Um alerta aos cristãos Josafás

Uma das pretensões de qualquer religião é ditar princípios que norteiam a vida de seus seguidores. Por causa disso, muitas vezes pensamos que os adeptos de uma dada religião são parecidos em suas crenças e opiniões, mas não é o que acontece. E isso pode ser visto no Brasil. Há cristãos conservadores e progressistas, puritanos e libertinos, comedores de carne e veganos.

Essa diversidade é um problema? Depende do assunto. A religião cristã é uma cosmovisão, uma forma de estruturar o modo como os cristãos deveriam viver e ver o mundo. Ela alcança todas as áreas da vida, desde o nosso leito conjugal até as responsabilidades esperadas de um Estado soberano. Há alguma liberdade? Sim, para vários assuntos, mas, mesmo aí, isso não significa que cristãos são livres para assumir qualquer posicionamento ou se manterem neutros em relação a certas realidades. Quando cristãos defendem certas políticas ou crenças, ou quando eles se mantêm neutros sobre elas, eles estão em pecado.

Isso não significa que tais cristãos não sejam salvos. Frequentemente, lemos nas redes sociais alguém questionando “como um cristão pode ser de tal posicionamento político”. Não são poucos os que se apressam em dizer que quem incorre neste erro não possuem a salvação. Mas, sim, é possível ser um ótimo cristão, sincero e fiel, e, ainda assim, assumir posicionamentos anticristãos. A Bíblia nos dá um exemplo disso, quando fala do rei Josafá.

Um bom rei
Quem foi Josafá? Ele foi um dos reis de Judá, na época em que Israel era dividido em dois reinos: o reino do Norte e o reino do Sul (Judá). Segundo a Bíblia, ele foi um bom rei, ousado em seguir os caminhos do Senhor:

O SENHOR foi com Josafá, porque andou nos primeiros caminhos de Davi, seu pai, e não procurou a baalins. Antes, procurou ao Deus de seu pai e andou nos seus mandamentos e não segundo as obras de Israel. O SENHOR confirmou o reino nas suas mãos, e todo o Judá deu presentes a Josafá, o qual teve riquezas e glória em abundância. Tornou-se-lhe ousado o coração em seguir os caminhos do SENHOR, e ainda tirou os altos e os postes-ídolos de Judá. (2 Crônicas 17:3-6)
Apesar disso, havia um problema. Como muitos cristãos do século XXI, Josafá era um amante da paz e da unidade. Ele sabia que o reino do Norte era formado por irmãos de Judá, e desejava a paz e a unidade com eles. Mas, para fazer isso, Josafá acabou assumindo um compromisso que, mais tarde, seria a ruína de sua família:
Tinha Josafá riquezas e glória em abundância; e aparentou-se com Acabe. (2 Crônicas 18:1)
little kid in denial
Uma má aliança
Mas, quem era Acabe?

Ninguém houve, pois, como Acabe, que se vendeu para fazer o que era mau perante o SENHOR, porque Jezabel, sua mulher, o instigava; que fez grandes abominações, seguindo os ídolos, segundo tudo o que fizeram os amorreus, os quais o SENHOR lançou de diante dos filhos de Israel. (1 Reis 21:25-26)

Acabe era o pior de todos os reis que Israel já teve. Ele matou inocentes, perseguiu os profetas de Deus e seguiu todas as abominações dos amorreus. Em seu reinado, a regra era seguir o culto a Baal. Mas, mesmo assim, Josafá tomou uma filha de Acabe para se casar com o príncipe herdeiro de Judá. Josafá chegou até mesmo a guerrear ao lado de Acabe e fez empreendimentos envolvendo os dois países.

O que você acha desta decisão? Será que devemos admirar o espírito ecumênico e tolerante de Josafá? Será que Josafá demonstrou um amor admirável por Acabe? Para muitos cristãos do século XXI, a tendência é a de admirá-lo. Mas não era isso o que Deus tinha a dizer sobre Josafá:

O vidente Jeú, filho de Hanani, saiu ao encontro do rei Josafá e lhe disse: Devias tu ajudar ao perverso e amar aqueles que aborrecem o SENHOR? Por isso, caiu sobre ti a ira da parte do SENHOR. Boas coisas, contudo, se acharam em ti; porque tiraste os postes-ídolos da terra e dispuseste o coração para buscares a Deus. (2 Crônicas 19:2-3)

Veja bem: ao aliar-se e ajudar os perversos, que aborreciam a Deus, Josafá acabou irritando ao próprio Senhor. O amor dele não atraiu o favor divino, mas sim, a sua ira. Todavia, como Deus é um Deus de graça e amor, Ele ainda viu o que havia de bom em Josafá, e ele terminou os seus dias vendo o reino de Judá próspero e seguro.

Infelizmente, seu filho não seguiu os seus caminhos. E, logo que Jeorão se tornou rei, ele assassinou a todos os seus irmãos. Ao invés de andar nos caminhos de Josafá, ele preferiu andar nos caminhos de seu sogro Acabe, e fez errar a Judá:

Tendo Jeorão assumido o reino de seu pai e havendo-se fortificado, matou todos os seus irmãos à espada, como também alguns dos príncipes de Israel. Era Jeorão da idade de trinta e dois anos quando começou a reinar e reinou oito anos em Jerusalém. Andou nos caminhos dos reis de Israel, como também fizeram os da casa de Acabe, porque a filha deste era sua mulher; e fez o que era mau perante o SENHOR. Porém o SENHOR não quis destruir a casa de Davi por causa da aliança que com ele fizera, segundo a promessa que lhe havia feito de dar a ele, sempre, uma lâmpada e a seus filhos. (2 Crônicas 21:4-7)

Uma lição para os dias de hoje
Embora seja triste, a história de Josafá traz lições importantes que precisamos aprender em nossos dias. A primeira delas é a de que boas intenções podem nos levar a grandes erros. O coração de Josafá não era mau. Ao contrário, provavelmente, ele era um homem tão bom que chegava a ser ingênuo sobre outras pessoas. Sua avaliação dos outros era sempre misericordiosa.

Mas a misericórdia e o amor não podem ser cegos. Caso contrário, podemos cair no erro de fazer alianças condenadas por Deus. O amor pelos inimigos não significa que devemos “jogar no mesmo time” e chamar um inimigo de Deus de irmão. O amor pelo Senhor tem prioridade sobre todos os outros amores, e se Ele reprova algum relacionamento nosso, devemos ouvir a voz de Deus e segui-Lo.

Uma terceira lição que pode ser vista é a de que não podemos prever as consequências de alianças condenadas por Deus. Certamente, nunca passou pela cabeça de Josafá que todos os seus filhos seriam mortos por Jeorão, e que ele rejeitaria a Deus para servir a Baal, se identificando mais com a família de Acabe do que com a sua própria família. Mas o mal não precisa ser imaginado para se materializar. Por isso, ele deve ser evitado ao máximo.
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A esperança da graça
Felizmente, ainda há uma última lição. Certamente podemos pagar um preço alto por nossos erros. Mas a graça de Deus, em Cristo Jesus, é maior que nossas piores escolhas. Deus poderia ter destruído completamente a Jeorão, mas ele não fez isso, por causa da aliança feita com Davi. Se Jeorão morresse, Josafá não teria herdeiro algum. O Senhor puniu a Jeorão pelo que ele fez, mas a dinastia de Davi não pereceu. Algumas gerações depois, bons reis voltaram a se levantar em Judá. O erro de Josafá não destruiu os planos de Deus para a sua família.

Cristãos hoje podem ter essa mesma esperança. Mas é preciso que reconheçamos o nosso pecado o quanto antes, e que nos arrependamos e busquemos a graça divina, antes que males terríveis nos alcancem. Hoje, há vários Josafás se aliando, por exemplo, aos Acabes da esquerda, da anarquia liberal, do Alcorão, da libertinagem, do amor pecaminoso proibido por Deus e de uma tolerância tão ampla, que tenta explicar e aceitar até o que é abominável. Fazer alianças condenadas por Deus, por meio do casamento, de empreendimentos ecumênicos ou da associação, terá consequências ruins e imprevisíveis. O futuro da fé cristã pode ser comprometido caso o secularismo, o socialismo, o feminismo e o islamismo, por exemplo, assumam o controle de governos e culturas.

Caso isso aconteça, será o fim da Igreja? Não, de modo algum. A graça de Deus é maior que nossas alianças pecaminosas. Mas a graça de Deus não exclui a disciplina de um Deus santo, que permite que colhamos algumas consequências de nossos pecados.

Ainda há tempo de se arrepender, Josafás. Acredito na salvação e no testemunho cristão de vocês. Mas arrependam-se, enquanto há tempo.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

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