Por que nós devemos apoiar o ensino do criacionismo nas escolas evangélicas?

Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem. Pois, pela fé, os antigos obtiveram bom testemunho. Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem. (Hebreus 11:1-3)

De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam. (Hebreus 11:6)

2009 é o ano em que se comemoram os 150 anos de publicação do livro “A Origem das Espécies“, de Charles Darwin. E também é o ano em que a mídia brasileira, principalmente jornais e revistas (destacadamente a Veja), se levantou para “denunciar” o ensino do criacionismo em escolas evangélicas. Essa denúncia se tornou ainda mais premente quando o Instituto Presbiteriano Mackenzie, uma tradicional e renomada instituição evangélica de ensino, começou a ensinar o criacionismo nas aulas de ciência e a mostrar o evolucionismo como sendo uma teoria, uma opção científica, e não uma lei inquestionável da ciência.

Não vou fazer aqui a defesa pedagógica da escolha do Mackenzie. Teólogos muito mais capacitados que eu, como o Diretor de Ensino e Desenvolvimento do Mackenzie, Pb. Francisco Solano Portela já fizeram isso. Para ler, basta clicar aqui.

O meu objetivo neste post é outro. É mostrar porque nós evangélicos devemos apoiar o Mackenzie e outras instituições, evangélicas ou não, em sua opção pelo ensino do criacionismo.

1) Porque a revelação bíblica e a ciência não são incompatíveis. Muito pelo contrário. Se realmente acreditamos no que a Bíblia ensina, precisamos acreditar que ela é confiável e verdadeira, inclusive em suas afirmações científicas. Além do mais, a Bíblia não assume uma atitude antiintelectual, de condenação à verdade. Ao contrário, a Bíblia encoraja o estudo e mostra o interesse de grandes homens de Deus por assuntos “científicos”:

Porque melhor é a sabedoria do que jóias, e de tudo o que se deseja nada se pode comparar com ela. (Provérbios 8:11)

Deu também Deus a Salomão sabedoria, grandíssimo entendimento e larga inteligência como a areia que está na praia do mar (…) Compôs três mil provérbios, e foram os seus cânticos mil e cinco. Discorreu sobre todas as plantas, desde o cedro que está no Líbano até ao hissopo que brota do muro; também falou dos animais e das aves, dos répteis e dos peixes. (1 Reis 4:29, 32-33)

Ora, a estes quatro jovens Deus deu o conhecimento e a inteligência em toda cultura e sabedoria; mas a Daniel deu inteligência de todas as visões e sonhos. (Daniel 1:17)

Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida. (Tiago 1:5)

Os evangélicos não devem ser contrários à ciência, antes devem vê-la como aliada. Agora, é preciso entender os próximos pontos.

2) Sem Deus, a ciência sempre encontrará um limite. Aqueles que vêem na ciência a fonte última e definitiva da verdade, vão se enganar. Em primeiro lugar porque as leis e postulados da ciência são provisórios. À medida em que a ciência evolui, conhecimentos dados como certos podem se revelar duvidosos ou completamente errados. O tratamento de doenças com sanguessugas é um bom exemplo disso. Em segundo lugar, porque há limites para a investigação científica. Em princípio, não é possível reproduzir em laboratório as condições de surgimento do Universo, assim como não é possível observar partículas menores que uma certa dimensão, entre outros. A tecnologia venceu e pode vencer várias limitações, mas é de se questionar se ela, de fato, pode avançar ao ponto de superar todos os limites de observação e investigação existentes. Em terceiro lugar, tocando mais no caso do evolucionismo, porque certas afirmações tidas como científicas não foram, até agora, comprovadas. Por exemplo, os evolucionistas admitem a idéia de que a vida surgiu a partir de uma organização cada vez mais complexa de moléculas orgânicas. Pois bem, que cientista conseguiu produzir um organismo vivo de uma molécula orgânica complexa? Ao que me consta, a abiogênese é uma hipótese a ser comprovada. Em quarto lugar, porque a ciência é uma interpretação de fatos. O que existe não é o darwinismo ou o criacionismo, o que existem são os seres vivos, os fósseis, substâncias químicas e outros fatos. Tanto o darwinismo como o criacionismo são discursos, interpretações de fatos…que permanecem “válidos” até que se consiga uma interpretação que explique melhor as coisas. E há problemas, por exemplo, no registro fóssil, que mostra muito menos espécies de transição do que os evolucionistas gostariam. Até porque, parece que a evolução se dá em “saltos”, e não de forma gradual quando se vêem as evidências fósseis. (Para mais informações, “Como Tudo Começou?”, de Adauto Lurenço, Editora Fiel).

O homem precisa admitir que ele é finito e limitado. Em conseqüência, a ciência também o é. A razão, idem. Ciência e razão só podem ir até um certo ponto, principalmente se Deus for excluído. Se não há Deus, a vida surgiu como daquilo que não é vivo? Se não há Deus, como explicar que, em tantas probabilidades, a que prevaleceu foi a que gerou tamanha diversidade de espécies funcionais? E, mesmo quando o design não parece inteligente, precisamos nos lembrar que o pecado trouxe imperfeições à criação divina:

Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. (Romanos 8:19-20).

Apelação? Não, é apenas uma outra forma de se explicar os fatos. Ah, mas como explicar o tamanho do Universo, as camadas geológicas, entre outros? A Bíblia mostra Deus criando um Universo maduro, assim como Adão já foi feito homem. A luz, por exemplo, pode ter sido criada “a caminho”…outros argumentos, desenvolvidos por quem tem mais autoridade que eu, podem ser achados em livros e sites específicos.

Se somos evangélicos e acreditamos na Bíblia, precisamos aceitar os limites da ciência e compreender que é só em Cristo que podemos entender tudo. Como está escrito:

(…) Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos. (Colossenses 2:2b-3)

3) Rejeitar o criacionismo é rejeitar a fé em Cristo e desagradar a Deus. Para os que se dizem cristãos, esse ponto é o mais importante de todos, e se baseia nos versículos que abrem esse post. A criação do mundo pela Palavra pode ser provada cientificamente? Segundo a Bíblia, não. Entendo que isso acontece pelos próprios limites da ciência. Não podemos voltar no tempo e ver o início. Não podemos reproduzir em laboratório a hipótese “um ser onipotente fez tudo do nada por meio de sua palavra”. Acreditar nisso é uma questão de fé. A mesma fé que os antigos tiveram em Deus e que deve existir nos que buscam ao Senhor, se quisermos agradá-Lo. Desta fé depende até a nossa crença na divindade de Cristo, porque Jesus apela para Adão e Eva quando vai tratar do divórcio:

Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? (Mateus 19:4-5)

Jesus tinha fé de que Deus era o Criador, e que Ele nos fez (não nos evoluiu) homem e mulher. Se o criacionismo está errado, a nossa fé cai junto com o criacionismo, e aí não há razão de existirem escolas evangélicas, igrejas evangélicas ou mesmo fé evangélica.

Por estas razões, devemos sim apoiar o ensino criacionista nas escolas. Se apenas o evolucionismo é ensinado, a fé cristã é mostrada como obscurantismo e charlatanismo. No entanto, é preciso que as pessoas saibam que mestres e doutores, em países como Estados Unidos, Portugal e até na Unicamp, aqui no Brasil, professam o criacionismo e repudiam o evolucionismo, e são cientistas! Que existem vários buracos que o evolucionismo também precisa explicar (e que podem ser vistos em boa literatura sobre o assunto). É na educação que se ganham as batalhas ideológicas do futuro.

Por isso, se puderem…matriculem seus filhos em escolas evangélicas boas e sérias. Dediquem-se a estudar ciência, de modo profundo, e ouçam os argumentos de cientistas criacionistas. Comprem livros sobre o assunto, bloguem, escrevam artigos sólidos sobre isso. Essa é uma batalha que vale a pena lutar!

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One thought on “Por que nós devemos apoiar o ensino do criacionismo nas escolas evangélicas?

  1. O que não falta é briga boa pra brigar, né? Só falta um pouco mais de preparo. Nem ouvimos falar mais de criacionismo em nossas igrejas direito… Ou o assunto é tratado como ‘ah, isso é óbvio’ ou como ‘isso não é nosso escopo’, mas ninguém por aqui anda levando muito a sério a questão.

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