Desigualdade, cobiça e comunismo

Segundo os jornalistas econômicos, o maior problema que enfrentamos hoje no mundo (depois do aquecimento global) é a desigualdade. Em 2016, a riqueza de 1% das pessoas mais ricas do planeta irá ultrapassar a dos 99% restantes, segundo a ONG Oxfam. Pode parecer que estamos falando apenas de multimilionários, mas basta acumular um patrimônio de 798 mil dólares (2,1 milhões de reais) para fazer parte do clube.

O que dizer de tamanha concentração de riqueza? Para os que se identificam com ideologias de esquerda, o mundo nunca foi tão perverso economicamente como nos dias atuais. Uma mudança no capitalismo seria uma necessidade moral. Afinal, a igualdade material é um valor a ser perseguido. Para os que se identificam com ideologias mais à direita, a igualdade material é uma utopia e a desigualdade não é, necessariamente, maligna. Se, de forma geral, a riqueza de todos aumenta, a desigualdade não é um grande problema. A origem da desigualdade seria fruto de interferências excessivas do Governo na economia para outros. O vídeo abaixo, de Rodrigo Constantino, explica esse ponto de vista:

Contudo, a desigualdade não é apenas uma questão econômica. Trata-se de uma questão moral e de implicações religiosas. Por exemplo, o papa Francisco denuncia, constantemente, os males da desigualdade. Movimentos religiosos, como a Teologia da Libertação, entendem que a luta por uma sociedade materialmente mais igualitária é um dever de cada cristão. Por outro lado, a desigualdade parece estar na raiz de outros movimentos, como da Teologia da Prosperidade, onde a riqueza é sinal de bênção divina aos fiéis e a pobreza seria um sinal da maldição de Deus ou um castigo pelo envolvimento com demônios.

Nessas horas, é preciso analisar o que a Bíblia ensina sobre o assunto.

Um problema?
De fato, a Bíblia traz várias advertências sobre a riqueza e o acúmulo de propriedades. Em Isaías, há uma condenação aos que concentram a propriedade de imóveis. Em 1 Timóteo, é dito claramente que o desejo de enriquecer é pecaminoso e que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males, o que inclui mentiras, adultérios, assassinatos, entre outros.

Ai dos que ajuntam casa a casa, reúnem campo a campo, até que não haja mais lugar, e ficam como únicos moradores no meio da terra! A meus ouvidos disse o SENHOR dos Exércitos: Em verdade, muitas casas ficarão desertas, até as grandes e belas, sem moradores. (Isaías 5:8)

Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. (1 Timóteo 6:9-10)

Tiago é ainda mais duro. Ele anuncia juízo sobre os ricos. Afirma que as riquezas são corruptas, ou seja, elas podem ser destruídas com o passar do tempo, não são eternas. Mas há um detalhe: Tiago denuncia a riqueza adquirida de forma injusta, por meio de fraude, da retenção indevida do salário de trabalhadores e do uso da força para matar e condenar justos…por causa de dinheiro.

Atendei, agora, ricos, chorai lamentando, por causa das vossas desventuras, que vos sobrevirão. As vossas riquezas estão corruptas, e as vossas roupagens, comidas de traça; o vosso ouro e a vossa prata foram gastos de ferrugens, e a sua ferrugem há de ser por testemunho contra vós mesmos e há de devorar, como fogo, as vossas carnes. Tesouros acumulastes nos últimos dias. Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram os vossos campos e que por vós foi retido com fraude está clamando; e os clamores dos ceifeiros penetraram até aos ouvidos do Senhor dos Exércitos. Tendes vivido regaladamente sobre a terra; tendes vivido nos prazeres; tendes engordado o vosso coração, em dia de matança; tendes condenado e matado o justo, sem que ele vos faça resistência. (Tiago 5:1-6)

E essa é uma distinção importante. É paradoxal, mas a riqueza, em si, não é pecado. O pecado ocorre quando ela é adquirida às custas da exploração de outros, ou por meio da injustiça. Mesmo no caso de Isaías 5:8, o contexto mostra que a ira divina é porque o acúmulo de casas acontecia por meio da injustiça, da quebra da Lei de Deus e porque os ricos deleitavam-se em prazeres enquanto os pobres clamavam ao Senhor.

Porque a vinha do SENHOR dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta dileta do SENHOR; este desejou que exercessem juízo, e eis aí quebrantamento da lei; justiça, e eis aí clamor. Ai dos que ajuntam casa a casa, reúnem campo a campo, até que não haja mais lugar, e ficam como únicos moradores no meio da terra! A meus ouvidos disse o SENHOR dos Exércitos: Em verdade, muitas casas ficarão desertas, até as grandes e belas, sem moradores. E dez jeiras de vinha não darão mais do que um bato, e um ômer cheio de semente não dará mais do que um efa. Ai dos que se levantam pela manhã e seguem a bebedice e continuam até alta noite, até que o vinho os esquenta! Liras e harpas, tamboris e flautas e vinho há nos seus banquetes; porém não consideram os feitos do SENHOR, nem olham para as obras das suas mãos. Portanto, o meu povo será levado cativo, por falta de entendimento; os seus nobres terão fome, e a sua multidão se secará de sede. Por isso, a cova aumentou o seu apetite, abriu a sua boca desmesuradamente; para lá desce a glória de Jerusalém, e o seu tumulto, e o seu ruído, e quem nesse meio folgava. Então, a gente se abate, e o homem se avilta; e os olhos dos altivos são humilhados. (Isaías 5:7-15)

desigualdade

Mas alguns podem insinuar que toda a riqueza do mundo é de origem pecaminosa. Apenas enriquece quem explorou indevidamente o trabalho de outros e agiu com injustiça. Isso não é verdade. Em primeiro lugar, porque a Bíblia mostra que a riqueza pode sim ser uma bênção que Deus dá a alguns de Seus filhos. Aliás, há ricos entre os melhores servos que Deus já possuiu.

Eu, a sabedoria, habito com a prudência, e acho o conhecimento dos conselhos. O temor do Senhor é odiar o mal; a soberba e a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu odeio.(…) Riquezas e honra estão comigo; assim como os bens duráveis e a justiça. (Provérbios 5:12,18)

Eis aqui o que eu vi, uma boa e bela coisa: comer e beber, e gozar cada um do bem de todo o seu trabalho, em que trabalhou debaixo do sol, todos os dias de vida que Deus lhe deu, porque esta é a sua porção. E a todo o homem, a quem Deus deu riquezas e bens, e lhe deu poder para delas comer e tomar a sua porção, e gozar do seu trabalho, isto é dom de Deus. Porque não se lembrará muito dos dias da sua vida; porquanto Deus lhe enche de alegria o seu coração. (Eclesiastes 5:18-20)

Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal. Nasceram-lhe sete filhos e três filhas. Possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; era também mui numeroso o pessoal ao seu serviço, de maneira que este homem era o maior de todos os do Oriente. (Jó 1:1-3)

Semeou Isaque naquela terra e, no mesmo ano, recolheu cento por um, porque o SENHOR o abençoava. Enriqueceu-se o homem, prosperou, ficou riquíssimo; possuía ovelhas e bois e grande número de servos, de maneira que os filisteus lhe tinham inveja. (Gênesis 26:12-14)

Contudo, ser rico não é sinal certo de favor divino. Assim como ser pobre não é sinal certo de maldição divina. O próprio Jesus viveu como pobre e disse que os pobres eram bem-aventurados.

Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. (Lucas 9:58)

Não vos falo na forma de mandamento, mas para provar, pela diligência de outros, a sinceridade do vosso amor; pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos. (2 Coríntios 8:8-9)

Então, olhando ele para os seus discípulos, disse-lhes: Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus. Bem-aventurados vós, os que agora tendes fome, porque sereis fartos. Bem-aventurados vós, os que agora chorais, porque haveis de rir.(…) Mas ai de vós, os ricos! Porque tendes a vossa consolação. Ai de vós, os que estais agora fartos! Porque vireis a ter fome. Ai de vós, os que agora rides! Porque haveis de lamentar e chorar. (Lucas 6:20-21, 24-25)

É chocante, mas do ponto de vista bíblico, podemos estar com Cristo sendo ricos ou pobres. Do ponto de vista espiritual, considerando que este mundo é passageiro e que a eternidade é muito maior que nossa vida terrena, ricos e pobres possuem oportunidades para louvar a Deus e fazer o bem. Ambos enfrentam perigos diferentes que podem levá-los ao inferno. A suma de tudo pode ser encontrada em Provérbios:

O rico e o pobre se encontram; a um e a outro faz o SENHOR. (Provérbios 22:2)

Jesus e a desigualdade
Fica claro, portanto, que a pobreza e a riqueza não são, em si, pecados. Jesus é retratado na Bíblia tanto como homem rico como homem pobre. De certa maneira, a Bíblia pronuncia bem-aventuranças e bênçãos tanto para ricos como a pobres. Ambos foram feitos por Deus e estão debaixo do controle do Senhor. O que é condenável é a riqueza construída em cima de pecados, de amor ao dinheiro, de assassinatos, de escravidão, daquilo que é mau e contrário às leis de Deus. Igualmente condenável é a pobreza causada pelo pecado do coração humano, como mostra Provérbios:

Quem ama os prazeres empobrecerá, quem ama o vinho e o azeite jamais enriquecerá. (Provérbios 21:17)

E isso é refletido no ensino de Jesus. O Senhor condena a riqueza iníqua e abençoa os que são pobres, mas Ele não ensina que o reino dos céus é um reino de igualdade absoluta. Ao contrário, em várias parábolas Jesus nos mostra que, mesmo no céu, as recompensas não serão as mesmas para todos:

Quando ele voltou, depois de haver tomado posse do reino, mandou chamar os servos a quem dera o dinheiro, a fim de saber que negócio cada um teria conseguido. Compareceu o primeiro e disse: Senhor, a tua mina rendeu dez. Respondeu-lhe o senhor: Muito bem, servo bom; porque foste fiel no pouco, terás autoridade sobre dez cidades. Veio o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu cinco. A este disse: Terás autoridade sobre cinco cidades. Veio, então, outro, dizendo: Eis aqui, senhor, a tua mina, que eu guardei embrulhada num lenço. Pois tive medo de ti, que és homem rigoroso; tiras o que não puseste e ceifas o que não semeaste. Respondeu-lhe: Servo mau, por tua própria boca te condenarei. Sabias que eu sou homem rigoroso, que tiro o que não pus e ceifo o que não semeei; por que não puseste o meu dinheiro no banco? E, então, na minha vinda, o receberia com juros. E disse aos que o assistiam: Tirai-lhe a mina e dai-a ao que tem as dez. Eles ponderaram: Senhor, ele já tem dez. Pois eu vos declaro: a todo o que tem dar-se-lhe-á; mas ao que não tem, o que tem lhe será tirado. (Lucas 19:15-26)

Pois será como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro, um, a cada um segundo a sua própria capacidade; e, então, partiu.(…) Chegando, por fim, o que recebera um talento, disse: Senhor, sabendo que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste, receoso, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu. Respondeu-lhe, porém, o senhor: Servo mau e negligente, sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei? Cumpria, portanto, que entregasses o meu dinheiro aos banqueiros, e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu. Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem dez. Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.(Mateus 25:14-15, 25-29)

E aqui há um fato incômodo para muitos: em si mesma, a desigualdade não é um problema para Deus. Mesmo quando falamos das coisas espirituais, as recompensas são dadas segundo o fruto do trabalho de cada um. Sim, no céu todos terão o suficiente para a sua felicidade eterna. Mas alguns receberão uma recompensa maior do que outros.

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A lição das parábolas das minas e dos talentos é a de que não importa o ponto de partida inicial. Uns largam na frente (dez talentos), outros mais atrás (um ou dois). O que importa é o que cada um fará com o que recebeu. Pessoas na mesma condição podem produzir mais ou menos (uma mina pode virar dez, cinco ou continuar uma). O julgamento não é feito com base em números absolutos. Claro que o ensino é, principalmente, espiritual. Mas é aplicável a outras áreas da vida.

A solução bíblica
Isso não quer dizer, porém, que a Bíblia não tenha nada a falar sobre a desigualdade na distribuição dos bens. O Antigo Testamento possuía mecanismos de proteção ao pobre e de redistribuição de renda. Claro, temos que tomar dois cuidados ao aplicar esses mecanismos. O primeiro é o de que o verdadeiro significado é sempre espiritual, em primeiro lugar. O segundo é o de que a lei civil de Israel não é mais regra para os dias atuais, embora seus princípios permaneçam.

Em regra, a rede de proteção do Antigo Testamento era a família e o jubileu. Se alguém empobrecesse, cabia a um parente próximo, o “goel”, o resgatador, o papel de ajudar aquela pessoa a se reerguer. O casamento com as viúvas da família e mesmo o pagamento de dívidas deveria ser feito pelo resgatador para ajudar os que empobreciam. O mesmo princípio permanece em pé no Novo Testamento. Se alguém empobreceu, os mais ricos da família devem ajudar essa pessoa a se reerguer:

Se teu irmão empobrecer e vender alguma parte das suas possessões, então, virá o seu resgatador, seu parente, e resgatará o que seu irmão vendeu. (Levítico 25:25)

Se teu irmão empobrecer, e as suas forças decaírem, então, sustentá-lo-ás. Como estrangeiro e peregrino ele viverá contigo. Não receberás dele juros nem ganho; teme, porém, ao teu Deus, para que teu irmão viva contigo. Não lhe darás teu dinheiro com juros, nem lhe darás o teu mantimento por causa de lucro. (Levítico 25:35-37)

Mas, se alguma viúva tem filhos ou netos, que estes aprendam primeiro a exercer piedade para com a própria casa e a recompensar a seus progenitores; pois isto é aceitável diante de Deus.(…) Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente. (1 Timóteo 5:4,8)

O segundo mecanismo de proteção era o Jubileu. Uma vez a cada 50 anos, era proclamado o Ano do Jubileu em Israel. Nesse ano, todas as dívidas eram perdoadas e os que tinham vendido terras as recuperavam. Os hebreus que estavam como escravos eram libertos. Era, de fato, uma redistribuição de renda. O que não contam é que havia, porém, um mecanismo de proteção da renda…dos credores! Deus não se preocupa apenas com os pobres e endividados, Ele também regula o direito de quem compra.

Santificareis o ano qüinquagésimo e proclamareis liberdade na terra a todos os seus moradores; ano de jubileu vos será, e tornareis, cada um à sua possessão, e cada um à sua família. O ano qüinquagésimo vos será jubileu; não semeareis, nem segareis o que nele nascer de si mesmo, nem nele colhereis as uvas das vinhas não podadas. Porque é jubileu, santo será para vós outros; o produto do campo comereis. Neste Ano do Jubileu, tornareis cada um à sua possessão. Quando venderes alguma coisa ao teu próximo ou a comprares da mão do teu próximo, não oprimas teu irmão. Segundo o número dos anos desde o Jubileu, comprarás de teu próximo; e, segundo o número dos anos das messes, ele venderá a ti. Sendo muitos os anos, aumentarás o preço e, sendo poucos, abaixarás o preço; porque ele te vende o número das messes. Não oprimais ao vosso próximo; cada um, porém, tema a seu Deus; porque eu sou o SENHOR, vosso Deus. (Levítico 25:10-17)

De modo diferente, porém, o Jubileu não é mais aplicável nos dias de hoje, como era em Levítico. Se a cada 50 anos as terras devem ser redistribuídas, então a coerência exige que nos abstenhamos de fazer plantios e colheitas em tais anos. Não há ordens para que o Estado faça reformas agrárias forçadas periodicamente no Novo Testamento. O verdadeiro sentido do Jubileu é de que, em Jesus, nossas dívidas com Deus e nossos pecados são perdoados e temos a chance de recomeçar.

Mas há um princípio espiritual no Jubileu que se aplica aos dias de hoje. Ele vive por meio da caridade. Quando perdoamos, voluntariamente, as dívidas de outros, então levamos algo do jubileu até elas. Quando indivíduos partilham os seus bens com outros para suprir a necessidade dos mais pobres, estamos vivendo o jubileu. Quando comunidades em fartura enviam ajuda financeira a comunidades em dificuldades, o jubileu adquire vida em pleno século XXI.

e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; (Mateus 6:12)

Então, as multidões o interrogavam, dizendo: Que havemos, pois, de fazer? Respondeu-lhes: Quem tiver duas túnicas, reparta com quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo. (Lucas 3:10-11)

dá a todo o que te pede; e, se alguém levar o que é teu, não entres em demanda. Como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles. (Lucas 6:30-31)

Porque, se há boa vontade, será aceita conforme o que o homem tem e não segundo o que ele não tem. Porque não é para que os outros tenham alívio, e vós, sobrecarga; mas para que haja igualdade, suprindo a vossa abundância, no presente, a falta daqueles, de modo que a abundância daqueles venha a suprir a vossa falta, e, assim, haja igualdade, como está escrito: O que muito colheu não teve demais; e o que pouco, não teve falta. (2 Coríntios 8:12-15)

Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento; que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir; que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida. (1 Timóteo 6:17-19)

Não precisamos mais de uma lei que nos obrigue a viver o jubileu a cada 50 anos. Podemos vivê-lo todos os dias. Basta praticar a caridade.

A solução comunista
Mas cabe aqui uma última palavra. As soluções bíblicas para a desigualdade material são mandamentos divinos dados a indivíduos. Devemos socorrer os nossos parentes e praticar a caridade com os demais. Os que têm posses podem repartir, voluntariamente, o que tem com os outros. As ofertas devem ser feitas de boa vontade. E cada um responderá, diante de Deus, pela obediência ou desobediência a tais mandamentos.

Contudo, ninguém é obrigado, dentro ou fora da Igreja, a dividir nada! Não há ordens para que o Estado faça, por meio da força, uma partilha involuntária de bens. Aliás…fazer caridade com falsidade é pior do que não fazer, como bem mostra a história de Ananias e Safira, em Atos 5.

Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo? Conservando-o, porventura, não seria teu? E, vendido, não estaria em teu poder? Como, pois, assentaste no coração este desígnio? Não mentiste aos homens, mas a Deus. (Atos 5:3-4)

E aí vemos que não é possível sustentar que o comunismo, que as desapropriações forçadas ou outras medidas de força são respostas biblicamente aceitáveis para diminuir a desigualdade. Se eu me preocupo com a pobreza, cabe a mim lançar mão dos meus bens e fazer o que está ao meu alcance para minorar a miséria de outros. Mas eu não tenho o direito bíblico de lançar mão do que pertence a outro para fazer isso. Não se deve fazer caridade com o chapéu alheio! Isso é roubar!

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Mas o comunismo não viola apenas o oitavo mandamento. Um dos argumentos morais contra a desigualdade é que não é justo que uma pessoa use tênis de marca e outra ande descalça. Que um mal tenha o que comer e outro tenha caviar. Que uma pessoa use calça jeans comprada na feira e outra gaste milhares de dólares em uma calça Diesel. Alguns chegam a legitimar o roubo com base na desigualdade:

Se perguntava como alguém pode usar no braço algo que dá pra comprar várias casas na sua quebrada. Tantas pessoas que conheceu que trabalharam a vida inteira sendo babá de meninos mimados, fazendo a comida deles, cuidando da segurança e limpeza deles e, no final, ficaram velhas, morreram e nunca puderam fazer o mesmo por seus filhos! Estava decidido, iria vender o relógio e ficaria de boa talvez por alguns meses. O cara pra quem venderia poderia usar o relógio e se sentir como o apresentador feliz que sempre está cercado de mulheres seminuas em seu programa. Se o assalto não desse certo, talvez cadeira de rodas, prisão ou caixão, não teria como recorrer ao seguro nem teria segunda chance. O correria decidiu agir. Passou, parou, intimou, levou. No final das contas, todos saíram ganhando, o assaltado ficou com o que tinha de mais valioso, que é sua vida, e o correria ficou com o relógio. Não vejo motivo pra reclamação, afinal, num mundo indefensável, até que o rolo foi justo pra ambas as partes. (Férrez, na Folha de São Paulo)

O problema é que a cobiça também é pecado, independente da circunstância. Ainda que um rico use uma jóia que valha por cem casas minhas, ainda que um homem tenha dez esposas deslumbrantes e apaixonadas e eu não tenha ninguém…nada justifica a cobiça e ela não justifica o roubo. Como está escrito:

Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo. (Êxodo 20:17)

O que fazer, então, se um pobre não consegue meios de sobreviver e o rico, próximo a ele, não divide nada? A resposta é chocante, mas é santa: é melhor morrer sem ter roubado nada do rico e herdar o céu do que ir até lá e roubar, movido pela cobiça. Neste mundo, não há recompensa alguma. Mas, na eternidade, há as recompensas que são prometidas ao mendigo Lázaro na parábola contada por Jesus:

Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se regalava esplendidamente. Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele; e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras. Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado. No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio. Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos. (Lucas 16:19-25)

Você é rico? Ajude seus parentes necessitados e divida suas riquezas com outros. Leve, voluntariamente, o perdão de Jesus aos que estão endividados e carentes. Se não fizer isso, lembre-se que ser condenado por Deus é pior que qualquer tribunal revolucionário marxista. Você é pobre? Espere em Deus e conserve a sua integridade. Ainda há filhos de Deus caridosos neste mundo. E, se tudo falhar, é melhor morrer de fome do que cobiçar e roubar o que é do próximo. Ande com Cristo, e no céu você terá uma eternidade de riquezas.

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Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

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