O batismo infantil à luz da Bíblia ou Porque eu batizo crianças

Depois de ser batizada, ela e toda a sua casa, nos rogou, dizendo: Se julgais que eu sou fiel ao Senhor, entrai em minha casa e aí ficai. E nos constrangeu a isso. (Atos 16:15)

Um ponto em comum entre as igrejas presbiterianas, luteranas e metodistas com a Católica, a Anglicana e a Ortodoxa é a prática do batismo de crianças (ou pedobatismo), incluindo-se aí os bebês. No entanto, a prática é condenada por quase todo o restante das igrejas evangélicas, principalmente os batistas, mas incluindo também igrejas pentecostais e neopentecostais. Dentro do ponto de vista dos batistas, o pedobatismo seria um ranço do catolicismo romano dentro das igrejas protestantes, uma prática sem amparo bíblico e até mesmo perigosa, por induzir os pais a acreditarem que seus filhos já nascem salvos.

Antes de irmos a uma análise bíblica propriamente dita, é preciso esclarecer que a visão presbiteriana do batismo é diferente da visão católico-romana. Para os católicos, o batismo é um sacramento essencial à salvação. E os presbiterianos, como enxergam esse sacramento?

1) O batismo é sinal e selo da aliança entre Deus e a Igreja

O batismo é um sacramento do Novo Testamento, instituído por Jesus Cristo, não só para solenemente admitir na Igreja a pessoa batizada, mas também para servir-lhe de sinal e selo do pacto da graça, de sua união com Cristo, da regeneração, da remissão dos pecados e também da sua consagração a Deus por Jesus Cristo a fim de andar em novidade de vida. Este sacramento, segundo a ordenação de Cristo, há de continuar em sua Igreja até ao fim do mundo.

Mat. 28:19; I,Cor. 12:13; Rom. 4:11; Col. 2:11-12; Gal. 3:27; Tito 3:5; Mar. 1:4; At. 2:38; Rom. 6:3-4; Mat. 28:19-20. (CFW, XXVIII, I)

2) O batismo não salva e nem é essencial à salvação de ninguém

Posto que seja grande pecado desprezar ou negligenciar esta ordenança, contudo, a graça e a salvação não se acham tão inseparavelmente ligadas com ela, que sem ela ninguém possa ser regenerado e salvo os que sejam indubitavelmente regenerados todos os que são batizados.

Luc.7:30; Exo. 4:24-26; Deut. 28:9; Rom. 4:11; At. 8:13, 23. (CFW, XXVIII, V)

3) Embora o batismo não salve, ele, de fato, comunica alguma graça aos que o recebem

A eficácia do batismo não se limita ao momento em que é administrado; contudo, pelo devido uso desta ordenança, a graça prometida é não somente oferecida, mas realmente manifestada e conferida pelo Espírito Santo àqueles a quem ele pertence, adultos ou crianças, segundo o conselho da vontade de Deus, em seu tempo apropriado.

João 3:5, 8; Gal. 3:27; Ef. 5:25-26. (CFW, XXVIII, VI)

Esclarecida, então, a forma como os presbiterianos veem o batismo, podemos passar a uma análise bíblica sobre a prática do batismo de crianças. Em que se baseiam os presbiterianos para batizarem seus filhos, muitas vezes ainda bebês?

O batismo é o substituto bíblico da circuncisão
A circuncisão é a remoção do prepúcio do órgão sexual masculino. Era o sinal da aliança que Deus tinha com Abraão, o patriarca de Israel, no Antigo Testamento. No Novo Testamento, a circuncisão foi substituída pelo batismo. É o que indica Colossenses 2:11-12:

Nele também vocês foram circuncidados, não com uma circuncisão feita por mãos humanas, mas com a circuncisão feita por Cristo, que é o despojar do corpo da carne. Isso aconteceu quando vocês foram sepultados com ele no batismo, e com ele foram ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos. (Nova Versão Internacional)

O texto afirma que, em Cristo, os salvos estão circuncidados. Diz que a circuncisão significa “o despojar do corpo da carne”, uma outra forma de dizer “a morte do nosso velho eu na cruz de Cristo”. Mais do que isso, a Bíblia ensina que essa circuncisão acontece “quando vocês foram sepultados com ele no batismo”. Essa conexão é reforçada quando o significado do batismo é explicado em Romanos 6:3-4:

Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em sua morte? Portanto, fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. (Nova Versão Internacional)

Assim como o batismo, a circuncisão também aponta para a morte de Cristo, de um velho eu. O “despojar do corpo da carne” é representado de modo bem literal. O derramamento de sangue (ou você pensa que não sangra cortar o prepúcio?) também traz à memória a cruz de Cristo. A mudança de vida também é indicada na circuncisão do coração, exigida já na Lei de Moisés:

Circuncidai, pois, o vosso coração e não mais endureçais a vossa cerviz. (Deuteronômio 10:16)

Além de terem praticamente o mesmo significado simbólico, os dois sacramentos são ritos de iniciação à fé, feitos uma única vez. Fazendo um resumo das semelhanças:

a) São ritos iniciáticos;
b) Ambos apontam para a morte de Cristo;
c) Ambos apontam para uma nova vida com Cristo.

Há diferenças? Sim. A circuncisão é um sinal físico permanente, aplicado somente a homens, mas com uma implicação óbvia sobre a descendência (a marca da aliança fica sobre um órgão reprodutor, como uma espécie de vindicação divina sobre a descendência de quem a recebe). O batismo é um sinal físico, mas não permanente, aplicado aos dois sexos e sem um vínculo exterior tão evidente.

No entanto, também há diferenças entre a Ceia e a Páscoa (por exemplo, hoje não comemos cordeiros na Ceia)…e quase não há discussões de que a Ceia é o substituto bíblico da Páscoa. Considerando o texto de Colossenses 2:11-12 e a similaridade tão grande de significado que existe entre a circuncisão e o batismo…por que resistir à ideia de tomarmos o batismo como sendo a circuncisão cristã?

A igreja é o sucessor do povo de Israel do Antigo Testamento
Ao contrário dos dispensacionalistas, doutrina evangélica popular (e recente) que enxerga uma diferença radical entre o Israel do AT e a igreja cristã do NT, os presbiterianos são (ou deveriam ser) aliancistas ou teólogos do pacto. O aliancismo afirma que a igreja do NT nada mais é do que a continuação do Israel do AT. Dessa maneira, a igreja também se torna herdeira das graças prometidas ao povo de Israel.

Como isso pode ser provado? Vamos dar uma olhadinha em alguns textos onde Deus estabelece sua aliança com Abraão:

Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem, em ti serão benditas todas as famílias da terra. (Gênesis 12:3)

Quanto a mim, será contigo a minha aliança; serás pai de numerosas nações. Abrão já não será o teu nome, e sim Abraão; porque por pai de numerosas nações te constituí. Far-te-ei fecundo extraordinariamente, de ti ferei nações, e reis procederão de ti. Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no decurso das suas gerações, aliança perpétua, para ser o teu Deus e da tua descendência. (Gênesis 17:4-7)

Então, conduziu-o até fora e disse: Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua posteridade. Ele creu no SENHOR, e isso lhe foi imputado para justiça. (Gênesis 17:5-6)

Agora, vejam o que Paulo diz sobre Abraão e sua descendência:

É o caso de Abraão que creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça. Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos. De modo que os da fé são abençoados com o crente Abraão. (Gálatas 3:6-9)

Em outras palavras…na visão de Paulo, os textos de Gênesis onde Deus estabelece a sua aliança com Abraão e à sua descendência, se aplicam para falar dos gentios (não judeus, não descendentes de Abraão segundo a carne) que se converteriam nos dias do NT e fariam parte da igreja. Quando Abraão creu na promessa, creu no evangelho preanunciado a ele. Quando a Bíblia fala que, em Abraão, todos os povos seriam abençoados, ela falava da inclusão dos gentios…na descendência de Abraão! Por isso, “os da fé é que são filhos de Abraão”. A mesma ideia é repetida em Romanos 4:

E recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé que teve quando ainda incircunciso; para vir a ser o pai de todos os que creem, embora não circuncidados, a fim de que lhes fosse imputada a justiça, e pai da circuncisão, isto é, daqueles que não são apenas circuncisos, mas também andam nas pisadas da fé que teve Abraão, nosso pai, antes de ser circuncidado. Não foi por intermédio da lei que a Abraão ou a sua descendência coube a promessa de ser herdeiro do mundo, e sim mediante a justiça da fé. Pois, se os da lei é que são os herdeiros, anula-se a fé e cancela-se a promessa, porque a lei suscita a ira; mas onde não há lei, também não há transgressão. Essa é a razão por que provém da fé, para que seja segundo a graça, a fim de que seja firme a promessa para toda a descendência, não somente ao que está no regime da lei, mas também ao que é da fé que teve Abraão (porque Abraão é pai de todos nós, como está escrito: Por pai de numerosas nações te constituí.), perante aquele no qual creu, o Deus que vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem. (Romanos 4:11-17)

As promessas de Deus a Abraão ja estavam apoiadas na fé…na graça que só seria revelada no Novo Testamento. A ideia de que os filhos de Abraão são os da fé também está presente em Jesus:

Então, lhe responderam: Nosso pai é Abraão. Disse-lhes Jesus: Se sois filhos de Abraão, praticai as obras de Abraão. Mas agora, procurais matar-me, a mim que vos tenho falado a verdade que ouvi de Deus; assim não procedeu Abraão. (João 8:39-40)

João Batista é ainda mais claro:

e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão. (Mateus 3:9)

Quais as conclusões lógicas?

a) A promessa de que Abraão seria pai de numerosas nações referia-se também à salvação dos gentios nos dias do NT;
b) Logo, os gentios salvos são considerados, na Bíblia, filhos de Abraão, herdeiros de Abraão;
c) A promessa feita a Abraão baseava-se na fé, e não na Lei.

E aí, cabe voltar à Gênesis 17:7, quando vemos que a aliança estabelecida por Deus era com Abraão e a descendência dele.

Circuncisão + aliança com Abraão = batismo infantil
A aliança de Deus com Abraão não termina com a chegada de Jesus. Na verdade, a vinda de Jesus, o surgimento de uma igreja formada por várias nações…tudo isso é o cumprimento da aliança abraâmica, que continua em vigor. Uma aliança que, como disse antes, também alcança a descendência. Tanto que o sinal da aliança é aplicado não somente a quem crê, mas também à sua família:

Disse mais Deus a Abraão: Guardarás a minha aliança, tu e a tua descendência no decurso das suas gerações. Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós e a tua descendência: todo macho entre vós será circuncidado. Circuncidareis a carme do vosso prepúcio; será isso por sinal de aliança entre mim e vós. O que tem oito dias será circuncidado entre vós, todo macho nas vossas gerações, tanto o escravo nascido em casa como o comprado a qualquer estrangeiro, que não for da tua estirpe. Com efeito, será circuncidado o nascido em tua casa e o comprado por teu dinheiro; a minha aliança estará na vossa carne e será aliança perpétua. O incircunciso, que não for circuncidado na carne do prepúcio, essa vida será eliminada do seu povo; quebrou a minha aliança. (Gênisis 17:9-14)

De fato, no Antigo Testamento, é sempre enfatizada a ligação entre a fé dos pais e de sua descendência:

Saberás, pois que o senhor, teu Deus, é Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e cumprem os seus mandamentos… (Deuteronômio 7:9)

Foi por causa da fé de Abraão, Isaque e Jacó que, quatrocentos anos depois da morte do último, Deus resolveu libertar o povo de Israel da escravidão no Egito:

Ouvindo Deus o seu gemido, lembrou-se da aliança com Abraão, com Isaque e com Jacó. E viu Deus os filhos de Israel e atentou para a sua condição. (Êxodo 2:24-25)

Muitos anos depois, quando o rei Salomão tornou-se idólatra, deixando o SENHOR, ele foi poupado por causa da fé de seu pai.

Por isso, disse o SENHOR a Salomão: Visto que assim procedeste e não guardaste a minha aliança, nem os meus estatutos que te mandei, tirarei de ti este reino e o darei a teu servo. Contudo, não o farei nos teus dias, por amor de Davi, teu pai; da mão de teu filho o tirarei. Todavia, não tirarei o reino todo; darei uma tribo a teu filho, por amor de Davi, meu servo, e por amor de Jerusalém, que escolhi. (1 Reis 11:12-13)

Isso não significa que os filhos dos justos eram salvos no Antigo Testamento. Como Paulo alerta:

Porque a circuncisão tem valor se praticares a lei; se és, porém, transgressor da lei, tua circuncisão já se tornou incircuncisão. Se, pois, a incircuncisão observa os preceitos da lei, não será ela, porventura, considerada como circuncisão? E, se aquele que é incircunciso por natureza cumpre a lei, certamente, ele te julgará a i, que, não obstante a letra e a circuncisão, és transgressor da lei. Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus. (Romanos 2:25-29)

Apesar disso, pelos textos que lemos antes, de alguma forma, os descendentes dos justos, mesmo quando se entregavam à impiedade, recebiam uma espécie de bênção, uma paciência extra, algum tipo de graça não salvadora da parte de Deus. A circuncisão não salvava ninguém, só tinha eficácia se houvesse obediência a Deus. No entanto, era também o reconhecimento de que Deus tratava de modo diferente os israelitas.

E no Novo Testamento? Deus continua tratando de modo diferente os filhos dos eleitos.

Porque o marido incrédulo é santificado no convívio da esposa, e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido crente. Doutra sorte, os vossos filhos seriam impuros; porém, agora, são santos. (1 Coríntios 7:14)

Em outras palavras, um único cônjue crente já santifica (não salva) de alguma forma o outro. E essa santificação atinge os filhos também. Agora, os filhos de não cristãos são chamados de impuros.

Que a promessa da salvação também se estende aos filhos é algo que se pode ver no sermão de Pedro no dia de Pentecostes:

Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar. (Atos 2:39)

Ora:

1) Se a aliança de Abraão não é anulada, mas sim cumprida em Cristo;
2) Se nessa aliança e em todo o Antigo Testamento, os filhos podem colher benefícios espirituais de seus pais (embora não sejam salvos por causa disso);
3) Se o batismo é o substituto bíblico da circuncisão;
4) Se no Novo Testamento a Bíblia continua falando da santidade dos filhos e que a promessa também os alcança…

Por que não batizar as crianças?

E aí vem uma grande vantagem da posição pedobatista (batismo infantil) sobre a batista. Os pedobatistas reconhecem que as crianças, os filhos dos salvos, estão incluídos na aliança entre Deus e a Igreja. Dão a elas um lugar no povo de Deus, no reino dos céus. Um lugar que, aliás, é dado pelo próprio Jesus.

Jesus, porém, disse: Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus. (Mateus 19:14)

O batismo de famílias
Os batistas ainda argumentam que não há, na Bíblia, um único caso de uma criança, filha de crentes, recebendo o batismo. No entanto, os batistas também não conseguem mostrar um único caso de filho adulto (ou adolescente) de cristão sendo batizado. E por quê? A explicação é simples: porque a Bíblia termina com a primeira geração de seguidores de Cristo. Ela não conta a história da segunda geração, dos filhos dos primeiros seguidores de Jesus. Se a questão é falta de exemplos concretos, ela falta dos dois lados.

Mas, embora não haja uma indicação explícita de crianças sendo batizadas, o batismo infantil está implícito nos vários relatos bíblicos de batismo de casas (famílias):

Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia. Depois de ser batizada, ela e toda a sua casa, nos rogou, dizendo: Se julgais que eu sou fiel ao Senhor, entrai em minha casa e aí ficai. E nos constrangeu a isso. (Atos 16:14-15)

E lhe pregaram a palavra de Deus e a todos os de sua casa. Naquela mesma hora da noite, cuidando deles, lavou-lhes os vergões dos açoites. A seguir, foi ele batizado, e todos os seus. (Atos 16:32-33)

Batizei também a casa de Estéfanas; além destes, não me lembro se batizei algum outro. (1 Coríntios 1:16)

Algumas respostas são dadas pelos batistas nesses casos:

1) Pode ser que todos ali tivessem idade suficiente para ouvir e serem convencidos;
2) Em todos os casos houve pregação antes para todos (não é possível provar no caso de Estéfanas e praticamente impossível no de Lídia, ela ouve e quando os apóstolos chegam à casa dela o batismo já acontece).

Mas as duas respostas não fazem jus ao contexto histórico da época. Em primeiro lugar, não havia muito espaço no século I, especialmente nas camadas mais pobres, para um filho não abraçar a fé do pai. Se o chefe de uma casa abraçava uma fé, a casa toda o seguia. Essa história de “meu filho vai escolher a religião dele” não existia.

Em segundo lugar, é preciso considerar o perfil demográfico. Lembra das pirâmides etárias, das aulas de Geografia? Até a Revolução Industrial (século XIX), as sociedades eram marcadas por baixa expectativa de vida e altas taxas de natalidade e de mortalidade. A maior parte das pessoas era criança ou jovem…e como não havia métodos contraceptivos muito eficazes, era comum um número grande de filhos.

Considerando isso, quais as chances de que, em todos os relatos de batismo de famílias, não houvesse ali crianças pequenas, incapazes de compreender o que estava acontecendo, e que acabaram batizadas por causa da conversão dos pais?

Se formos bastante frios, veremos que o peso da evidência histórica é muito mais favorável ao batismo infantil.

Conclusão
Muitas vezes ouvi pessoas falarem que o batismo infantil não tem base bíblica. Acho que o texto é suficiente para mostrar que não é bem assim. Talvez a base bíblica seja até fraca ou inadequada, mas ela existe. Ainda há uma série de ressalvas que poderia fazer sobre o assunto, mas penso que já extrapolei todas as medidas razoáveis para um blog. Se estiver interessado em mais, o post anterior traz um fragmento de Calvino sobre o assunto.

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9 thoughts on “O batismo infantil à luz da Bíblia ou Porque eu batizo crianças

  1. Olha, eu abraço o pedobatismo, mas ainda não fui convencido de que ele é realmente importante. Digo, eu o defendo como doutrina 'aceitável', mas ainda não o defendo como doutrina 'necessária', como imagino que deveria. Talvez eu precise estudar muito mais.

    Até que ponto a igreja é a continuidade de Israel? Digo, nós não podemos mais sair matando e quebrando como Israel podia, e eu já ouvi dizer que não há um remanescente na igreja: o remanescente fiel É a igreja (e ouvi que isso é diferente do que ocorria com Israel, em que todo o povo era povo do Senhor, mas havia um 'remanescente fiel')

    Minha resposta pessoal pra isso é que só o 'remanescente fiel' é o verdadeiro Israel de Deus, tanto antes quanto hoje.

    Nesse caso, a circuncisão como o pedobatismo são marcas que servem pra algo – embora eu não consiga ainda identificar bem pra que, talvez, como você disse, uma 'paciência extra de Deus' – mas que não são marcas distintivas da igreja – ou do Israel, vou chamar só de igreja daqui pra a frente.

    Dessa forma, eu preciso ver por que é que o pedobatismo é IMPORTANTE. A defesa foi boa, mas não me ajuda a 'mostrar a necessidade do pedobatismo'.
    Claro que uma boa dose de versículos RECOMENDANDO o pedobatismo – coisa que acho que você já fez nesse post, mas eu ainda sou muito fraquim de sistemática pra conseguir somar, subtrair, multiplicar e dividir – já é o suficiente pra recomendar o pedobatismo, afinal, nos cabe obedecer o que nosso Senhor nos manda fazer.
    Aliás, você já mostrou UMA aplicação boa – deixar as crianças fazerem parte da igreja – mas eu gostaria de ver mais 'bons motivos' para recomendar o pedobatismo.

    Espero ter sido suficientemente claro e sucinto. Gostei do post.

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  2. Helder,

    Escrevi um comentário mas acho que se perdeu.

    Disse, em síntese, que o texto é bem escrito e fundamentado. Vou digeri-lo e quem sabe, quando voltar de viagem, semana final do mês, escreva algo sobre.

    Em Cristo,

    Clóvis

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  3. Esse texto me ajudou a compreender algumas coisas sobre o batismo em crianças.

    Mas ainda acho que seria muito legal ver um “fogo” vindo batizar essa criança e muitos outros crentes… XD

    Uma coisa que está escrita na bíblia, e está tão clara quanto o fim dos tempos se aproximando cada vez mais é a apostasia, a falta de verdadeiros crentes, daqueles que foram batizados com o Fogo e estão fazendo questão de mostrar o quanto esse Fogo faz a diferença na vida deles. Ver a igreja cada vez mais morta hoje em dia está sendo sofrível, ainda mais para pessoas que olham nós crentes como loucos, e às vezes tendo o apoio de crentes!
    Sei lá…
    Gostaria que você escrevesse também sobre essas pessoas…
    É possível irmão Helder? =D

    Abraço! ^^

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  4. Daniel,

    Dentro de uma visão calvinista, os sacramentos, efetivamente, comunicam graça. Por exemplo, quando Paulo fala em Cl 2:11-12 que a circuncisão cristã acontece no batismo, podemos fazê-lo com a fé e a esperança de que, de alguma forma, isso está acontecendo ali.

    O pai DEVE batizar o filho:

    1) Como um ato de fé de que ele crê que Deus vai preservar sua semente;
    2) Como uma confissão pública de que ele se compromete a educar o filho na aliança.
    3) Como um reconhecimento de que seu filho está dentro da aliança de Deus com a Igreja (Israel);
    4) Com a fé de que, embora o batismo não salve, ele comunica alguma bênção aos que o recebem (ligado ao ponto 1).

    O Israel de Deus é o remanescente, tanto no AT como no NT.

    Da Lei é fácil. Lei moral fica, lei civil (onde entram as batalhas) e cerimonial…game over.

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  5. Caro Helder,

    Sua postagem realmente está bem estruturada e com boa argumentação. Porém, eu, sinceramente, e embora prefira a forma que os batistas fazem isso (tanto no mergulho quanto em não batizar crianças), não vejo muita diferença entre as práticas. Explico…
    Os que batizam crianças normalmente têm algum tipo de “confirmação”. Os que não batizam, têm algum tipo de “apresentação” (com a mesma significação pactual que você menciona). Assim, se o batismo é feito na apresentação ou na confirmação não me parece um ponto para tão grandes batalhas.
    De minha parte, eu aceitaria de bom grado qualquer uma das práticas, quero dizer, não teria problemas, quanto a este ponto, em frequentar uma igreja presbiteriana ou uma batista, por exemplo.
    Seja qual for a prática, no entanto, muitos (quase todos, eu diria) não entendem bem o porquê de sua prática. Assim, um estudo como o seu pode ser esclarecedor.

    No amor do Senhor,
    Roberto

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  6. Roberto,

    Na verdade, se a apresentação é feita de forma pactual, insisto que o batismo é mais adequado. Mas concordo com você, dá pra ser presbiteriano ou batista sem problemas nessa questão. O problema é quando batistas recusam a Ceia a presbiterianos usando o argumento do batismo infantil. Ou como quando o Driscoll chama o pedobatismo de “bezerro de ouro da Reforma”.

    Abs,

    Helder Nozima
    Barro nas mãos do Oleiro

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  7. É muito interessante concluir que todos se acham verdadeiros mestres, mesmo ensinando com significativa divergência e fundamentando bem seus argumentos.

    Eu prefiro seguir o batismo apresentando por Jesus Cristo e João Batista, destarte, certamente não estaria tentando fundamentar minhas perspectivas. Em linhas gerais, batismo nas águas é também arrependimento.

    Deve ocorrer, preferencialmente, em águas correntes. Queremos ser imitadores de Cristo? Que o façamos o mais parecido! Havia tanques (Siloé, Betsaida) e não encontramos relatos de batismo realizados nestes, mas há quem queira respaldar e fundamentar tais práticas pelo comodismo e por achar tudo tão simbólico! Deve ser muito trabalhoso dirigir-se a um rio para fazer a vontade de Deus! Muito pouquíssimo se faz para ser seguidor de Cristo.

    Acho que Jesus não foi batizado quando criança, nem por aspersão, tampouco numa piscina ou tanque!

    II João 2:9-10

    Paz do Senhor a todos!

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