Uma decisão a se lamentar

Ontem o Supremo Tribunal Federal autorizou a pesquisa com células-tronco embrionárias. Para os cristãos que levam a Bíblia a sério, trata-se de uma decisão a ser lamentada, porque os embriões serão destruídos na pesquisa. Mesmo que ela seja feita apenas com embriões congelados há vários anos e, teoricamente, inviáveis à vida, esse tipo de pesquisa pode ser enquadrada como um assassinato.

A grande questão por trás deste assunto é quando começa a vida. O debate se concentra em torno daqueles que defendem o início da vida na fecundação e os que consideram que a vida só se inicia na nidação, quando o embrião se fixa na parede do útero. Em minha opinião, uma vez que há dúvidas sobre um assunto tão sério, a prudência, a sabedoria e o amor cristão recomendam que se vá pelo caminho mais seguro. Se há dúvidas sobre a destruição ou não de uma vida, você iria pelo caminho mais arriscado?

O ensino bíblico é claro e mostra que, para Deus, há vida antes do nascimento físico. Diz a Bíblia no Salmo 139:13-16:

Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem; os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nenhum deles havia ainda.

Em Jeremias 1:5, a Bíblia parece indicar que a vida humana começa antes da nidação, ou, pelo menos, antes da formação dos órgãos humanos:

Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações.

Embora o nascimento de Jesus seja algo à parte, quando o anjo Gabriel descreve como Maria ficava grávida, ele diz que o momento em que o homem Jesus passa a existir seria quando o Espírito envolvesse Maria com a sua sombra. Isso já dá uma idéia mais próxima da fecundação do que de nidação (Lucas 1:35):

Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus.

Há que se registrar, no entanto, que na Lei de Moisés a morte de um feto era considerada menos grave que a morte de um ser humano já nascido. No entanto, a morte de um feto era pecado e devia ser reparado:

Se homens brigarem, e ferirem mulher grávida, e forem causa de que aborte, porém sem maior dano, aquele que feriu será obrigado a indenizar segundo o que lhe exigir o marido da mulher; e pagará como os juízes lhe determinarem. (Ex 21:22)

Creio que estes textos são mais do que suficientes para esclarecer a questão. Mas, embora os outros textos não sejam tão pertinentes, cabe lembrar que Sansão era nazireu de Deus no ventre de sua mãe (Jz 13:5), João Batista seria cheio do Espírito Santo no ventre materno (Lc 1:15) e que Paulo foi separado por Deus para pregar aos gentios antes mesmo de ter nascido (Gl 1:15).

Para os cristãos autênticos, a Bíblia tem precedência sobre qualquer ponto de vista científico quanto ao início da vida humana. Mesmo que a maioria dos óvulos fecundados naturalmente não se fixem no útero ou que os gêmeos univitelinos só se separem após a fecundação, ainda assim é preciso que reafirmemos o que a Bíblia diz e ensina sobre o assunto.

Não sou contrário a pesquisas com células-tronco que possam curar pessoas de lesões nervosas, paralisias e tantos outros tipos de doença. Sou contrário apenas a que seres humanos sejam mortos ou pecados sejam cometidos para que isso aconteça. Ou você aceitaria que eu matasse o seu filho para pegar uma córnea para transplantar no meu irmão e um fígado para mim?

E o que fazer com os embriões congelados há anos nas clínicas de reprodução? Sinceramente, esse problema só acontece por causa do pecado humano e pela recusa em aceitarmos que a vida começa na concepção. Esse excesso de embriões ocorre porque, nas fertilizações in vitro, são fertilizados 5, 6, 8 óvulos para aumentar as chances de uma gravidez. No meu ponto de vista, deveriam se fertilizar no máximo três óvulos e todos eles deveriam ser postos no útero. Fertilizar óvulos que podem nunca ser utilizados é brincar com a vida. E a adoção continua sendo uma opção mais saudável, segura e amorosa para os cristãos que são estéreis.

Vale a pena ler a nota distribuída pela Confedereção Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) comentando a decisão do STF.

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One thought on “Uma decisão a se lamentar

  1. De fato, isso é algo triste…Sacrificar a vida de uma pessoa que não teve sequer capacidade de defesa…Acredito na soberania de Deus, e prefiro pensar que esse fato está acontecendo para ele mostrar o seu poder glorioso e edificante sobre nós…Sou a favor com as pesquisas com células-tronco (tanto embrionárias quanto não), mas acho que se os estudos forem procedidos da maneira correta, veremos várias pessoas serem salvas por conta de uma célula, assim espero.Pode soar anti-bíblico o que falei, mas como confiante na soberania perfeita de meu Pai, não tenho medo de expressar o que penso a respeito.

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