Jesus: filho de Josafá e de Acabe

Era Jeorão da idade de trinta e dois anos quando começou a reinar e reinou oito anos em Jerusalém. Andou nos caminhos dos reis de Israel, como também fizeram os da casa de Acabe, porque a filha deste era sua mulher; e fez o que era mau perante o SENHOR. Porém o SENHOR não quis destruir a casa de Davi por causa da aliança que com ele fizera, segundo a promessa que lhe havia feito de dar a ele, sempre, uma lâmpada e a seus filhos. (2 Crônicas 21:5-7)
Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.(…)Asa gerou a Josafá; Josafá, a Jorão; Jorão, a Uzias (Mateus 1:1,8)
Quando olhamos para o Brasil, parece que ter uma “ficha limpa” não tem mais nenhuma importância. Basta olhar para os modelos que temos hoje. Políticos corruptos, ladrões de dinheiro público, sabidamente infiéis a suas mulheres e que já provaram a sua incompetência como administradores são eleitos e ocupam papel de destaque no Governo. Casamentos de artistas ou empresários fracassam e a mídia parece glorificar a separação, celebrando o “retorno” de certas pessoas ao “mercado” de relacionamentos. Séries de TV (sim, não são só as novelas), filmes, jogos e, vá lá, novelas, nos ensinam que a verdadeira vida não está na virtude ou na pureza, mas sim na sensualidade, no prazer e nas vantagens que esse mundo oferece. Errar não é mais “algo que acontece”, tornou-se o novo padrão dos dias de hoje.
Seria essa inversão uma novidade do século XXI? Infelizmente, não: momentos como o atual se repetem ao longo da História há milhares de anos. Era isso o que acontecia no reino de Judá, lá pelo século IX antes de Cristo, quando Jeorão tornou-se rei dos judeus. Pior: essa inversão começou no reinado de seu pai, Josafá, um rei que serviu e honrou a Deus.
Pecado e silêncio
Quando Josafá era rei, ele resolveu aliar-se a Acabe, que reinava sobre Israel (nesse tempo, o povo israelita estava dividido em dois reinos: Israel e Judá). Enquanto Josafá era um homem fiel a Deus e tinha uma conduta exemplar, Acabe parecia ser o seu oposto.  Ele era idólatra, corrupto e assassino. A Bíblia nos fala que não houve nenhum rei que se vendeu tanto para fazer o que desagrada ao Senhor como Acabe. E Israel acabou seguindo o exemplo de seu rei. Tornou-se um país cheio de pecados, imoralidades e violência.
Lendo a Bíblia, vemos que Josafá nunca confrontou os pecados de seu amigo Acabe. Embora os profetas do Senhor condenassem e apontassem os pecados de Acabe, Josafá se calou e fez aliança. E essa proximidade com Acabe, aliada ao silêncio de Josafá, permitiram que a corte do reino de Judá passasse a ser influenciada pelo modelo israelita. O encanto chegou ao ápice quando Jeorão, filho de Josafá, casou-se com uma filha de Acabe. Após a morte de Josafá, a inversão de padrões se consolidou. Jeorão não andou mais nos caminhos do seu pai, mas sim nos caminhos de seu sogro. O modelo não era mais o piedoso Josafá, mas sim o pervertido Acabe.
O verdadeiro problema não é a amizade, mas sim o silêncio. Pode até ser que a resposta socialmente correta ao pecado seja o silêncio respeitoso, mas essa não é a resposta bíblica. Proximidade mais silêncio é igual a inversão de valores. Quando nossos amigos são infiéis, ladrões e violentos, e isso não é confrontado, o pecado se torna o modelo. Quando nossos filhos são rebeldes e grosseiros, e não os corrigimos, eles aprendem que a grosseria é a norma. Até dentro do casamento o erro deve ser confrontado, em amor. E, claro, também devemos dar espaço para que os nossos erros sejam também questionados e condenados por quem está ao nosso redor. Caso contrário, o pecado dominará todas as coisas.
Diante do erro, o silêncio não é uma opção.
Tolerância e condenação
Mas nossa sociedade vive uma grande contradição. Ao mesmo tempo em que o erro é colocado como modelo, muitos dos que erram sentem uma culpa insuperável. Há uma preocupação enorme em não mostrar falhas ou fraquezas, em se manter as aparências e esconder fragilidades. Mesmo quando o nosso erro é socialmente aceitável, há vergonha em admiti-lo. E ainda há uma grande hipocrisia social: o erro dos famosos é celebrado, mas quando pessoas comuns fazem o mesmo, há várias pessoas para xingar, agredir e condenar. E isso acontece até em nossas igrejas: o erro do filho adolescente do presbítero é diferente do erro do adolescente que não tem pai na igreja.
Na verdade, o quadro é ainda pior. Para alguns erros, não há redenção. Vivemos em uma sociedade que é, ao mesmo tempo, extremamente tolerante com o pecado, mas que considera que os usuários de drogas pesadas não podem mudar. Uma sociedade que ri de quem confessa ter tido relações sexuais com animais, mas condena para sempre quem confessa ter tido relações homossexuais. Que exalta o homem que se deita com várias mulheres, mas diz que as mulheres que se deitaram com várias homens não merecem casar. A tolerância com o erro não significa uma sociedade mais aberta para o recomeço.
Cristo: redentor de todos os homens
E é nessa hora que precismos olhar para Jesus. Jeorão/Jorão foi listado como um ancestral de Jesus. Por meio do casamento de Jorão com uma filha do rei Acabe, o sangue do pior rei de Israel passou a fazer parte da linhagem humana do homem mais puro, santo e perfeito que já existiu. E por que as coisas foram assim: Porque Jesus está aberto para todos os pecadores.
Ser pai de um grande atleta ou de um heroi é um grande privilégio. Logo, poucos privilégios são maiores do que o de ser antepassado de Cristo, segundo a sua humanidade. E nos surpreendemos quando vemos que a linhagem do Messias não é formada apenas de homens santos que não erram ou erram só um pouquinho. Mesmo grandes pecadores, gente que cometeu erros terríveis e irreversíveis, pessoas que prejudicaram uma nação inteira…mesmo esses receberam tal privilégio. E há um motivo para isso.
Quando o Senhor permitiu que o sangue de Acabe entrasse na genealogia de Jesus, Ele mostrou que todos, sem distinção, podem se relacionar com Cristo. Que todos, sem distinção, podem ter parte em Jesus. Não importa o nosso passado, não importa se nossos erros foram tão grandes que levaram um país inteiro ao desespero, todos nós podemos ser privilegiados em Jesus.
Mostrou também que todos são igualmente carentes de Deus, tanto bons como maus. Josafá foi um bom rei, um bom homem, mas cometeu erros graves. Ele fez alianças erradas, evitava o confronto, aproximou-se do pecado, não condenou o erro e permitiu que a corrupção de Israel influenciasse a Judá. De certa maneira, os erros de Jeorão começaram com os erros de seu pai. Na genealogia de Jesus, Josafá e Jeorão são iguais.
Todavia, isso não significa que Acabe ou Jeorão tenham sido salvos. O parentesco não salva, o que salva é a nossa fé no Senhor, que se traduzirá em uma vida transformada. Ter parte em Jesus não é apenas lançar sobre Ele o nosso pecado e a nossa fraqueza humana. Ter parte em Jesus também é receber a vida dele dentro de nós. É deixar que o sangue dele nos purifique de todo pecado. Como está escrito:
Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado. (1 João 1:7)
Falava ainda Jesus ao povo, e eis que sua mãe e seus irmãos estavam do lado de fora, procurando falar-lhe. E alguém lhe disse: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem falar-te.Porém ele respondeu ao que lhe trouxera o aviso: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? E, estendendo a mão para os discípulos, disse: Eis minha mãe e meus irmãos.Porque qualquer que fizer a vontade de meu Pai celeste, esse é meu irmão, irmã e mãe. (Mateus 12:47-50)
Pela fé em Cristo, eu e você, por piores que sejamos, podemos entrar na genealogia de Jesus. Se formos discípulos de Cristo, se nos entregarmos a Ele, se deixarmos que Jesus seja o Senhor, o Dono, o Chefe Supremo de nossa vida, então seremos mães, irmãos e irmãs do Senhor. Se deixarmos o erro para trás e crermos que Ele nos dá o perdão que a nossa sociedade não dá, aí então nossas vidas serão transformadas.
Graça e paz do Senhor,
Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro
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