Em 2018, você lutou por seu país. Em 2019, lute por sua Igreja!

“Mas eles retrucaram: Tu és nascido todo em pecado e nos ensinas a nós? E o expulsaram (João 9:34)”

Uma das lições que aprendi com as eleições brasileiras de 2018 é a de que a participação popular só é aprovada pela elite se o povo concordar com quem manda. Lembro-me de todas as eleições presidenciais pós-redemocratização, e nunca vi tamanho envolvimento popular nas discussões sobre quem votar. Muitos cidadãos comuns ousaram erguer a voz e discutiram nas redes sociais sobre o futuro do Brasil. Gente comum ousou questionar o que professores universitários, jornalistas e artistas ensinavam. O senso comum foi usado como arma e venceu os sofisticados argumentos da elite marxista cultural brasileira.

Obviamente, a elite não reagiu bem a essa “desobediência” popular. Abra qualquer grande jornal e não será difícil ler acusações de que o povo é ignorante e manipulado. Intelectuais não têm receio de insinuar que o povo não tem o conhecimento necessário para discutir temas importantes como o feminismo, a ideologia de gênero ou a arte de uma criança tocar um homem pelado em um museu. Mas, quando o povo votava no mesmo partido das elites, o povo estava finalmente se libertando.

A dinâmica religiosa
Infelizmente, essa dinâmica não é exclusiva da política. Também dentro das instituições religiosas, a elite (clero) não gosta de ver o povo (membresia, leigos) discutir teologia. A membresia é livre para concordar passivamente e acolher o que o clero ensina. Mas, quando membros não se sentem confortáveis com alguma postura ou ensino dos sacerdotes, a ordem é calar a boca e se submeter.

Em João 9, foi exatamente isso o que aconteceu. Jesus curou um cego no sábado, desobedecendo uma tradição religiosa dos fariseus e escribas. Não havia nada na Bíblia que proibisse curar no sábado, mas a interpretação judaica daquele tempo criou essa restrição. Por esse motivo, os fariseus interrogaram o cego sobre a cura. Quando o cego começou a defender a Jesus e a questionar os fariseus, esses o expulsaram, desqualificando-o como alguém “nascido todo em pecados”, indigno de ensiná-los.

O silêncio no século XXI
A maneira como os fariseus trataram o cego curado é a mesma adotada por vários pastores evangélicos quando lidam com seus membros. Darei um exemplo da minha denominação. Vários pastores presbiterianos cortam discussões teológicas com o argumento de que apenas concílios podem discutir tais assuntos. O leigo não foi ordenado ou licenciado para pregar ou ensinar. Em plena era da informação, onde qualquer movimento religioso divulga livremente suas ideias na Internet, os membros são desencorajados a vocalizar dúvidas e discordâncias em blogs, comunidades ou grupos virtuais. Veja bem: não falo de decisões. Essas devem sim ser tomadas em concílios. Mas a divergência é considerada um ato de rebeldia, por menor que seja.

Não se trata, porém, de exclusividade presbiteriana. Nos EUA, é comum existirem sites que fazem uma cobertura jornalística do que acontece nas grandes religiões, promovendo debates e fazendo reportagens sobre escândalos financeiros ou sexuais. Como são vistos? Bom, quando sites católicos americanos questionam o celibato dos padres ou a postura diante de casos de pedofilia, o papa os desqualifica como sendo instrumentos de escândalo e divisão. Normalmente, a mesma resposta acusatória surge quando sites relatam casos como as acusações de abuso sexual contra Bill Hybels ou dentro da Sovereign Grace Ministries. Pergunto: se casos mais leves de discordância doutrinária não podem e devem ser discutidos, o que os pastores dirão se sites e blogs de leigos evangélicos começarem a trazer casos graves de crimes, pecados e desvios de conduta?

Um chamado ao envolvimento leigo
E eu respondo: se os leigos aceitarem a repreensão farisaica e não exigirem que líderes prestem contas de sua doutrina, de suas ações e da maneira como governam suas igrejas, as igrejas afundarão como o Brasil vinha afundando nos anos petistas. Se a membresia confiar tudo ao clero e se calar, por submissão, os maus pastores continuarão a roubar dinheiro, ensinar heresias, distorcer as Escrituras e abusar sexualmente de fiéis. Já os bons pastores não deveriam temer nem restringir a discussão e o escrutínio públicos. Ao contrário, deveriam se engajar nele.

A Igreja deve ser transparente. Como presbiteriano, concordo com a Bíblia que a decisão é conciliar. Mas o debate, o questionamento e as discussões devem ser públicas. Em sua maioria, as cartas de Paulo eram endereçadas à igreja toda. Jesus debatia publicamente, na rua, com os fariseus e com leigos. O que os pastores do século XXI têm a esconder? Qual o medo?

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

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Feliz Ano Novo? Feliz Eu Novo!

E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. (2 Coríntios 5:17)

O ano pode até ser novo, mas nós continuamos os mesmos. Entra ano, sai ano,  muda o animal no calendário chinês e a posição dos astros no céu, e o ser humano continua fazendo promessas de que, a partir do dia 1º de janeiro, tudo será diferente. Reportagens sobre como se exercitar mais, se organizar melhor e ser mais feliz ocupam o noticiário todo dia 31 de dezembro. Milhões se vestem de branco e pulam sete ondas na beira do mar. Fazemos as mesmas coisas, na esperança de que tudo vai mudar. E ano que vem, vai ser a mesma coisa.

Por que isso acontece? Porque a mudança só virá se nós mudarmos, e não o calendário. O elemento comum de uma nova vida amorosa, uma nova saúde e uma nova vida profissional somos nós. Não precisamos trocar de cônjuge, de corpo ou de emprego. A única coisa que precisa ser renovada sou eu e você.

E aqui tenho uma má notícia e uma boa notícia. A má notícia é que a Bíblia nos ensina que o nosso esforço pessoal pode até nos melhorar, mas não nos renovará. A melhor versão de nós mesmos não dura para sempre e irá fracassar. Nossa autodisciplina pode nos salvar por algumas décadas, mas será derrotada cedo ou tarde. Assim como o Ano Velho, nossos esforços também envelhecerão e passarão.

Mas há uma boa notícia: Jesus não apenas nos melhora, mas nos transforma. Ele tem o poder de fazer algo muito maior do que “a melhor versão de nós mesmos”. A promessa da Bíblia é a de que Deus faz de nós novas pessoas, novas criaturas, uma nova criação. Em Cristo, Deus nos faz nascer de novo. E porque nós somos renovados, desde já, tudo pode ser novo. As circunstâncias continuam as mesmas, mas tudo se torna diferente quando estamos em Jesus.

Esse ano, quero te fazer uma proposta diferente. Ao invés de um Ano Novo, que tal um Novo Eu? Que tal experimentar o poder de Jesus de renovar todas as coisas? A Bíblia nos ensina que isso é possível. O nosso velho eu pode até continuar existindo por um tempo: envelhecendo, agonizando e morrendo a cada dia. Mas ele vai desaparecer. E o novo eu, criado em Cristo Jesus, viverá para sempre, a cada dia mais e mais, até o momento em que até os nossos corpos serão transformados, no último dia, quando nós ressuscitarmos. Naquele dia, veremos que tudo ficará velho e ultrapassado, até o calendário. Mas Cristo e aqueles que estão n’Ele, esses permanecerão novos, por toda a eternidade.

Compre uma Bíblia e leia-a. Procure uma igreja evangélica séria, bíblica, como as presbiterianas ou batistas tradicionais. Comece a orar e a buscar a Jesus. Te desejo muito mais do que um Ano Novo. Desejo um novo eu para todos nós.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Natal: um anúncio sobrenatural

Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus. (Lucas 1:35)

Já virou uma tradição do Natal ver cristãos se queixando sobre o caráter secular e comercial dado ao feriado cristão. Pastores assumem os púlpitos para apontar como o Papai Noel tomou o lugar de Jesus e os presentes deixaram de ser um ato de adoração a Cristo e se tornaram uma oferta “sagrada” no altar dos comerciantes. A reclamação é até justa, mas há uma pergunta que raramente é feita: tem a Igreja alguma culpa nesse cenário?

Não sou dono da verdade, mas a minha resposta é sim. Do começo ao fim, o Natal é uma sucessão de milagres. Ele é o momento em que o Filho de Deus encarnou-se, pela ação sobrenatural do Espírito Santo sobre a virgem Maria. Todas as pessoas que adoraram o Menino Jesus tiveram algum tipo de revelação sobrenatural de Deus. Anjos, estrelas e profecias explodem em todo lugar. Mas a Igreja não se encanta mais com a estrela, os anjos e as profecias. Tudo isso foi jogado em um passado distante e já não confiamos mais na revelação mística de Deus como meio de mostrar ao mundo a divindade de Jesus. O Natal tornou-se um evento questionável no calendário, alvo de polêmicas por causa da data e das polêmicas do calendário litúrgico. E, assim, a Igreja deu espaço para que o mundo trocasse os milagres pela “mágica do Natal”.

Só há uma maneira de reverter esse quadro. A Igreja precisa redescobrir o encanto e a maravilha do Natal. Precisamos recapitular o grande evento sobrenatural de Deus que foi a encarnação de Jesus. Mais do que isso: de alguma maneira, precisamos resgatar para os nossos dias o mesmo deslumbramento que levou magos, pastores e profetas à adorarem o Filho de Deus.

Tragam a Trindade para a festa
O primeiro resgate a ser feito é o da Trindade. O Natal não é apenas um tempo de manifestação do Filho de Deus, mas um evento que envolve todas as pessoas da Santíssima Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Ao ser chamado de “Filho de Deus”, fica claro que a paternidade de Jesus é algo que precisa ser enfatizado quando falamos de Natal. Mais importante do que ser filho natural de Maria e filho adotivo de José é o fato de Jesus poder chamar a Deus de Pai, em um sentido que não podemos. É isso que faz de Jesus um homem especial, perfeito e sem pecado. A vinda do Filho é o cumprimento de um plano traçado pelo Pai desde a fundação do mundo (Ef 1:3-14). Os filhos de Deus são aqueles que o Pai adota por meio de Cristo Jesus. Por meio do Filho nós recebemos a graça que foi concedida pelo Pai.

O Espírito Santo foi o meio pelo qual o Filho de Deus encarnou-se e tornou-se homem. A Maria, o anjo Gabriel disse que o Espírito Santo desceria sobre ela (Lc 1:35, citado acima). O evangelho de Mateus deixa isso mais claro: Maria foi engravidada pelo Espírito Santo e, por esse motivo, José poderia recebê-la sem temor.

Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo.  Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixá-la secretamente. Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. (Mateus 1:18-20)

A importância dos anjos
Uma coisa é acreditar nas profecias do passado sobre a vinda do Messias. Outra, bem diferente, é acreditar que essa profecia vai se cumprir em sua família, por meio de uma gravidez inesperada! Algo tão inusitado não poderia ser aceito por José e Maria com uma simples exposição das Escrituras. Era preciso que entes sobrenaturais anunciassem a novidade. Se fosse diferente, nenhum deles teria aceito a Encarnação.

Para essa missão, Deus enviou Gabriel, o anjo que havia aparecido ao profeta Daniel para explicar as visões que falavam da vinda do Messias e do fim do mundo (Dn 8:16). Assim como Daniel teve dúvidas e precisou de esclarecimentos, Maria também precisou da assistência sobrenatural do anjo para entender a revelação do que significava ser a mãe do Filho de Deus e conceber sem estar virgem. Do mesmo modo, Gabriel também anunciou a Zacarias o milagre do nascimento de João Batista, uma outra história de Natal, o nascimento daquele que precede o Filho de Deus (Lc 1:19). No caso de José, a Bíblia não afirma que foi Gabriel quem lhe apareceu em sonhos para falar que o filho de Maria vinha do Espírito Santo, mas eu considero bem plausível que Gabriel também tenha sido o mensageiro.

Mas a deferência especial de Deus não alcançou somente os pais de Jesus. Simples pastores tiveram o privilégio de uma visão, não apenas de um único anjo, mas de uma multidão deles! Embora pastores não fossem bem vistos na sociedade judaica e, provavelmente, fossem analfabetos, eles conheciam as promessas proféticas do Messias e já deveriam ter ouvido algum rabino explicando as Escrituras. Aqui, o propósito da visão angelical foi duplo. O primeiro era o de fazer com que os pastores cressem que a Escritura havia se cumprido. O segundo era o de mostrar o favor divino aos pastores. Em uma sociedade que os rejeitava, a visão testemunhava que Deus queria o bem deles.

O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos servirá de sinal: encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada em manjedoura. E, subitamente, apareceu com o anjo uma multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem. (Lucas 2:10-14)

Sonhos, sinais e profecias
Contudo, um acontecimento do porte da vinda do Filho de Deus não poderia ser anunciado apenas com um tipo de manifestação sobrenatural. Além das visitas angelicais, Deus usou sonhos, sinais e profecias para comunicar a vinda de Jesus.

Em todas as as vezes em que anjos falaram com José, o meio utilizado não foi o das visões, mas o dos sonhos. Foi por sonho que ele soube da origem divina de Jesus, foi instruído a descer ao Egito (Mt 2:13), a voltar para Israel (Mt 2:19) e a se fixar na Galileia (Mt 2:21).  Também foi por meio de sonhos que os magos souberam que não deveriam voltar a Herodes e voltaram a sua terra sem passar por Jerusalém (Mt 2:12).

A vinda dos magos aconteceu por causa de um sinal no céu: a famosa Estrela de Belém. Esses magos eram astrólogos, buscavam adivinhar o futuro por meio da posição das estrelas. Segundo a Bíblia, astrologia é pecado e não revela o futuro. No entanto, Deus usou a forma que os magos entendiam o sobrenatural para revelar o nascimento do “Rei dos judeus”. É verdade que os magos foram levados por Deus até a Escritura, mas os sinais foram importantes para levá-los até Jesus.

Profecias ou outras formas de comunicação sobrenatural também foram usados por Deus para fazer com que Simeão e Ana reconhecessem a Jesus. Simeão tinha o Espírito Santo (Lc 2:25) e teve uma revelação do Espírito de que veria a Jesus (Lc 2:26). Ele foi movido pelo Espírito (Lc 2:27) para ir ao templo e reconheceu quem era Jesus. Nada disso foi natural ou comum. Como o Espírito revelou? Por meio de uma profecia? Pode ter sido um sonho ou uma visão. Não sabemos ao certo, mas foi sobrenatural. Como o Espírito o moveu a ir ao templo? Não foi algo vago que pudesse ser confundido com uma coincidência, foi algo claro o suficiente para que sua origem sobrenatural pudesse ser identificada. Ana era uma profetisa (Lc 2:36) e não foi por causa das profecias de Isaías ou Jeremias que ela reconheceu a Jesus. Com certeza, o Espírito Santo tevelou a ela, naquele momento, quem era Jesus.

Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão; homem este justo e piedoso que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. Revelara-lhe o Espírito Santo que não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor. Movido pelo Espírito, foi ao templo; e, quando os pais trouxeram o menino Jesus para fazerem com ele o que a Lei ordenava…(Lucas 2:25-27)

Trazendo para os dias de hoje
O que podemos aprender com essas histórias? Em primeiro lugar, que dependemos da ação sobrenatural de Deus para reconhecer quem é Jesus. Nas narrativas do Natal, chama a atenção de que nenhum fariseu, escriba ou doutor da Lei foi adorar a Jesus ou reconheceu que aquele bebê era o Filho de Deus. Os escribas até foram consultados por Herodes quando os magos foram a Jerusalém, mas não creram. Sem a revelação do Espírito Santo, a Bíblia tornou-se para eles um instrumento de condenação, e não de salvação. Precisamos ter a humildade de reconhecer que o mundo (e a Igreja) dependem do Espírito Santo para crerem em Jesus. Tantos fatos não são mera coincidência, e nem algo que não tem aplicações para a época que vivemos.

Se é assim, então precisamos parar de retratar o Natal como algo comum. Até o mundo reconhece que há algo místico na data, ainda que o atribua ao Papai Noel e a uma mágica impessoal. Por que a Igreja não tem a mesma atitude? Há tantas revelações e diferentes manifestações para celebrar e nos levar a uma adoração reverente e alegre do Deus Triúno! O milagre é muito mais poderoso do que a mágica.

Que nesse Natal possamos celebrar o Deus que fez tantos milagres para nos salvar! Que tantas demonstrações de poder possam nos encher de esperança de que Ele ainda fala, dá sonhos e faz milagres nos dias de hoje. Que os milagres de Deus substituam a mágica do Natal para dar cor ao nosso futuro.

Feliz Natal,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Fetos, cachorros e baratas

Mais uma vez um caso ganhou proporções descabidas no Brasil, devido a mídia moderna ultra viral. Me refiro ao caso do cachorro no Carrefour. Em resumo: um cachorro que vivia constantemente na porta no Carrefour foi espancado até a morte essa semana, num ato de crueldade. Logo surgiram os defensores dos animais (e os pseudodefensores), vociferando contra o ato. Obviamente, não é preciso dizer que o ato foi cruel, e que não devemos tratar desse modo os animais. O que chama a atenção na verdade, é o fato de a morte de um cachorro criar um clima de comoção em poucas horas em um país inteiro, e as várias mortes de vida humana, sejam os fetos por aborto ou os milhares de assassinatos no país, não chegarem nem aos pés dessa comoção. Na verdade a inversão de valores na nossa sociedade é clara: defende-se e valoriza-se muito mais os animais do que a vida humana. Vivemos semelhante a povos primitivos que adoravam animais, mas sacrificavam bebês deformados. A questão é: como deveríamos lidar com o homem e com os animais? Creio que grande parte dessa resposta está contida na narrativa da Criação. Eu explico:

A imagem e semelhança de Deus

Primeiro eu preciso argumentar sobre como lidar com a vida humana. O fato de Deus ter criado o homem a sua imagem e semelhança já é motivo suficiente para entender que o homem possui mais valor que os animais. Ele é a coroa da criação, e distinto de todos os demais seres, de forma que deveríamos estar muito mais comovidos com a morte de pessoas do que com a morte de qualquer animal. Um dos mandatos da criação é chamado mandato social. Nele vemos que o homem foi criado para se relacionar com outros homens, muito mais do que para se relacionar com os animais. Fomos criados para uma vida em comunidade: comunidade de pessoas e não uma comunidade de cachorros. Isso justifica o motivo de a vida humana ser tão superior em valor do que a vida animal. Alguns textos bíblicos podem ser úteis nesse entendimento: O salmo 8.5 afirma que “Tu o fizeste um pouco menor do que os anjos e o coroaste de glória e de honra”, mostrando a importância do homem. Além desse temos na Escritura diversos mandamentos para a vida em sociedade, sendo o maior deles “amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:39). Confesso que nunca li na Bíblia “amarás o teu animal como a ti mesmo”.

Mas, pelo menos a mim, algo causa ainda maior espanto: o modo como a sociedade tem tratado a vida humana intrauterina. A causa abortista não ganha nem de longe a mesma proporção que a morte dessa cachorro causou. Não vemos pessoas vociferando pelas ruas e pelas redes sociais sua indignação contra a morte de crianças que se encontravam ainda no útero. Isso porque nossa sociedade e sua insensatez sem fim perdeu a noção de duas coisas básicas: a primeira delas é que o feto é um ser humano. Desde a concepção há ali uma pessoa, e não uma “pessoa em potencial”. O salmo 139 nos elucida quanto a isso dizendo que Deus viu o salmista quando este ainda era uma substância informe. Isso leva ao segundo item: a sociedade perdeu a noção de que aborto é assassinato. Nada vai mudar o fato de que tirar uma vida humana chama-se assassinato. E como todo assassinato, deveria haver grande comoção nacional toda vez que um feto é abortado. O modo como as pessoas tem tratado os fetos e os cachorros é demonstração clara da inversão de valores e da completa insensatez do nosso século.

O mandato cultural

E quanto aos animais? A resposta para o trato com os animais está no mandato cultural: Deus criou todas as coisas e colocou-as sob a administração do homem. Foi ao homem dada a função de cuidar, mas também usufruir, de toda a criação. O dicionário de ética de Carl Henry diz o seguinte: “Mas, assim como Deus pode usar toda a sua criação para a sua própria glória no contexto de sua natureza boa e santa, assim, também, o homem pode usar todos os animais, mas com responsabilidade” (pg 42). Isso significa que podemos sim comer animais. Podemos usa-los para o trabalho também. O que não é permitido ao homem é que maltrate esses animais.

Finalizo com as palavras de um pastor amigo:

“Realmente sempre encontramos pesos e medidas diferentes em se tratando de animais. Quando era criança sabia que a vizinhança matava os gatos que perambulavam pelos telhados das casas. Mas cachorro de rua, ninguém punha a mão. Eu já matei vários ratos (ratoeira e veneno). Já matei um gambá (eletrocutado rsrsrs). Já matei cobra. Já matei peixe. O ser humano tornou-se um predador, após o pecado. Deus alertou Noé, após sua saída da arca que os animais teriam “pavor e medo” de nós. E devem mesmo! Na mesma conversa, Deus liberou Noé e sua família a comer “tudo o que se move sobre a terra”. (Gn 9). Isso é extremamente abrangente. Não era para ser assim. No propósito inicial e perfeito da criação, animais seriam usados de forma sábia e pertinente pelos homens para o desenvolvimento da criação. Paulo fala que o pecado foi horrível para os animais (Rm 8). E eles aguardam a “revelação dos filhos de Deus”. Curioso não? Eles aguardam. Bom, o pecado afetou todo equilíbrio da criação. Pragas não deveriam existir, nem a crueldade e nem a morte. Após o pecado, animais são cruéis com animais. Animais são cruéis com seres humanos. Humanos são cruéis com animais. Humanos são cruéis com humanos. Maldito pecado! Em Cristo somos renovados e desafiados a nos relacionar uns com os outros e com toda a criação de forma mais justa, sábia e amorosa. Mas sempre me pergunto, quantas baratas Jesus matou em sua vida?”

Em Cristo,

Vítor Laguardia

Hora de sair da IPB? Perguntas de um presbiteriano carismático

Uma das perguntas que não protestantes fazem é por que surgiram tantas igrejas diferentes da Reforma Protestante? Uma das respostas está no princípio do livre exame da Bíblia. Livre exame não significa livre interpretação, mas dá a cada protestante o direito de examinar a interpretação de seus líderes, para verificar se ela está correta ou não. De certa maneira, foi o que Martinho Lutero fez, ao questionar se o catolicismo romano estava ou não em acordo com a Bíblia. Ao fazer isso, querendo ou não, Lutero examinou e julgou todo o Magistério e a Tradição católicas até então. A esperança do reformador não era criar uma outra igreja, mas sim mudar o catolicismo. Mas, qo ser pressionado entre submeter-se a Roma ou arcar com as consequências, a consciência de Lutero o obrigou a se submeter a Deus, antes de se submeter à Igreja. E assim começou o luteranismo, e o protestantismo.

De modo análogo, o livre exame e o dever de consciência também explicam porque o protestantismo já nasceu fragmentado. A questão do significado da Santa Ceia dividiu os seguidores de Lutero, Calvino e de Zwinglio. E, assim, vertentes diferentes do protestantismo surgiram, porque a discordância doutrinária, embora não fosse tão central quanto a da autoridade da Bíblia, ainda era importante o suficiente para não permitir que pontos de vista tão diferentes como a consubstanciação e o simbolismo da Ceia pudessem coexistir na mesma igreja.

Esse mesmo tipo de dilema se repetiu, em questões mais ou menos importantes, ao longo de toda a História da Igreja. Antes de falar do meu dilema pessoal, lembro-me de como presbiterianos deixaram a Presbyterian Church of the United States of America (PCUSA) por rejeitarem o liberalismo teológico adotado pela PCUSA. Isso não ocorreu no século XVI, mas em pleno século XX ainda ocorreram divisões por esse motivo.

No Brasil, há dois grupos em um dilema parecido: os batistas calvinistas e a Convenção Batista Brasileira (CBB) e os presbiterianos não cessacionistas na Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). Submeter-se ao resto da denominação e calar-se sobre as convicções pessoais ou seguir a consciência e sair da denominação? No caso batista, pelo governo congregacional, o problema é até mais fácil de ser equacionado. Mas, para verdadeiros presbiterianos, como eu, a solução não é tão simples.

Como o próprio nome do meu blog denuncia, creio na doutrina reformada, mas também sou carismático quanto aos dons espirituais. Sou um dos poucos que resolveu assumir os dois lados como uma bandeira de fé. Mas, eventualmente, recebo perguntas de leigos, seminaristas e pastores sobre o mesmo dilema: é hora de sair da IPB? Fico e me submeto, tento mudar ou saio? Mas, se sair, para onde ir? Não há uma denominação brasileira de alcance nacional que realmente abrace tanto a doutrina reformada como a contemporaneidade de dons como profecia, línguas, curas, milagres e discernimento de espíritos. Essa opção pode até existir, localmente, mas não para a esmagadora maioria dos que conheço.

Como resolver? Não é um problema simples, e, por isso, esse texto não tem como ser curto. Escrevo aqui principalmente para pastores e seminaristas. Há várias coisas que precisamos considerar.

A discordância justifica sair?
A primeira pergunta que precisamos nos fazer é: eu considero a contemporaneidade dos dons carismáticos um ponto tão importante, a ponto de entender que as igrejas não podem viver de modo saudável sem o exercício desses dons? Se eu não considero um ponto tão importante assim, então não há motivos para sair. O melhor seria se submeter. Agora, se eu considero que as igrejas perdem algo importante sem a crença e o exercício desses dons, então o caminho é influenciar a IPB ou sair.

Reparem que não falei apenas de crença, mas de exercício dos dons. Se nossa crença nos dons extraordinários é forte e incomoda a consciência, mas não há disposição para praticar esses dons no dia-a-dia da Igreja, é melhor ficar onde está. Muitos que dizem crer nos dons vivem em um cessacionismo prático. Se há medo de mudar isso ou se o cessacionismo prático é confortável, então é melhor calar a boca e se submeter.

Você consegue fundamentar a sua crença?
Uma segunda pergunta é se conseguimos fundamentar, na Bíblia, não apenas porque os dons extraordinários não cessaram, mas também porque a Igreja perde muito ao não exercê-los. Vou além: caso eles devam ser exercidos, precisamos ter de modo bem claro quais são os princípios bíblicos que vão limitar e orientar a prática dos dons.

No meu caso pessoal, há vários textos aqui no blog que explicam porque creio na contemporaneidade dos dons extraordinários e até alguns limites sobre como esses dons devem ser exercidos. Há bons livros que tratam do assunto. Entre eles, fui influenciado pela Teologia Sistemática de Wayne Grudem, pelo livro “O Dom da Profecia“, também de Wayne Grudem, e os livros “Surpreendido Pelo Espírito Santo” (CPAD) e “Surpreendido Pela Voz de Deus” (Vida), de Jack Deere (ambos fora de catálogo no Brasil). O livro “Cessaram os Dons Espirituais”, que traz diferentes pontos de vista sobre o assunto, também foi de grande utilidade. Infelizmente, também está fora de catálogo.

Não sei que fundamento você usa (ou não) para justificar o lado carismático de sua fé. Para não deixar completamente em branco qual o meu posicionamento, eu vou deixar apenas um texto bíblico aqui:

Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel: E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão (Atos 2:17-18)

Os últimos dias são o período que começou com a vinda de Jesus Cristo e dura até o retorno dele no fim dos tempos. A marca desse período é o derramar do Espírito Santo e a manifestação do dom da profecia. Ao limitar a manifestação da profecia de Joel apenas ao período apostólico, entendo que a IPB erra e abre mão de uma grande promessa dada por Deus para esse momento da História. Só o Senhor sabe a falta que as visões dos jovens, os sonhos dos velhos e a profecia de filhos e filhas tem feito ao crescimento qualitativo e quantitativo de nossas igrejas.

Não sei qual a sua resposta. Mas a minha é: os dons ditos extraordinários deveriam estar sendo praticados. Ao optar por não fazê-lo e ensinar que eles cessaram, a IPB peca e perde muito por isso. Entendo que não apenas devo ensinar que os dons ainda existem, mas que devo buscar o exercício deles em meu ministério.

Reforma ou Carisma?
Uma terceira pergunta que precisamos nos fazer é: se for preciso escolher, fico com Reforma ou com Carisma? É preciso sermos realistas. Nem todos os pastores vão ter dons ou perfil para começar uma nova igreja. Alguns não vão ter recursos financeiros ou tempo para se dedicarem à plantação. E aí é preciso saber para qual lado pende o seu coração.

Há pastores presbiterianos que consideram o “Carisma” mais importante. Entre eles, coloco aqueles pastores que já não ensinam mais nada de reformado em suas igrejas, mas embarcaram em modas como o G-12. Pastores que não são carismáticos por causa de uma teologia sólida, mas porque querem imitar as igrejas “que crescem” e desfiguraram suas congregações de tal maneira que elas não parecem mais reformadas. Igrejas com cultos de cura, de libertação espiritual, que ensinam sobre demônios territoriais, onde pastores não querem mais governar com presbíteros e invejam os bispos e “apóstolos” de outras denominações. Esses eu nem os considero reformados. Deveriam ser honestos, sair e irem a denominações neopentecostais ou abrirem igrejas onde eles podem governar de modo déspota.

Eu considero a “Reforma” mais importante. Por mais que valorize os dons carismáticos a ponto de expor o meu nome por causa deles, jamais os trocaria pelo ensino reformado da centralidade e suficiência da Escritura, da soberania e da providência de Deus e da glória de Deus como objetivo maior de todo ser humano. Mesmo os simples cinco pontos do calvinismo valem mais do que a prática da profecia. Prefiro dez mil vezes estar em uma igreja onde não possa falar contra o cessacionismo, mas ouça sermões sobre a soberania de Deus, do que estar em uma igreja onde possa exercer qualquer dom, mas não possa ensinar o calvinismo.

E é por isso que considero difícil a um verdadeiro presbiteriano simplesmente sair e abrir um trabalho. Eu creio que o governo da Igreja deve ser feito de modo conciliar. Jesus não entregou a chefia dos apóstolos a nenhum deles. Desde o início, o cristianismo teve uma liderança plural. As igrejas não decidiam sozinhas suas questões doutrinárias, como bem mostra Atos 15 e o Concílio de Jerusalém, o texto áureo do governo presbiteriano. Sair para começar algo novo pode significar uma ruptura com esse tipo de governo para começar algo de modo episcopal, onde o pastor governa a Igreja. E esse não é um modelo que eu considere bíblico. Por todos esses motivos, eu ainda não saí da IPB.

Não saí também porque, ao meu ver, os concílios existem para arbitrar questões. Isso pressupõe que haverá diferentes partidos dentro da denominação em relação a algumas questões. Uma igreja conciliar que proíbe seus pastores de questionar a biblicidade de alguma regra já não é mais conciliar. Se o debate é proibido, já não há mais porque haver concílios que se reúnem com regularidade. E eu entendo que a IPB ainda não debateu devidamente essa questão.

O que quer a IPB?
E aqui vem uma pergunta que a denominação como um todo não quer responder de modo claro. A IPB quer pastores carismáticos em seu meio? Se sim, então essa diferença de opinião precisa ser tolerada. Não há porque perseguir e fazer campanhas difamatórias contra pastores não cessacionistas. Eles deveriam ser tratados com respeito e terem liberdade para, em algum grau, praticarem o que crêem. Se não, a denominação também precisa dizer isso claramente. Mais do que isso: ela não pode mais tolerar que pastores desfigurem suas igrejas como tem acontecido em várias cidades do Brasil, com todo tipo de mau pentecostalismo. Ela não pode mais ordenar pastores que sejam carismáticos. O que está escrito precisa ser cumprido, ainda que isso signifique perder pastores e até igrejas no processo.

A indefinição é que não traz paz verdadeira para a denominação. Se o confessionalismo estrito é a norma, amém! Mas que se tirem os pastores que vivem em desacordo. Alguns deles até ganham destaque denominacional, em vários níveis. Enquanto isso existir, a norma escrita sempre será desafiada. Agora, se a contemporaneidade dos dons é um assunto menor, onde pode existir liberdade de divergência, então que a liberdade seja real. Em outras denominações reformadas, é possível apresentar algumas divergências em relação aos Símbolos de Fé de Westminster. O pastor apresenta as suas divergências e o Presbitério julga se o ministro pode ou não ser recebido, se as divergências são menores ou se são significativas. E, caso o ministro seja aprovado, não há colegas de ministério acusando-os ou perseguindo-os, como acontece no Brasil.

Se a IPB responder, de modo enfático, a resposta para muitos como eu seria mais fácil. Hoje eu não sou administrativamente um pastor. Estou há mais de dois anos no exterior, sem campo na IPB, e estou como membro de uma igreja presbiteriana em Brasília. Devo voltar ao Brasil em 2020 (Deus sabe se sim ou se não), mas eu mesmo não sei se persigo uma reintegração ao ministério pastoral ou se busco exercer o pastorado fora da IPB. Peço até que você ore por isso. Mas, da minha parte, confesso que estou disposto a buscar viver de modo integral tanto Reforma como Carisma. Amo a IPB, gostaria muito que fosse lá. Mas, se não for possível, que Deus me mostre o que fazer.

Não tenho uma resposta para quem me pergunta. Mas espero que esse texto ajude outros colegas reformados e carismáticos a tomarem uma decisão. E espero que esse texto motive pastores e presbíteros da IPB a buscarem um posicionamento mais firme e consistente da denominação sobre essa questão.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

ENEM – Exame Nabucodonosor do Ensino Médio

Entra ano, sai ano, e há duas certezas que você ter sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A primeira é a de que você vai poder fazer vídeos constrangedores dos alunos que chegam atrasado. A segunda é a de que a prova será criticada por suas questões com forte viés ideológico. O ENEM 2018 não podia ser diferente.

De todas as polêmicas, a que está causando mais barulho é a que pergunta sobre o “dialeto secreto” dos travestis, o pajubá, que usa termos da língua iorubá. A maneira usada pelo examinador para saber se o aluno sabe o que é um dialeto foi questionada até pelo presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, que considerou a pergunta uma supervalorização da questão LGBT. Por outro lado, há pessoas que consideram exagerada a reação à pergunta. Ela não encorajaria nenhum tipo de engajamento homossexual e tamanha aversão apenas contribuiria para o avanço da homofobia no Brasil.

Quem tem a razão? Antes de responder, gostaria de explorar um outro exame feito na Bíblia. Assim como o Enem, esse exame era um pré-requisito para ascender socialmente, era promovido pelo Estado e tinha objetivos bem específicos.

A escola de Nabucodonosor
A história deste exame está no livro de Daniel. No século VI a.C., o grande imperador da Babilônia, Nabucodonosor, havia acabado de conquistar vários povos, entre eles, os judeus. Como parte de sua política de dominação, os babilônios transportavam as elites dos povos conquistados para a sua capital, de modo a deixar o populacho sem liderança. Mas Nabucodonosor tinha mais um objetivo: ele queria desconstruir a identidade nacional de seus conquistados. E, para isso, ele queria que os jovens dessas elites se tornassem babilônios (também conhecidos como caldeus).

Disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, tanto da linhagem real como dos nobres, jovens sem nenhum defeito, de boa aparência, instruídos em toda a sabedoria, doutos em ciência, versados no conhecimento e que fossem competentes para assistirem no palácio do rei e lhes ensinasse a cultura e a língua dos caldeus. Determinou-lhes o rei a ração diária, das finas iguarias da mesa real e do vinho que ele bebia, e que assim fossem mantidos por três anos, ao cabo dos quais assistiriam diante do rei. Entre eles, se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias. O chefe dos eunucos lhes pôs outros nomes, a saber: a Daniel, o de Beltessazar; a Hananias, o de Sadraque; a Misael, o de Mesaque; e a Azarias, o de Abede-Nego. (Daniel 1:3-7)

Não adiantava tentar transformar homens adultos em caldeus. Jovens eram mais flexíveis. Afinal, eles não deveriam apenas adquirir o conhecimento técnico necessário para trabalhar para o rei: eles deveriam aprender a cultura e a língua. Seus hábitos alimentares seriam mudados: agora eles comeriam a mesma comida do rei. E ganharam outros nomes, na língua babilônica. Foi isso o que aconteceu com o profeta Daniel e seus amigos Hananias, Misael e Azarias.

Há muitas similaridades entre o método de educação babilônico e a educação considerada ideal no Brasil. Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a educação domiciliar.  Em seu voto, o ministro Ricardo Lewandowski enfatizou que o Estado deve participar da educação das crianças. O ministro Luiz Fux lembrou que a lei brasileira determina o acesso e a permanência da criança na escola. No Brasil, o Estado deve interferir na educação.

Além da interferência estatal, um outro ponto de excelência seria a educação integral, onde a criança passa o dia inteiro na escola e só entra em contato com a sua família à noite, quando todos estão cansados. Assim, o Estado não apenas participa, como acaba sendo o protagonista da educação, em se tratando de escolas públicas. Afinal, até a maioria das refeições acaba sendo dada pelo Governo. Acrescente a isso a noção de que o educador ideal forma um cidadão, e você tem a receita babilônica a pleno vapor. As escolas brasileiras não transmitem conhecimentos, elas querem educar, elas querem formar a cultura de seus alunos. Em outras palavras, há uma cultura e até uma “língua” a ser ensinada. Qualquer semelhança com o pajubá é mera coincidência.

Por fim, há a questão do nome. Nos tempos bíblicos, quando pais nomeavam seus filhos, isso era um sinal de autoridade. O nome escolhido transmitia alguma mensagem ou ideia, e era uma espécie de definidor de caráter. Ao mudar o nome de Daniel e seus amigos, a Babilônia estava exercendo essa autoridade em um nível extremamente pessoal. Era um sinal externo de que eles não eram mais judeus, mas caldeus. De certa forma, a educação brasileira quer forjar uma nova identidade. Por isso que ministros como Luiz Fux, consideram a educação domiciliar por motivos religiosos como uma “uma superproteção nociva à criança”.

O exame de Nabucodonosor
Mas, muito antes em se falar em mensuração de resultados, os caldeus já sabiam que era preciso medir a eficácia de sua filosofia educacional. E o examinador era a própria encarnação do Estado da época: o rei Nabucodonosor. Ele faria perguntas sobre matérias de “sabedoria e inteligência” e o resultado seria comparado com o da elite intelectual caldéia: os magos e encantadores. Se aprovados, os estrangeiros seriam parte dessa elite. Se reprovados, até a cabeça dos professores poderia ser cortada. Não há motivador melhor para o ensino do que esse.

Duvida? Basta ver a reação de Aspenaz quando Daniel e seus amigos se recusam a seguir a dieta real:

 Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se. Ora, Deus concedeu a Daniel misericórdia e compreensão da parte do chefe dos eunucos. Disse o chefe dos eunucos a Daniel: Tenho medo do meu senhor, o rei, que determinou a vossa comida e a vossa bebida; por que, pois, veria ele o vosso rosto mais abatido do que o dos outros jovens da vossa idade? Assim, poríeis em perigo a minha cabeça para com o rei. (Daniel 1:8-10)

Se Daniel e seus amigos estivessem “fora do padrão”, abatidos, diminuídos em relação aos demais, a vida de Aspenaz estava em risco. Por analogia, talvez Daniel até ficasse vivo, mas seria o fim de qualquer possibilidade de ascensão social, e é quase certo que uma vida de servidão o aguardava. Não havia meio termo: a vida dependia daquele exame.

O Enem está se tornando um exame assim. Há uma pressão para que o exame seja o critério principal e decisivo para ingresso em qualquer estabelecimento de ensino superior. Outras formas de seleção são desencorajadas e mal vistas. Não se faz o mesmo que outros países, como os EUA ou o Canadá, onde há o exame mas pode-se ingressar em uma faculdade pelo currículo, pelo desempenho esportivo ou artístico ou outros fatores que podem ser decisivos. Pior: no Brasil, considera-se que não há possibilidade de sucesso profissional fora das faculdades. Em países realmente desenvolvidos, um emprego de ensino médio pode muito bem te pagar mais do que certas faculdades.

“Se fere minha existência, eu serei resistência”
Aqui já deve estar claro qual o meu posicionamento sobre a pergunta do pajubá. Sim, talvez a resposta da pergunta seja sim algo válido de se aprender. Em se tratando de línguas, é bom que alunos saibam o que é um dialeto. O problema é a fôrma usada para a pergunta. Porque, ao analisarmos o quadro maior da educação brasileira, o que podemos ver é que o Enem é um instrumento de submissão ideológica, como afirma o crítico literário Rodrigo Gurgel:

Como afirmei em 25 de outubro de 2015 — e como muitos amigos estão lembrando aqui e em outras redes sociais —, o ENEM não é um exame, não é uma prova. Não… É um exercício de submissão ideológica. É o primeiro exercício de submissão ideológica antes da entrada na universidade, onde a submissão ideológica se completará. O governo não quer saber a opinião do estudante. Não… Quer apenas que o estudante concorde com a ideologia que o próprio governo defende, ensina e estimula. Se isso não é uma forma de totalitarismo, então o que é?

Há uma pauta política e cultural que justifica o uso dos travestis e de um dialeto derivado de uma língua africana na pergunta. Há método ao destacar um advogado como alguém que conhece o pajubá e o usa em ambientes mais formais. O objetivo está ligado à ideologia de gênero: legitimar o travestimento. Por isso a pergunta em um exame de acesso universitário, a ligação com a cultura africana, o uso de um advogado e o ambiente formal: tudo para dar legitimidade a um comportamento que não é bem visto por toda a sociedade. Isso explica também porque a imprensa está querendo eleger “Pablo Vittar como mulher mais sexy do Brasil” e Thammy como “homem mais sexy do Brasil”. Os fatos estão ligados. É essa a língua e a cultura que está se querendo ensinar.

E aí é que entra a lição que a Bíblia nos dá diante de um quadro educacional assim: resistir. Capitular pode não ser o fim da existência física, mas é o fim da existência identitária. Daniel não teve como escapar do exame, nem mesmo como evitar o aprendizado da língua e da cultura dos caldeus. Mas ele nunca capitulou diante de Nabucodonosor. Ele resistiu dentro do cabível, rejeitando as iguarias do rei e preservando a dieta prescrita na Lei de Moisés. Daniel e seus amigos se mantiveram como uma microcomunidade judia na corte babilônica. Preservaram sua fé, seus valores e sua consciência. E porque resistiram, o nome deles foi escrito na Bíblia e perdura até hoje.

Posteriormente, Daniel e seus amigos foram examinados por Nabucodonosor e aprovados. Eles entraram para o serviço público da Babilônia. E aí agiram como “sal na terra”, influenciando por dentro a máquina imperial, de modo que até o próprio Nabucodonosor reconheceu a superioridade do Deus de Daniel:

 Mas ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os olhos ao céu, tornou-me a vir o entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é sempiterno, e cujo reino é de geração em geração. Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes? (Daniel 4:34-35)

O nosso papel no Brasil do século XXI é imitar a Daniel e a seus amigos. Como eles confiaram em Deus, devemos confiar em Jesus, que é Soberano sobre Nabucodonosor e sobre toda a máquina ideológica do Estado brasileiro. Devemos resistir, cada um em sua esfera.

Se alunos, façamos as provas e aprendamos os conteúdos, mas que a nossa comida verdadeira seja a Palavra de Deus, e não o alimento imundo da ideologia de gênero e do marxismo cultural. Se somos professores, servidores públicos, escritores, pais ou até presidentes, precisamos desmontar essa máquina e influenciar do lado de dentro. Como? Tendo uma conduta profissional irrepreensivel, colocando Deus no nosso trabalho, orando e falando o que é correto. Se até Nabucodonosor se curvou, por que não os discípulos de Gramsci e Marx?

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

A Reforma Anti-Totalitária e suas lições para o Brasil

Publicado originalmente em 5 Calvinistas.

Sinto saudades de quando as eleições eram realizadas apenas no dia 15 de novembro. Então, outubro ainda podia ser o mês das crianças e da Reforma Protestante. No entanto, quis a Providência Divina que o Brasil realizasse eleições em outubro. Mais do que isso: em 2018 elas acontecem no domingo em que, tradicionalmente, celebraríamos o aniversário da Reforma Protestante. E há sabedoria nisso.

Martinho Lutero ainda não sabia disso, mas quando ele pregou suas 95 Teses na Catedral de Wittenberg, ele começou um movimento religioso que teria implicações políticas, culturais e econômicas. Até os estudiosos seculares se sentem obrigados a explicar a Reforma em seus cursos de História, porque ela é indispensável para compreender o mundo em que vivemos hoje. A fé nunca é apenas um assunto privado, ela é sempre o centro de um abalo sísmico que vai impactar toda a vida do fiel. E, no campo político, a Reforma foi um grito contra o totalitarismo simbolizado pelo papa.

A Bíblia e as constituições
O papado moderno foi forjado durante a Idade Média e é filho de seu tempo. A Igreja sempre foi descentralizada enquanto era perseguida no Império Romano. Houve um início de centralização quando Constantino reconheceu o cristianismo, no século IV, mas o fim do Império Romano voltou a fragmentar a Igreja ocidental. Ao longo da Idade Média, reis buscaram legitimar seu poder e centralizá-lo, lutando para diminuir o poder dos senhores feudais. De modo análogo, o Papado também reivindicou para si a supremacia sobre toda a Igreja e lutou contra reis para assumir o controle das nomeações eclesiásticas e sufocar aqueles que contestassem sua teologia e autoridade. O período medieval termina com reis absolutistas e papas com um imenso poder. Em suma: a Idade Média começa com uma Europa quase anárquica e termina com uma Europa quase totalitária.

Ao questionar publicamente as indulgências (o perdão de pecados concedido por meio de ofertas à Igreja) e apontar os desvios do catolicismo romano, Lutero fez um desafio imperdoável. O erro do reformador foi ter afirmado que, além de Deus, havia uma outra autoridade superior à do papa: a Bíblia Sagrada. Quando ele colocou as Escrituras como a norma a ser observada até mesmo pelo suposto sucessor de Pedro, Lutero desferiu um golpe inconsciente contra o totalitarismo medieval.

Esse deslocamento de autoridade teve repercussões que se fazem sentir até no Brasil do século XXI. Ao colocar a autoridade sobre as leis divinas, e não sobre o seu intérprete, Lutero deu uma justificação teológica para os governos constitucionais de nosso tempo. O poder de reis, presidentes, parlamentares e juízes é definido e limitado pelo texto constitucional. Em caso de abusos de poder, assim como Lutero apelou para a Palavra de Deus, hoje podemos apelar para o texto fundador do país: a Constituição.

Vale lembrar que isso afetou até mesmo os príncipes que protegeram Lutero quando a reação católica colocou a vida do reformador em perigo. Os príncipes alemães gostaram da descentralização de poder, mas talvez aspirassem a um totalitarismo local, menor. Com o passar do tempo, o apelo à Lei acabou alcançando todas as esferas de poder político ocidental, enterrando também o feudalismo e toda a estrutura política medieval.

Concílios e parlamentos
Uma vez estabelecida uma nova fonte de autoridade, é preciso ouvir o que ela diz. A Reforma foi, antes de tudo, uma tentativa de retorno e de resgate do ensino bíblico. E algo interessante a se notar é que nenhuma das denominações filhas da Reforma de Lutero adotou o episcopalismo, o governo da Igreja pelos bispos. As denominações protestantes que possuem bispos ou são filhas da Reforma Inglesa (metodistas, por exemplo) ou são filhas do movimento neopentecostal, o qual tem seu caráter protestante questionável.

De modo geral, duas formas de governo eclesiástico procederam do movimento inicial da Reforma: o governo congregacional e o governo presbiteriano da Igreja. A figura do bispo acima dos demais que decide as questões doutrinárias foi substitúido pelos concílios. O luteranismo formou seu corpo doutrinário na Confissão de Augsburgo, que teve Melanchton como principal redator, e não Lutero. João Calvino defendeu o governo da Igreja por meio de uma pluralidade de presbíteros e as doutrinas do calvinismo foram definidas em concílios posteriores, que produziram documentos como Os Cânones de Dort e a Confissão de Fé de Westminster, entre outros. Até mesmo os batistas decidiram sua doutrina de modo conciliar, produzindo as Confissões Batistas de Londres no século XVII.

A importância dos concílios é que eles são uma espécie de equivalente dos parlamentos. Diferentes pontos de vista são examinados por comissões, discutidos e chega-se a um acordo sobre o texto final. A primeira grande controvérsia teológica cristã foi resolvida de modo similar, no que ficou conhecido como Concílio de Jerusalém, registrado em Atos 15. De modo mais rotineiro, tanto as assembleias congregacionais como as reuniões de Conselhos de igrejas locais também cumprem uma espécie de papel legislativo. O clero não decide sozinho, ele precisa do consentimento da assembleia ou de seus representantes (os presbíteros) para governar a Igreja.

Liberdade: a doença e o antídoto
Contudo, há uma implicação negativa da Reforma, sempre lembrada pelos católicos. Ao evitar a centralização, a Reforma levou a um quadro nunca antes de visto de desfragmentação da Igreja. Ninguém sabe ao certo quantas denominações se divide o protestantismo, e muitas delas sequer carregam os fundamentos teológicos dos reformadores.

Por que isso acontece? Porque o maior problema da Reforma é uma de suas maiores virtudes: a liberdade. Ao tirar o poder de uma pessoa e lançá-lo sobre a Bíblia em si, a Reforma abriu a possibilidade de qualquer um examinar livremente a interpretação bíblica. Como é inevitável (e explico por quê a seguir), divergências surgiram. E, sem uma autoridade central a apelar, nada impediu que se criassem denominações diferentes.

Essa fragmentação era inevitável porque é uma consequência da liberdade em um mundo caído. O ensino bíblico afirma claramente que o pecado afetou o ser humano como um todo, inclusive nas áreas da razão, das emoções e dos desejos e vontades. Por esse motivo, a unidade espontânea de pensamento é inatingível neste mundo. Alie a isso a finitude dos seres humanos e você verá que é impossível que nós enxerguemos todos os lados de uma questão e vejamos tudo como Deus vê.

Mas essa fragmentação tão indesejada acaba sendo uma virtude celebrada na política. Os partidos políticos são como as diferentes denominações protestantes. Cada um deles possui (ou deveria possuir) um programa ideológico, com propostas concretas diferentes sobre como a Constituição deve ser interpretada e executada. E como a Constituição não é a Bíblia Sagrada, eles possuem visões diferentes até de como deveria ser o texto constitucional. Mas, embora sejam partidos diferentes, ainda são parte de um mesmo país. E essa pluralidade político-partidária tem evitado totalitarismos e corrigido erros por meio da alternância de poder.

E é aí que a liberdade trazida pela Reforma se transforma em cura. O que os católicos não entendem é que, embora existam muitas denominações, os protestantes se vêem como parte de uma única Igreja de Cristo. Por isso não digo “igrejas” protestantes, mas sim “denominações”. E, assim como os partidos políticos podem ser classificados em grandes categorias, também as denominações, embora muitas, acabam seguindo um número bem menor de escolas protestantes de pensamento. Há esquerda e há direita, mas há calvinistas, luteranos, herdeiros do anglicanismo, batistas e pentecostais. Dificilmente alguma denominação estaria fora desse enquadramento geral.

Mais do que isso: as diferentes tradições protestantes se complementam. Por mais que eu, por exemplo, considere a tradição calvinista como sendo a mais fiel intérprete do texto bíblico, aprecio muito as contribuições que outras tradições trouxeram ao cristianismo. Este blog é uma pequena demonstração disso, pois embora sejamos cinco calvinistas, todos temos algumas afinidades com outras tradições que moldaram ou moldam a nossa fé até hoje.

E o Brasil?
Mas vamos parar de falar de 1517 e irmos a 2018. Hoje, às vésperas do segundo turno de eleições presidenciais, o país todo teme a volta do totalitarismo. Um grupo teme o advento de uma ditadura socialista, outro o de uma ditadura militar. E aqui eu convido os dois lados a encontrarem na Reforma e nas Escrituras os princípios que podem evitar esse perigo.

A Reforma é o reconhecimento de que o ser humano é pecador e que nenhum de nós pode ter poderes em excesso. Se trouxermos esse reconhecimento para a esfera civil, entenderemos que nenhum político, partido ou Estado pode ter um poder ilimitado. É preciso que tenhamos um documento, uma constituição para a qual possamos apelar, inclusive contra as autoridades constituídas, caso elas se corrompam.

Além do limite constitucional, é preciso que o poder seja compartilhado. Esse compartilhamento pode ser maior ou menor (congregacionais e presbiterianos que o digam), mas é necessário. O povo não apenas deve ser ouvido, mas também deve assumir a responsabilidade de aprovar leis e governar.

E, uma vez que a unidade perfeita só virá quando Cristo voltar, é preciso que convivamos com uma pluralidade de opiniões. Claro, é preciso que exista um consenso em torno de valores básicos e essenciais. Mas há amplo espaço para debates e discordâncias respeitosas em assuntos secundários. A liberdade sempre trará diferenças consigo. E, desde que o principal seja preservado, a liberdade não é uma inimiga da unidade que desejamos como Brasil.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro