Última resposta a Leandro Quadros – Parte IX

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Lucas 19:10
O amor de Deus pelo “perdido” é um outro argumento usado pelo professor Leandro Quadros para atacar o calvinismo no artigo 48 textos bíblicos contra 12 descontextualizados…:

15) Se Cristo morreu apenas “pelos salvos”, como explica Lucas 19:10? “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.” O pensamento bíblico é: Cristo morreu por todos os seres humanos que foram predestinados a fim de que cada um (pela graça de Deus) escolha ser salvo ou não. Por isso, o Senhor Jesus veio morrer pelos predestinados: por que, se não aceitarem a predestinação, serão perdidos. Do contrário, a declaração de Jesus de que ele “veio buscar e salvar o perdido” perde todo o sentido. (Leandro Quadros)

Não creio que a declaração de Jesus perca o sentido quando se considera o ensino bíblico da predestinação. Em primeiro lugar, é preciso destacar que não há nada no versículo, nenhuma palavra que diga não existir predestinação ou que Deus não escolha uns para serem salvos e outros para se perderem. Tampouco o versículo diz que Jesus veio buscar e salvar a todos os homens. Só por essas razões, Lucas 19:10 não cabe na discussão.
No entanto, quem é o perdido no texto? O eleito por Deus que não foi salvo. Lucas 19:10 fecha a história do encontro de Jesus com Zaqueu. E é interessante notar que o versículo resume o que Cristo fez com ele.
Ao contrário da famosa música, Zaqueu não subiu para chamar a atenção de Jesus, muito menos disse para ele entrar na casa ou na vida dele. O maioral dos publicanos queria apenas ver quem era Jesus (Lc 19:3). Mas o Senhor é quem olha pra cima e se convida para ir à casa dele:

Olhando Jesus, chegou àquele lugar, olhando para cima, disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa. (Lucas 19:5)

Isso mostra que não foi um acaso aquele encontro. A intenção do evangelista é a de destacar que Jesus tinha que se encontrar com Zaqueu e ir até a casa dele para salvá-lo. Havia muitas outras pessoas no caminho, mas o Senhor escolheu hospedar-se apenas com Zaqueu e seus amigos. O publicano era, de fato, um eleito.
Mas isso não quer dizer que ele não era um perdido! Talvez o professor imagine que, para os calvinistas, os eleitos já nascem salvos e nunca estão perdidos. Mas, embora o predestinado ao céu tenha sua salvação assegurada pelo decreto de Deus, essa salvação precisa se consumar no tempo. E, antes de nascer de novo e receber a salvação, de fato, todos os predestinados se encontram como os demais homens: mortos em delitos e pecados:

Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados… (Efésios 2:1)

Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, – pela graça sois salvos… (Efésios 2:4-5)

Logo, quando Jesus diz que veio buscar e salvar o perdido, ele veio buscar os eleitos que ainda se encontram no pecado, e não a todos os homens.
Sobre o ensino herético da predestinação universal e de cada um “aceitar ou não” a sua predestinação, já respondi isso antes. Só acrescento mais dois argumentos. O primeiro é o de que a ideia do professor esvazia o próprio sentido de pré-destinação ou pré-determinação. Ora, se o destino pode ser recusado, qual o sentido de Deus defini-lo com antecedência (pré)? O segundo é que o ensino bíblico diz claramente que todos os eleitos são salvos:

Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. (Romanos 8:29-30)

O texto não diz que aos que predestinou, a maioria o Senhor chamou; que destes, a maioria foi justificada; e que dos últimos, quase todos foram glorificados. Não…todos os predestinados, inevitavelmente, foram glorificados.
Como o professor crê na existência do Juízo divino e no inferno (ainda que de modo diferente de mim), ele há de concordar que nem todos os homens são glorificados. Portanto, juntando essa premissa com o ensino de Romanos 8:29-30, é forçoso, até para o professor, reconhecer que a Bíblia não ensina a predestinação universal de todos os seres humanos.
O amor de Deus e a condenação dos ímpios
Contudo, o professor Leandro lançou mão de um argumento mais difícil de rebater: o fato de Deus não sentir prazer com a condenação dos ímpios:

Se Cristo morreu “pelos salvos”, como interpreta Ezequiel 18:23 (um dos 48 textos que o pastor não refutou)? “Acaso, tenho eu prazer na morte do perverso? —diz o SENHOR Deus; não desejo eu, antes, que ele se converta dos seus caminhos e viva?” Não coloque limites no infinito amor de Deus… (Leandro Quadros)

Os calvinistas não limitam o amor de Deus, mas consideram os limites que o próprio Senhor impõe em Sua Palavra. Por exemplo, é fato indiscutível que Deus não ama a todas as pessoas da mesma maneira, e que algumas pessoas não recebem o amor divino, e sim o Seu aborrecimento. É o que diz claramente Romanos 9:11-13:

E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a ela:
O mais velho será servo do mais moço.
Como está escrito:
Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú. (Romanos 9:11-13)

Ali, a Bíblia é clara: Deus amou a um e se aborreceu do outro, e aborrecer pode muito bem ser traduzido por odiar, principalmente quando vemos Malaquias 1:2-3, de onde Paulo extraiu a citação de Romanos 9:

Eu vos tenho amado, diz o SENHOR; mas vós dizeis: Em que nos tens amado? Não foi Esaú irmão de Jacó? – disse o SENHOR; todavia, amei a Jacó, porém aborreci a Esaú; e fiz dos seus montes uma assolação e dei a sua herança aos chacais do deserto. (Malaquias 1:2-3)

Vejam que o aborrecimento de Deus o levou a assolar os montes e a herança dos descendentes de Esaú. Quando se considera que, em Romanos 9, Esaú é símbolo dos reprovados, e Jacó, dos eleitos, fica claro que os calvinistas não limitam o amor de Deus, apenas reconhecem os limites colocados pelo próprio Senhor, que não ama a todos os seres humanos de modo igual, como ensinam os não-calvinistas. A ideia do amor igualitário, que, embora não explícita, é essencial ao argumento do professor, não sobrevive ao escrutínio bíblico.
Por outro lado, reconhecemos que Deus não sente prazer em condenar os ímpios. Mas, fato é que Deus, sentindo ou não prazer, mata perversos e os lança no inferno:

Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. (Mateus 7:19)

A não ser que o professor seja universalista (o que ele nega, embora a lógica de seu artigo o leve nessa direção), ele há de concordar que Deus faz o que não sente prazer em fazer. Ele não gosta, mas mata sim o ímpio e o condena ao fogo eterno. No caso, tanto calvinistas como arminianos e adventistas, precisam reconhecer que Deus faz isso porque, por alguma razão, a condenação dos ímpios Lhe traz mais glória e é necessária aos planos divinos.
Registro também que Ezequiel 18:23 não diz nada sobre Deus não predestinar pessoas. Peço perdão pela repetição dos versículos e argumentos, mas como disse antes, o professor é repetitivo, e uma resposta exaustiva a ele, infelizmente, padece do mesmo mal.
Isaías 45:22
Por fim, diz Leandro:

E Isaías 45:22? “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os limites da terra; porque eu sou Deus, e não há outro.”
Ah! Que alegria saber que Deus não faz acepção de pessoas e que em Sua Soberania é capaz de dar a salvação para quem aceitar, respeitando assim a liberdade de escolha! (Leandro Quadros)

Essa é facílima. O texto diz que Deus irá salvar pesoas em toda a região do globo terrestre, em, praticamente, todas as nações (ou, pelo menos, na ampla maioria delas). Implicitamente, mostra que Deus elegeu pessoas de várias nacionalidades e regiões. Não tem nada contra a predestinação.
No mais, louvo ao Senhor, que salva quem quer ser salvo, quem O escolhe! Mas isso só acontece, caro professor, quando Ele intervém na vontade da pessoa, fazendo-a nascer de novo, porque, espontaneamente, ninguém deseja a Deus. Leia Romanos 3:10-12 de novo.
Mais posts no forno. Aguardem…e desculpem a demora.

O próximo post é este.

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2 thoughts on “Última resposta a Leandro Quadros – Parte IX

  1. Mais uma vez eu digo: argumentos arminianos não se sustentam mesmo! Ora, como afirmar que “todos foram predestinados se todos não são salvos”? Então, por esse argumento, forçoso entender que a obra salvífica de Deus não é completa, que Deus falhou no seu plano de salvação. E isso é um grande absurdo!

    Negar a predestinação nos moldes calvinistas, como sucedâneo da eleição é pura falácia anti-bíblica.

    Parabéns mais uma vez Helder.

    NEle

    Ricardo

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  2. Recentemente o professor disse que Clóvis, Helder e Natanael (IPC) são desonestos pois o atacam, ao invés de usarem “argumentos bíblicos, filosóficos e lógicos”.

    Argumentos bíblicos estão sendo usados de parte a parte, ficando a questão de quem aplica a hermenêutica (e exegese) corretamente. Ninguém tem usado a filosofia exceto pela lógica que é necessária a qualquer argumento. E aqui nosso professor falha de forma grotesca.

    Não sei que idéia ele faz do que seja “predestinação”, mas dizer que alguém tem algum poder de escolha sobre ela é para lá de risível! Ele tem duas alternativas, se quer manter-se logicamente sadio:
    1) Ele pode redefinir o termo, dando a ele um novo conceito. Se assim o fizer, pode encontrar algum sentido no que diz, mas terá problemas, pois o conceito bíblico é o conceito calvinista. Torcer o texto para adequá-lo ao novo conceito será má hermenêutica.
    2) Ele pode suprimir da Bíblia todos os trechos que falam de predestinação. Fazer isso é comprometer a Palavra de Deus como tal.
    Assim, se permanece logicamente sadio, perde-se biblicamente. Se mantém o conceito correto de “predestinação” e também seu discurso “bíblico”, ele incorre em contradição lógica.
    Parece que encontramos mais um pavão!

    Pérolas assim há aos montes no seu discurso. Algumas tão óbvias quanto essa, outras mais sutis. Sua argumentação é tão pobre bíblica e logicamente, que me entristece. Um pouco também por ele, mas não tanto, pois ele já deu mostras de seu caráter. Porém há tantos que o ouvem admirados! Uma pena que se percam por tão pouco!

    Abraço, meu caro Helder

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