Teoria carismática e prática cessacionista

Segui o amor e procurai, com zelo, os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis. (1 Coríntios 14:1)

Uma das marcas do pós-modernismo é a incoerência entre aquilo que fazemos e o que dizemos defender. Há, por exemplo, quem critique os grandes conglomerados capitalistas, mas fica louco pelo último iPad. Gente que defende que todos os pontos de vista (até os loucos) são válidos, mas não tolere quando um cristão fale que ele não pensa assim. Homem que pega todas na balada, mas morre se “a mulher dele” sair com outro.
E os cristãos não são exceção à regra. O católico que acredita em reencarnação, o protestante que não lê a Bíblia, mas acha o máximo “A Cabana”, o carismático que diz acreditar nos dons mas acha normal que ninguém ore em línguas, profetize, cure…todos eles são incoerentes.
Sim, como é que é? É isso mesmo. Atualmente, nas igrejas históricas, a maioria das pessoas diz acreditar que ainda são válidos nos dias de hoje dons como os de profecia, cura, milagres e línguas. No entanto, essas mesmas pessoas não veem problema algum com o fato de que estes dons não aparecem em suas igrejas. Quando analisamos o seu discurso, dizemos que são carismáticas (pessoas que creem na contemporaneidade dos dons “extraordinários” do Espírito Santo). Mas, na prática, vivem como cessacionistas (pessoas que creem que os dons “extraordinários” cessaram e não são mais dados nos dias de hoje).
Mas, de que adianta dizermos que acreditamos em algo, se essa crença não tem impacto nenhum em nossa vida?
Os dons devem ser buscados
A grande verdade é que o “cessacionista prático” não acha que os dons do Espírito são algo importante, que diga respeito à vida da Igreja. Por esta razão ele não estuda o assunto, não se incomoda por não vê-los, acostuma-se com a ausência deles e não os busca.
Entretanto, a visão bíblica sobre o assunto é bem diferente. No versículo que abre este post, a Bíblia ordena que os dons sejam buscados, principalmente o de profecia. Ora, um cessacionista autêntico pode até pensar em ignorar o versículo (embora não tenha o direito de fazê-lo), mas quem afirma acreditar nos dons, como pode ignorar a ordem bíblica de buscar o dom de profecia?
Muitas vezes a grande razão pela qual certas manifestações espirituais nunca aconteçam em igrejas tradicionais (presbiterianas da Igreja Presbiteriana do Brasil, batistas da Convenção Batista Brasileira, luteranas, anglicana…) é porque ninguém busca estes dons! Como o mandamento é ignorado, o dom não é concedido.
Os pastores se contentam em dizer, a boca miúda, que tais dons existem, mas não pregam sobre eles. Os fiéis nem sabem que há ordens para buscar os dons. Não sabem como fazer isso. Ninguém marca uma reunião de oração com o objetivo específico de buscar pelos dons ausentes na igreja local.
E engana-se quem pensa que é só um versículo. Na verdade, a busca dos dons (incluindo os extraordinários) é uma ordem-chave para 1 Coríntios:

Entretanto, procurai com zelo os melhores dons. (1 Coríntios 12:31)

Portanto, meus irmãos, procurai com zelo o dom de profetizar e não proibais o falar em outras línguas. (1 Coríntios 14:39)

Logo, se na sua igreja ninguém busca o dom de profecia…se isso não é algo que vocês levam na presença do Senhor…lamento, mas a sua igreja está pecando.
A ignorância é errada
E por que as igrejas históricas não ensinam sobre os dons? Uma explicação (a mais fraca) é a ignorância sobre o assunto. Como pregar sobre coisas que os pastores e professores nunca viram na vida?
Só que o desconhecimento prático não é desculpa. Uma das razões pelas quais Paulo escreveu 1 Coríntios era exatamente dar instruções sobre os dons do Espírito. A igreja de Corinto (e todas as outras) precisam de instruções claras sobre o assunto.

A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes. (1 Coríntios 12:1)

Daí em diante Paulo fala muita coisa sobre o assunto. Explica quem dá os dons, dá exemplos deles, fala de como eles se articulam no corpo, alerta que o amor é necessário, define o que é profecia e como ela se relaciona com o dom de línguas, explica o funcionamento e dá instruções aos que oram em línguas e diz como diferentes dons extraordinários são usados no culto. E aind há outros textos em suas cartas que falam dos dons.
Mesmo que uma igreja nunca tenha presenciado tais manifestações, ela deve estudar o assunto. Se o pastor não quer fazer isso, nada impede que irmãos piedosos se reúnam para orar, ler a Bíblia e estudar os dons. Se os coríntios não deveriam ignorar os dons, por que os presbiterianos ou batistas deveriam fazê-lo?
Todos os dons são necessários
Mas há uma outra razão, mais forte, pela qual os pastores de igrejas históricas não pregam sobre os dons “extraordinários”. Eles não querem dividir suas igrejas. Acreditam piamente que se este assunto for trazido à tona, o resultado será prejudicial ao Corpo de Cristo.
O que estes pastores não percebem é que o silêncio deles sobre o assunto é que prejudica o Corpo. Na prática, eles estão dizendo a uma parte significativa da Igreja que ela é desnecessária. Quando mestres e pastores dizem a profetas e pessoas que oram em línguas que elas são desnecessárias ou heréticas, na prática, eles fazem o mesmo que a Bíblia condena em 1 Coríntios 12:14-23.

Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se disser o pé: Porque não sou mão, não sou do corpo; nem por isso deixa de ser do corpo. Se o ouvido disser: Porque não sou olho, não sou do corpo; nem por isso deixa de o ser. Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde, o olfato? Mas Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve. Se todos, porém, fossem um só membro, onde estaria o corpo? O certo é que há muitos membros, mas um só corpo. Não podem os olhos dizer à mão: Não precisamos de ti; nem ainda a cabeça, aos pés: Não preciso de vós. Pelo contrário, os membros do corpo que parecem ser mais fracos são necessários; e os que nos parecem menos dignos no corpo, a estes damos muito maior honra; também os que em nós não são decorosos revestimos de especial honra. (1 Coríntios 12:14-23)

Todos os dons são necessários ao Corpo de Cristo! Ora, os “cessacionistas práticos” deveriam pensar nisso! Se eles dizem acreditar que ainda hoje há o dom de discernir espíritos e de fazer milagres…e estes dons não existem em suas igrejas ou em suas denominações…há algo errado! Assim como o corpo precisa da mão ou do pé, a Igreja também precisa de profetas, intercessores em línguas, operadores de milagres, discernidores de espírito, entre outros.
Quando os cessacionistas autênticos expulsam das igrejas os que têm dons extraordinários, ou quando os “práticos” não se incomodam com isso, a cooperação da Igreja é rompida. E aí nós não alcançamos um dos objetivos de Deus em dar à Igreja tantos dons e ministérios diferentes:

Mas os nossos membros nobres não têm necessidade disso. Contudo, Deus coordenou o corpo, concedendo muito mais honra àquilo que menos tinha, para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros. (1 Coríntios 12:24-25)

Nós não deveríamos ignorar ou perseguir ministérios que o próprio Senhor instituiu na Igreja. Antes, nós deveríamos cooperar juntos, um em favor do outro. É uma pena que não seja assim.
Se você acredita no cessacionismo, deixo minha palavra: arrependa-se! O cessacionismo fere a unidade do Corpo, produz ignorância quanto aos dons e quebra o mandamento bíblico de buscar dons como os de profecia. Não é um mau menor, mas sim uma crença destrutiva para os discípulos de Jesus.
Se você diz acreditar nos dons, mas vive como um cessacionista, também digo: arrependa-se! Seu comodismo é a razão pela qual os pentecostais possuem os dons extraordinários do Espírito e você não os vê em sua igreja! Procure conhecer o assunto, leia a Bíblia, ore, busque e descubra como estes dons podem ser maravilhosos para a igreja.
Aos históricos, deixo um breve testemunho. Quando somos “cessacionistas práticos”, somos como cegos que jamais viram a luz. Nos viramos bem e achamos que a luz não é mesmo necessária. Mas, se Deus restaura a nossa visão e começamos a enxergar, vemos como olhos bons nos faziam falta. Acontece o mesmo quanto aos dons extraordinários. Hoje você acha que vive bem sem eles. Mas, uma vez que Deus use irmãos com estes dons em sua vida, você não conseguirá mais abrir mão destes ministérios.
Louvado seja o Senhor, que enche a Sua igreja de poder e ministérios, por meio do Seu Espírito Santo!
Graça e paz do Senhor,
Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro
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23 thoughts on “Teoria carismática e prática cessacionista

  1. Mas o que seriam esses Dons de Linguas e o dons de profecias?

    Não creio que a bagunça que vemos nas igrejas neopentecostais seja o dom de linguas descrito na biblia.

    Não creio que as profecias que eu já vi: “Você vai ser uma benção na igreja”,

    “Você vai encontra a mulher da sua vida somente no ano que vem”

    O que seria o dom de profetizar e o dom de linguas?? Eu não sei e ngm me responde com convicção =/

    Abraço!

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  2. Renan,

    Acho que uma boa leitura de Atos dos Apóstolos e de 1 Coríntios 12-14 responde.

    O dom de línguas é a capacidade de orar (1 Co 14:14) ou falar (1 Co 12:30), no Espírito, em uma língua desconhecida de quem ora e dos demais. Sem o dom de interpretação, a oração é incompreensível tanto para quem ouve como para quem fala (1 Co 14:13-14). A oração em línguas é uma oração do espírito, e não da mente (1 Co 14:14). Quando interpretada, a oração em línguas tem valor idêntico à profecia (1 Co 14:5).

    O dom de profecia é quando Deus fala por meio do ser humano. É também chamada de revelação (1 Co 14:29-31) e é distinta do ensino e da pregação (1 Co 14:26). É basicamente uma fala que edifica, exorta e consola (1 Co 14:3), mas também pode revelar segredos do coração (1 Co 14:24-25) ou preditiva (At 11:27-30).

    Eu já vi tanto uma coisa como a outra acontecer em igrejas pentecostais e na minha experiência pessoal.

    Espero ter trazido um pouco de luz sobre o assunto.

    Graça e paz do Senhor,

    Helder Nozima
    Barro nas mãos do Oleiro

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  3. Poderia também justificar melhor qual seria a utilizado para o corpo de Cristo de profecias feitas em línguas não interpretadas??

    Por fim, é possível que alguns “que acham que essa luz não é mesmo necessária” tenham um melhor testemunho e também um relacionamento mais íntimo com Deus do que outros que vivenciam essas experiências??

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  4. Barrabás,

    Depois eu respondo a do erro do profeta. Sobre as línguas não interpretadas, elas edificam só o que ora. Então, se não há intérprete, o crente deve orar em silêncio, só ele e Deus, e ele é edificado em sua oração individual, como Paulo ensina em 1 Co 12-14.

    E sim, pode ser que cessacionistas estejam mais próximos de Deus do que carismáticos. Ter o dom não é prova de ortodoxia (vide Gálatas) ou de santidade (vide os coríntios, que tinham todos os dons e eram carnais).

    Graça e paz do Senhor,

    Helder Nozima
    Barro nas mãos do Oleiro

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  5. Helder, obrigado por responder!

    Mas eu insisto.. rs

    No caso do que fala em línguas sozinho, que de forma essa pessoa é edificada?? Em que sentido??

    Sobre o “testemunho” ou relacionamento com Deus, é possível se dizer que alguns (cessacionistas) não precisem de manifestações para “atestar” a fé, enquanto que para outros (alguns carismáticos) isso é essencial??
    Será que essa “luz” para alguns é necessária e para outros não, já que conseguem viver “de bem com Deus” sem ela??

    E sobre profecias, eu sou da linha do Lutero, concordo plenamente com aquela “aliança” que ele fez..

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  6. Eu tenho um problema mto grande em aceitar que aquilo q se vê nas igrejas neopentecostais são de fato do dom de linguas…
    Talvez um ou outro por lá realmente tenha o dom, mas o que se vê é uma bagunça generalizada, enquanto a biblia diz que as coisas devem ser feitas com decencia e ordem.

    Mas o seu texto é interessante, e nos desperta pra orar pelos dons.

    Abraço

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  7. Helder,

    tenho que dizer… PERFEITO! Estar inserido num contexto onde os dons não são buscados, não são incentivados e pior, não são respeitados é no mínimo desmotivador. E importante: SÓ ALGUÉM QUE CONHECE NO ESPÍRITO O QUE SÃO ESSES DONS É CAPAZ DE FALAR DELES COM PROPRIEDADE.

    A oração em línguas é uma bênção, mas só é capaz de entender e receber as bênçãos advindas desse dom aquele que realmente o tem e faz uso dele. O mesmo acontece com as profecias e as revelações.

    Lendo os comentários não posso deixar de dizer que a idéia de ordem e decência no culto acaba sendo um pouco pessoal e ligada à forma como a Bíblia é interpretada (mas não quero polemizar, não estou tentando convencer ninguém de absolutamente nada, estou apenas expressando minha opinião). O que eu percebo é que muitas vezes tentamos transformar em doutrina coisas desnecessárias e deixamos de viver a verdadeira doutrina de Cristo.

    Mas voltando ao cerne do texto, eu creio que o evangelho é o poder de Deus e o poder de Deus é evangelho! Poder não somente para salvação, mas também para cura, libertação e vivificação da igreja como corpo de Cristo. Se os dons espirituais não fossem necessários à saúde do corpo, não estariam descritos nas escrituras com tanto destaque quanto os dos que costumo denominar como de serviço (apesar de todos serem usados para servir).

    O que eu vejo e vivo em igrejas pentecostais e neopentecostais é que não há misticismo em cima desses dons. Eles simplesmente podem ser usados de maneira livre, assim como o dom de ensinar, de pregar, de contribuir… Eu já tive o privilégio de ser usada como instrumento nas mãos de Deus tanto para ensinar como para curar. E ninguém me trata como semi-deus porque ensino ou porque pessoas foram curadas através da minha imposição de mãos. O poder é de Deus!

    A minha experiência pessoal (a minha, não é uma regra e nem muito menos uma lei, é MEU TESTEMUNHO PESSOAL) é que a oração em línguas de forma prática ativou meus sentidos espirituais e eu hoje tenho uma melhor compreensão da Palavra, uma oração muitíssimo mais eficaz e meu relacionamento com Deus deu um “up”, mudando a minha história como pessoa, como filha, como irmã e como instrumento! Onde eu era fraca, hoje sou forte porque a Palavra de Deus tem se tornado muito mais eficaz em minha vida depois que o meu relacionamento com Deus mudou! E a manifestação do dom de línguas em minha vida foi um divisor de águas nisso tudo! A vida de Deus por meio dessa linguagem sobrenatural vem sendo gerada em mim com muito mais força!

    Enfim, acho que se enxergarmos todos os dons como necessários à saúde do corpo conforme está sendo proposto no texto e conforme diz a Escritura, a igreja “só tem a ganhar”!

    E mais uma vez, Helder Nozima, flecha nas mãos do arqueiro! 😀

    E se alguém tiver interesse: http://www.ouvirecrer.com.br/component/jomtube/video/99-fundamentos-da-vida-no-espisrito

    Vale a pena ouvir essa palavra. Retenha o que é bom e seja edificado!

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  8. Barrabás,

    Eu acredito que o profeta do NT pode sim errar, assim como o mestre erra. Acho que essa possibilidade é implícita em 1 Coríntios 14:29, quando diz que a profecia deve ser julgada. Se o verdadeiro profeta é infalível (como a maioria das pessoas pensa) não haveria necessidade de examinar a profecia de alguém reconhecido como tal.

    Há ainda dois textos que são ignorados por quem não conhece o dom de profecia. Um é 1 Reis 13. O profeta velho profetiza falsamente (e de modo intencional), e logo depois é usado para profetizar e é o tempo todo honrado como profeta, mesmo em 2 Reis 23:18. E aí, porque a Bíblia trata um profeta que errou dolosamente…como profeta?

    O segundo texto é 1 Samuel 3:1-14. Quem não vive o dom de profecia acha que o profeta entende claramente a voz de Deus. Mas Samuel não entendeu, ele precisou aprender a ouvir essa voz com Eli.

    Graça e paz do Senhor,

    Helder Nozima
    Barro nas mãos do Oleiro

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  9. Barrabás,

    Acho que você está pondo palavras que não foram ditas, nem por mim e nem pela maioria dos carismáticos e pentecostais.

    Se por “luz” você se refere à salvação, os milagres e dons não são necessários, embora possam sim ser úteis. Eu sou carismático, mas fui salvo sem ter que ver nenhum milagre ou manifestação divina.

    Nenhum carismático/pentecostal/neopentecostal sério, como eu, Wayne Grudem, Mark Driscoll, Ciro Zibordi, Geremias do Couto e outros afirma que os milagres são necessários para “atestar a fé”.

    Quanto a questão de “viver de bem com Deus sem luz”, bem, aí eu volto para o meu post. Cessacionistas se orgulham de ter a Escritura, mas é ela mesma quem ensina:

    1) A contemporaneidade dos dons extraordinários;
    2) Que eles são úteis ao Corpo;
    3) Que eles devem ser buscados;
    4) Que eles não devem ser proibidos.

    Logo, pergunto eu:

    Como pessoas tão comprometidas com a Palavra se acham no direito de dispensar o que ela diz e fazer o contrário do que ela ordena?

    Estranho como nenhum cessacionista responde às minhas perguntas, neste e em outros posts.

    E a pergunta acima refuta a “aliança” de Lutero também.

    Graça e paz do Senhor,

    Helder Nozima
    Barro nas mãos do Oleiro

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  10. Renan,

    Concordo que muito do que acontece por aí não é, de fato, nem o verdadeiro dom de línguas nem profecia. Mas…em Corinto as pessoas também usavam erradamente o dom, com desordem e indecência. Não confunda “uso errado” com “dom falso”. Há falsificação do dom, mas também há muito “uso errado”. E “ordem e decência”, “doutrina correta” ou “vida imaculada” não são condições para Deus dar dons. Se fossem, esses dons não seriam dados aos coríntios, mas eles os tinham.

    Mais uma coisa. Não podemos “argumentar com a experiência”. Ainda que nossas experiências com dons extraordinários seja terrível, se a Bíblia diz que eles existem e devem ser buscados, então o assunto morreu! Cabe a nós orarmos, com fé de que Deus nos dará estes dons e nos mostrará como usá-los corretamente.

    Graça e paz do Senhor,

    Helder Nozima
    Barro nas mãos do Oleiro

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  11. Larissa,

    Obrigado pela visita, pelo comentário e por dividir um pouco da sua experiência pessoal.

    Graça e paz do Senhor,

    Helder Nozima
    Barro nas mãos do Oleiro

    P.S: Mas também gosto de ser flecha nas mãos do arqueiro, rs.

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  12. Helder,

    Se a bíblia diz que conhecemos a árvore pelos frutos, por que eu devo considerar “profeta” alguém que revela uma “profecia” falha??

    Se é um dom do E.S., como pode esta pessoa errar?? Se vem de Deus, como pode não se cumprir?? E se ela é mesmo usada e tem esse dom, como Deus pode deixar que ela erre e dê mau-testemunho??

    O julgamento da profecia citado no texto é importantíssimo mesmo, mas a meu ver aqueles que erram devem ser então desmascarados, ou a idéia de “falsos-profetas” não existe..

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  13. Barrabás,

    A questão é que você a profecia como um dom especial, infalível, e não é bem assim. Todos falham, como, por exemplo, os mestres.

    Além de “falsos profetas”, há “falsos mestres” (2 Pedro 2:1). Contudo, há mestres ótimos que erram. Por exemplo, John Piper e Augustus Nicodemus não podem estar, ao mesmo tempo, certos quanto ao batismo. Um dos dois está errado. Isso significa que o errado é um falso mestre? De jeito nenhum.

    Com profetas é a mesma coisa. Claro, um profeta que vive errando não é profeta. Ele precisa ter uma grande margem de acerto. Mas os frutos de que Jesus fala em Mateus 7:15-23 estão muito mais ligados a uma vida de obediência do que a “acerto em predições”. Até porque a predição é um aspecto da profecia, que pode ser também edificação, consolo e exortação.

    E nós hoje julgamos com um rigor maior do que o próprio pessoal do AT. Pergunto de novo: como você explica o tratamento bíblico dado ao profeta velho de Samaria?

    Lembro ainda que muitas das profecias de Isaías, Jeremias ou Ezequiel não tinham como ser testadas em seus dias. E, mesmo havendo várias profecias cujo cumprimento era incerto, eles foram recebidos e aceitos como profetas.

    Acho que hoje nós somos “mais realistas que o rei” quando lidamos com a profecia neotestamentária.

    Graça e paz do Senhor,

    Helder Nozima
    Barro nas mãos do Oleiro

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  14. Olá Rev. Elder Nozima, graça e paz!

    Fico surpreso em ver um pastor presbiteriano dizendo essas palavras. O senhor esta de parabéns! Realmente é muito dificil fazer um “cessacionista militante” entender as realidades vividas por nós. Eu fui pentecostal por 11 anos e agora sou reformado. Realmente agora estou sendo um cristão completo (reforma e carísma).

    Um abraço a todos!

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  15. Helder, a comparação entre divergência entre “mestres” e “profetas” não cabe..

    Os “mestres” tem as Escrituras como base, portanto a interpretação cabe a eles com o auxílio do E.S., portanto não é algo puramente sobrenatural.
    Já no caso da profecia, se a única utilidade dela é trazer um recado de Deus, como a pessoa usada para isso pode simplesmente errar.. Se receber uma revelação é algo sobrenatural, como pode haver falha nisso??

    Sobre o caso do profeta do AT, eu precisaria estudar melhor o contexto, aí trago uma resposta mais coesa..

    Quando eu falei da “luz”, falei no sentido que foi usado no texto original desta postagem, e me coloco na posição de “cessacionista prático”, mesmo não descrendo desse tipo de manifestações..

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  16. Helder,
    como vc interpreta a Confissão de Fé de Westminter 1:1 “tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo”??
    Como ministros presbiterianos subscrevemos essa confissão, eu tenho minha opinião, mas gostaria de saber a suas.

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  17. Vandim,

    Entendo que a grande preocupação da CFW é evitar o cânon aberto, posição com a qual concordo. Mas acho que 1:1 favorece sim (e muito) uma leitura cessacionista.

    Subscrevo a CFW como uma confissão fiel, talvez a melhor individualmente(porque acho as 3 Formas de União um parâmetro melhor), mas não como perfeita.

    Graça e paz do Senhor,

    Helder Nozima
    Barro nas mãos do Oleiro

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  18. Obrigado pela resposta,
    é que os presbiterianos carismáticos, especialmente ministros, são sempre confrontados com essa questão.
    O negocio é que rola muita parcialidade nesse negocio de subscrição. Existem muitos outros assuntos controversos na CFW: salmodia exclusiva (21:5), sabatização do domingo (21:7-8) e identificação do reino com a igreja visível (25:2).

    Mas normalmente sobra pra os não-cessacionistas.

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  19. Post nota 10, assim como o testemunho da Larissa.
    Bom saber que o pastor é de Brasília, gostaria de ouvir seus sermões.

    Eu cresci num lar pentencostal, meu pai, meu irmão também é pastor. Eu creio na necessidade da busca dos dons espirituais. Nos últimos anos comecei de fato a estudar a Bíblia e tive contato com as doutrinas reformadas. Primeiro estágio que tive foi a da negação, e um posterior abismamento de como não é possivel negar pela luz da palavra. Assim como não consigo negar a experiencia que tenho com Espiríto Santo!

    Com essa minha mudança em relação as doutrinas reformadas eu também mudei de igreja, pois onde eu estava a exposição bíblica ou era inexistente ou rasa.
    Fui para uma igreja que não é carismatica.

    A minha pergunta para os irmãos é: estou errado em mudar para uma igreja que não busca os dons espirituais, sendo que eu acredito que deve-se buscar?

    Graça e paz,

    FG

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  20. Grangeiro,

    O ideal é juntar as duas coisas: teologia reformada e os dons. Há igrejas que, embora não sejam pentecostais, buscam os dons ou permitem que eles sejam buscados. Talvez seja uma opção.

    Eu optei por uma igreja reformada, tanto que sou pastor presbiteriano. Mas acho que o melhor mesmo é orar e perguntar a Deus onde você deve ficar e o que você pode fazer lá para melhorar a igreja.

    Graça e paz do Senhor,

    Helder Nozima
    Barro nas mãos do Oleiro

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  21. Creio ser mais fácil ser carismático em um ambiente que tende a se reformar a um reformado sê-lo em um ambiente pentecostal.

    Eu particularmente não acredito que simples balbuciar de palavras entre os pentecostais seja o dom de línguas como assim querem que se interpretem. Acredito, como muitos já disseram, que tal fenômeno não passa de transe extático causando por pressão psicológica do ambiente. Tal fenômeno acontece em culturas nada cristãs como de cunho xamanista. Curioso é que nesse meio busca-se muito o tal dom mas nunca a sua interpretação como foi recomendado por São Paulo.

    Uma coisa mais intrigante é que todo evangélico é identificado com eles. Geralmente sabemos das coisas que diferencias dos reformados; todos eles ignoram tal coisa e quando dizem saber são apenas ideias preconceituosas a respeito das outras doutrinas.

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  22. Amados irmão,

    É interessante termos cuidado com o que falamos e como colocamos nossas palavras, pois, certamente, hemos de dar conta por todas elas.

    Em relação ao dom de línguas, é incontroverso que funciona como evidência física e audível do batismo no Espírito Santo (vide Atos 19:6, Atos 2), que ocorreu por imposição de mãos ou pela reunião em oração. É também certo afirmar que em Samaria (Atos 8:9-25) ocorreu a descida do Espírito Santo, pois SOMENTE HAVIAM SIDO BATIZADOS EM NOME DO SENHOR JESUS.

    A vinda do Espírito Santo era inevitável (Joel 2:28, Isaías 44:3). João Batista falou sobre ele. Jesus Cristo prometeu e enviou o Conselheiro, o Espírito Santo da Verdade, da Promessa. Jesus Cristo soprou sobre os discípulos para que recebessem o Espírito.

    Sendo uma evidência audível do batismo as línguas estranhas, em Atos 2 vê-se uma manifestação clara que se tratava de idiomas diversos. Em Atos 19:6, falaram línguas e profetizaram. Em I CO 14:2, vemos que quem fala línguas edifica a si mesmo, se não há interpretação. Duvido muito que o E.Santo tenha mudado e não se manifeste mais por meio de línguas. Paulo orientou que não fôssemos ignorantes. Ninguém afirmou que deveria ser obrigatoriamente um idioma! Não há lugar nenhum que afirme que esse dom acabou! O próprio profeta Isaías profetizou a respeito dele(Is. 28:11)!

    Usar o termo 'balbuciar' para se referir aos dons do E. Santo, julgando, dessa forma, os pentecostais como farsantes, poderia até mesmo ser considerado uma blasfêmia! Normalmente, os incrédulos vão até mesmo compará-los com'xamã' ou transe extático, só porque não crêem! Que grave! Está escrito: “se creres, verás a Glória de Deus”. Querem condicionar o Espírito Santo ao que acham, pensam e ao que poderia ser só para ser algo mais plausível a compreensão humana? Ele foi e sempre será, independentemente do que acreditam ao Seu respeito. Cuidado! A forma de agir não é a nossa, se Deus usou até jumenta pra falar…

    Batismo significa “megulho” grosso modo. Seria uma imersão no Espírito, um revestimento, uma virtude, mas, sobretudo, Dom de Deus.

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