O problema não é o PT, o PSDB ou o PMDB

Em 2013, parecia que o Brasil iria mudar. Tudo começou com uma manifestação promovida pelo Movimento Passe Livre (MPL) contra um reajuste nas passagens de ônibus em São Paulo, que subiram 20 centavos. De repente, os protestos se espalharam pelo país e abrigaram uma série de outras questões, como os gastos com a Copa do Mundo, a saúde pública e a educação. No ápice, mais de 1 milhão de brasileiros protestaram. Em uma cena emblemática, os manifestantes ocuparam a rampa do Congresso Nacional. Parecia que, finalmente, o Brasil estava dando um basta à corrupção e à má gestão dos serviços públicos. Vários jornalistas e analistas “profetizavam” uma mudança na História do Brasil.

protestocongresso

Nada como a realidade para desmascarar os falsos profetas. E, em 2015, o Brasil parece cada vez mais…o Brasil que sempre foi! Como se não bastassem todos os problemas que já existiam em 2013, diretores de empreiteiras e a elite política do Brasil aparecem envolvidas nas investigações da Operação Lava-Jato, e a presidente atual e o último presidente podem estar no esquema. As investigações sugerem que dinheiro de empresas estatais era desviado para pagar parlamentares da base de sustentação do Governo. A maior empresa brasileira, a Petrobrás, está perdendo valor por causa dos escândalos de corrupção.  O preço da gasolina subiu e as previsões são de crescimento econômico em baixa e inflação em alta. Pra piorar, há uma crise no abastecimento de água e no fornecimento de energia elétrica. E aí, vem a pergunta: onde está o povo?

Se, em 2013, a situação estava tão ruim, agora que as coisas estão piores, o povo deveria estar ainda mais indignado, certo? Errado. Os governantes são os mesmos. As forças políticas que controlam o Congresso Nacional são as mesmas. Nada mudou. Nem mesmo a reação política do brasileiro comum: de indiferença e apatia. Continuamos com a reação clássica de reclamar, dizendo que está tudo ruim, e de não fazer nada para mudar. Votamos nos mesmos candidatos, insistimos nas mesmas ideias, temos o mesmo envolvimento de sempre…e achamos que colheremos um resultado diferente.

A culpa também é do povo
E de quem é a culpa? Dos governantes, diz logo o brasileiro comum. Sim, diria eu. Mas não apenas deles. Biblicamente, os líderes quase nunca caem sozinhos. Eles são um reflexo do povo. Vale lembrar que, no nosso sistema de governo, quem elege os representantes somos nós! E, quando o povo se cala, é porque ele é tão culpado quanto os seus príncipes.

A Bíblia mostra claramente isso quando lemos os profetas. No século VI antes de Cristo, perto da destruição de Jerusalém, o reino de Judá sofria com reis terríveis. À exceção do reinado de Josias, os últimos reis de Judá encheram a Jerusalém com sangue, idolatria e corrupção. E a resposta de Deus era a de que toda a sociedade havia apodrecido, inclusive o povo.

Eis que os príncipes de Israel, cada um segundo o seu poder, nada mais intentam, senão derramar sangue. No meio de ti, desprezam o pai e a mãe, praticam extorsões contra o estrangeiro e são injustos para com o órfão e a viúva. Desprezaste as minhas coisas santas e profanaste os meus sábados. Homens caluniadores se acham no meio de ti, para derramarem sangue; no meio de ti, comem carne sacrificada nos montes e cometem perversidade. No teu meio, descobrem a vergonha de seu pai e abusam da mulher no prazo da sua menstruação. Um comete abominação com a mulher do seu próximo, outro contamina torpemente a sua nora, e outro humilha no meio de ti a sua irmã, filha de seu pai. No meio de ti, aceitam subornos para se derramar sangue; usura e lucros tomaste, extorquindo-o; exploraste o teu próximo com extorsão; mas de mim te esqueceste, diz o SENHOR Deus. (Ezequiel 22:6-12)

Filho do homem, a casa de Israel se tornou para mim em escória; todos eles são cobre, estanho, ferro e chumbo no meio do forno; em escória de prata se tornaram. (Ezequiel 22:18)

O profeta Jeremias era contemporâneo de Ezequiel e dizia a mesma coisa, mas de modo oposto. Quando o pecado permeia a sociedade, o nível de educação não importa: todos são insensatos, o povo e a elite.

Mas eu pensei: são apenas os pobres que são insensatos, pois não sabem o caminho do SENHOR, o direito do seu Deus. Irei aos grandes e falarei com eles; porque eles sabem o caminho do SENHOR, o direito do seu Deus; mas estes, de comum acordo, quebraram o jugo e romperam as algemas. (Jeremias 5:4-5)

No final do livro de Jeremias isso fica claro. Jerusalém foi destruída. Os judeus foram julgados pelo Senhor por causa da idolatria, da violência, da imoralidade sexual e da corrupção que marcaram a sociedade do século VI antes de Cristo. A elite havia sido punida: ou foram mortos pelos babilônios ou estavam no exílio. O profeta Jeremias pregava aos sobreviventes que eles deveriam se voltar para o Senhor. Mas, qual foi a resposta do povo?

Então, responderam a Jeremias todos os homens que sabiam que suas mulheres queimavam incenso a outros deuses e todas as mulheres que se achavam ali em pé, grande multidão, como também todo o povo que habitava na terra do Egito, em Patros, dizendo: Quanto à palavra que nos anunciaste em nome do SENHOR, não te obedeceremos a ti; antes, certamente, toda a palavra que saiu da nossa boca, isto é, queimaremos incenso à Rainha dos Céus e lhe ofereceremos libações, como nós, nossos pais, nossos reis e nossos príncipes temos feito, nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém; tínhamos fartura de pão, prosperávamos e não víamos mal algum. Mas, desde que cessamos de queimar incenso à Rainha dos Céus e de lhe oferecer libações, tivemos falta de tudo e fomos consumidos pela espada e pela fome. Quando queimávamos incenso à Rainha dos Céus e lhe oferecíamos libações, acaso, lhe fizemos bolos que a retratavam e lhe oferecemos libações, sem nossos maridos?(Jeremias 44:15-18)

O povo não apenas era conivente com o pecado, como o aprovava! A cegueira era tanta que, para o povo, a prosperidade acontecia era quando eles viviam no pecado! Não dá pra dizer que Jerusalém foi destruída porque as elites conduziram mal o povo, porque os reis eram perversos e o povo, tadinho…aqueles inocentes pagaram pelo erro de seus líderes! Não!!!! O povo era co-responsável! O coração dos líderes era como o coração do povo! Assim como os reis e príncipes de Judá se regozijavam com o pecado, o povo também gostava!

carnaval

O que o Brasil vive hoje é muito parecido. Das 50 cidades mais violentas do mundo, 19 são brasileiras. A imoralidade sexual é uma marca registrada do país: até nas igrejas cristãs, o sexo fora do casamento é comum e a sensualidade é valorizada na hora de se escolher um cônjuge. O brasileiro venera santos, dá ofertas a orixás, lê livros espíritas mas não abre a Bíblia. Mesmo os que se dizem cristãos não hesitam em trazer ofertas a estátuas de santos ou em pregar um Evangelho que não é o bíblico. Os políticos evangélicos são figuras frequentes em escândalos ou denúncias de corrupção. E a culpa é dos políticos?

Não, meus caros: a culpa é nossa! A culpa é do povo, que é tão impuro hoje como os judeus do século VI antes de Cristo! E o que Deus dizia de Judá aplica-se ao Brasil de hoje também! Nós também somos todos como a escória! Somos tão corruptos e culpados como os políticos que nós elegemos para nos representar…e eles, de fato, nos representam!

A culpa é da Igreja
Que os “profetas” do mundo responsabilizem apenas um ou dois partidos pelo caos em que o Brasil se encontra, é compreensível. Mas que os profetas do Altíssimo entreguem uma mensagem parcial e incompleta, isso não é aceitável. É preciso que o pecado do povo seja denunciado profeticamente! Os pecados precisam ser anunciados pelo nome, o juízo de Deus precisa ser claramente declarado e a linguagem deve ser forte!

Só que não é isso o que acontece. Pelo que eu tenho visto e ouvido pessoalmente, as igrejas estão mais preocupadas em crescer numericamente do que em proclamar a Palavra de Deus. E isso significa uma grande preocupação em agradar as pessoas. A conclusão é que raramente o pecado é apontado e confrontado diretamente nos púlpitos. Prefere-se uma abordagem mais light, tentando mostrar que o Evangelho é mais atraente que o pecado. Ou então retratamos o pecado como um fracasso pessoal, em uma linguagem onde nós somos pintados como vítimas, e não como réus. Evita-se, ao máximo, responsabilizar individualmente uma pessoa e foge-se de textos que dizem, por exemplo, que somos como a escória.

Isso quando não ocultamos pecados porque, bem, ele pode comprometer a Igreja diante da comunidade. Vou dar o exemplo de Brasília. Bairros inteiros, como Arniqueira, Cidade Estrutural, Itapoã e vários condomínios de classe média no Jardim Botânico, por exemplo, começaram com invasões de terra pública, até mesmo de áreas de preservação ambiental. Onde estão os pastores que pregam, nos púlpitos, que os invasores pecaram? Que as invasões em áreas ambientais são as responsáveis pela falta d’água no futuro? Ninguém fala, nós queremos que eles se tornem cristãos. E assim o pecado não é denunciado.

macacomudo

Muitos pastores e fiéis acham que isso é amar as pessoas. Se não confrontamos esses pecados centrais, que amarraram economicamente os pecadores, então eles vão ouvir o Evangelho, se arrepender e herdarão a vida eterna! Mas esse “amor” é apenas rejeição da Bíblia e produz a condenação do nosso país.

Ouvi a palavra do SENHOR, vós, filhos de Israel, porque o SENHOR tem uma contenda com os habitantes da terra, porque nela não há verdade, nem amor, nem conhecimento de Deus. O que só prevalece é perjurar, mentir, matar, furtar e adulterar, e há arrombamentos e homicídios sobre homicídios. Por isso, a terra está de luto, e todo o que mora nela desfalece, com os animais do campo e com as aves do céu; e até os peixes do mar perecem. Todavia, ninguém contenda, ninguém repreenda; porque o teu povo é como os sacerdotes aos quais acusa. Por isso, tropeçarás de dia, e o profeta contigo tropeçará de noite; e destruirei a tua mãe. O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos. (Oséias 4:1-6)

Esse Evangelho light, embalado em uma abordagem moderna e acolhedora, que evita ao máximo dizer o pecado com todas as letras e que não joga sobre nós, pecadores, o peso de nossas ações, esse Evangelho que ignora a Lei e não clama por verdadeiro arrependimento, ele é que mata o Brasil! Precisamos entender que, enquanto o pecado é tolerado, a terra toda sofre. Enquanto o brasileiro não conhecer a Bíblia, ele perecerá!

E essa falta de conhecimento também mata os que seguem pastores legalistas, que se preocupam com coisas que não são pecado e ignoram o verdadeiro pecado da nossa nação. Temos quem pregue contra a televisão, a maquiagem e a calça comprida, mas que não pregam contra a avareza, a violência doméstica, o desejo de violência e de vingança, entre outros problemas do coração do brasileiro.

Precisamos de menos legalistas e de menos pregadores de voz agradável, e de mais profetas que anunciem o verdadeiro pecado do Brasil!

Jesus leva a culpa sobre si
Tampouco adianta, porém, apenas denunciar o pecado vigorosamente e lançar a culpa sobre as pessoas. O profeta leva o povo a se entristecer e a se envergonhar de seus pecados. O profeta leva o povo a se colocar no seu devido lugar e a entender que o pecado é nosso, e não apenas dos nossos representantes. Mas ele também oferece salvação aos que o ouvem.

Naquele dia, diz o SENHOR, ela me chamará: Meu marido e já não me chamará: Meu Baal. Da sua boca tirarei os nomes dos baalins, e não mais se lembrará desses nomes. Naquele dia, farei a favor dela aliança com as bestas-feras do campo, e com as aves do céu, e com os répteis da terra; e tirarei desta o arco, e a espada, e a guerra e farei o meu povo repousar em segurança. Desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias; desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás ao SENHOR. Naquele dia, eu serei obsequioso, diz o SENHOR, obsequioso aos céus, e estes, à terra; a terra, obsequiosa ao trigo, e ao vinho, e ao óleo; e estes, a Jezreel.Semearei Israel para mim na terra e compadecer-me-ei da Desfavorecida; e a Não-Meu-Povo direi: Tu és o meu povo! Ele dirá: Tu és o meu Deus! (Oséias 2:16-23)

Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao SENHOR, porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR. Pois perdoarei as suas iniqüidades e dos seus pecados jamais me lembrarei. (Jeremias 31:33-34)

Então, me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; estamos de todo exterminados. Portanto, profetiza e dize-lhes: Assim diz o SENHOR Deus: Eis que abrirei a vossa sepultura, e vos farei sair dela, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel. Sabereis que eu sou o SENHOR, quando eu abrir a vossa sepultura e vos fizer sair dela, ó povo meu. Porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos estabelecerei na vossa própria terra. Então, sabereis que eu, o SENHOR, disse isto e o fiz, diz o SENHOR. (Ezequiel 37:11-14)

O mesmo pode acontecer com o Brasil. Entendam: não há ressurreição sem morte. Por isso, quando os que conhecem a Deus pararem de tentar esconder a verdade, e os brasileiros entenderem claramente que estão mortos e que precisam se arrepender e mudar…quando isso acontecer, o coração dos brasileiros estará aberto para acolher a verdadeira mensagem do Evangelho. Aí sim estaremos prontos para confiar em Jesus como Aquele que leva sobre si os nossos pecados e estaremos dispostos a deixar que Ele viva por meio de nós. Aí nós podemos começar a sonhar com um Brasil melhor.

Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, – pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. (Efésios 2:4-7)

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

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One thought on “O problema não é o PT, o PSDB ou o PMDB

  1. Esse texto me remeteu diretamente a duas questões. A primeira é uma que eu detesto: o famoso “jeitinho brasileiro”! Gente, quem inventou esse termo? Se soubesse a cultura falida que gerou, com certeza se arrependeria! Infelizmente, acho que esse tal ‘jeitinho’ tem sido vivido nas igrejas. Ora, se as pessoas não querem ouvir sobre pecados, preguemos sobre vitórias, poder, sucesso… ou seja lá o que for. Mas atraiamos as pessoas!! Importante é ter ‘a casa cheia’!

    Lembrei também da lição que tivemos sobre a igreja nos Estados Unidos. Enquanto as igrejas liberais e permissivas decai, igrejas evangelicais é que têm conquistado maior e maior número de visitantes, admiradores e, por fim, cristãos! Lembro claramente de sermão do Tim Keller em que ele disse: “se você é cristão há mais de alguns meses e não teve sua vida transformada, você deve parar e considerar agora mesmo se de fato é um cristão”. A ideia é: é impossível conhecer o Evangelho da graça e da verdade sem sermos renovados em Cristo Jesus! Da graça, pois somos atraídos a ele, mas da verdade, porque ele necessariamente confronta a vida pecadora de outrora e nos chama para viver em novidade de vida.

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