Ponha mais Evangelho nisso, Antônio!

No início da minha carreira ministerial, um dos pastores que me foram apontados como exemplo era o Rev. Antônio Carlos Costa, pastor da Igreja Presbiteriana da Barra da Tijuca e fundador da ONG Rio de Paz. Ele foi um referencial de como seria possível ser evangélico e ter um profundo engajamento social na tentativa de transformar o Brasil em um país mais seguro e melhor. E, indiscutivelmente, Antônio Costa tem obras que o credenciam nesse sentido. Protestou contra as condições de presídios fluminenses, contra assassinatos não resolvidos e ajudou a atrair a imprensa estrangeira para a violência no Rio de Janeiro, entre outros. De fato, eu cheguei a admirá-lo e eu mesmo o apontei como exemplo a outros colegas. Mas, algo mudou.

O discurso de Antônio Costa foi tornando-se cada vez mais próximo do marxismo. Suas críticas vêm sendo cada vez mais desbalanceadas, com um tom muito mais forte com a direita do que com a esquerda. Um dos sinais disso é ver que, para Costa, o apoio de vários grupos evangélicos a Bolsonaro foi pior para a democracia do que a tentativa de assassinato do candidato, a faca, em Juiz de Fora. Nas próprias palavras dele: “Vou morrer afirmando: o apoio ACRÍTICO, EFUSIVO, INSTITUCIONAL, da igreja a Jair Bolsonaro foi página mais triste da história do protestantismo brasileiro.”

A página mais triste? Creio que eventos muito mais escandalosos, como o adultério de líderes evangélicos de projeção nacional, a oração da propina feita por parlamentares evangélicos e até o pastor dizendo na TV que a Bíblia mandou que ele adulterasse com a mulher de um amigo dele foram páginas mais tristes!

Mas há mais. Para Costa, a postura evangélica nas eleições de 2018 mostraram a necessidade de uma nova Reforma. Veja bem: concordo que há necessidade. Os púlpitos estão tomados de psicólogos baratos. Pastores e presbíteros não confrontam o pecado e nem usam a disciplina eclesiástica porque usam um conceito barato de graça. Temos evangélicos que não sabem o que é Trindade e a maioria nunca leu a Bíblia toda. Mas nada disso é tão grave quanto Jair Bolsonaro. Costa chegou inclusive a gravar um vídeo sobre o assunto. E entendo que é necessário responder às acusações feitas por ele.

Apoio acrítico, incondicional e institucional
Costa aponta cinco pecados “gravíssimos” da Igreja brasileira. O primeiro seria o apoio “acrítico, incondicional e institucional” a Jair Bolsonaro. Que tal começarmos com a própria denominação do pastor: a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). Em nota, o presidente do Supremo Concílio, Rev. Roberto Brasileiro, afirmou: “Entendemos que os membros de nossas igrejas e seus oficiais e ministros têm liberdade de escolha nas eleições e a Igreja, de maneira alguma indicará em quem se deve ou não se deve votar.” Onde há apoio, de qualquer tipo, da instituição a um candidato?

O mesmo pode ser dito da Convenção Batista do Estado de São Paulo (CBESP), que diz muito claramente que: “acreditamos que cada pessoa tem o direito de exercer sua escolha e voto conforme a sua consciência”. O mesmo fez a Igreja Metodista: “deixamos claro que a Igreja Metodista não apoia nenhum candidato ou candidata de maneira específica.” Tampouco vi qualquer palavra institucional de outras denominações protestantes históricas de apoio à candidatura de quem quer que seja.

Não nego que tenham existido pastores, igrejas locais e até denominações que possam ter dado um apoio institucional à campanha de Jair Bolsonaro. Tal fato, porém, não caracteriza todo o protestantismo brasileiro, e nem seria novo, já que há muito tempo denominações pentecostais e neopentecostais declaram apoio a algum candidato. Mesmo quando pastores, usando seu direito de cidadãos, declararam tal apoio, não conheço um que não tenha deixado claro que apoio não significa endosso total do posicionamento do candidato. Ao contrário, cheguei a ver pastores que declararam voto em Bolsonaro, mas deixando bem claro suas críticas. Um exemplo é o Pr. Yago Martins: “Eu não gosto nada do BOLSONARO. Mas é ele ou o que há de pior, de mais vilanesco, de mais imoral, de mais corrupto, de mais anti-cristão de TODA política nacional. Achar que tanto faz, que BOLSONARO é pior que PT, é estar sujeito a uma mentalidade de trevas.”

Antônio Costa mente. Sua primeira acusação é que é pecaminosa, por querer imputar uma culpa que não existe. Os evangélicos votaram individualmente, seguindo a sua consciência, em Bolsonaro. Costa deveria expor os pecados do petismo para entender porquê.

Ataques aos cristãos nas redes sociais
Costa afirma considerar inadmissíveis os “ataques dos cristãos nas redes sociais”. Nenhuma doutrina central do cristianismo estaria em jogo para justificar os ataques que ele presenciou em redes sociais. Sobre isso, concordo que houve, há e haverá muitos pecados de língua cometidos por cristãos em debates na Internet. Tais pecados devem ser combatidos, lamentados e até disciplinados. Solidarizo-me com ele quanto a isso. Mas, infelizmente, ainda há parcialidade na acusação do pastor.

Costa se queixa de que cristãos antipetistas não teriam preservado a honra de pessoas por quem Cristo morreu quando falaram de modo agressivo na Internet. Porém, eu me pergunto se ele teve o mesmo cuidado:

“Usaram em vão o nome de Deus nessa eleição. Associaram o evangelho à espécie de mundo que botou Cristo num pau de arara chamado cruz. Quem permanecer calado perante esse crime de lesa-cristianismo terá dificuldade de dizer que o evangelho é o valor supremo da sua vida.” (Desde quando votar em Bolsonaro é um endosso à tortura? Que pesada acusação é essa?)

“Difícil de entender, em nome da moral evangélica evangélicos permitiram nessas eleições que o evangelho fosse pisoteado. Associaram-no ao discurso -anti-processo civilizatório-, e milhões se silenciaram por não quererem prejudicar seus interesses políticos.” (Você disse mesmo que milhões de evangélicos pisotearam o Evangelho, favorecem o anti-civilismo, por causa de interesses políticos?)

“Um santo estragado, um fariseu, um inquisidor ou um mágico propiciam mais diversão no inferno do que um simples tirano ou libertino”. C.S. Lewis” (Citou C S Lewis pra acusar quem pensa diferente de ser um santo estragado, fariseu, inquisidor e mágico? Que leve acusação contra irmãos em Cristo!)

Quem é Antônio Costa para emitir julgamentos tão pesados sobre a salvação e a moral de milhões que, democraticamente, não votaram como ele? Como ele pode posar de santo ofendido com o nível das críticas se ele faz generalizações tão gritantes em seu Twitter? Um tom polido e erudito tiram a ofensa dessas declarações?

E pergunto mais: não houve ofensas do outro lado? Basta uma visita a página “Ódio do Bem” (presente em várias outras redes sociais) para ver como petistas lançaram acusações pesadíssimas contra quem pensa e vota diferente. Eu mesmo desfiz amizades com cristãos que afirmaram serem fascistas os que votam em Bolsonaro. Por que Costa só aponta o pecado dos antipetistas? Por que ele não condena os excessos verbais, os xingamentos, a condenação de fariseus lançada por vários eleitores de Fernando Haddad? Talvez porque ele tenha feito o mesmo em seus tuites, como mostrei acima.

Desrespeito à diversidade de opinião
O terceiro pecado gravíssimo seria o desrespeito à diversidade de opinião na igreja, a ponto de “deixar o ar irrespirável” para quem não apoiava Bolsonaro. Segundo ele, esse ar irrespirável vem do apoio institucional, sobre o qual já demonstramos acima que não é verdadeiro. Logo, o fundamento colocado pelo próprio Costa é inválido.

Mas aqui ainda quero acrescentar algumas ponderações. O grande problema dos evangélicos não foi com eleitores de Amoedo, Marina Silva ou Geraldo Alckmin. O problema foi o PT e sua agenda moral e econômica, onde se viu um risco real à liberdade religiosa e à segurança econômica. Não é um temor infundado: basta ver o que acontece com países que seguem o socialismo, como Cuba, Venezuela e Coreia do Norte. Se foi formada uma maioria, isso não é, per se, algo ruim. Talvez a maioria exista por ser um desdobramento natural da própria fé evangélica.

O documento que melhor mostra é isso é a Carta Aberta à Igreja Brasileira, assinada por vários pastores protestantes de renome. A carta não apóia Bolsonaro, mas recomenda “Rejeite candidatos com ênfases intervencionistas na esfera familiar, educacional, eclesiástica e artística”. Outra recomendação é “Apoie propostas que defendam a dignidade do ser humano e a vida em qualquer circunstância, desde sua concepção no ventre materno”. Sobre esses assuntos deveria haver unidade dentro do meio evangélico. Querer liberdade para, por exemplo, não considerar o embrião no ventre materno como tendo direito à vida, seria totalmente indesejável! Ou apoiar interferências do Estado na vida eclesiástica!

A maioria é desejável. Mas, se há discordância, a Carta Aberta aconselha: “ao indicar um candidato para amigos e familiares, faça-o com respeito às opiniões diferentes da sua”. Onde há o tal desrespeito à diversidade de opiniões? Ele pode até ter ocorrido individualmente e até em algumas igrejas ou denominações pentecostais e neopentecostais. Mas não ocorreu, de modo institucional, dentro do protestantismo como um todo.

Faltou preocupação com os não cristãos
Para Costa, o apoio evangélico a Bolsonaro prejudicou a credibilidade da Igreja na evangelização. Segundo ele, os brasileiros, ao verem o comportamento evangélico nas eleições, não desejarão ouvir a pregação. Milhões estariam escandalizados.

Há várias maneiras de responder. Jesus escandalizou várias pessoas em seu ministério (Mateus 13:57, Marcos 6:3, etc). O derramar do Espírito Santo no dia de Pentecostes gerou perplexidade e zombaria (Atos 2:1-13). A carreira do apóstolo Paulo foi marcada por vários tumultos causados por pessoas que se escandalizavam com o Evangelho (Atos 13:45, 16:19-23, 19:23-41, etc). O Evangelho causa escândalos, anormal é quando ele não escandaliza a ninguém. Costa mesmo dá um exemplo disso: o vídeo onde várias pessoas de esquerda marcham ameaçando a Igreja, dizendo “Igreja fascista, tu tá na nossa lista”. O “fascismo” da Igreja não é por causa do voto em Bolsonaro: é porque a Igreja condena o homossexualismo, a imoralidade sexual e o comunismo, em respeito aos ensinos do próprio Evangelho.

Mas, a julgar pelo resultado das votações, a maior parte dos brasileiros não concorda com Costa. Afinal, a maioria votou Bolsonaro. Além disso, de modo conveniente, Costa se esquece do escândalo que foi causado pelos pastores que demonstraram apoio a Fernando Haddad, o candidato do PT. Ou do escândalo causado pela própria presença de Haddad em uma missa. Por que o escândalo apenas de um lado?

Na verdade, não havia uma saída para a Igreja nessas eleições que não pudesse escandalizar não cristãos. Até o silêncio seria condenável. Como pode a Igreja ficar calada no meio de tantas acusações de corrupção, da ameaça de uma ditadura bolivariana, do candidato que recebia ordens de um presidiário?

Não cristãos seriam escandalizados de qualquer maneira. A questão é assumir um posicionamento que traga o escândalo correto. Costa erra ao imaginar que havia alguma possibilidade que não escandalizasse a ninguém.

Não preocupação com a pureza do Evangelho
Por fim, o último pecado gravíssimo seria a falta de preocupação com a pureza do Evangelho pelo fato de Bolsonaro usar como slogan “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. Para Costa, isso foi uma espécie de sacrilégio. Como ele mesmo diz: “Tire o Evangelho disso!”

E é aqui que eu me permito rir um pouco. Normalmente, os fariseus é que se preocupam com formalismos e ritualismos enquanto se esquecem da substância das coisas. Os fariseus são os que, por causa de uma única regra, se esquecem de todo o resto e condenam pecadores. E Costa vê mais problemas em colocar Deus no slogan de uma campanha do que em outras campanhas que desejam promover uma agenda frontalmente contrária à lei de Deus: minando a família, o casamento, promovendo o aborto, sendo benigna com os criminosos, indultando corruptos, interferindo cada vez mais no dia-a-dia das igrejas. Sério mesmo, Costa?

A grande luta dos protestantes reformados (calvinistas) é exatamente a de proclamar com Abraham Kuyper que Jesus é soberano sobre cada centímetro quadrado da vida! O grande anseio de qualquer pastor cristão é que sua congregação entenda que tudo é de Deus e deve ser feito para a glória d’Ele! Até o Estado e suas autoridades:

” Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” (1 Coríntios 10:31)

“Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Romanos 11:36)

Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. (Romanos 13:1-2)

E é sobre Romanos 13 que eu quero chamar a atenção. Paulo estava ensinando ali que a Igreja deveria reconhecer a instituição divina da autoridade dos Césares, dos imperadores romanos, e de todas as demais autoridades romanas. Foi Roma quem crucificou a Cristo. Os judeus recorriam aos romanos para pedir a morte de Paulo. Roma não era uma sociedade sem injustiças, torturas e corrupção. Se seguir a lógica de Costa, Paulo manchou o Evangelho ao colocar a submissão aos imperadores romanos como uma ordem à Igreja! E Pedro cometeu o mesmo erro:

Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, quer às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem. (…) Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei. (1 Pedro 2:13, 14, 17)

Eu entendi o que Costa quis dizer: Bolsonaro não tem um programa evangélico o suficiente para poder dizer “Deus acima de todos”. Mas ele nunca se propôs a isso. Bolsonaro nunca disse que ele era ungido de Deus para governar em nome dele (embora a autoridade do Presidente venha de Deus). O que o slogan dele mostra é que ele, Jair Bolsonaro, reconhece que Deus existe, que Ele está acima de tudo, e que Bolsonaro vai governar tendo isso em vista. E nada disso desonra o Evangelho ou o Novo Testamento. Na verdade, apenas constata uma verdade bíblica.

O slogan não difere do significado da Coroa britânica. No topo da coroa usada pelos reis ingleses, há uma cruz. O significado é o de que o imperador britânico não deve obediência a ninguém, a não ser a Deus. É essa coroa um objeto de blasfêmia ou um objeto de louvor a Deus? Ao meu ver, tanto a coroa como a frase possuem o seu lado positivo. Em um mundo secularizado, é louvável quando governantes ainda reconhecem que Deus existe e é superior. Calar-se e fingir que Deus não existe é ainda pior, é o sinal de um governante que vai agir como deus de si mesmo e que sequer reconhece a autoridade divina para julgar suas ações.

Back_of_the_Imperial_State_CrownBolsonaro pode estar apenas manipulando a fé? Pode, não conheço o coração dele. Mas aí, Deus é quem o julgará por isso. E a solução, Antônio Costa, não é “tirar o Evangelho disso”. A solução é por mais Evangelho nisso! Esse reconhecimento inicial, incipiente, vindo ainda de uma visão católico-romana e neopentecostal é um começo muito tímido, mas louvável em uma sociedade anticristã. É preciso mais Evangelho para que o reino de Cristo na esfera civil se torne ainda mais e mais visível.

Uma nova Reforma
Encerro dizendo que sim, a Igreja brasileira precisa de uma nova Reforma, mas não pelos motivos apresentados. Falta colocar Cristo e a Bíblia no centro das pregações, da vida cristã e da atuação dos cristãos em todas as áreas da vida. Falta usar a Bíblia como centro e ponto de partida para as reflexões sobre política, economia e direito. Falta mais Sola Scriptura.

Agora, Reforma também é purificação. É colocar a Bíblia como Rainha e a psicologia, a sociologia, o direito, a economia, a filosofia e a política como servas. É remover do ensino bíblico e teológico qualquer impureza trazida por visões de mundo anticristãs, como a marxista. É denunciar e destruir os ídolos do materialismo, da dialética hegeliana, do desejo de conformar-se ao que ensina uma Academia secularizada e relativista. Reforma é acreditar mais no que a Bíblia ensina sobre combate à pobreza e à violência do que naquilo que marxistas ensinam.

Sonho com uma Reforma de vida também, onde pastores não se coloquem tão precipitadamente como profetas, acusando injustamente homens que, como o próprio Antônio Costa admite, são melhores do que ele. Sonho com uma Reforma onde pastores que afirmam que o Espírito Santo sairá do nosso meio sejam cobrados pelo que dizem e, se não se cumprir, que sejam excluídos como falsos profetas. Sonho com uma Reforma na igreja brasileira onde pastores que mentem, exageram e são parciais em seu juízo sejam chamados ao arrependimento e se retratem.

Antônio, eis aí o meu apelo a você. Ponha mais Evangelho nisso! Antes que você siga pela estrada que Rubem Alves e Caio Fábio já trilharam em nossa amada Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB).

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

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A oração de Bolsonaro

Em seu primeiro pronunciamento como presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro recebeu uma oração feita pelo Pr. Magno Malta. A seguir, Bolsonaro começou seu discurso citando João 8:32 – “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. Não fiquei surpreso com a reação da imprensa brasileira, naturalmente avessa ao cristianismo, embora simpática a manifestações religiosas afro-brasileiras, por exemplo. O que me espantou foi o horror ou o desprezo mostrado por alguns evangélicos (?!) com um presidente que resolveu começar com uma oração a sua carreira presidencial.

Para um cristão evangélico, é cabível esse tipo de reação? Será que a oração de Bolsonaro mostra uma visão inferior de Estado? Ou pior: seria ela apenas um ato politiqueiro pelo fato de Bolsonaro ser católico, e não evangélico? Creio que a resposta para as duas perguntas é “não” e explico por quê.

oracaobolsonaroO mito da exclusão da fé
No Brasil, desde a educação infantil é inculcado o mito de que a separação entre Igreja e Estado é algo tão radical que o Estado deveria agir como se não houvesse religião. Quando eleitores e agentes públicos decidem movidos por sua fé, a condenação de professores e jornalistas é imediata, como se fosse possível ter uma religião e não ter sua consciência influenciada por ela. Talvez, por isso, políticos como Marina Silva declarem em seu site que “A trajetória de mais de 30 anos de vida pública de Marina é uma prova concreta de como não há influência de sua religião, como cristã evangélica, em sua atuação política.” (grifo meu)

Não é isso o que vejo em países como os Estados Unidos, onde moro hoje. Anualmente, membros do Congresso dos Estados Unidos promovem o National Prayer Breakfast, o “Café da Manhã Nacional de Oração”. Todos os presidentes americanos, desde Dwight Eisenhower, participam do evento. Há uma data aprovada pelo Congresso americano que convoca americanos de todos os credos a orarem pelo país, o National Prayer Day. Nas posses presidenciais, é de praxe que um pastor faça um discurso, e políticos citam com frequência a sua fé e Deus como motivadores de suas políticas. Seria a democracia americana inferior à brasileira?

Na Europa ainda há Estados confessionais, e não laicos. Para quem não sabe, há vários Estados europeus com uma religião oficial. É o caso do Reino Unido (anglicano) e das subdesenvolvidas Dinamarca, Islândia e Noruega (luterano). Será que esses países possuem um nível de maturidade democrática inferior ao Brasil por terem uma religião oficial?

A presença da religião na política não é um sinal de risco à democracia ou de repressão a minorias religiosas, como os casos acima demonstram. Tampouco é sinal de subdesenvolvimento humano. O laicismo não pode sequer ser considerado algo essencial para a construção de democracias fortes ou países desenvolvidos.

Reis oportunistas?
Mas há a acusação de que Bolsonaro, por ser católico e político, não poderia receber uma oração de um pastor e abrir seu primeiro discurso como eleito usando a Bíblia. O pressuposto por trás desse tipo de argumento é o de que toda e qualquer manifestação similar não é sincera. Em todos os casos é uma simples e barata manipulação política da fé.

Não posso julgar o coração de Bolsonaro. Lembro, porém, que para fazer média seria bem melhor chamar um cardeal católico e que Magno Malta é amigo pessoal do presidente. Mas há precedentes bíblicos de reis pagãos que honraram ao Deus de Israel porque viram o seu poder e aprenderam a reconhecê-lo. É o caso do Faraó, que reconheceu o Deus de José (Gn 41:38-39). É o que o imperador persa Ciro fez ao permitir o retorno de Israel à Canaã (Esdras 1:1-4). Mas, de modo marcante, esse é um dos temas mais fortes do livro de Daniel.

O famoso sonho do rei babilônico Nabucodonosor com a estátua terrível que é destruída pela Rocha é um resumo da mensagem básica do profeta. Daniel proclama que todos os reinos da terra pertencem a Deus, que Deus é quem põe e depõe reis e nações, e que apenas o reino de Deus permanecerá. Uma das maneiras do livro mostrar isso é por meio do reconhecimento de reis pagãos sobre a superioridade e divindade do Deus de Israel.

Nabucodonosor reconheceu que o Deus de Daniel era o Deus dos deuses (Dn 2:47). Posteriormente, quando Deus livrou a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego da fornalha ardente, Nabucodonosor voltou a bendizer a Deus (Dn 3:28) e fez um decreto ameaçando de morte quem blasfemasse contra Ele (Dn 3:29). Em Daniel 4 temos a dramática história da loucura de Nabucodonosor, que termina com o reconhecimento do rei de que o poder real vinha do Deus de Daniel e com a declaração de que “Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, exalço e glorifico ao Rei do céu, porque todas as suas obras são verdadeiras, e os seus caminhos, justos, e pode humilhar aos que andam na soberba.” (Dn 4:37).

Muitos pensam que Nabucodonosor se converteu, mas a História parece dizer o contrário. Os deuses bebilônicos continuaram a ser adorados. Talvez, para ele, o Deus dos judeus fosse apenas mais um deus, alguém que ele aprendeu a respeitar, a temer e até a adorar. Contudo, em momento algum, a Bíblia desqualifica a adoração de Nabucodonosor como sendo falsa. O temor e a admiração dele eram reais.

Conclusão
Se reis pagãos do passado adoraram com sinceridade a Deus, por que isso não pode acontecer hoje? Será que os homens de hoje são mais perversos que os de antigamente? Não creio que seja o caso. Sim, pode ser que Bolsonaro nunca se torne evangélico ou até que vá para o inferno no fim de seus dias. Mas isso não muda o fato de que o início dele pode sim ser movido por um temor verdadeiro a Deus. E creio que os cristãos não têm porque se envergonhar ou lamentar que um governo comece assim.

Ainda acredito que buscar a direção e a aprovação de Deus são a melhor maneira de começar qualquer relacionamento ou empreendimento. Pode até ser que muitos erros sejam cometidos depois. Mas Bolsonaro teve o melhor começo possível.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

A diferença é mais que moral

Diante da fábrica de mentiras e calúnias feitas pela imprensa, mais o constrangimento autoritário fascista feito por artistas, jornalistas e ate colegas de trabalho, afirmo sim: a divisão entre os eleitores de Jair Bolsonaro e os fanáticos religiosos do “Helenão” é moral. E isso sem contar a tentativa de assassinato contra Bolsonaro.

Nós temos morais diferentes. Nós temos éticas diferentes. Nós comungamos de valores espirituais diferentes. E as diferenças entre nós e os fanáticos que usam qualquer expediente é irreconciliável.
Brazilian presidential candidate Jair Bolsonaro reacts after being stabbed during a rally in Juiz de Fora

Por trás da reportagem da Folha sobre a ex-mulher de Bolsonaro há algum vazador que acha razoável expor a intimidade de uma família, de um problema já superado, com fins políticos. Por trás da calúnia contra Carlos Bolsonaro, acusando-o de apologia à tortura no Instagram, há uma imprensa que acha que está salvando o Brasil por meio da mentira e da injúria.

Não há comunhão entre luz e trevas. Eu não tenho comunhão com esse tipo de gente, ainda que se digam cristãos. E, sim: diria na sua cara, seja você quem for, isso.

Só há uma solução para essa crise: o sangue de Cristo purificando esses fanáticos de seu zelo e convencendo-os de que não é com mentiras e calúnias que se salva uma nação. Arrependa-se, especialmente se você se diz cristão e está propagando mentiras, lamentando que Bolsonaro não tenha morrido, celebrando a exposição de um problema familiar já superado!

Vou além. Aquilo que odiamos nos controla. Os fanáticos do “Helenão” fizeram de Bolsonaro seu deus. Ele os controla. Sua felicidade foi posta nas mãos dele. Sua felicidade, sua paz, seu senso de justiça…tudo é referenciado por ele.

E quem quiser me dar “conselho” (quem lê, entenda), que guarde pra você. Sim, há gente adorando Bolsonaro. Mas eles estão mais em seus opositores do que em seus eleitores. E só um cego não vê isso.

Mudar a presidente não é o suficiente

Escrevo este texto poucas horas depois do anúncio de que o Congresso Nacional acolheu a abertura do pedido de impeachment da presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Para muitos, como eu, um eventual impeachment representa um alívio e uma esperança para o país, mergulhado em denúncias de corrupção, rombo nas contas públicas (um Governo que gasta muito mais do que arrecada com impostos) e uma grave crise econômica. Um novo presidente pode significar mudanças positivas que ajudem a reverter esse quadro tão negativo.

Contudo, o maior erro que podemos cometer é achar que o presidente certo será a salvação do Brasil, como se precisásssemos apenas de um novo líder. Mesmo que trocássemos, instantaneamente, todos os integrantes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, ainda assim o Brasil estaria longe de deixar o seu atraso. Um golpe militar que desse a algum sábio ditador poderes absolutos ainda não seria suficiente para trazer o Brasil para o grupo dos países mais desenvolvidos do mundo.

Um país apodrecido

Nossa situação é muito parecida com aquela vivida pelo reino de Judá, no século VIII antes de Cristo. Veja em Isaías 1 como Deus avaliava o estado de seu povo naqueles dias.

Ai, nação pecadora, povo carregado de iniqüidade, descendência de malfeitores, filhos corruptores; deixaram ao Senhor, blasfemaram o Santo de Israel, voltaram para trás. Por que seríeis ainda castigados, se mais vos rebelaríeis? Toda a cabeça está enferma e todo o coração fraco. Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres não espremidas, nem ligadas, nem amolecidas com óleo.
Isaías 1:4-6

Demais? Vejamos: por dia, são assassinadas no Brasil mais de 150 pessoas. É mais que o número de mortes do conflito entre israelenses e palestinos. Na última década, o número de divórcios subiu 160%! Mais de 340 mil apenas em 2014. O Vale do Rio Doce e o litoral capixaba sofrem com a maior tragédia ambiental da nossa história. Não se respeita a vida, o casamento e a criação.

Na verdade, é interminável a lista dos graves pecados cometidos diariamente pelo brasileiro. Nosso emprego dos sonhos é o serviço público, porque ganha mais, trabalha menos e ainda tem estabilidade. Dito de outra forma, valorizamos mais a preguiça do que o trabalho. As crianças não respeitam os pais e a violência nas escolas explode. Aliás, os pais querem que as escolas eduquem os filhos, e a educação que o Estado quer oferecer é o marxismo e a ideologia de gênero, desconstruindo o modelo familiar ensinado na Bíblia. Os bandidos são presos e ficam em presídios lotados e imundos, e isso, quando o juiz não manda soltar! Mesmo os policiais são pegos quase todos os dias em casos de abuso de autoridade, execuções informais e até de conluio com o crime organizado.

Faltou tanta coisa ainda! O amor à sensualidade, o desleixo com a saúde pública (basta olhar o surto de bebês com microcefalia), o culto que gira em torno de dinheiro e prosperidade, a impunidade confundida com graça, o jeitinho que nunca segue regras, a glorificação do malandro…não é exagero algum dizer que, da planta do pé ao alto da cabeça, não há nada são no Brasil.

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Um povo apodrecido

No entanto, o brasileiro gosta de pensar que o problema está apenas na cabeça. O povo é bom, honesto e trabalhador. O único problema seria a elite política e empresarial corrupta que governa a Nação. Se os políticos e os empresários fossem trocados por gente do povo, o Brasil seria um país justo e ordeiro.

Outros, mais sofisticados, insistem que o nosso problema é “de cabeça”, de mente, de educação. Estamos presos a ideologias do atraso. Se aprendermos mais sobre política, economia, sociologia e filosofia, mudaríamos nossa forma de ser e agir. O Brasil seria um país de Primeiro Mundo, mas com seu tempero tropical.

Se, porém, levamos o texto bíblico e a realidade a sério, precisamos entender que o nosso problema é de cabeça e de coração. Não é apenas a elite que é corrupta. O povo também rouba. Também trai a mulher e abusa dos enteados. Também mata, estupra e espanca todo mundo em casa. O povo também gosta de sensualidade, drogas e dinheiro fácil. Não é apenas a educação do Brasil que é corrompida, mas também seu coração. Verdade seja dita: eu, você e mais um monte de cristãos amamos e valorizamos a vida fácil e detestamos o trabalho duro! Muitas vezes preferimos pecar e ter dinheiro no bolso do que ser santos e viver na miséria.

O primeiro passo para a mudança não é trocar de presidente: é aceitar o julgamento de Deus a nosso respeito! Precisamos parar de acreditar que somos a Israel fiel dos dias de Josué, de Davi ou de Salomão, que o Senhor gosta tanto de nós que Ele é brasileiro! Não! Somos o doente incurável que está diante do Senhor dos Exércitos.

Uma igreja apodrecida

E os protestantes e evangélicos que não se iludam, achando que todos os males do Brasil são culpa dos que não conhecem a Deus. Também sobre nós se aplica o que o Espírito Santo fala em Isaías 1:

De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o Senhor? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; nem me agrado de sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecer perante mim, quem requereu isto de vossas mãos, que viésseis a pisar os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembléias; não posso suportar iniqüidade, nem mesmo a reunião solene. As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer. Por isso, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Isaías 1:11-15

Não faz tanto tempo assim que saí do Brasil. Mas, pelo que me lembro, as igrejas do Brasil estão muito preocupadas com crescimento. De modo geral, todas as denominações desejam isso, o que muda é a receita. Algumas prometem prosperidade, desde que sejam trazidas gordas ofertas e dízimos generosos para o culto. Outros querem uma igreja simpática, que acolhe o pecador…e o pecado. Não disciplinam, não confrontam, não são explícitas quanto ao Evangelho…e o resultado é que o pecado está misturado com o culto solene. Os adoradores continuam com sangue nas mãos…o sangue das vítimas da violência, dos roubos, dos adultérios…e esse sangue nunca é lavado. Não há arrependimento. Apenas tolerância.

Era exatamente assim o culto nos dias do profeta Isaías. Os judeus pensavam que as ofertas cobririam os pecados. Que bastava sacrificar animais gordos e fazer cultos bonitos, que Deus ignoraria o pecado. A preocupação era toda exterior: ninguém examinava seus atos diante de Deus. O resultado: cultos e orações rejeitados por um Deus cansado de sofrer com o pecado de Seu povo.

cultouniversal

A única salvação possível

Humanamente, nem a Israel do século VIII a.C. e nem o Brasil do século XXI possuem esperança. O câncer já se alastrou e a infecção é generalizada. Mas Deus não é homem. Há uma solução:

Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer mal. Aprendei a fazer bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas. Vinde então, e argüi-me, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã. Se quiserdes, e obedecerdes, comereis o bem desta terra. Mas se recusardes, e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; porque a boca do Senhor o disse.
Isaías 1:16-20

Se houver mudança, se houver arrependimento, há purificação. Ainda que tenhamos derramado tanto sangue que nossa alma esteja vermelha escarlate, o Senhor nos tornará brancos como a neve. Se houver santidade, o cadáver insepulto reviverá.

Mas essa não é uma obra que eu e você possamos fazer. Para nós, com a nossa força, é impossível lavar-se e purificar-se. Mudar o coração está além de nossa capacidade. Todavia, o mesmo Isaías nos fala quem pode fazer isso por nós:

Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. Isaías 53:4-6

Isaías falava a respeito de Jesus, o nosso Salvador, que tomou sobre si as nossas enfermidades, dores e pecados. O castigo por cada homicídio, adultério, idolatria, roubo e transgressão foi lançado sobre Jesus. Todos os que são salvos foram, um dia, ovelhas desgarradas e desviadas, mas Jesus sofreu no nosso lugar para nos trazer salvação.

Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do Senhor prosperará na sua mão. Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniqüidades deles levará sobre si. Por isso lhe darei a parte de muitos, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores. Isaías 53:10-12

Em Isaías 1:16-20, a Bíblia nos fala que, se quisermos e obedecermos, comeremos o bem desta terra. O que é isso, se não o bom prazer do Senhor? Só entra nesse prazer aqueles que fazem parte da posteridade de Jesus. O sofrimento de Jesus foi expiatório, ou seja, o sofrimento d’Ele aplacou a ira de Deus sobre o nosso pecado e nos tornou propícios a Deus.

Quando depositamos nossa fé em Jesus e aceitamos o Seu conhecimento, ou seja, a Sua Palavra, somos salvos. Jesus nos justifica e nos faz parte de Sua podteridade. Ele leva sobre si o nosso pecado e intercede por nós. E é por meio dessa amizade que somos transformados. É Cristo quem nos leva ao verdadeiro arrependimento e transforma nossas vidas sujas em algo mais branco que a neve.

Bem sei que é apenas no fim dos tempos que todos verão que Jesus é a Verdade. Até lá, os países não aceitarão serem governados por Cristo. Cedo ou tarde, a mesma podridão alcançará o mundo inteiro. Mas, enquanto isso não acontece, os povos que mais ouvem essa mensagem e seguem ao Senhor são mais preservados por Ele. Já os que não lhe dão ouvidos, mesmo que sejam materialmente prósperos, apodrecerão e sofrerão o juízo divino. E isso já está acontecendo.

Até lá, uno-me aos profetas que clamam: “Brasil, olha pra cima!”

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

 

Resolve, Daniel! Ou A igreja que não ora pelo Brasil

Sem dúvida alguma, um dos assuntos mais importantes sendo discutidos hoje, em todo o mundo, é o relacionamento entre religião e política. No Oriente Médio, vemos desde a proibição de um partido religioso no Egito (a Irmandade Muçulmana) até os conflitos com o Estado Islâmico, que impõe uma versão radical da sharia em seus territórios. No Ocidente, assuntos como o casamento homoafetivo, o aborto, a educação de filhos e a imigração geram intensos debates sobre a liberdade religiosa e a laicidade do Estado. Nas ditaduras, procura-se controlar rigorosamente qualquer tipo de manifestação religiosa, para evitar a queda de regimes, como aconteceu no Leste Europeu, onde os cristãos ajudaram a derrubar o comunismo. Basta lembrar o papel do papa João Paulo II na luta contra o comunismo polonês.

No Brasil, não é diferente…mas, como sempre, tem a sua particularidade. Por um lado, as bancadas católica e evangélica são atuantes e recebem várias críticas nos assuntos comportamentais, como aqueles ligados ao aborto e ao homossexualismo. Contudo, a atuação morre aí. Enquanto o Brasil assiste a uma grave crise política, com denúncias de corrupção, pedidos de impeachment da presidente e manifestações que levam milhares de pessoas às ruas, os políticos e as igrejas evangélicas permanecem em silêncio. Nenhuma palavra, seja em uma direção, seja em outra, é dita. É como se o Evangelho não tivesse nenhuma resposta ou orientação para a realidade do nosso país.

Manifestação do dia 12 de abril em Brasília (DF)
Manifestação do dia 12 de abril em Brasília (DF)

Um silêncio inexplicável
Contudo, esse silêncio é, no mínimo, incoerente, em qualquer grande segmento do cristianismo. Os católicos sempre influenciaram a política, tanto que até hoje o papa se pronuncia regularmente sobre a política internacional. Já a Reforma Protestante desconectou o poder dos reis da Igreja Católica, trouxe guerras e revoluções políticas e ajudou a acabar com o absolutismo medieval. Várias experiências políticas surgiram do protestantismo, como a famosa Genebra de João Calvino.

Como já dissemos, Genebra era uma cidade governada por concílios. Antes de Calvino não havia uma normatização legislativa organizada e explicitada para todos. Movido pelo seu zelo de sempre ser fiel ao ensino moral da Bíblia, e ajudado por seu conhecimento jurídico, ele foi o agente e mentor de várias mudanças políticas. É bem verdade que Calvino só foi chamado para se envolver ajudando na confecção do corpo de leis para a cidade, posteriormente à sua intensa atividade na reformulação da vida religiosa. Aqui destacamos dois pontos, por considerá-los de maior grandeza, a relação entre a igreja e estado, e o governo com a participação popular. (Rev. Sérgio Paulo Ribeiro Lyra)

Mesmo entre os pentecostais, o simples fato deles se engajarem para eleger uma numerosa bancada evangélica já mostra que há o entendimento de que eles devem influenciar a política. Até grupos cristãos historicamente mais enfáticos na separação entre a Igreja e o Estado, como é o caso dos batistas, possuem um Martin Luther King Jr que mudou a história dos Estados Unidos.

Historicamente, a omissão dos protestantes e evangélicos brasileiros é inexplicável. A história, a teologia e a prática da maioria desses grupos mostra que eles não consideram que a Igreja deva permanecer alheia aos debates políticos. O passado e o presente mostram que eles não consideram que a Igreja deva cuidar somente de assuntos espirituais. No caso específico dos seguidores de João Calvino é ainda pior, já que eles seguem o ensino de que não há uma separação entre o sagrado e o secular e que tudo é sagrado.

Argumentos como “devemos nos preocupar com a evangelização” ou de que apenas assuntos ligados à fé devem ser falados nos púlpitos e nos palanques mostram-se hipócritas quando há um empenho para eleger deputados ou se celebra a vida e a morte de cristãos que atuaram politicamente, como Dietrich Bonhoeffer, que foi executado por sua luta contra o nazismo.

Dietrich Bonhoeffer
Dietrich Bonhoeffer

O silêncio pecaminoso dos líderes
Mas pior do que a incoerência histórica é o pecado de omissão que se esconde por trás desse silêncio. Sim, é verdade que nem Jesus e nem os discípulos se engajaram para derrubar o Império Romano ou para implementar um reino de Deus terreno. Sim, é verdade que Jesus ensinou que devemos dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Contudo, isso não implica que o Novo Testamento silencie sobre os pecados e deformidades da política. Além do exemplo claro de João Batista, há várias condenações mais discretas (porém claras) presentes no texto neotestamentário.

Assim, pois, com muitas outras exortações anunciava o evangelho ao povo; mas Herodes, o tetrarca, sendo repreendido por ele, por causa de Herodias, mulher de seu irmão, e por todas as maldades que o mesmo Herodes havia feito,acrescentou ainda sobre todas a de lançar João no cárcere. (Lucas 3:18-20)

Naquela mesma hora, alguns fariseus vieram para dizer-lhe: Retira-te e vai-te daqui, porque Herodes quer matar-te. Ele, porém, lhes respondeu: Ide dizer a essa raposa que, hoje e amanhã, expulso demônios e curo enfermos e, no terceiro dia, terminarei. (Lucas 13:31-32)

Mas Jesus lhes disse: Os reis dos povos dominam sobre eles, e os que exercem autoridade são chamados benfeitores. Mas vós não sois assim; pelo contrário, o maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve. (Lucas 22:25-26)

Ouvindo isto, unânimes, levantaram a voz a Deus e disseram: Tu, Soberano Senhor, que fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há; que disseste por intermédio do Espírito Santo, por boca de Davi, nosso pai, teu servo: Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs? Levantaram-se os reis da terra, e as autoridades ajuntaram-se à uma contra o Senhor e contra o seu Ungido; porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram; agora, Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra, enquanto estendes a mão para fazer curas, sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus. (Atos 4:24-30)

Então, exclamou com potente voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, covil de toda espécie de espírito imundo e esconderijo de todo gênero de ave imunda e detestável, pois todas as nações têm bebido do vinho do furor da sua prostituição. Com ela se prostituíram os reis da terra. Também os mercadores da terra se enriqueceram à custa da sua luxúria. (Apocalipse 18:2-3)

Seja por meio da pregação (João Batista), do ensino (Jesus), das orações (os apóstolos em Atos) ou da profecia (o anúncio do julgamento divino no Apocalipse), a Igreja neotestamentária denunciou o pecado dos governantes seculares. O simples fato de tais relatos serem registrados por escrito e lidos nas igrejas já era uma forma de pregar contra o pecado. O Novo Testamento não é o fim da vigorosa atuação política profética que existia no Antigo Testamento. A ênfase é outra (a teocracia judaica acabou), mas a pregação continua viva.

O que não se pode aceitar é que os pastores e líderes cristãos fiquem em silêncio diante do que acontece no Brasil. Que não exista uma voz de destaque que se levante para despertar a Igreja e mobilizá-la diante da grave situação de crise que enfrentamos. Sem pregações e ensinos da liderança, a Igreja apenas assiste ao que está acontecendo e é levada pelo rumo dos acontecimentos.

Martin Luther King Jr em Selma
Martin Luther King Jr em Selma

O silêncio pecaminoso dos fiéis

O silêncio nos púlpitos e no ensino da Igreja é culpa dos pastores e líderes. Mas os liderados não podem se omitir da culpa pela ausência de orações em favor do Brasil. Hoje não há um único movimento nacional de orações pelo país e por nossas autoridades. Quebramos assim o mandamento bíblico que nos mostra como podemos ter uma vida tranquila e mansa.

Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. (1 Timóteo 2:1-2)

Por que o Brasil vive uma onda de violência tão grande, a ponto de morrerem mais pessoas aqui do que em guerras sangrentas em outros países? Por que não temos tranquilidade para investir e prosperar economicamente? Por que a piedade e o respeito se tornaram raros, enquanto o país mergulha na sensualidade de prazeres carnais e na irreverência desmedida com tudo e com todos? A culpa é de quem? Do Governo? Antes de culparmos os outros, assumamos que a culpa é minha e é sua, de todos os cristãos filhos de Deus que oram e suplicam pouco pelo país e por nossas autoridades. Quando fazemos isso, não é mesmo?

Apenas colhemos o que plantamos. A Bíblia nos mostra o caminho para a transformação da sociedade. Mas o silêncio dos púlpitos acaba produzindo o silêncio dos fiéis em seus quartos e cultos. Como nunca se prega sobre o país, tendemos a pensar que esse tipo de assunto não faz parte da vida cristã. De modo bem torto, concordamos com todos os militantes ateus que falam que a fé deve ser completamente excluída da política.

Nas poucas vezes que pude visitar igrejas norte-americanas, pude ver que lá não é assim. Vi pastores comentando sobre política durante os cultos e fazendo orações pelas autoridades nacionais e municipais. Vi orações serem feitas sobre assuntos debatidos no Congresso americano e até sobre protestos em países islâmicos. E tudo isso no culto dominical: era um momento de oração rotineiro. Se um fiel de lá quiser orar pelo país na vida diária, ele saberá pelo que orar. E no Brasil?

Resolve, Daniel!

Como resolver isso? Talvez um movimento de oração, o Desperta Débora, tenha uma resposta. Nos anos 90, mães começaram a se encontrar para interceder a Deus pela vida dos seus filhos. Baseados no exemplo bíblico de Débora, elas foram “despertas” e começaram a orar. Tenho certeza que as mães que foram fiéis em oração terão muitas histórias maravilhosas para contar sobre como Jesus salvou e preservou seus filhos ao longo desses últimos 20 anos.

Hoje é preciso que nos inspiremos em outra figura bíblica, e sugiro o profeta Daniel. Nele vejo o que falta a líderes e a fiéis. Como profeta, ele não teve receio de apontar o pecado e aconselhar reis poderosos.

Portanto, ó rei, aceita o meu conselho e põe termo, pela justiça, em teus pecados e em tuas iniqüidades, usando de misericórdia para com os pobres; e talvez se prolongue a tua tranqüilidade. (Daniel 4:27)

Tu, Belsazar, que és seu filho, não humilhaste o teu coração, ainda que sabias tudo isto. E te levantaste contra o Senhor do céu, pois foram trazidos os utensílios da casa dele perante ti, e tu, e os teus grandes, e as tuas mulheres, e as tuas concubinas bebestes vinho neles; além disso, deste louvores aos deuses de prata, de ouro, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra, que não vêem, não ouvem, nem sabem; mas a Deus, em cuja mão está a tua vida e todos os teus caminhos, a ele não glorificaste. (Daniel 5:22-23)

Daniel não foi somente um profeta e um confrontador ousado. Ele foi também um homem que orava intensamente pelo seu povo.

Falava eu ainda, e orava, e confessava o meu pecado e o pecado do meu povo de Israel, e lançava a minha súplica perante a face do SENHOR, meu Deus, pelo monte santo do meu Deus (Daniel 9:10)

O que nos falta é isso. Precisamos nos reunir para orar pelo país. Para confessar o nosso pecado individual e os pecados do nosso povo. Para suplicar, ou seja, orar intensamente, pedir intensamente pela transformação do Brasil. Sem isso, que mudança podemos esperar?

O que nos falta é resolvermos fazer isso. No momento em que tomarmos uma decisão, aí sim começaremos a fazer.

Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se. (Daniel 1:8)

Resolve, “Daniel”! Aí sim o Senhor vai nos usar para mudar o Brasil.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Gibeá e o terrorismo islâmico

A Bíblia é um livro escrito para todas as pessoas, em todos os tempos…mas engana-se quem pensa que não existem nela partes “censuradas para menores”. E não poderia ser diferente. Como um livro sagrado, a Bíblia toca todos os aspectos da vida humana, inclusive aqueles mais macabros e escabrosos. Há histórias que falam de sexo e violência, cuja mensagem é fácil de ser entendida, mas, às vezes, é difícil de ser digerida. Entretanto, a realidade mostra a necessidade de tais textos.

É o que vemos hoje com os terroristas islâmicos. O nível de violência e maldade atingido por estes grupos atingiu índices intoleráveis. Se os campos de concentração nazistas provocaram a indignação do mundo e justificaram a guerra contra Hitler, o que dizer quando lemos que o Estado Islâmico (EI) está crucificando e enterrando crianças vivas? A reportagem vai além: elas são vendidas como escravas sexuais, treinadas para serem soldados e usadas como homens-bomba e escudos humanos! Isso sem falar nos vídeos de decapitações e, agora, de prisioneiros sendo queimados vivos!

Mas o Estado Islâmico não está sozinho. O Boko Haram, na Nigéria, também usa meninas-bomba em atentados, além de sequestrar e escravizar sexualmente outras meninas, que também são usadas como soldados. Para mim, que sou cristão, o pior é que os cristãos são alvo do ódio desses e de outros grupos, mas a violência é tão grande que até outros muçulmanos sofrem com essa violência.

sangue

E é quando coisas mórbidas e macabras como essas acontecem que precisamos ler histórias como a destruição de Gibeá, contada nos capítulos 19, 20 e 21 do livro de Juízes.

O pecado além do normal
Não vou reproduzir o texto aqui por causa do tamanho. Mas vou resumir a história. Um levita (natural da tribo de Levi) havia se reconciliado com a sua concubina, que havia fugido de casa e retornado ao lar de seus pais. Na viagem de volta, o levita se hospeda em uma casa na cidade de Gibeá, da tribo de Benjamim. Lá, os moradores de Gibeá cercam a casa onde está o levita e querem estuprá-lo. O anfitrião acaba colocando a esposa do levita do lado de fora da casa e ela é estuprada e violentada a noite toda. De manhã, ela está morta.

O levita pega então o corpo da mulher, divide o cadáver em doze pedaços e manda cada pedaço para uma das doze tribos de Israel. Os israelitas ficaram chocados com o crime.

Cada um que a isso presenciava aos outros dizia: Nunca tal se fez, nem se viu desde o dia em que os filhos de Israel subiram da terra do Egito até ao dia de hoje; ponderai nisso, considerai e falai. (Juízes 19:30)

Há uma reunião das tribos para decidir o que fazer. Eles resolvem pedir aos moradores de Gibeá que entreguem os homens que cometeram aquele crime bárbaro. Só que, ao invés disso, não apenas os moradores de Gibeá, como toda a tribo de Benjamim, se reuniram para a guerra. Os benjamitas estavam dispostos a matar e a morrer para proteger os criminosos.

As tribos de Israel enviaram homens por toda a tribo de Benjamim, para lhe dizerem: Que maldade é essa que se fez entre vós? Dai-nos, agora, os homens, filhos de Belial, que estão em Gibeá, para que os matemos e tiremos de Israel o mal; porém Benjamim não quis ouvir a voz de seus irmãos, os filhos de Israel. Antes, os filhos de Benjamim se ajuntaram, vindos das cidades em Gibeá, para saírem a pelejar contra os filhos de Israel. E contaram-se, naquele dia, os filhos de Benjamim vindos das cidades; eram vinte e seis mil homens que puxavam da espada, afora os moradores de Gibeá, de que se contavam setecentos homens escolhidos. (Juízes 20:12-15)

É impossível não ver uma similaridade entre a tribo de Benjamim e muitos muçulmanos em tal caso. Se os benjamitas fossem corretos, eles teriam entregue os criminosos. Se a cidade de Gibeá se recusasse a fazê-lo, as outras cidades da tribo de Benjamim deveriam ter se unido às outras tribos e lutado para que a justiça fosse feita! Mas o “laço de sangue” falou mais alto do que a justiça. No caso dos terroristas islâmicos, é preciso que os próprios muçulmanos se disponham a entregar aqueles que fazem tamanha violência! Se é verdade, como muitos dizem, que tais terroristas não representam o verdadeiro islamismo, então os demais deveriam ser os primeiros a lutar contra esses grupos. Até porque o que vemos hoje é ainda mais abjeto do que a situação retratada no livro dos Juízes.

"The Laborer of Gibea Offering Hospitality to the Levite and His Wife", de Daniel Jansz Thievaert
“The Laborer of Gibea Offering Hospitality to the Levite and His Wife”, de Daniel Jansz Thievaert

O juízo de Deus sobre os violentos
E se essa entrega não acontecer? Devemos deixar esses grupos agirem e não inferferir, deixando que o “livre curso dos acontecimentos” leve a situação a um desfecho? Biblicamente a resposta é não. Quando a violência e o pecado crescem a níveis intoleráveis, ou o Senhor intervém diretamente (Sodoma) ou ele usa as nações para interferir (Canaã).

Então, disseram os homens a Ló: Tens aqui alguém mais dos teus? Genro, e teus filhos, e tuas filhas, todos quantos tens na cidade, faze-os sair deste lugar; pois vamos destruir este lugar, porque o seu clamor se tem aumentado, chegando até à presença do SENHOR; e o SENHOR nos enviou a destruí-lo. (Gênesis 19:12-13)

Com nenhuma destas coisas vos contaminareis, porque com todas estas coisas se contaminaram as nações que eu lanço de diante de vós. E a terra se contaminou; e eu visitei nela a sua iniqüidade, e ela vomitou os seus moradores. Porém vós guardareis os meus estatutos e os meus juízos, e nenhuma destas abominações fareis, nem o natural, nem o estrangeiro que peregrina entre vós; porque todas estas abominações fizeram os homens desta terra que nela estavam antes de vós; e a terra se contaminou. Não suceda que a terra vos vomite, havendo-a vós contaminado, como vomitou o povo que nela estava antes de vós. (Levítico 18:24-28)

A violência e a corrupção também motivaram o Senhor a destruir a sociedade nos dias de Noé:

A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência. Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra. Então, disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra. (Gênesis 6:11-13)

Para completar, os salmos imprecatórios da Bíblia foram escritos para situações assim. Em tais salmos, vemos o salmista amaldiçoar aqueles que se levantam para fazer o mal, como vemos nos salmos 69 (um dos mais citados no Novo Testamento e que profetiza a crucificação de Jesus), 109 e 137. Esses salmos não são ultrapassados ou desprovidos de sentido. Eles nos ensinam a orar. E nos falam que devemos orar pedindo justiça! Vejam, por exemplo, o salmo 69, que é, claramente, uma oração de Jesus.

Por alimento me deram fel e na minha sede me deram a beber vinagre.
Sua mesa torne-se-lhes diante deles em laço, e a prosperidade, em armadilha.
Obscureçam-se-lhes os olhos, para que não vejam; e faze que sempre lhes vacile o dorso.
Derrama sobre eles a tua indignação, e que o ardor da tua ira os alcance.
Fique deserta a sua morada, e não haja quem habite as suas tendas.
Pois perseguem a quem tu feriste e acrescentam dores àquele a quem golpeaste.
Soma-lhes iniqüidade à iniqüidade, e não gozem da tua absolvição.
Sejam riscados do Livro dos Vivos e não tenham registro com os justos. (Salmo 69:21-28)

É bom orar pelos inimigos e pedir que eles se arrependam. Se isso acontecer, tanto melhor. Mas quando o bem é pago com mal, o Senhor também quer que façamos orações pedindo justiça! E o dever da Igreja é o de pregar e anunciar a maldição do Senhor sobre tais pecadores:

Porquanto não se lembrou de usar de misericórdia, mas perseguiu o aflito e o necessitado, como também o quebrantado de coração, para os entregar à morte.
Amou a maldição; ela o apanhe; não quis a bênção; aparte-se dele.
Vestiu-se de maldição como de uma túnica: penetre, como água, no seu interior e nos seus ossos, como azeite.
Seja-lhe como a roupa que o cobre e como o cinto com que sempre se cinge. (Salmo 109:16-19)

Será que os terroristas islâmicos não se encaixam em tal descrição?

A luta armada
Mas não basta apenas orar e proclamar o Juízo. Quando a perversidade é gritante, o povo de Deus deve se dispor a pegar em armas e lutar. Foi o que aconteceu no final do livro de Juízes. Benjamim recusou-se a entregar os criminosos. Antes, eles se uniram para protegê-los. E Israel se dispôs a guerrear contra seus irmãos.

A história não é bonita, mas ela reflete a Lei de Deus. Aquele tipo de pecado deveria ser punido com a morte. E consentir que os criminosos ficassem impunes ou proteger uma cidade que achava normal o que aconteceu não era aceitável. O próprio Senhor mostrou a sua aprovação pela decisão de Israel e lutou contra Benjamim.

Então, feriu o SENHOR a Benjamim diante de Israel; e mataram os filhos de Israel, naquele dia, vinte e cinco mil e cem homens de Benjamim, todos dos que puxavam da espada (Juízes 20:35)

Hoje seria necessário fazer a mesma coisa. Biblicamente, contra o Boko Haram ou o Estado Islâmico, não há diálogo. Os países deveriam se unir para eliminar, militarmente, seus seguidores. Os sobreviventes teriam direito a uma segunda chance, como aconteceu com Juízes 21, mas a iniquidade precisa encontrar seu limite. Assim como foi legítimo erguer armas contra Hitler, essa seria uma batalha legítima para todo cristão.

E se isso não acontecer? Deus continua sendo Juiz de toda a Terra. Seja de modo direto, seja usando uma ou outra nação, o juízo do Senhor atingirá esses grupos, como alcançou a Hitler, aos moradores de Sodoma, de Canaã e até o seu próprio povo, como bem mostra o livro de Juízes. Se as nações preferem ignorar o que acontece, também elas sofrerão a disciplina do Senhor, por fecharem os olhos para as atrocidades que acontecem na África, no Oriente Médio e em outros lugares. Sim…porque não é só o terrorismo islâmico que é comparável a Gibeá.

Um lembrete para todos
E, para quem acha que uma resposta militar é um exagero, lembro que, para Deus, a morte é a justa punição de qualquer pecado, inclusive dos mais leves:

porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Romanos 6:23)

Lembro ainda que a ação militar é uma figura dos últimos tempos. No fim, Satanás levantará os reinos da terra para lutarem contra Jesus e seu povo, da mesma forma que esses grupos se levantam para matar os cristãos nos dias de hoje. Só que, naquele dia, o Senhor os destruirá e lançará no inferno (a segunda morte) todos aqueles que não seguem a Jesus.

Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a peleja. O número dessas é como a areia do mar. Marcharam, então, pela superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo do céu e os consumiu. O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos. Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros. Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras. Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo. (Apocalipse 20:7-15)

Cada vez que Deus julga uma nação, na Bíblia ou na História, Ele nos lembra que o mundo inteiro será julgado. Ele nos lembra que todos nós, individualmente, seremos julgados pelo Senhor. E, da mesma forma que o pecado trouxe a condenação do mundo antigo, de Sodoma, de Canaã, de Benjamim e de outras tribos e povos, o pecado também nos condenará à morte eterna. A não ser que o nosso nome esteja inscrito no Livro da Vida. Somente aqueles que deixarem as cidades do pecado para se tornarem filhos de Deus escaparão. E só há um jeito de fazer isso.

Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se. E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim. Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas. Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira. Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas às igrejas. Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a brilhante Estrela da manhã. O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida. (Apocalise 22:11-17)

Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus. (João 3:36)

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Lembrem-se dos pobres

Quando o mundo pensa em pobreza, o Brasil não aparece mais no imaginário coletivo. Ao contrário de muitos países africanos e asiáticos, o Brasil é visto como uma “potência emergente”, uma terra cheia de oportunidades e riquezas. Para haitianos, nigerianos e estrangeiros de outras nacionalidades, o Brasil é atrativo o suficiente para valer o risco de se contratar “coiotes” para tentar viver aqui. Não somos mais vistos como um país “coitado” que deve ser visto com leniência, e sim como um país pronto a assumir mais responsabilidades e gerar riquezas.

Contudo, apesar de todo o progresso material acontecido no Brasil, ainda temos 16 milhões de pessoas vivendo na pobreza, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). É muita gente, cerca de 8,5% da população do país. O assunto é tão valorizado no Brasil que não é exagero dizer que o Bolsa Família, um programa governamental de combate à pobreza, decidiu as eleições presidenciais de 2014. Apesar de todos os escândalos de corrupção e dos problemas econômicos tratados na campanha eleitoral, o Bolsa Família foi decisivo porque 1 em cada 4 brasileiros depende do benefício, mais de 45 milhões de pessoas.

Se formos pensar em quantos brasileiros são dependentes de outros benefícios do Governo, como o seguro-desemprego, é inevitável perguntar: quantos pobres existem no Brasil? Aliás, o que é ser pobre? É apenas uma questão de renda ou envolve, por exemplo, a capacidade de conseguir se sustentar sem depender da ajuda de outros ou do Governo? Porque, se a pobreza e a dependência estão relacionadas, o Brasil é um país profundamente pobre, onde talvez um terço ou mais das pessoas dependa de outros para o seu sustento.

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A pobreza é um assunto extremamente relevante no Brasil, muito mais do que parece. Temos que começar discutindo o que é pobreza e como quantificá-la, com honestidade. Pra mim é óbvio, mas é preciso mostrar à sociedade que tornar um número tão grande de pessoas dependentes do Governo não é um caminho que elimina a pobreza, mas que a preserva. Temos que pensar em formas de reduzir essa dependência. Ignorar esse assunto é ser cego ao fato de que, para o brasileiro, a pobreza é um problema mais sério que a corrupção e a criminalidade. Se fosse diferente, outro candidato teria vencido as eleições de 2014.

Mas as igrejas protestantes insistem em subdimensionar essa questão.

Jogando o problema para outros
Quando falamos em pobreza, basicamente a resposta dos protestantes é a de passar o problema adiante, como se fosse uma batata quente em nossas mãos. A postura política explica pra quem jogamos a batata.

Os que estão mais à esquerda querem que o Estado resolva o assunto. Querem mais programas sociais do Governo e profissionais contratados pelo Estado para cuidarem do problema. Defendem que os necessitados devem procurar a Igreja e serem encaminhados para algum programa governamental. Simples assim, sem muito envolvimento. Quando a igreja tem algum trabalho social, logo procuram uma parceria com o Estado para receber recursos financeiros do Governo e livrar os fiéis da responsabilidade de financiar a caridade. Não importa se, para isso, é preciso desvincular o trabalho social da igreja, se é preciso esconder qualquer referência a Cristo…escondemos a Deus e a Igreja para termos o dinheiro do Governo.

Os que estão mais à direita jogam a batata no colo do pobre. Eles defendem, corretamente, que o dever do Estado é o de promover uma sociedade onde cada um tenha a liberdade de fazer a própria vida e receba, de volta, o resultado de seu esforço individual. Mas negligenciam que há um dever cristão, que o Senhor exige de todos os seres humanos, de amar ao nosso próximo.

Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas. (Mateus 22:37-40)

E o que é amar? Amar é abrir o coração (e o bolso) e socorrer aos que estão necessitados:

Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade. (1 João 3:17-18)

Mais do que isso. A fé que salva é uma fé que faz obras. Biblicamente, as obras são maiores do que a caridade, pois envolvem todos os atos de obediência ao Senhor. Contudo, é inegável que a caridade é mostrada, claramente, como um exemplo de boas obras! Uma fé insensível aos pobres não tem utilidade e não é a fé que nos salva.

Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta. (Tiago 2:14-17)

Vejam bem, os versículos acima são um lembrete a todos, à esquerda e à direita, que a caridade é um dever de todos, mas principalmente dos que são cristãos. Essa batata quente é nossa. É uma responsabilidade individual. Não pode ser delegada ao Estado ou ao pobre! E não deve ser negligenciada.

O lugar da caridade na missão
O meio bíblico de lidar com o problema da pobreza é a caridade (falo mais sobre isso aqui). Ser caridoso é um dos traços do amor e da fé verdadeiros. Com toca a certeza, é uma das questões que merecem a nossa atenção. Mas não é a questão mais séria que deve ocupar a Igreja. E quem ensina isso é o próprio Jesus, quando Maria, a irmã de Lázaro, derrama um perfume caro sobre Ele. Jesus nos ensina que adorá-Lo tem prioridade sobre o cuidado com os pobres.

Então, Maria, tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, mui precioso, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se toda a casa com o perfume do bálsamo. Mas Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, o que estava para traí-lo, disse: Por que não se vendeu este perfume por trezentos denários e não se deu aos pobres? Isto disse ele, não porque tivesse cuidado dos pobres; mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, tirava o que nela se lançava. Jesus, entretanto, disse: Deixa-a! Que ela guarde isto para o dia em que me embalsamarem; porque os pobres, sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes. (João 12:3-8)

Mas Jesus disse: Deixai-a; por que a molestais? Ela praticou boa ação para comigo. Porque os pobres, sempre os tendes convosco e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem, mas a mim nem sempre me tendes. Ela fez o que pôde: antecipou-se a ungir-me para a sepultura. Em verdade vos digo: onde for pregado em todo o mundo o evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua. (Marcos 14:6-9)

Também é verdade que a principal ocupação dos apóstolos era a oração e o ensino da Palavra de Deus. Por analogia, os pastores também devem ocupar-se principalmente com tais deveres. Orar e ministrar a Bíblia tem precedência sobre o “servir as mesas”, que é a prática da caridade dentro da Igreja. Porém…e esse porém é muito importante…o cuidado com os pobres era tão importante que pessoas honestas deveriam ser eleitas pela Igreja para este fim!

Então, os doze convocaram a comunidade dos discípulos e disseram: Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas. Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço; e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra. (Atos 6:2-4)

E aqui é preciso corrigir um erro grosseiro de interpretação. “Piedosamente”, muitos pastores e presbíteros esquivam-se de um envolvimento maior com a caridade porque essa não seria a função deles. “Há diáconos eleitos para isso”, dizem. Contudo, quando lemos outros textos, vemos que os apóstolos também faziam caridade. A fala de Judas Iscariotes em João 12 não mostra apenas que ele era desonesto, mas mostra que era comum que se usasse parte do dinheiro dado a Jesus para ajudar os necessitados. E um apóstolo cuidava disso. Quando Paulo foi até Jerusalém apresentar seu trabalho apostólico aos Doze, recebeu uma recomendação bem específica:

e, quando conheceram a graça que me foi dada, Tiago, Cefas e João, que eram reputados colunas, me estenderam, a mim e a Barnabé, a destra de comunhão, a fim de que nós fôssemos para os gentios, e eles, para a circuncisão; recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos pobres, o que também me esforcei por fazer. (Gálatas 2:9-10)

Assim como hoje há “pastores-mestres” (mais dedicados ao ensino), “pastores-conselheiros” (especialistas em aconselhamento) e até “pastores-administradores” (uma função mais típica de presbíteros regentes), por que não “pastores-diáconos” ou “presbíteros-diáconos”? A liderança da Igreja também precisa se envolver!

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Aplicações
Vamos recordar alguns pontos:

– A caridade é uma marca do amor verdadeiro e da fé que salva;
– A caridade é uma responsabilidade individual, de todos, e não pode ser simplesmente transferida a outros;
– A caridade é tão importante que a Igreja deve eleger homens que se dedicarão, especialmente, a isso;
– A caridade não é o dever principal de um pastor, mas ele deve se lembrar dos pobres em seu ministério.

Isso tudo mostra que a pobreza não é o problema mais grave do Universo, a ponto de ignorarmos todo o resto (como parece ser o ponto de vista dos brasileiros), mas não é uma questão marginal ou secundária para os cristãos. Entretanto, há pouco destaque ao assunto no protestantismo. Vemos isso de várias maneiras:

– Poucas igrejas possuem ministérios dedicados à caridade abertos à participação de leigos;
– Pouquíssimos cristãos estão dispostos a se voluntariar e assumir um compromisso de longo prazo com esses ministérios;
– Os díaconos são mais conhecidos por cuidar do templo e gastam mais tempo com questões administrativas do que no cuidado com os mais pobres;
– Poucos membros se oferecem como voluntários para participar de ministérios de caridade;
– Pouco dinheiro é investido pelas igrejas protestantes em caridade, e há uma pressão muito grande para se buscar financiamento governamental…o que não deixa de ser uma forma de se fazer caridade com o dinheiro dos outros;
– Quase não se prega sobre caridade. Quando pregamos, falamos genericamente em missão integral, mas pouco se diz sobre a necessidade de envolvimento individual e pastoral no combate à pobreza;
– Projetos de plantação de igrejas não começam destinando recursos ou pensando em ministérios de socorro aos necessitados;
– Quantas escolas, creches, hospitais e centros de recuperação protestantes, sustentados pelas igrejas protestantes, vemos hoje?
– Prega-se mais sobre prosperidade e riqueza do que sobre caridade e pobreza.

Creio que é preciso ir além. Quem já foi em países desenvolvidos sabe que o argumento mais forte para justificar eticamente o catolicismo romano é a caridade. Em debates apologéticos, é cada vez mais comum que o apologista católico aponte, com razão, para o grande número de pessoas assistidas em seus sofrimentos por meio do trabalho de católicos. Milhares de sacerdotes ordenados e leigos dedicam a sua vida à caridade dentro do catolicismo. Dedicam à vida, não dez minutos dos seus dias. E os protestantes brasileiros estão muito atrás.

Assim como Judas, hoje há muitos políticos que usam os pobres como meio de desviar dinheiro. Querem um Estado cada vez mais gigante e inchado para poderem encher seus bolsos e usam os pobres como desculpa. O país inteiro sofre com isso. Mas só denunciar a Judas não basta. É preciso seguir o exemplo de Jesus na cruz, e dar a vida pelos outros. É preciso seguir o conselho de Pedro, Tiago e João e nos lembrar dos pobres. É preciso seguir o exemplo de Paulo e nos esforçarmos nisso. É preciso lembrar o que a Bíblia ensina sobre uma fé sem obras e um amor que não se compadece de quem é necessitado.

Precisamos nos arrepender do nosso pecado e nos lembrar dos pobres. Para a graça de Deus. E você pode começar a fazer isso agora.

Um projeto que você deveria conhecer é o Projeto Santa Luz, da Child Fund, apoiado pela Igreja Presbiteriana Nacional. Se outras igrejas se mobilizassem para fazer ações similares, estamos fazendo algo concreto pelo país. Um outro projeto é a Missão Vida, de recuperação de moradores de rua. Ambos os projetos necessitam de orações, recursos e envolvimento.

Mas faça algo onde você está, na sua comunidade. A responsabilidade é minha, sua…de todos. E seremos cobrados, individualmente, no Dia do Juízo.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro