Santa Catarina: A Nova Orleans brasileira



“Art. 21. Compete à União:
(…)
XVIII – planejar e promover a defesa permanente contra as calamidades públicas, especialmente as secas e as inundações” (Constituição da República Federativa do Brasil)

“Passei pelo campo do preguiçoso e junto à vinha do homem falto de entendimento; eis que tudo estava cheio de espinhos, a sua superfície, coberta de urtigas, e o seu muro de pedra, em ruínas. Tendo-o visto, considerei; vi e recebi a instrução. Um pouco para dormir, um pouco para tosquenejar, um pouco para encruzar os braços em repouso, assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado” (Provérbios 24:30-34)

As chuvas que castigam Santa Catarina há praticamente duas semanas são uma tragédia. Já são pelo menos 116 mortos, ainda há 69114 pessoas desabrigadas e desalojadas. Catorze municípios estão em estado de calamidade pública e 51 em estado de emergência.

Mas, seria essa uma tragédia inevitável, um acaso divino? Na verdade, acho que não. As enchentes em Santa Catarina são como as enchentes em São Paulo ou as secas no Nordeste. Eventos naturais que fazem parte do ciclo climático da região. São previsíveis. E, com a tecnologia que nós temos hoje, evitáveis ou, pelo menos, amenizáveis.

Duvida? A enchente que atingiu Santa Catarina não é a maior da História do Estado. Em 1983, o rio Itajaí-Açu subiu mais de 15 metros. Em 1911, chegou a quase 17. Logo, a cheia do rio não é imprevisível, como um terremoto ou a queda de um meteoro.

Por que então a tragédia? Em primeiro lugar, porque o ente responsável por criar um sistema de prevenção a calamidades públicas – a União – ainda não cumpriu o seu dever constitucional. Assim como, até hoje, não resolveu o problema da seca no Nordeste ou das inundações na Grande São Paulo. Chega a ser previsível no planejamento dos jornais…final de ano é epoca de monitorar cheias de rios e quedas de encostas em SP, RJ, MG, ES e no Sul do país!

Mas essa ausência do Estado não deixa de ser uma culpa de todos nós, cristãos, inclusive. Não somos muito diferentes do preguiçoso de Provérbios 24. Ao invés de arregaçarmos as mangas e tomarmos atitudes para arrumar o que está caído no nosso país, nós jogamos os problemas para amanhã. Em relação à política, economia, cobrança das autoridades constituídas e outros dramas “terrenos”, nós cruzamos um pouco os braços aqui e cochilamos ali. Resultado: quando a necessidade chega (por exemplo, na forma de uma enchente, seca e até mesmo da violência) ela nos surpreende como um homem armado!

Não basta apenas orar e pedir que Deus tenha misericórdia das famílias afetadas. Mandar ofertas às igrejas atingidas ou contribuir com doações é o mínimo que a Igreja deve fazer. Mesmo medidas do Governo, como a liberação de crédito do FGTS para reconstruir as casas ou o envio de alimentos e outros materiais é insuficiente.

É preciso que a Igreja cobre das autoridades (neste caso, primeiramente, do Governo Federal) que tomem medidas para evitar esses problemas! Precisamos opinar sobre o orçamento, sobre a forma como o dinheiro é gasto em nosso país pelos governos. Exigir que o serviço público siga regras de eficiência administrativa e moralidade, mesmo que isso implique em sacrificar a estabilidade do funcionalismo.

E também precisamos fazer nossa parte. Devemos orar pelas autoridades (1 Timóteo 2:1-2), pagar os nossos impostos (Romanos 13:6) e exigir governos justos (Mateus 5:6). Além, é claro, de desenvolvermos projetos que nos ajudem a melhorar o nosso Brasil.

Precisamos erguer os olhos e ver que os campos do Brasil estão cheios de espinhos e urtigas, e que nosso muro de pedra está arruinado. E, além de cobrar que o Estado faça a sua parte, devemos nós, com maior empenho, fazer a nossa. E irmos até o campo arrancar as ervas daninhas e consertar os muros caídos.

Afinal, o Brasil é a nossa casa! E se a nossa casa está mal cuidada, é porque nós também não estamos cuidando dela direito.

A propósito, se você quer saber como doar dinheiro e alimentos à Defesa Civil de Santa Catarina, clique aqui ou ligue para 0800 482 020.

P.S: Se você não entendeu sobre Nova Orleans, eu me referia à enchente provocada pelo furacão Katrina, que devastou a cidade em 2005.

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