O mito da reputação inquestionável dos cristãos

O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo, acima do seu senhor. Basta ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor. Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos? (Mateus 10:24-25)

O “bom testemunho” e a paz com todos os homens são duas metas perseguidas pelos cristãos sinceros. A maturidade cristã envolve a busca de uma conduta irrepreensível e do relacionamento cordial com o maior número possível de pessoas. Uma conseqüência esperada é a de que, dentro e fora das igrejas, sejamos conhecidos como pessoas de caráter, de boa moral e conduta e tenhamos, de certa forma, aprovação popular. Achamos que isso seria muito bom, por exemplo, na evangelização. Afinal, a igreja de Jerusalém gozava de aprovação popular: “louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo” (Atos 2:46).

Mas, é preciso entender o “todo o povo” como uma figura de linguagem, um modo de falar. Os sacerdotes e fariseus odiavam os apóstolos. De fato, o ódio de certas seitas dos judeus (At 6:9), de anciãos, escribas e do povo (At 6:12) chegou a ser tão grande que eles mataram a Estêvão:

Ouvindo eles isto, enfureciam-se no seu coração e rilhavam os dentes contra ele. (…) E apedrejavam Estêvão, que invocava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito! (Atos 7:54, 59)

Quando lemos a Bíblia, vemos que a simpatia e aprovação popular, dentro e fora das igrejas, não é exatamente uma regra. A mim, parece-me que é muito mais fácil encontrar textos onde os homens de Deus sofrem, são perseguidos e até mesmo possuem uma reputação ruim do que o contrário. Como diz a Bíblia: Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. (2 Timóteo 3:12) Por que isso acontece?

Porque os homens maus se opõem à vontade de Deus. Eles estranham o comportamento dos cristãos, e por isso, falam mal deles:

Por isso, difamando-vos, estranham que não concorrais com eles ao mesmo excesso de devassidão (1 Pedro 4:4)

Na verdade, o mundo vai além de apenas difamar. Como as obras de Cristo são diferentes das obras do mundo, os cristãos podem ser odiados e até mortos:

Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos outros; não segundo Caim, que era do Maligno e assassinou a seu irmão; e por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas. Irmãos, não vos maravilheis se o mundo vos odeia. (1 João 3:11-13)

Desta forma, o mito da “reputação inquestionável” dos cristãos só vale para os falsos cristãos. Aqueles que verdadeiramente seguirem a Jesus, com certeza serão odiados, perseguidos e ofendidos por outros:

Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. (João 15:18-20)

Além de ser chamado de Belzebu pelos fariseus, Jesus também era chamado de guloso e beberrão…e não era um elogio:

Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores! Mas a sabedoria é justificada por suas obras. (Mateus 11:19)

Mesmo na igreja, o problema se repetia. Paulo era apóstolo, mas era criticado por vários irmãos, principalmente em Corinto:

As cartas, com efeito, dizem, são graves e fortes; mas a presença pessoal dele é fraca, e a palavra, desprezível. (2 Coríntios 10:10)

Por que é importante rever esses versículos e discutir o assunto? Porque, mesmo quando evangelizamos, precisamos entender que não vamos agradar a todos. O termômetro da santidade não é o da aprovação popular, seja o louvor do mundo ou mesmo os aplausos da igreja. O bom testemunho é aquele que é segundo a Palavra de Deus. Se, por obedecermos à Palavra, formos perseguidos e injuriados dentro e fora da igreja, amém. Isso é bom testemunho. O que importa é termos a aprovação de Deus, não a dos homens. E, se Deus nos aprovar, ainda que todos falem mal de nós, o Senhor nos usará para transformar a vida de outros, por meio do evangelismo e do nosso viver diário.

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2 thoughts on “O mito da reputação inquestionável dos cristãos

  1. Excelente posts Nozima!E venho aqui pedir três favores encarecidamente para vc:1. peço autorização para usar seu blog em citações sobre algumas dúvidas que cristãos e não cristãos tem a respeito o cristianismo;2. gostaria que vc se inscrevesse no forum de pump (http://www.pumpbr.net/forum) pois as vezes tem discussões e ter só uma pessoa que sabe (pouco!) da palavra de Cristo complica a beça as vezes para “defendermos” ao nosso fiel, verdadeiro e vivo Deus;3. Quero que vc marque um dia para termos aquele estudo biblico! Quero estudar mesmo cara!!!Bem, esses são meus pedidos e minhas felicitações! =DValeu por ser um excelente sensei cara! ^^Abração!

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