Deus. Também sobre nós se aplica o que o Espírito Santo fala em Isaías 1:

De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o Senhor? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; nem me agrado de sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecer perante mim, quem requereu isto de vossas mãos, que viésseis a pisar os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembléias; não posso suportar iniqüidade, nem mesmo a reunião solene. As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer. Por isso, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Isaías 1:11-15

Não faz tanto tempo assim que saí do Brasil. Mas, pelo que me lembro, as igrejas do Brasil estão muito preocupadas com crescimento. De modo geral, todas as denominações desejam isso, o que muda é a receita. Algumas prometem prosperidade, desde que sejam trazidas gordas ofertas e dízimos generosos para o culto. Outros querem uma igreja simpática, que acolhe o pecador…e o pecado. Não disciplinam, não confrontam, não são explícitas quanto ao Evangelho…e o resultado é que o pecado está misturado com o culto solene. Os adoradores continuam com sangue nas mãos…o sangue das vítimas da violência, dos roubos, dos adultérios…e esse sangue nunca é lavado. Não há arrependimento. Apenas tolerância.

Era exatamente assim o culto nos dias do profeta Isaías. Os judeus pensavam que as ofertas cobririam os pecados. Que bastava sacrificar animais gordos e fazer cultos bonitos, que Deus ignoraria o pecado. A preocupação era toda exterior: ninguém examinava seus atos diante de Deus. O resultado: cultos e orações rejeitados por um Deus cansado de sofrer com o pecado de Seu povo.

cultouniversal

A única salvação possível

Humanamente, nem a Israel do século VIII a.C. e nem o Brasil do século XXI possuem esperança. O câncer já se alastrou e a infecção é generalizada. Mas Deus não é homem. Há uma solução:

Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer mal. Aprendei a fazer bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas. Vinde então, e argüi-me, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã. Se quiserdes, e obedecerdes, comereis o bem desta terra. Mas se recusardes, e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; porque a boca do Senhor o disse.
Isaías 1:16-20

Se houver mudança, se houver arrependimento, há purificação. Ainda que tenhamos derramado tanto sangue que nossa alma esteja vermelha escarlate, o Senhor nos tornará brancos como a neve. Se houver santidade, o cadáver insepulto reviverá.

Mas essa não é uma obra que eu e você possamos fazer. Para nós, com a nossa força, é impossível lavar-se e purificar-se. Mudar o coração está além de nossa capacidade. Todavia, o mesmo Isaías nos fala quem pode fazer isso por nós:

Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. Isaías 53:4-6

Isaías falava a respeito de Jesus, o nosso Salvador, que tomou sobre si as nossas enfermidades, dores e pecados. O castigo por cada homicídio, adultério, idolatria, roubo e transgressão foi lançado sobre Jesus. Todos os que são salvos foram, um dia, ovelhas desgarradas e desviadas, mas Jesus sofreu no nosso lugar para nos trazer salvação.

Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do Senhor prosperará na sua mão. Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniqüidades deles levará sobre si. Por isso lhe darei a parte de muitos, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores. Isaías 53:10-12

Em Isaías 1:16-20, a Bíblia nos fala que, se quisermos e obedecermos, comeremos o bem desta terra. O que é isso, se não o bom prazer do Senhor? Só entra nesse prazer aqueles que fazem parte da posteridade de Jesus. O sofrimento de Jesus foi expiatório, ou seja, o sofrimento d’Ele aplacou a ira de Deus sobre o nosso pecado e nos tornou propícios a Deus.

Quando depositamos nossa fé em Jesus e aceitamos o Seu conhecimento, ou seja, a Sua Palavra, somos salvos. Jesus nos justifica e nos faz parte de Sua podteridade. Ele leva sobre si o nosso pecado e intercede por nós. E é por meio dessa amizade que somos transformados. É Cristo quem nos leva ao verdadeiro arrependimento e transforma nossas vidas sujas em algo mais branco que a neve.

Bem sei que é apenas no fim dos tempos que todos verão que Jesus é a Verdade. Até lá, os países não aceitarão serem governados por Cristo. Cedo ou tarde, a mesma podridão alcançará o mundo inteiro. Mas, enquanto isso não acontece, os povos que mais ouvem essa mensagem e seguem ao Senhor são mais preservados por Ele. Já os que não lhe dão ouvidos, mesmo que sejam materialmente prósperos, apodrecerão e sofrerão o juízo divino. E isso já está acontecendo.

Até lá, uno-me aos profetas que clamam: “Brasil, olha pra cima!”

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

 

Gibeá e o terrorismo islâmico

A Bíblia é um livro escrito para todas as pessoas, em todos os tempos…mas engana-se quem pensa que não existem nela partes “censuradas para menores”. E não poderia ser diferente. Como um livro sagrado, a Bíblia toca todos os aspectos da vida humana, inclusive aqueles mais macabros e escabrosos. Há histórias que falam de sexo e violência, cuja mensagem é fácil de ser entendida, mas, às vezes, é difícil de ser digerida. Entretanto, a realidade mostra a necessidade de tais textos.

É o que vemos hoje com os terroristas islâmicos. O nível de violência e maldade atingido por estes grupos atingiu índices intoleráveis. Se os campos de concentração nazistas provocaram a indignação do mundo e justificaram a guerra contra Hitler, o que dizer quando lemos que o Estado Islâmico (EI) está crucificando e enterrando crianças vivas? A reportagem vai além: elas são vendidas como escravas sexuais, treinadas para serem soldados e usadas como homens-bomba e escudos humanos! Isso sem falar nos vídeos de decapitações e, agora, de prisioneiros sendo queimados vivos!

Mas o Estado Islâmico não está sozinho. O Boko Haram, na Nigéria, também usa meninas-bomba em atentados, além de sequestrar e escravizar sexualmente outras meninas, que também são usadas como soldados. Para mim, que sou cristão, o pior é que os cristãos são alvo do ódio desses e de outros grupos, mas a violência é tão grande que até outros muçulmanos sofrem com essa violência.

sangue

E é quando coisas mórbidas e macabras como essas acontecem que precisamos ler histórias como a destruição de Gibeá, contada nos capítulos 19, 20 e 21 do livro de Juízes.

O pecado além do normal
Não vou reproduzir o texto aqui por causa do tamanho. Mas vou resumir a história. Um levita (natural da tribo de Levi) havia se reconciliado com a sua concubina, que havia fugido de casa e retornado ao lar de seus pais. Na viagem de volta, o levita se hospeda em uma casa na cidade de Gibeá, da tribo de Benjamim. Lá, os moradores de Gibeá cercam a casa onde está o levita e querem estuprá-lo. O anfitrião acaba colocando a esposa do levita do lado de fora da casa e ela é estuprada e violentada a noite toda. De manhã, ela está morta.

O levita pega então o corpo da mulher, divide o cadáver em doze pedaços e manda cada pedaço para uma das doze tribos de Israel. Os israelitas ficaram chocados com o crime.

Cada um que a isso presenciava aos outros dizia: Nunca tal se fez, nem se viu desde o dia em que os filhos de Israel subiram da terra do Egito até ao dia de hoje; ponderai nisso, considerai e falai. (Juízes 19:30)

Há uma reunião das tribos para decidir o que fazer. Eles resolvem pedir aos moradores de Gibeá que entreguem os homens que cometeram aquele crime bárbaro. Só que, ao invés disso, não apenas os moradores de Gibeá, como toda a tribo de Benjamim, se reuniram para a guerra. Os benjamitas estavam dispostos a matar e a morrer para proteger os criminosos.

As tribos de Israel enviaram homens por toda a tribo de Benjamim, para lhe dizerem: Que maldade é essa que se fez entre vós? Dai-nos, agora, os homens, filhos de Belial, que estão em Gibeá, para que os matemos e tiremos de Israel o mal; porém Benjamim não quis ouvir a voz de seus irmãos, os filhos de Israel. Antes, os filhos de Benjamim se ajuntaram, vindos das cidades em Gibeá, para saírem a pelejar contra os filhos de Israel. E contaram-se, naquele dia, os filhos de Benjamim vindos das cidades; eram vinte e seis mil homens que puxavam da espada, afora os moradores de Gibeá, de que se contavam setecentos homens escolhidos. (Juízes 20:12-15)

É impossível não ver uma similaridade entre a tribo de Benjamim e muitos muçulmanos em tal caso. Se os benjamitas fossem corretos, eles teriam entregue os criminosos. Se a cidade de Gibeá se recusasse a fazê-lo, as outras cidades da tribo de Benjamim deveriam ter se unido às outras tribos e lutado para que a justiça fosse feita! Mas o “laço de sangue” falou mais alto do que a justiça. No caso dos terroristas islâmicos, é preciso que os próprios muçulmanos se disponham a entregar aqueles que fazem tamanha violência! Se é verdade, como muitos dizem, que tais terroristas não representam o verdadeiro islamismo, então os demais deveriam ser os primeiros a lutar contra esses grupos. Até porque o que vemos hoje é ainda mais abjeto do que a situação retratada no livro dos Juízes.

"The Laborer of Gibea Offering Hospitality to the Levite and His Wife", de Daniel Jansz Thievaert
“The Laborer of Gibea Offering Hospitality to the Levite and His Wife”, de Daniel Jansz Thievaert

O juízo de Deus sobre os violentos
E se essa entrega não acontecer? Devemos deixar esses grupos agirem e não inferferir, deixando que o “livre curso dos acontecimentos” leve a situação a um desfecho? Biblicamente a resposta é não. Quando a violência e o pecado crescem a níveis intoleráveis, ou o Senhor intervém diretamente (Sodoma) ou ele usa as nações para interferir (Canaã).

Então, disseram os homens a Ló: Tens aqui alguém mais dos teus? Genro, e teus filhos, e tuas filhas, todos quantos tens na cidade, faze-os sair deste lugar; pois vamos destruir este lugar, porque o seu clamor se tem aumentado, chegando até à presença do SENHOR; e o SENHOR nos enviou a destruí-lo. (Gênesis 19:12-13)

Com nenhuma destas coisas vos contaminareis, porque com todas estas coisas se contaminaram as nações que eu lanço de diante de vós. E a terra se contaminou; e eu visitei nela a sua iniqüidade, e ela vomitou os seus moradores. Porém vós guardareis os meus estatutos e os meus juízos, e nenhuma destas abominações fareis, nem o natural, nem o estrangeiro que peregrina entre vós; porque todas estas abominações fizeram os homens desta terra que nela estavam antes de vós; e a terra se contaminou. Não suceda que a terra vos vomite, havendo-a vós contaminado, como vomitou o povo que nela estava antes de vós. (Levítico 18:24-28)

A violência e a corrupção também motivaram o Senhor a destruir a sociedade nos dias de Noé:

A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência. Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra. Então, disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra. (Gênesis 6:11-13)

Para completar, os salmos imprecatórios da Bíblia foram escritos para situações assim. Em tais salmos, vemos o salmista amaldiçoar aqueles que se levantam para fazer o mal, como vemos nos salmos 69 (um dos mais citados no Novo Testamento e que profetiza a crucificação de Jesus), 109 e 137. Esses salmos não são ultrapassados ou desprovidos de sentido. Eles nos ensinam a orar. E nos falam que devemos orar pedindo justiça! Vejam, por exemplo, o salmo 69, que é, claramente, uma oração de Jesus.

Por alimento me deram fel e na minha sede me deram a beber vinagre.
Sua mesa torne-se-lhes diante deles em laço, e a prosperidade, em armadilha.
Obscureçam-se-lhes os olhos, para que não vejam; e faze que sempre lhes vacile o dorso.
Derrama sobre eles a tua indignação, e que o ardor da tua ira os alcance.
Fique deserta a sua morada, e não haja quem habite as suas tendas.
Pois perseguem a quem tu feriste e acrescentam dores àquele a quem golpeaste.
Soma-lhes iniqüidade à iniqüidade, e não gozem da tua absolvição.
Sejam riscados do Livro dos Vivos e não tenham registro com os justos. (Salmo 69:21-28)

É bom orar pelos inimigos e pedir que eles se arrependam. Se isso acontecer, tanto melhor. Mas quando o bem é pago com mal, o Senhor também quer que façamos orações pedindo justiça! E o dever da Igreja é o de pregar e anunciar a maldição do Senhor sobre tais pecadores:

Porquanto não se lembrou de usar de misericórdia, mas perseguiu o aflito e o necessitado, como também o quebrantado de coração, para os entregar à morte.
Amou a maldição; ela o apanhe; não quis a bênção; aparte-se dele.
Vestiu-se de maldição como de uma túnica: penetre, como água, no seu interior e nos seus ossos, como azeite.
Seja-lhe como a roupa que o cobre e como o cinto com que sempre se cinge. (Salmo 109:16-19)

Será que os terroristas islâmicos não se encaixam em tal descrição?

A luta armada
Mas não basta apenas orar e proclamar o Juízo. Quando a perversidade é gritante, o povo de Deus deve se dispor a pegar em armas e lutar. Foi o que aconteceu no final do livro de Juízes. Benjamim recusou-se a entregar os criminosos. Antes, eles se uniram para protegê-los. E Israel se dispôs a guerrear contra seus irmãos.

A história não é bonita, mas ela reflete a Lei de Deus. Aquele tipo de pecado deveria ser punido com a morte. E consentir que os criminosos ficassem impunes ou proteger uma cidade que achava normal o que aconteceu não era aceitável. O próprio Senhor mostrou a sua aprovação pela decisão de Israel e lutou contra Benjamim.

Então, feriu o SENHOR a Benjamim diante de Israel; e mataram os filhos de Israel, naquele dia, vinte e cinco mil e cem homens de Benjamim, todos dos que puxavam da espada (Juízes 20:35)

Hoje seria necessário fazer a mesma coisa. Biblicamente, contra o Boko Haram ou o Estado Islâmico, não há diálogo. Os países deveriam se unir para eliminar, militarmente, seus seguidores. Os sobreviventes teriam direito a uma segunda chance, como aconteceu com Juízes 21, mas a iniquidade precisa encontrar seu limite. Assim como foi legítimo erguer armas contra Hitler, essa seria uma batalha legítima para todo cristão.

E se isso não acontecer? Deus continua sendo Juiz de toda a Terra. Seja de modo direto, seja usando uma ou outra nação, o juízo do Senhor atingirá esses grupos, como alcançou a Hitler, aos moradores de Sodoma, de Canaã e até o seu próprio povo, como bem mostra o livro de Juízes. Se as nações preferem ignorar o que acontece, também elas sofrerão a disciplina do Senhor, por fecharem os olhos para as atrocidades que acontecem na África, no Oriente Médio e em outros lugares. Sim…porque não é só o terrorismo islâmico que é comparável a Gibeá.

Um lembrete para todos
E, para quem acha que uma resposta militar é um exagero, lembro que, para Deus, a morte é a justa punição de qualquer pecado, inclusive dos mais leves:

porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Romanos 6:23)

Lembro ainda que a ação militar é uma figura dos últimos tempos. No fim, Satanás levantará os reinos da terra para lutarem contra Jesus e seu povo, da mesma forma que esses grupos se levantam para matar os cristãos nos dias de hoje. Só que, naquele dia, o Senhor os destruirá e lançará no inferno (a segunda morte) todos aqueles que não seguem a Jesus.

Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a peleja. O número dessas é como a areia do mar. Marcharam, então, pela superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo do céu e os consumiu. O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos. Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros. Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras. Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo. (Apocalipse 20:7-15)

Cada vez que Deus julga uma nação, na Bíblia ou na História, Ele nos lembra que o mundo inteiro será julgado. Ele nos lembra que todos nós, individualmente, seremos julgados pelo Senhor. E, da mesma forma que o pecado trouxe a condenação do mundo antigo, de Sodoma, de Canaã, de Benjamim e de outras tribos e povos, o pecado também nos condenará à morte eterna. A não ser que o nosso nome esteja inscrito no Livro da Vida. Somente aqueles que deixarem as cidades do pecado para se tornarem filhos de Deus escaparão. E só há um jeito de fazer isso.

Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se. E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim. Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas. Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira. Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas às igrejas. Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a brilhante Estrela da manhã. O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida. (Apocalise 22:11-17)

Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus. (João 3:36)

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

O problema não é o PT, o PSDB ou o PMDB

Em 2013, parecia que o Brasil iria mudar. Tudo começou com uma manifestação promovida pelo Movimento Passe Livre (MPL) contra um reajuste nas passagens de ônibus em São Paulo, que subiram 20 centavos. De repente, os protestos se espalharam pelo país e abrigaram uma série de outras questões, como os gastos com a Copa do Mundo, a saúde pública e a educação. No ápice, mais de 1 milhão de brasileiros protestaram. Em uma cena emblemática, os manifestantes ocuparam a rampa do Congresso Nacional. Parecia que, finalmente, o Brasil estava dando um basta à corrupção e à má gestão dos serviços públicos. Vários jornalistas e analistas “profetizavam” uma mudança na História do Brasil.

protestocongresso

Nada como a realidade para desmascarar os falsos profetas. E, em 2015, o Brasil parece cada vez mais…o Brasil que sempre foi! Como se não bastassem todos os problemas que já existiam em 2013, diretores de empreiteiras e a elite política do Brasil aparecem envolvidas nas investigações da Operação Lava-Jato, e a presidente atual e o último presidente podem estar no esquema. As investigações sugerem que dinheiro de empresas estatais era desviado para pagar parlamentares da base de sustentação do Governo. A maior empresa brasileira, a Petrobrás, está perdendo valor por causa dos escândalos de corrupção.  O preço da gasolina subiu e as previsões são de crescimento econômico em baixa e inflação em alta. Pra piorar, há uma crise no abastecimento de água e no fornecimento de energia elétrica. E aí, vem a pergunta: onde está o povo?

Se, em 2013, a situação estava tão ruim, agora que as coisas estão piores, o povo deveria estar ainda mais indignado, certo? Errado. Os governantes são os mesmos. As forças políticas que controlam o Congresso Nacional são as mesmas. Nada mudou. Nem mesmo a reação política do brasileiro comum: de indiferença e apatia. Continuamos com a reação clássica de reclamar, dizendo que está tudo ruim, e de não fazer nada para mudar. Votamos nos mesmos candidatos, insistimos nas mesmas ideias, temos o mesmo envolvimento de sempre…e achamos que colheremos um resultado diferente.

A culpa também é do povo
E de quem é a culpa? Dos governantes, diz logo o brasileiro comum. Sim, diria eu. Mas não apenas deles. Biblicamente, os líderes quase nunca caem sozinhos. Eles são um reflexo do povo. Vale lembrar que, no nosso sistema de governo, quem elege os representantes somos nós! E, quando o povo se cala, é porque ele é tão culpado quanto os seus príncipes.

A Bíblia mostra claramente isso quando lemos os profetas. No século VI antes de Cristo, perto da destruição de Jerusalém, o reino de Judá sofria com reis terríveis. À exceção do reinado de Josias, os últimos reis de Judá encheram a Jerusalém com sangue, idolatria e corrupção. E a resposta de Deus era a de que toda a sociedade havia apodrecido, inclusive o povo.

Eis que os príncipes de Israel, cada um segundo o seu poder, nada mais intentam, senão derramar sangue. No meio de ti, desprezam o pai e a mãe, praticam extorsões contra o estrangeiro e são injustos para com o órfão e a viúva. Desprezaste as minhas coisas santas e profanaste os meus sábados. Homens caluniadores se acham no meio de ti, para derramarem sangue; no meio de ti, comem carne sacrificada nos montes e cometem perversidade. No teu meio, descobrem a vergonha de seu pai e abusam da mulher no prazo da sua menstruação. Um comete abominação com a mulher do seu próximo, outro contamina torpemente a sua nora, e outro humilha no meio de ti a sua irmã, filha de seu pai. No meio de ti, aceitam subornos para se derramar sangue; usura e lucros tomaste, extorquindo-o; exploraste o teu próximo com extorsão; mas de mim te esqueceste, diz o SENHOR Deus. (Ezequiel 22:6-12)

Filho do homem, a casa de Israel se tornou para mim em escória; todos eles são cobre, estanho, ferro e chumbo no meio do forno; em escória de prata se tornaram. (Ezequiel 22:18)

O profeta Jeremias era contemporâneo de Ezequiel e dizia a mesma coisa, mas de modo oposto. Quando o pecado permeia a sociedade, o nível de educação não importa: todos são insensatos, o povo e a elite.

Mas eu pensei: são apenas os pobres que são insensatos, pois não sabem o caminho do SENHOR, o direito do seu Deus. Irei aos grandes e falarei com eles; porque eles sabem o caminho do SENHOR, o direito do seu Deus; mas estes, de comum acordo, quebraram o jugo e romperam as algemas. (Jeremias 5:4-5)

No final do livro de Jeremias isso fica claro. Jerusalém foi destruída. Os judeus foram julgados pelo Senhor por causa da idolatria, da violência, da imoralidade sexual e da corrupção que marcaram a sociedade do século VI antes de Cristo. A elite havia sido punida: ou foram mortos pelos babilônios ou estavam no exílio. O profeta Jeremias pregava aos sobreviventes que eles deveriam se voltar para o Senhor. Mas, qual foi a resposta do povo?

Então, responderam a Jeremias todos os homens que sabiam que suas mulheres queimavam incenso a outros deuses e todas as mulheres que se achavam ali em pé, grande multidão, como também todo o povo que habitava na terra do Egito, em Patros, dizendo: Quanto à palavra que nos anunciaste em nome do SENHOR, não te obedeceremos a ti; antes, certamente, toda a palavra que saiu da nossa boca, isto é, queimaremos incenso à Rainha dos Céus e lhe ofereceremos libações, como nós, nossos pais, nossos reis e nossos príncipes temos feito, nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém; tínhamos fartura de pão, prosperávamos e não víamos mal algum. Mas, desde que cessamos de queimar incenso à Rainha dos Céus e de lhe oferecer libações, tivemos falta de tudo e fomos consumidos pela espada e pela fome. Quando queimávamos incenso à Rainha dos Céus e lhe oferecíamos libações, acaso, lhe fizemos bolos que a retratavam e lhe oferecemos libações, sem nossos maridos?(Jeremias 44:15-18)

O povo não apenas era conivente com o pecado, como o aprovava! A cegueira era tanta que, para o povo, a prosperidade acontecia era quando eles viviam no pecado! Não dá pra dizer que Jerusalém foi destruída porque as elites conduziram mal o povo, porque os reis eram perversos e o povo, tadinho…aqueles inocentes pagaram pelo erro de seus líderes! Não!!!! O povo era co-responsável! O coração dos líderes era como o coração do povo! Assim como os reis e príncipes de Judá se regozijavam com o pecado, o povo também gostava!

carnaval

O que o Brasil vive hoje é muito parecido. Das 50 cidades mais violentas do mundo, 19 são brasileiras. A imoralidade sexual é uma marca registrada do país: até nas igrejas cristãs, o sexo fora do casamento é comum e a sensualidade é valorizada na hora de se escolher um cônjuge. O brasileiro venera santos, dá ofertas a orixás, lê livros espíritas mas não abre a Bíblia. Mesmo os que se dizem cristãos não hesitam em trazer ofertas a estátuas de santos ou em pregar um Evangelho que não é o bíblico. Os políticos evangélicos são figuras frequentes em escândalos ou denúncias de corrupção. E a culpa é dos políticos?

Não, meus caros: a culpa é nossa! A culpa é do povo, que é tão impuro hoje como os judeus do século VI antes de Cristo! E o que Deus dizia de Judá aplica-se ao Brasil de hoje também! Nós também somos todos como a escória! Somos tão corruptos e culpados como os políticos que nós elegemos para nos representar…e eles, de fato, nos representam!

A culpa é da Igreja
Que os “profetas” do mundo responsabilizem apenas um ou dois partidos pelo caos em que o Brasil se encontra, é compreensível. Mas que os profetas do Altíssimo entreguem uma mensagem parcial e incompleta, isso não é aceitável. É preciso que o pecado do povo seja denunciado profeticamente! Os pecados precisam ser anunciados pelo nome, o juízo de Deus precisa ser claramente declarado e a linguagem deve ser forte!

Só que não é isso o que acontece. Pelo que eu tenho visto e ouvido pessoalmente, as igrejas estão mais preocupadas em crescer numericamente do que em proclamar a Palavra de Deus. E isso significa uma grande preocupação em agradar as pessoas. A conclusão é que raramente o pecado é apontado e confrontado diretamente nos púlpitos. Prefere-se uma abordagem mais light, tentando mostrar que o Evangelho é mais atraente que o pecado. Ou então retratamos o pecado como um fracasso pessoal, em uma linguagem onde nós somos pintados como vítimas, e não como réus. Evita-se, ao máximo, responsabilizar individualmente uma pessoa e foge-se de textos que dizem, por exemplo, que somos como a escória.

Isso quando não ocultamos pecados porque, bem, ele pode comprometer a Igreja diante da comunidade. Vou dar o exemplo de Brasília. Bairros inteiros, como Arniqueira, Cidade Estrutural, Itapoã e vários condomínios de classe média no Jardim Botânico, por exemplo, começaram com invasões de terra pública, até mesmo de áreas de preservação ambiental. Onde estão os pastores que pregam, nos púlpitos, que os invasores pecaram? Que as invasões em áreas ambientais são as responsáveis pela falta d’água no futuro? Ninguém fala, nós queremos que eles se tornem cristãos. E assim o pecado não é denunciado.

macacomudo

Muitos pastores e fiéis acham que isso é amar as pessoas. Se não confrontamos esses pecados centrais, que amarraram economicamente os pecadores, então eles vão ouvir o Evangelho, se arrepender e herdarão a vida eterna! Mas esse “amor” é apenas rejeição da Bíblia e produz a condenação do nosso país.

Ouvi a palavra do SENHOR, vós, filhos de Israel, porque o SENHOR tem uma contenda com os habitantes da terra, porque nela não há verdade, nem amor, nem conhecimento de Deus. O que só prevalece é perjurar, mentir, matar, furtar e adulterar, e há arrombamentos e homicídios sobre homicídios. Por isso, a terra está de luto, e todo o que mora nela desfalece, com os animais do campo e com as aves do céu; e até os peixes do mar perecem. Todavia, ninguém contenda, ninguém repreenda; porque o teu povo é como os sacerdotes aos quais acusa. Por isso, tropeçarás de dia, e o profeta contigo tropeçará de noite; e destruirei a tua mãe. O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos. (Oséias 4:1-6)

Esse Evangelho light, embalado em uma abordagem moderna e acolhedora, que evita ao máximo dizer o pecado com todas as letras e que não joga sobre nós, pecadores, o peso de nossas ações, esse Evangelho que ignora a Lei e não clama por verdadeiro arrependimento, ele é que mata o Brasil! Precisamos entender que, enquanto o pecado é tolerado, a terra toda sofre. Enquanto o brasileiro não conhecer a Bíblia, ele perecerá!

E essa falta de conhecimento também mata os que seguem pastores legalistas, que se preocupam com coisas que não são pecado e ignoram o verdadeiro pecado da nossa nação. Temos quem pregue contra a televisão, a maquiagem e a calça comprida, mas que não pregam contra a avareza, a violência doméstica, o desejo de violência e de vingança, entre outros problemas do coração do brasileiro.

Precisamos de menos legalistas e de menos pregadores de voz agradável, e de mais profetas que anunciem o verdadeiro pecado do Brasil!

Jesus leva a culpa sobre si
Tampouco adianta, porém, apenas denunciar o pecado vigorosamente e lançar a culpa sobre as pessoas. O profeta leva o povo a se entristecer e a se envergonhar de seus pecados. O profeta leva o povo a se colocar no seu devido lugar e a entender que o pecado é nosso, e não apenas dos nossos representantes. Mas ele também oferece salvação aos que o ouvem.

Naquele dia, diz o SENHOR, ela me chamará: Meu marido e já não me chamará: Meu Baal. Da sua boca tirarei os nomes dos baalins, e não mais se lembrará desses nomes. Naquele dia, farei a favor dela aliança com as bestas-feras do campo, e com as aves do céu, e com os répteis da terra; e tirarei desta o arco, e a espada, e a guerra e farei o meu povo repousar em segurança. Desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias; desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás ao SENHOR. Naquele dia, eu serei obsequioso, diz o SENHOR, obsequioso aos céus, e estes, à terra; a terra, obsequiosa ao trigo, e ao vinho, e ao óleo; e estes, a Jezreel.Semearei Israel para mim na terra e compadecer-me-ei da Desfavorecida; e a Não-Meu-Povo direi: Tu és o meu povo! Ele dirá: Tu és o meu Deus! (Oséias 2:16-23)

Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao SENHOR, porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR. Pois perdoarei as suas iniqüidades e dos seus pecados jamais me lembrarei. (Jeremias 31:33-34)

Então, me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; estamos de todo exterminados. Portanto, profetiza e dize-lhes: Assim diz o SENHOR Deus: Eis que abrirei a vossa sepultura, e vos farei sair dela, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel. Sabereis que eu sou o SENHOR, quando eu abrir a vossa sepultura e vos fizer sair dela, ó povo meu. Porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos estabelecerei na vossa própria terra. Então, sabereis que eu, o SENHOR, disse isto e o fiz, diz o SENHOR. (Ezequiel 37:11-14)

O mesmo pode acontecer com o Brasil. Entendam: não há ressurreição sem morte. Por isso, quando os que conhecem a Deus pararem de tentar esconder a verdade, e os brasileiros entenderem claramente que estão mortos e que precisam se arrepender e mudar…quando isso acontecer, o coração dos brasileiros estará aberto para acolher a verdadeira mensagem do Evangelho. Aí sim estaremos prontos para confiar em Jesus como Aquele que leva sobre si os nossos pecados e estaremos dispostos a deixar que Ele viva por meio de nós. Aí nós podemos começar a sonhar com um Brasil melhor.

Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, – pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. (Efésios 2:4-7)

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro