Neemias: tipo de Cristo (V) – O edificador

Então, se dispôs Eliasibe, o sumo sacerdote, com os sacerdotes, seus irmãos, e reedificaram a Porta das Ovelhas; consgraram-na, assentaram-lhe as portas e continuaram a reconstrução até à Torre dos Cem e à Torre de Hananel. Junto a ele edificaram os homens de Jericó; também, ao seu lado, edificou Zacur, filho de Inri.

Os filhos de Hassenaá edificaram a Porta do Peixe; colocaram-lhe as vigas e lhe assentaram as portas com seus ferrolhos e trancas. Ao seu lado, reparou Meremote, filho de Urias, filho de Coz; junto deste, reparou Mesulão, filho de Berequias, filho de Mesezabel, a cujo lado reparou Zadoque, filho de Baaná. Ao lado destes, repararam os tecoítas; os seus nobres, porém, não se sujeitaram ao serviço do seu senhor.

Joiada, filho de Paséia, e Mesulão, filho de Besodias, repararam a Porta Velha; colocaram-lhe as vigas e lhe assentaram as portas com seus ferrolhos e trancas. Junto deles, trabalharam Melatias, gibeonita e Jadom, meronotita, homens de Gibeão e de Mispa, que pertenciam ao domínio do governador de além do Eufrates. Ao seu lado, reparou Uziel, filho de Haraías, um dos ourives; junto dele, Hananias, um dos perfumistas; e restauraram Jerusalém até ao Muro Largo. Junto a eles, trabalhou Refaías, filho de Hur, maioral da metade de Jerusalém. Ao seu lado, reparou Jedaías, filho de Harumafe, defronte da sua casa; e, ao seu lado, reparou Hatus, filho de Hasabnéias. A outra parte reparou Malquias, filho de Harim, e Hassube, filho de Paate-Moabe, como também a Torre dos Fornos. Ao lado dele, reparou Salum, filho de Haloés, maioral da outra meia parte de Jerusalém, ele e suas filhas.

A Porta do Vale, reparou-a Hanum e os moradores de Zanoa; edificaram-na e lhe assentaram as portas com seus ferrolhos e trancas e ainda mil côvados de muralha, até à Porta do Monturo.

A Porta do Monturo, reparou-a Malquias, filho de Recabe, maioral do distrito de Bete-Haquerém; ele a edificou e lhe assentou as portas com seus ferrolhos e trancas.

A Porta da Fonte, reparou-a Salum, filho de Col-Hozé, maioral do distrito de Mispa; ele a edificou, e a cobriu, e lhe assentou as portas com seus ferrolhos e trancas, e ainda o muro do açude de Selá, junto ao jardim do rei, até aos degraus que descem da Cidade de Davi. Depois dele, reparou Neemias, filho de Azbuque, maioral da metade do distrito de Bete-Zur, até defronte dos sepulcros de Davi, até ao açude artificial e até à casa dos heróis. Depois dele, repararam os levitas, Reum, filho de Bani, e, ao seu lado, Hasabias, maioral da metade do distrito de Queila. Depois dele, repararam seus irmãos: Bavai, filho de Henadade, maioral da metade do distrito de Queila; ao seu lado, reparou Ezer, filho de Jesua, maioral de Mispa, outra parte defronte da subida para a casa das armas, no ângulo do muro. Depois dele, reparou com grande ardor Baruque, filho de Zabai, outra porção, desde o ângulo do muro até à porta da casa de Eliasibe, o sumo sacerdote. Depois dele, reparou Meremote, filho de Urias, filho de Coz, outra porção, desde a porta da casa de Eliasibe até à extremidade da casa de Eliasibe. Depois dele, repararam os sacerdotes que habitavam na campina. Depois, repararam Benjamim e Hassube, defronte da sua casa; depois deles, reparou Azarias, filho de Maaséias, filho de Ananias, junto à sua casa. Depois dele, reparou Binui, filho de Henadade, outra porção, desde a casa de Azarias até ao ângulo e até à esquina. Palal, filho de Uzai, reparou defronte do ângulo e da torre que sai da casa real superior, que está junto ao pátio do cárcere; depois dele, reparou Pedaías, filho de Parós, e os servos do templo que habitavam em Ofel, até defronte da Porta das Águas, para o oriente, e até à torre alta. Depois, repararam os tecoítas outra porção, defronte da torre grande e alta, e até ao Muro de Ofel.

Para cima da Porta dos Cavalos, repararam os sacerdotes, cada um defronte da sua casa. Depois deles, reparou Zadoque, filho de Imer, defronte de sua casa; e, depois dele, Semaías, filho de Secanias, guarda da Porta Oriental. Depois dele, reparou Hananias, filho de Selemias, e Hanum, o sexto filho de Zalafe, outra porção; depois deles, reparou Mesulão, filho de Berequias, defronte da sua morada. Depois dele, reparou Malquias, filho de um ourives, até à casa dos servos do templo e dos mercadores, defronte da Porta da Guarda, até ao eirado da esquina. Entre o eirado da esquina e a Porta das Ovelhas, repararam os ourives e os mercadores. (Neemias 3:1-32)

Provavelmente a maioria das pessoas pularia o capítulo 3 de Neemias na leitura bíblica. Trechos como genealogias ou longos relatos para dizer quem edificou que parte da cidade são enfadonhos e, aparentemente, sem lições para o homem contemporâneo.

Concordo que a leitura é mesmo cansativa. Mas, se formos observadores atentos, veremos ensinos interessantes do ministério de Neemias.

1) Envolva a todos. Uma rápida passada de olho mostra que diferentes grupos de pessoas participaram da reconstrução dos muros. As obras não foram feitas por profissionais contratados, mas sim pela comunidade. Há pessoas importantes, como o sumo sacerdote Eliasibe ou Refaías, filho de Hur, maioral de metade de Jerusalém. Há classes profissionais, como ourives e mercadores. Há grupos de pessoas que eram nativos de outras cidades, como os tecoítas, de Tecoa. E até mulheres, como as filhas de Salum, filho de Haloés, foram lá por as mãos na massa.

Neemias conseguiu aquilo que seria o sonho de muitos pastores e líderes, em igrejas e (por que não?) outros lugares, como escolas, cidades e até empresas. Ele mobilizou a todos para atingir o objetivo de reerguer os muros de Jerusalém.

Da mesma forma, Jesus chamou vários tipos diferentes de pessoa para serem seus discípulos. Mulheres, uma até que fora endemoninhada, pescadores, coletores de impostos, um ex-rebelde político…o grupo era bem eclético. Jesus chegou a reunir um grupo de setenta pregadores, que o auxiliavam na ministração da Palavra:

Depois disto, o Senhor designou outros setenta; e os enviou de dois em dois, para que o precedessem em cada cidade e lugar aonde ele estava para ir. (Lucas 10:1)

Uma das bandeiras da Reforma Protestante é exatamente o sacerdócio universal dos crentes, a doutrina que ensina que cada pessoa salva tem a liberdade de acessar livremente a Deus e apresentar suas orações e confissões de pecados. Mas isso também implica no que eu chamo de “serviço universal dos crentes”, a obrigação que todos possuem de contribuir para a edificação do Corpo de Cristo. Como está escrito:

Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos. A manifestação do Espírito é dada a cada um visando a um fim proveitoso. (1 Coríntios 12:4-6)

Diferentes dons, serviços e realizações, tudo é uma obra que o Espírito Santo realiza em todos. Ao contrário do que é ensinado ou vivido em algumas igrejas, a obra deve ser feita por cada eleito, e não só por pastores, “levitas” (que não sabem o tamanho da asneira que é se chamar de levita) e obreiros.

Vale destacar que muitos repararam o muro “defronte de sua casa”. Se cada eleito de Deus não fosse negligente em relação aos desafios e trabalhos que Deus coloca na nossa frente e cuidasse só desse pedacinho…imaginem o impacto dessa decisão!

2) Faça uma obra abrangente. Certos detalhes parecem bobos e óbvios, mas acho que o bom pregador é exatamente aquele que consegue percebê-los. É claro que um muro circunda toda uma cidade e que reconstruí-lo significa fazer um canteirinho de obra em toda a volta de Jerusalém. Mas essa obviedade esconde uma preciosidade. Neemias estava recebendo ajuda para fazer algo que provocava mudanças na cidade toda! Nenhum canto ficou de fora. Nenhum setor foi excluído.

Creio que esse é um grande desafio hoje em dia. Como a igreja pode influenciar a sociedade como um todo, sem negligenciarmos área alguma? Creio que, se esta for a nossa ambição (é a minha), pregar apenas não é suficiente. É preciso que exista articulação, mobilização e envolvimento para viver o que é pregado.

Se tivermos um objetivo menor, continua a pergunta. Como fazer uma obra que tenha impacto, dentro de nossa igreja local, em todas as faixas etárias ou de renda? Algo que tenha impactos tanto sobre as crianças como sobre os mais velhos?

Creio que o desafio é enorme, mas legítimo. A vida de Jesus causou reflexos em toda a sociedade. Ele foi orar por crianças e curou a febre da sogra de Pedro, provavelmente uma mulher de idade para a época. Multidões de todas as classes o seguiam, e até mesmo um jovem rico quis conhecê-lo. E em uma de suas últimas ordens aos discípulos, Cristo determinou que a igreja deveria alcançar o mundo:

Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. (Mateus 28:19)

A igreja do Novo Testamento parece ter conseguido isso, a ponto de ser perseguida com a seguinte acusação:

Porém, não os encontrando, arrastaram Jasom e alguns irmãos perante as autoridades, clamando: Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui… (Atos 17:6)

Creio que a saída não está, exatamente, em exigir que isso seja feito pelas instituições eclesiásticas. A igreja é formada pelas pessoas, não pelas instituições. O caminho seria recuperar a doutrina reformada da vocação, e estimular os cristãos a viverem sua fé e chamado em todas as esferas de suas vidas: educação, trabalho, saúde, política, economia, fé…

É vivendo a Palavra em tudo o que fazemos, deixando que ela influencie nosso viver que conseguiremos levar o Reino de Deus a todos os lugares.

Antes de fechar, só um detalhe: em nenhum lugar se fala que Neemias, filho de Hacalias, reparou um tijolo do muro. Mas ele foi quem liderou o processo. Primeiro Neemias edificou os corações daqueles que, de fato, reconstruiriam os muros de Jerusalém.

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One thought on “Neemias: tipo de Cristo (V) – O edificador

  1. Estou lendo post por post sobre sua série meu caro Nozima…

    De fato, acho que muitas vezes queremos cuidar daquilo que é nosso, sem olhar para o irmão…
    Imagino que se cuidassemos mais dos irmãos, alguns (poucos) poderiam seguir o exemplo dado, e ao invés de uma pessoa só cuidado de você, teriamos verdadeiros irmãos cuidando, uma mão ajudando a outra…

    É uma tristeza não vermos o evangelho não sendo vivido como no começo, vermos a fé dos crentes se esfriando cada vez mais, e não querendo servir com o seu coração a Jesus, preferindo servir a um G-zuiz(Apagando luzes), que (dizem) promete uma vida próspera financeiramente apenas…

    Dou graças a Deus, que Cristo falou que nos promete vida, e vida eterna, para todos aqueles que nele crêem, e acho que viver eternamente é bem melhor que viver prosperamente e depois queimar no inferno sofrendo com a ira de Deus…

    “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.”

    Mt 7:21-23

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