A discussão que não foi feita

“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos
outros.” (João 13:35)

“Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. Assim,
pois, pelos seus frutos os conhecereis.” (Mateus 7:19-20)

Se você gosta de teologia, então deve estar acompanhando o debate sobre teologia relacional (ou teísmo aberto) e calvinistas. Você pode ler textos sobre a teologia relacional e sobre o contraponto reformado clicando nos links correspondentes.

Ao contrário de alguns, não concordo que se trate de uma discussão estéril. Aos nossos olhos, discutir se a circuncisão deve ou não ser feita também pode ser visto como algo estéril ou especulação inútil, mas foi o suficiente para Paulo gastar vários capítulos de suas cartas,indispor-se com muita gente e dar alguns anátemas. Porque, por trás dessa discussão estava a questão da salvação das pessoas.

O próprio Jesus Cristo disse que a vida eterna é conhecer a Deus (Jo 17:3). E, na verdade, a salvação, a santificação e todos os outros pontos da teologia dependem diretamente do conceito que nós temos sobre Ele. Faz, sim, muita diferença se Deus é ou não onisciente ou soberano. Só para ficar em um exemplo, como Ele pode garantir o cumprimento de suas promessas se não o for? Logo, discutir quem é Deus é uma tarefa que começa aqui e se estenderá por toda a eternidade.

Debater não é o problema. O problema é reduzir a questão a algo puramente intelectual, como se esse debate não trouxesse nenhuma conseqüência prática para a vida das pessoas.

Quais são os frutos gerados pela árvore da teologia relacional e do calvinismo ortodoxo? Como essas doutrinas traduzem o amor de Cristo nesse mundo? De que forma essas concepções podem mudar a vida de uma pessoa ou impactar a sociedade? Ao meu ver, são perguntas que permanecem sem resposta.

E aqui cabe uma auto-crítica aos adeptos do calvinismo. Muito da resistência evangélica à doutrina da soberania de Deus se deve a falta de amor e frutos que existem no nosso meio. E não adianta muito apontar para a Genebra de Calvino ou para os puritanos ingleses e norte-americanos. É preciso mostrar os frutos em terras tupiniquins.

Como aceitar o calvinismo, se é piada corrente que reformados não evangelizam? Quanto os reformados brasileiros têm se dedicado à oração ou à ação social? Qual a diferença que temos provocado no Brasil?

Talvez devêssemos discutir antes as questões acima, para sermos ouvidos em outros debates.

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2 thoughts on “A discussão que não foi feita

  1. Informações bem postadas, Helder.Uma característica marcante do calvinista em todos os tempos é o seu repúdio a atitudes emocionais, seja dentro ou fora da Igreja; daí a grande dificuldade de exortar as pessoas em nosso meio a agir de forma marcante na sociedade.A consequência mais direta dessa aparente frieza é na evangelização, na medida que evangelizar é apelar ao coração do ouvinte para que se arrependa e creia na Salvação – mas não dá para analisar a falta de evangelismo sem entender como funciona a cabeça do calvinista e o que ele deveria fazer para deixar de ser um “sorveteriano” sem perder as qualidades da Teologia Reformada.Ou uma coisa não tem nada a ver com a outra? A pensar no assunto …

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  2. Sobre este assunto, recomendo que leiam os artigos de Martyn-Lloyd Jones sobre o Sandemanianismo – uma heresia super-racionalista que encontrou seu caminho para as Igrejas Reformadas e destruiu o equilíbrio sadio entre afeição, vontade e intelecto tão bem expresso na teologia Puritana e nos escritos de homens como Cornelius Van Til.

    Que Deus nos abençoe para que não sejamos estéreis no amor, mas produzamos frutos dignos de nosso arrependimento.

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