O silêncio dos "profetas"

Assim diz o SENHOR: Por três transgressões de Moabe e por quatro, não sustarei o castigo, porque queimou os ossos do rei de Edom, até os reduzir a cal. Por isso, meterei fogo a Moabe, fogo que consumirá os castelos de Queriote; Moabe morrerá entre grande estrondo, alarido e som de trombeta. Eliminarei o juiz do meio dele e a todos os seus príncipes com ele matarei, diz o SENHOR.

Assim diz o SENHOR: Por três transgressões de Judá e por quatro, não sustarei o castigo, porque rejeitaram a lei do SENHOR e não guardaram os seus estatutos; antes, as suas próprias mentiras os enganaram, e após elas andaram seus pais. Por isso, meterei fogo a Judá, fogo que consumirá os castelos de Jerusalém.

Assim diz o SENHOR: Por três transgressões de Israel e por quatro, não sustarei o castigo, porque os juízes vendem o justo por dinheiro e condenam o necessitado por causa de um par de sandálias. Suspiram pelo pó da terra sobre a cabeça dos pobres e pervertem o caminho dos mansos; um homem e seu pai coabitam com a mesma jovem e, assim, profanam o meu santo nome. E se deitam ao pé de qualquer altar sobre roupas empenhadas e, na casa do seu deus, bebem o vinho dos que foram multados.

Todavia, eu destruí diante deles o amorreu, cuja altura era como a dos cedros, e que era forte como os carvalhos; e destruí o seu fruto por cima e as suas raízes por baixo. Também vos fiz subir da terra do Egito e quarenta anos vos conduzi no deserto, para que possuísseis a terra do amorreu. Dentre os vossos filhos, suscitei profetas e, dentre os vossos jovens, nazireus. Não é isto assim, filhos de Israel? – diz o SENHOR. Mas vós aos nazireus destes a beber vinho e aos profetas ordenastes, dizendo: Não profetizeis.

Eis que farei oscilar a terra debaixo de vós, como oscila um carro carregado de feixes. De nada valerá a fuga ao ágil, o forte não usará a sua força, nem o valente salvará a sua vida. O que maneja o arco não resistirá, nem o ligeiro de pés se livrará, nem tampouco o que vai montado a cavalo salvará a sua vida. E o mais corajoso entre os valentes fugirá nu naquele dia, disse o SENHOR. (Amós 2:1-16)

O ano de 2011 começa com uma grande agitação nos países árabes. No momento em que escrevo este post, os governos na Tunísia e no Egito já foram derrubados, enquanto a Líbia se divide em uma disputa entre oposicionistas e partidários do governo de Muammar al-Gaddafi. Enquanto isso, protestos estouram em outros países árabes, como o Iêmen.
Trata-se, sem a menor sombra de dúvidas, do acontecimento mais importante dos últimos anos em todo o mundo, com reflexos que podem alterar o equilíbrio de forças entre as nações. Dependendo do rumo das revoluções o cristianismo pode encontrar uma oportunidade para avançar ou então mergulhará em perseguições ainda mais radicais que as já existentes no norte da África e Oriente Médio.
Egípcios reunidos na Praça Tahrir, no Cairo.

Porém, enquanto o mundo acompanha atentamente o que acontece naquela região, as igrejas cristãs brasileiras se calam. Pior: ignoram o assunto. Não há mobilizações visíveis de intercessão pelos países árabes. Os pastores não pregam sobre que valores devem ser defendidos neste momento. Ao invés de um clamor para que o Senhor defenda Seu povo e Seus missionários, há um silêncio ensurdecedor. Talvez porque as agitações ocorram em países distantes, exóticos para nós, fingimos que o problema não é conosco.
Confrontando o pecado de outras nações
Mas essa não era a postura que tinham os profetas do Antigo Testamento. Um bom exemplo é o de Amós, que viveu no século oitavo antes de Cristo, quando o reino de Israel estava dividido em dois: Judá (reunindo as tribos de Judá, Benjamim e Levi), ao sul e Israel (juntando as demais tribos), ao Norte. Em seus dias, tanto o reino de Israel como o de Judá estavam distantes dos caminhos de Deus. A idolatria e as injustiças sociais eram pecados comuns e causavam tantos problemas que era de se esperar que Amós se concentrasse apenas em pregar ao seu próprio povo.
Contudo, o livro de Amós abre com uma série de mensagens proféticas dirigidas a outras nações. Antes de falar de seu país (Israel), o profeta denuncia os pecados cometidos por sete nações: Síria, Filístia, Fenícia, Edom, Amom, Moabe e Judá. A mensagem que o Senhor entrega por meio do profeta é clara: Deus não olhava apenas para os israelitas, Ele é o Juiz de todos os povos. O profeta fala não apenas para os “filhos de Deus”, sua mensagem diz respeito a todo o mundo.
No recorte que fiz neste post, os moabitas são condenados pelos exageros na guerra contra os edomitas e os judeus pela sua rebeldia em seguir as leis do Senhor (a Lei de Moisés). Antes, há condenações por outros abusos de guerra: excesso de violência, venda de prisioneiros, assassinato cruel de grávidas e falta de misericórdia.
Hoje o ensino é o mesmo: Jesus é o Juiz não apenas dos cristãos, mas também de muçulmanos, judeus, espíritas, hindus e até de ateus. Não somos chamados para confrontar somente o pecado de quem adora a Cristo. Assim como Amós, os pregadores de hoje também devem proclamar o juízo do Senhor sobre as nações pecaminosas.
Os países árabes sempre freqüentam as primeiras posições nas relações de países que mais perseguem a Igreja, feita pela Missão Portas Abertas. Assassinatos, queimas de templos, prisões injustas, mutilações à mulheres, restrições às liberdades fundamentais e até proibição de conversões são algumas das transgressões cometidas nessa região. Para piorar, há a possibilidade de que grupos radicais, como a Irmandade Muçulmana, no Egito. tomem o poder e mantenham ou agravem várias dessas perversidades. São pecados e alertas que precisam ser denunciados no século XXI.
A Igreja continua perseguida, como nos dias de Roma

Hoje o meu desafio é o de chamar as igrejas à oração por estes países. Agora é o momento de pastores pregarem contra estes pecados e liderarem os fiéis em intercessões, pedindo ao Senhor que use este momento para fortalecer o Evangelho em países que estão mergulhados em trevas espirituais.
Confrontando o pecado dentro de casa
Por outro lado, o ensino bíblico não se restringe a confrontar os pecados distantes. Os pecados “de casa”, aqueles cometidos dentro das igrejas ou nas comunidades onde elas estão inseridas devem ser enfrentados com um rigor ainda maior.
Crimes de guerra são graves, mas Israel conseguia ser ainda pior. Juizes vendendo sentenças, orgias incestuosas, idolatria associada à imoralidade sexual, corrupção dos que consagravam ao Senhor (nazireus) e perseguição religiosa eram o pano de fundo da sociedade israelita. Embora Israel fosse o herdeiro das promessas divinas e daqueles que foram libertos pelo Senhor, a nação insistia em se manter rebelde contra Deus. Já que Israel agia como as outras nações, também teria o mesmo castigo que elas.
Nada muito diferente do que acontece nas igrejas cristãs do Brasil. Pastores torcem a Palavra em troca de dinheiro. A imoralidade sexual é combatida de boca, mas é tolerada cada vez mais, a ponto de existirem igrejas que se recusam a chamar o homossexualismo de pecado. A idolatria volta, travestida de culto a apóstolos, uso de objetos “mágicos” e avareza. Os membros que se levantam e protestam são ignorados, calados, tachados de rebeldes e até expulsos.
E vem a ser o mesmo que acontece no Brasil. Compra de sentenças, louvor à sensualidade (o país do Carnaval e do BBB), idolatria, culto aos mortos e à imagens…qual a diferença em relação aos dias de Amós? O Brasil chegou a um ponto tal onde nos perguntamos se vale a pena ser honesto, correto e decente.
Mas há sim uma diferença. Enquanto os árabes dizem basta e vão às ruas, o Brasil não se move. No fundo, o povo aceita e aprova tudo o que acontece. O único lamento da maioria é não ser o político que rouba, a rainha de bateria que posa em revistas pornográficas ou o ídolo que controla a multidão. Não há indignação ao pecado, senão sairíamos às ruas.
E a Igreja é cúmplice desta passividade. Em nome de uma ética duvidosa, diz-se que igrejas não podem fazer política. E o resultado é que políticas pecaminosas são aprovadas e os cristãos se calam. Os governantes erram e não são confrontados. Poucos questionam, por exemplo, porque escolas de samba recebem ajuda do governo antes de desabrigados pela maior tragédia natural da história do Brasil. Mais uma vez: não há chamados à oração, mobilização para que os cristãos ganhem as ruas, publicação de manifestos…quase nada.
Para o Brasil, as escolas valem mais que os desabrigados pelas chuvas no RJ

Onde estão os profetas?
Creio que falta a todos os cristãos o entendimento sobre qual a verdadeira missão de Jesus. Ele não veio nos livrar da culpa do pecado, Ele veio destruí-lo. Jesus não vem dar uma solução para que os cristãos possam conviver harmoniosamente com o pecado. Cristo veio não apenas morrer na cruz, Ele também veio confrontar os pecadores.
E essa confrontação não é apenas individual. Pode até funcionar, mas é muito cômodo falar apenas dos dramas e pecados individuais. Jesus não nos chama apenas para isso. Nossos púlpitos devem alcançar as pessoas, as igrejas, a nossa sociedade e outros países do mundo. É para isso que fomos chamados. Se nos calarmos, Deus continuará usando a outros para falar a um Brasil caído.
Que o Senhor possa nos ajudar a erguermos os olhos e termos a mesma visão (e coragem) que Ele colocou em Amós.
Graça e paz do Senhor,
Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro
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8 thoughts on “O silêncio dos "profetas"

  1. É isso amigo! Essa é uma luta nossa, nós (IGREJA) é que temos a responsabilidade de levantar a bandeira de Jesus e denunciar tanta injustiça social!
    Em nome da justiça que nos levantemos!

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  2. Acho que nessas horas que é importante arregaçar as mangas e fazer algo por conta própria, mas sem deixar de gritar ao mundo o que é para ser feito, já que as pessoas se recusam a ver tais atrocidades.

    Bom post, Nozima. =)

    Abraços!

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  3. obrigada por essas palavras vindas do espirito santo, para nós que somos filhos de um só Deus,isso nos disperta para mudarmos de uma vida igoista espiritualmente, onde há a predominancia da passividade! que nós nos levantemos em oração para este bom combate, onde pela força do espirito santo nos levantaremos e venceremos!

    obrigada amigo
    me edifiquei e ao mesmo tempo sentir a correção do Senhor em minha vida…

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  4. Pastor Helder,

    Obrigada por sua sobriedade e lucidez. Que o Senhor continue usando grandemente sua vida! Não nos calemos, precisamos denunciar o pecado e a injustiça, que tão confortavelmente tem sido acolhidos pela Igreja 😦

    Léa Guimarães (Missionária SEPAL)

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  5. Susy,

    Pois é, amiga. Pena que mesmo com o nosso “protesto”, as igrejas ainda estão acomodadas. Ás vezes me pergunto se ainda deveríamos ser chamados de protestantes.

    Graça e paz do Senhor,

    Helder Nozima
    Barro nas mãos do Oleiro

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  6. Anayran, Pripskila, Lea G,

    Obrigado pelos comentários e pelo incentivo. É bom saber que o Senhor nos usa para edificar vidas e ver que não estamos sós na luta contra o pecado, a injustiça e o comodismo das igrejas. Muito obrigado!

    Graça e paz do Senhor,

    Helder Nozima

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