A glorificação do pecado

E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes, cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais, insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia. Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem. (Romanos 1:28-32)

A nova febre cinematográfica do Brasil é o filme “Bruna Surfistinha”. Logo no fim de semana de estreia, quase 400 mil pessoas assistiram ao filme, mais do que os espectadores do filme de outro fenômeno de mídia, o cantor Justin Bieber. A história se baseia no livro “O Doce Veneno do Escorpião”, escrito por Raquel Pacheco, uma ex-garota de programa  que usava o apelido de “Bruna Surfistinha” e que ficou famosa após publicar suas histórias na Internet.
O que provoca tanto sucesso? Alguns diriam que se trata de uma boa história. Afinal, quem não se interessaria em conhecer “a vida real de uma prostituta” que tinha tudo na vida e resolveu “cair na vida”? Por que? Será que é bom? O brasileiro já sente uma curiosidade enorme em relação à sexualidade. Com esses ingredientes então…a história é irresistível.
Doce veneno?
Por outro lado…essa é uma história em que não há verdadeiro arrependimento. Um passado que, em outros tempos, seria escondido e tratado como algo vergonhoso, hoje é exibido na Internet e vira filme! O pecado que deveria trazer vergonha acaba trazendo fama e dinheiro.
A rejeição a Deus
Para muitos, isso pode ser um bom sinal: de que o Brasil estaria deixando de ser uma sociedade conservadora e hipócrita para se revelar um país mais aberto e tolerante. Seria um avanço. De fato, o filme mostra um país que avança sim, mas em uma direção cada vez mais distante do Senhor.
E aqui é útil voltarmos para o primeiro capítulo da carta aos Romanos, o livro onde Paulo expõe e defende a justificação pela fé. O apóstolo começa a sua argumentação expondo a culpa universal dos seres humanos. Ao contrário do que pensamos, Deus tem dado testemunho de Sua existência e bondade por meio da criação. Contudo, os homens escolheram ignorar isso e fizeram deuses segundo à sua imagem e semelhança. Em outras palavras, rejeitaram ao Senhor.
Hoje não é diferente. Intuitivamente sabemos que a prostituição é algo moralmente reprovável. É quase o auge da mercantilização, abaixo apenas da escravidão humana, pois se trata do comércio da sexualidade e da intimidade. Por mais que seja algo consentido, a prostituta (ou o garoto de programa) se coloca como um objeto, e não como um sujeito. Independente da cultura é algo que degrada a imagem de Deus.
Mas este conhecimento é rejeitado. O mundo não quer saber o que Deus acha da prostituição…e de outros pecados também. A ignorância não é uma catástrofe, é uma escolha. A história de uma garota que tinha tudo e resolveu se prostituir desperta mais interesse do que a de um Deus que enviou seu Filho para morrer em uma cruz e nos chama para vivermos um amor cristão, fiel e monogâmico.
Uma disposição mental reprovável
A consequência deste abandono é uma mente caída. Quando desprezamos o conhecimento de Deus, desprezamos Aquele que é a fonte de tudo o que é bom, como está escrito:

Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança. (Tiago 1:17)

E o resultado não pode ser bom. Desprezar ao Senhor é pior que ignorar o conselho da mãe ou a receita do médico. É mais louco do que beber até cair e pegar o carro para dirigir. Entorpece mais do que as pedras do crack. Cega mais do que olhar o eclipse do Sol sem óculos de proteção.
É impressionante como o Brasil não consegue enxergar os efeitos nocivos de se deixar os caminhos de Deus. Se famílias estruturadas são aquelas onde pai e mãe se amam e representam bem seus papeis de homem e mulher…por que estimular a desagregação dessa família em nome do prazer? Se o egoísmo é condenável, porque incentivar um egoísmo onde alguns pagam para usar os outros, muitas vezes machucando os sentimentos de cônjuges e filhos só por orgasmos? Será que ninguém vê que nada de útil ou de proveitoso pode brotar disso?
Contudo não faltará quem defenda o pecado e o considere algo bom. Qual o problema em procurar uma prostituta ou ter uma vida sexual promíscua? A ideia de fidelidade é careta e ultrapassada, um reclaque idiota criado por cristãos. É mesmo? Deve ser por isso então que metade dos homens de São Paulo têm HPV. E este vírus não causa só câncer de colo de útero, causa também câncer de pênis! Isso sem falar nas outras doenças sexualmente transmissíveis, nos casamentos desfeitos, nas traições e seus efeitos psicológicos, na insegurança de crianças que não veem seus pais juntos e nos adolescentes e jovens que não conseguem ficar juntos porque não tiveram modelos para ensinar o que era um relacionamento saudável!
Sinceramente, defender o pecado não é uma questão de escolha: é a evidência de uma mente reprovável.
A glorificação do pecado
E, quando o certo é deixado de lado e a mente valoriza o erro, o resultado é um só: a glorificação do pecado. Aquilo que é condenável passa a ser praticado, mesmo com a ameaça da punição divina (ou humana). E como ninguém quer errar sozinho, há todo um incentivo para que outras pessoas cometam os mesmos erros que nós.
Esta é a explicação para a famosa “pressão de grupo” dos adolescentes. Eles sabem, por exemplo, que usar drogas ou se arriscar em uma fornicação é algo errado, que pode causar prejuízos à saúde, gravidez indesejada e/ou uma surra dos pais. Sabem que o certo é esperar, mas não se importam: acham que é melhor fumar um baseado ou dar uma rapidinha do que fazer aquilo que é mais sábio. E, para se protegerem, incentivam os amigos a fazerem o mesmo.
Só que este comportamento não é exclusividade de adolescentes, é uma marca que transcende as culturas. Hoje o Brasil está cheio de adúlteros e fornicadores, entre outros pecados. São pessoas que não querem enxergar a maldade de seus atos e buscam argumentos e justificativas para iludirem suas mentes. Sabem que estão errados, mas estimulam os outros a caírem no mesmo erro. E chegam a ganhar dinheiro com isso.
É o que acontece com o sucesso do filme “Bruna Surfistinha”, mas também com as novelas, a promiscuidade e a glorificação do homossexualismo em reality shows e as reportagens sobre o Carnaval. Tudo isso são tentativas de mostrar aprovação a pecados que são condenáveis, de inverter a forma certa de se enxergar as coisas, de convencer o mundo de que o mau é bom e o bom é mau.
Soli Deo Gloria
Só há uma forma de reverter isso: voltando-se para Deus. Nós precisamos reconhecer, todos nós, que somos incapazes de saber o que é certo e errado. Precisamos confessar que rejeitamos o conhecimento de Deus e devemos ir atrás d’Ele, buscando conhecê-Lo e aprendendo o que Ele quer nos ensinar. Precisamos entender que a nossa vida depende do conhecimento de Deus. Como disse o próprio Jesus:

E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. (João 17:3)

Mas, pra que isso aconteça, precisamos perder a vergonha do Evangelho. Precisamos parar de ter medo de dizer que acreditamos que a Bíblia é a Palavra de Deus e que a vida está apenas em Jesus, e não nos prazeres passageiros do mundo. Precisamos parar de nos preocupar se os outros nos consideram puritanos imbecis e até mesmo de ser rejeitados pelos outros. Devemos dizer, em alto e bom som, que Jesus Cristo veio ao mundo para condenar e destruir o pecado. Mais: que o Evangelho é o poder de Deus para nos salvar:

Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé. (Romanos 1:16-17)

O pecado só deixará de ser glorificado quando nos decidirmos a glorificar somente ao Senhor. No dia em que Deus e Jesus forem mais interessantes para o Brasil do que Bruna Surfistinha, aí sim haverá esperança para o nosso país.
Graça e paz do Senhor,
Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro
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