Uma igreja verdadeiramente pentecostal

Domingo é Dia das Mães, mas também é o dia em que os cristãos comemoram o Pentecostes. Foi no dia de Pentecostes, sete semanas após a Páscoa, que o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos e começou um novo capítulo na história da Igreja Cristã (At 2:1-41). Na verdade, o Pentecostes era uma festa judaica, instituída por Deus no início da colheita (Dt 16:9-12). Vale a pena notar que é nesse dia que Deus começou a sua “colheita” de novos discípulos para Jesus Cristo.

E há um verdadeiro fascínio no Brasil sobre os acontecimentos daquele dia de Pentecostes. Um grupo evangélico (o maior de todos) chega a se denominar pentecostal. Embora hoje isso esteja em mudanças, o pentecostal clássico acredita que os cristãos só são batizados no Espírito Santo quando falam em línguas. Suas igrejas enfatizam muito a ocorrência de milagres e outras manifestações sobrenaturais, como o dom da profecia. O Espírito Santo parece ocupar o centro das pregações e da vida da Igreja, sendo mais comentado do que Jesus ou o Pai. Os “usos e costumes” também são valorizados (comprimento da saia, proibição de maquiagem, entre outros), mas o século XXI está acabando com isso em várias igrejas do movimento. Como exemplo de igrejas pentecostais, cito as Assembléias de Deus, a Convenção Batista Nacional, a Igreja Presbiteriana Renovada, a Deus é Amor e a Brasil Para Cristo.

Mas o pentecostalismo já gerou dois “filhos”. Um é a Renovação Carismática Católica, que mistura o catolicismo com as ênfases da doutrina pentecostal. O outro é o neopentecostalismo, que dá menos ênfase no batismo do Espírito Santo com dom de línguas e nos “usos e costumes”. Em compensação, dá um destaque muito maior às contribuições financeiras e mantém a valorização dos milagres e do sobrenatural.

Teoricamente, as igrejas protestantes históricas, como a Igreja Presbiteriana do Brasil e a Convenção Batista Brasileira não seguem os princípios do pentecostalismo. Mas é inegável a influência que o movimento exerce sobre os membros dessas igrejas. Não é raro você ouvir um protestante reclamando que não vê nenhum milagre em sua congregação, mas que o pastor da igreja pentecostal da esquina vive fazendo atos sobrenaturais. Ou então um protestante procurar um profeta em uma igreja pentecostal para saber alguma coisa. Músicas de teologia pentecostal são cantadas nos cultos protestantes e quase ninguém se constrange com isso.

Não sou pentecostal, mas concordo que a igreja de Cristo deveria ser “pentecostal”. Mas não no sentido em que o termo é usado pelos evangélicos. Ao meu ver, os pentecostais evangélicos erram porque focam demais no evento de Pentecostes. Eles ignoram que a descida do Espírito Santo foi um evento de inauguração de uma nova era da Igreja. Acompanhar as marcas que a Bíblia nos dá sobre a Igreja pós-Atos 2 seria muito mais útil do que olhar apenas para a descida do Espírito. Assim, uma igreja verdadeiramente pentecostal é aquela que vive na era do Pentecostes, e não uma que quer voltar para o evento do Pentecostes.

O que isso significa? Fica como assunto para próximos posts.

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